O castigo de 12 dias de suspensão e de 1250 euros de multa aplicado pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes de Futebol Profissional ao treinador do Sporting, Paulo Bento, por declarações proferidas após o célebre Benfica-Sporting dos penáltis que ficaram por marcar é insustentável e só prova que o futebol português continua mergulhado num regime hipócrita e fascistóide.
Paulo Bento acaba por ser castigado por ter a ousadia de ter opinião, o que, em bom rigor, significa que, para a Liga de Clubes (tal como no passado para a Federação Portuguesa de Futebol), os agentes do futebol, sejam jogadores, dirigentes ou árbitros devem ser burros mansos sem direito a pensar e a dizer o que pensam. Com estas decisões, jamais o futebol português será positivo, ao contrário do que diz o “slogan” da Liga de Clubes.
O curioso é que Paulo Bento foi castigado por falar em voz alta daquilo que, no fundo, correspondeu a uma realidade: houve más arbitragens que prejudicaram o Sporting. O que, aliás, foi confirmado pela própria Liga de Clubes. Vejamos os factos:
No jogo Porto-Sporting, em 26 de Agosto, a equipa leonina sofreu a primeira derrota na Liga na sequência de um livre indirecto dentro da área, a favor dos “dragões”, pelo facto de o árbitro Pedro Proença ter “transformado” um corte de Anderson Polga num atraso deliberado ao guarda-redes Stoykovic. O Sporting foi ainda prejudicado no plano disciplinar, sendo permissivo em relação ao jogo físico dos atletas do FC Porto. Num caso, até Ricardo Quaresma sentiu necessidade de pedir desculpa a Miguel Veloso… O observador do jogo nomeado pela Liga de Clubes, Manuel Faria, avaliou o trabalho de Pedro Proença como positivo, atribuindo-lhe uma nota de 3,6 numa escala de zero a cinco. Dias depois, a Comissão de Avaliação da Liga decidiu penalizar o árbitro, corrigindo a sua nota para 2,4, ou seja, uma prestação negativa.
No dia 29 de Setembro, o Sporting jogou com o Benfica na Luz, onde deixou dois pontos e foi também prejudicado pela arbitragem de Pedro Henriques, que foi colocado na “jarra” durante um mês. O observador deste jogo, Fernando Mateus, considerou, no entanto, que o árbitro fez um bom trabalho e deu-lhe uma nota de 3,4. Também neste caso, a Comissão de Avaliação da Liga, após analisar o vídeo do encontro, corrigiu a generosidade do observador e castigou Pedro Henriques com uma nota negativa (2,1).
Foi justamente neste quadro de sucessivas situações em prejuízo do Sporting – e numa altura em que o Benfica era salvo na Taça da Liga com um penálti nascido de um corte de cabeça que foi transformado num corte com a mão, no jogo com o Estrela da Amadora – que o treinador Paulo Bento, à falta de um discurso que deveria ser liderado pelo Conselho de Administração da SAD, resolveu dar o peito às balas, saindo em defesa do clube leonino. Não insultou, nem injuriou ninguém. Vejamos o que disse Paulo Bento, após o Benfica-Sporting, e comparemos esse “crime” com os erros grosseiros dos árbitros à vista de toda a gente:
"Houve lances polémicos, mas o mais preocupante é a total falta de critérios que os árbitros adoptam de jogo para jogo e a protecção que têm de quem os dirige."
"Em 24 horas, interrompeu-se um jogo, por indicação do árbitro-assistente e marcou-se a infracção assinalada, noutro pára-se o desafio e não se liga à indicação."
"O árbitro-assistente disse a um jogador do Sporting que ia marcar penálti, mas o árbitro diz que não marcou porque não viu: podia ter vindo apitar sozinho."
"Há falta de vergonha dos árbitros e de quem dirige a arbitragem."
"Parece que os auriculares servem apenas para enfeitar. Aquilo é para colocar nos ouvidos e comunicar."
"Muito mal estaria o nosso futebol e o País se fosse castigado por emitir a minha opinião."
"Se for castigado é sinal que continuamos a proteger a classe que mais desprestigia o futebol português."
Se um treinador ou outro agente do futebol não pode manifestar as suas opiniões, o futebol português nunca conseguirá dar a salto de qualidade de que tanto precisa. Em face disto, o Conselho de Administração do Sporting – que em devido tempo deveria ter liderado a contestação a este “sistema”, que prejudica primeiro para beneficiar depois, para dar uma ideia errada de que todos os grandes do nosso futebol são ajudados –, tem de apresentar recurso desta decisão e arranjar uma forma de evitar que Paulo Bento seja impedido de se sentar no banco no jogo deste sábado com o Paços de Ferreira. Porque este castigo é insustentável e envergonha o Sporting e o futebol português.
Paulo Bento acaba por ser castigado por ter a ousadia de ter opinião, o que, em bom rigor, significa que, para a Liga de Clubes (tal como no passado para a Federação Portuguesa de Futebol), os agentes do futebol, sejam jogadores, dirigentes ou árbitros devem ser burros mansos sem direito a pensar e a dizer o que pensam. Com estas decisões, jamais o futebol português será positivo, ao contrário do que diz o “slogan” da Liga de Clubes.
O curioso é que Paulo Bento foi castigado por falar em voz alta daquilo que, no fundo, correspondeu a uma realidade: houve más arbitragens que prejudicaram o Sporting. O que, aliás, foi confirmado pela própria Liga de Clubes. Vejamos os factos:
No jogo Porto-Sporting, em 26 de Agosto, a equipa leonina sofreu a primeira derrota na Liga na sequência de um livre indirecto dentro da área, a favor dos “dragões”, pelo facto de o árbitro Pedro Proença ter “transformado” um corte de Anderson Polga num atraso deliberado ao guarda-redes Stoykovic. O Sporting foi ainda prejudicado no plano disciplinar, sendo permissivo em relação ao jogo físico dos atletas do FC Porto. Num caso, até Ricardo Quaresma sentiu necessidade de pedir desculpa a Miguel Veloso… O observador do jogo nomeado pela Liga de Clubes, Manuel Faria, avaliou o trabalho de Pedro Proença como positivo, atribuindo-lhe uma nota de 3,6 numa escala de zero a cinco. Dias depois, a Comissão de Avaliação da Liga decidiu penalizar o árbitro, corrigindo a sua nota para 2,4, ou seja, uma prestação negativa.
No dia 29 de Setembro, o Sporting jogou com o Benfica na Luz, onde deixou dois pontos e foi também prejudicado pela arbitragem de Pedro Henriques, que foi colocado na “jarra” durante um mês. O observador deste jogo, Fernando Mateus, considerou, no entanto, que o árbitro fez um bom trabalho e deu-lhe uma nota de 3,4. Também neste caso, a Comissão de Avaliação da Liga, após analisar o vídeo do encontro, corrigiu a generosidade do observador e castigou Pedro Henriques com uma nota negativa (2,1).
Foi justamente neste quadro de sucessivas situações em prejuízo do Sporting – e numa altura em que o Benfica era salvo na Taça da Liga com um penálti nascido de um corte de cabeça que foi transformado num corte com a mão, no jogo com o Estrela da Amadora – que o treinador Paulo Bento, à falta de um discurso que deveria ser liderado pelo Conselho de Administração da SAD, resolveu dar o peito às balas, saindo em defesa do clube leonino. Não insultou, nem injuriou ninguém. Vejamos o que disse Paulo Bento, após o Benfica-Sporting, e comparemos esse “crime” com os erros grosseiros dos árbitros à vista de toda a gente:
"Houve lances polémicos, mas o mais preocupante é a total falta de critérios que os árbitros adoptam de jogo para jogo e a protecção que têm de quem os dirige."
"Em 24 horas, interrompeu-se um jogo, por indicação do árbitro-assistente e marcou-se a infracção assinalada, noutro pára-se o desafio e não se liga à indicação."
"O árbitro-assistente disse a um jogador do Sporting que ia marcar penálti, mas o árbitro diz que não marcou porque não viu: podia ter vindo apitar sozinho."
"Há falta de vergonha dos árbitros e de quem dirige a arbitragem."
"Parece que os auriculares servem apenas para enfeitar. Aquilo é para colocar nos ouvidos e comunicar."
"Muito mal estaria o nosso futebol e o País se fosse castigado por emitir a minha opinião."
"Se for castigado é sinal que continuamos a proteger a classe que mais desprestigia o futebol português."
Se um treinador ou outro agente do futebol não pode manifestar as suas opiniões, o futebol português nunca conseguirá dar a salto de qualidade de que tanto precisa. Em face disto, o Conselho de Administração do Sporting – que em devido tempo deveria ter liderado a contestação a este “sistema”, que prejudica primeiro para beneficiar depois, para dar uma ideia errada de que todos os grandes do nosso futebol são ajudados –, tem de apresentar recurso desta decisão e arranjar uma forma de evitar que Paulo Bento seja impedido de se sentar no banco no jogo deste sábado com o Paços de Ferreira. Porque este castigo é insustentável e envergonha o Sporting e o futebol português.
4 comentários:
PBento também é vítima da política de comunicação do Sporting. Falta uma personagem com credibilidade e que não ande a reboque dos acontecimentos e que marque a agenda da informação sobre o futebol em geral e sobre o Sporting em particular; ié, falta uma estratégia de comunicação.
ps: Pedro Barbosa poderia ajudar e ser um pouquinho mais interveniente mas ele nunca gostou de jornalistas...e estes também não vão há bola com ele.
"não vão à bola com ele"
O director do jornal aparece sempre de braços cruzados. Não tem peso nenhum na Comunicação Social em Portugal. Não sabe articular ideias, confunde «arguido» com «acusado», é uma tristeza para o Sporting.
Acho que o Paulo Bento não tinha nada que dar a cara. A Direcção é que o devia fazer. Ele, como treinador, tem de treinar, não tem de dizer que o clube foi prejudicado. Isso é o Presidente que deve fazer e não ele. Se o faz viola as regras de boa conduta desportiva. O director não. Ele pode fazer isso. É para isso que ele existe. E se não o faz, é por alguma razão. Mas a responsabilidade é dele. O Paulo Bento fez mal.
Acho muito mau que se discuta erros de arbitragem quando há erros de arbitragem que beneficiam e que prejudicam. Não há mais que prejudicam e menos que beneficiam. Isso é mentira. Ninguém nunca fez o balanço disto. Por isso, falar em erros de arbitragem para sustentar protestos é uma atitude ressabiada. Digo mais uma vez. Se alguém deve protestar é o Presidente do Sporting. Porque o assunto da corrupção no futebol deve ser assumido ao mais alto nível.
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