O Grande Prémio Internacional de Ciclismo de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho vai para a estrada no próximo dia 11 de Julho, mas a organização da prova está a passar por momentos difíceis, por alegado afastamento de um dos principais patrocinadores. É uma prova de ciclismo cuja primeira edição, realizada em 1985, foi ganha pelo Sporting/Raposeira e que existe precisamente em memória de um grande ciclista que começou com a camisola do Sporting, que andou nas voltas à França a puxar pela auto-estima dos emigrantes portugueses e que morreu com a camisola do Sporting ao ser atropelado por um cão numa Volta ao Algarve de má memória para o desporto nacional. Ainda há poucos meses, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, participou numa cerimónia de homenagem ao grande Joaquim Agostinho. É talvez a Joaquim Agostinho que Sporting deve o facto de ter milhares e milhares de adeptos espalhados pelo interior do país – nomeadamente naquelas vilas e aldeias onde a única camisola verde e branca que lá chegava era do Joaquim Agostinho por alturas da Volta a Portugal. Estamos, portanto, perante uma figura a quem o Sporting muito deve, mas a quem o clube ainda não prestou a devida homenagem. Essa devida homenagem seria o regresso em força do Sporting ao ciclismo. Haverá, certamente, patrocinadores interessados em investir num projecto desses, desde que o Sporting apresente um plano desportivo credível. Sabemos que os tempos não correm a favor do eclectismo. Mas há modalidades que foram vitais para a gloriosa história do Sporting e que, em nome da memória colectiva da chamada família sportinguista e em nome da projecção do Sporting no país e no mundo, deveriam ser preservadas. E o ciclismo é uma dessas modalidades. Tanto mais que, se o Sporting investisse no ciclismo, também estaria a investir no futebol. Uma Volta a Portugal em ciclismo, por exemplo, seria uma oportunidade para o clube realizar uma grande operação de marketing por todo o país, com a presença de antigas glórias do futebol e até de outras modalidades, que até poderia resultar na captação de novos sócios ou na venda de “gameboxes” para a temporada de futebol. O desígnio de fazer do Sporting "um grande clube, tão grande como os maiores da Europa", expresso pelo Visconde de Alvalade, há 101 anos, também passa por aqui.