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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Adeus, Liga dos Campeões!

O Sporting empatou a um golo com a Fiorentina (depois de um empate a dois golos em Alvalade) e foi afastado da Liga dos Campeões 2009-2010. É o regresso à Europa dos pequeninos. FOTO: AFP - Getty Images

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Em Florença, lembrem-se deste jogo...


LEÕEZINHOS À SOLTA...

Confesso que não estava à espera de uma vitória sobre o poderoso Inter de Milão. Por várias razões. O Sporting é uma equipa jovem e sem grande experiência internacional ao mais alto nível e apresentava-se desfalcado de jogadores nucleares na zona central do campo. A repetição do 0-0 do jogo da pré-temporada já seria, por isso, "um bom resultado". Mas os 90 minutos de um jogo intenso e disputado a grande ritmo revelaram um Sporting quase perfeito, a jogar um futebol total, atacando e defendendo em bloco, um Sporting combativo, competitivo e harmonioso, capaz de justificar a vitória por 1-0, conquistada através de um golo estupendo de Marco Caneira.
A partir de hoje, há leõezinhos à solta na Europa do futebol. A partir de hoje, os holofotes do futebol internacional voltam-se para Lisboa e Alcochete. Importa não perder o pé e continuar a trabalhar com afinco e humildade. Importa interpretar correctamente o discurso sereno e realista do treinador Paulo Bento, interiorizando as ideias centrais. Afinal, o Sporting tem seis pontos da Superliga e três pontos na Liga dos Campeões, mas ainda não ganhou nada. Um discurso talvez pouco adequado a uma noite de glória como esta, tal a valia e o poder do adversário italiano que hoje caiu em Alvalade. Mas um discurso cem por cento certo para que a equipa leonina continue com os pés assentes no chão, semeando qualidade e profissionalismo por essa Europa fora e demonstrando que o futebol português que acontece dentro das quatro linhas não tem nada a ver com quem o dirige e o regula fora delas.

[Crónica do LEÃO DA ESTRELA sobre o jogo Sporting-Inter de Milão 1-0, disputado em 12-09-2006, em Alvalade, a contar para a 1ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões 2006-2007. O Sporting, treinado por Paulo Bento, alinhou: Ricardo; Abel, Tonel, Anderson Polga e Caneira; João Moutinho, Miguel Veloso, Nani e Romagnoli; Liedson e Yannick Djaló. Jogaram ainda: Alecsandro e Rodrigo Tello. Destes jogadores, ainda estão no Sporting (e convocados para Florença) todos os defesas (com excepção do guarda-redes), metade do meio-campo e todo o ataque que está disponível para a Fiorentina. Ou seja, da equipa que venceu o Inter de Milão em 2006 estarão em Florença, nesta quarta-feira, nada mais nada menos do que 8 jogadores! Quase a equipa completa! Não parece, mas é verdade!...]

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Noite de traições em Alvalade

O melhor Sporting da temporada foi incapaz de vencer a Fiorentina, que arrancou um empate a dois golos em Alvalade, ficando em vantagem para o jogo da segunda mão deste “play-off” de apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, deixando a equipa leonina à beira de falhar um objectivo determinante para o resto da época.
Por aquilo que vimos ao longo do jogo, o empate fica a dever-se mais à falta de categoria internacional do sector defensivo do Sporting do que à capacidade futebolística evidenciada pelos italianos. É certo que, pelo desempenho até agora mostrado pelo Sporting, seria muito difícil vencer a Fiorentina. Só que a equipa de Paulo Bento, mostrando que está a crescer, revelou uma qualidade de jogo que nunca se tinha visto nesta temporada, tendo, porém, sido traída pela falta de categoria de jogadores como Pedro Silva (responsabilidades no primeiro golo italiano), Anderson Polga (no segundo golo italiano) ou Vukcevic, que deveria ser exemplarmente castigado pela Sporting SAD pela sua irresponsabilidade, uma vez que, sabendo que tinha um cartão amarelo, tirou a camisola para festejar o golo do empate a um (quando deveria ter ido buscar a bola ao fundo da baliza para que o jogo recomeçasse rapidamente), tendo sido expulso por acumulação de amarelos, o que complicou a tarefa de revirar o marcador - pois a equipa leonina estava a perder desde os minutos iniciais - e segurar a vantagem.
O Sporting, que deve a Rui Patrício o facto de não ter sido derrotado, falhou o objectivo de vencer a partida também por causa da traição de um árbitro muito habilidoso (falta de categoria ou cedência intencional ao poderio italiano), que poupou duas expulsões à Fiorentina, pelo que interferiu no desenrolar da partida e no respectivo resultado final.
Mesmo com todas estas contrariedades, o Sporting, solidário e galvanizado, ainda conseguiu chegar à vantagem por 2-1, através de um golo monumental de Miguel Veloso – provocando, ironicamente, uma enorme explosão de alegria em Paulo Bento e no público, incansável no apoio à equipa – mas foi incapaz de segurar o resultado por mais facilidades concedidas pelo sector defensivo, onde tem sido notória a falta de elementos física e mentalmente fortes, nomeadamente nas linhas laterais, mas também na zona central, onde Anderson Polga parece estar a perder o comboio do futebol europeu. Pelo que as lacunas do plantel leonino não estão no meio-campo, mas sim no sector mais recuado.
Foi precisamente depois desse segundo golo, que fez explodir as bancadas de Alvalade, que o Sporting - que teve em Rui Patrício, João Moutinho, Miguel Veloso, Matías Fernández e, a espaços, Liedson, algumas das melhores exibições - passou a jogar melhor, com os seus jogadores mais libertos e audazes, porém, com a dificuldade acrescida de estar com um elemento a menos. Donde, a expulsão de Vukcevic pesou muito no desenrolar do jogo e no desempenho colectivo.
Como ficou a ganhar desde muito cedo (6'), a Fiorentina foi uma equipa passiva, oferecendo a bola ao Sporting sem deixar de controlar o jogo, só acelerando verdadeiramente quando ficou em desvantagem no marcador e estava em vantagem numérica, pela expulsão de Vukcevic. Por parte do Sporting, já são sete jogos sem ganhar. E a Liga dos Campeões está seriamente ameaçada, embora tudo ainda seja possível. FOTOS: Armando França (Associated Press) e AFP-Getty Images

Paulo Bento e a Fiorentina

“Sabemos que não fizemos nos primeiros três jogos oficiais exibições que levem a que os sócios e simpatizantes possam estar satisfeitos. Sabemos que não ganhámos nenhum desses jogos, mas também é verdade que não perdemos nenhum. Também é verdade que numa eliminatória alcançámos o objectivo, senão não estávamos agora aqui a discutir esta. Sabemos também que jogámos o primeiro jogo do campeonato não fazendo a melhor exibição possível em casa do quarto classificado [da temporada passada]. Ao fim da primeira jornada temos os mesmos pontos dos outros candidatos ao título. Quando olhamos à volta nada disto parece verdade.”

“Os objectivos que tínhamos para alcançar até aqui foram atingidos. Com muita dificuldade, mas com justiça. Porque quando se fala de sorte por termos marcado um golo na Holanda [na segunda “mão” da pré-eliminatória de acesso] ao minuto 93 ou 94, deveria falar-se também do azar por sofrer um golo no primeiro minuto quando o adversário ainda nada tinha feito para o merecer, ou então por termos falhado um penálti, na primeira mão, que nos dava vantagem em superioridade numérica.”

"Temos consciência que não estamos a jogar bem em termos ofensivos, mas continuamos a ser uma boa equipa defensivamente."

"A equipa jogou de uma forma diferente no jogo com o Nacional do que tinha feito nos dois jogos com o Twente. Fomos uma equipa mais organizada, que continuou a demonstrar boa disponibilidade e capacidade mental para reagir a dois momentos adversos: o golo do Twente logo no primeiro minuto, e a situação de desvantagem na Madeira. Temos capacidade e motivação para fazer um bom jogo e jogar melhor [com a Fiorentina], e a convicção que podemos fazer um resultado que nos permita continuar a discutir a eliminatória em Florença."

"A vitória é sempre o melhor resultado."

"O empate sem golos também será positivo, mas, o Sporting nunca joga em casa para empatar."

“O Sporting não precisa de um milagre [frente à Fiorentina]. Precisa, sim, de organização, talento, coragem, convicção e, naturalmente sorte, que faz parte do jogo. Posso garantir que não fui a Fátima pedir o que quer que seja.”

"A única coisa em que acredito é no talento dos meus jogadores e não em muito mais coisas."

“[A Fiorentina] é uma equipa com qualidade, com uma organização colectiva muito boa, com princípios de jogo muito fortes, muito coesa defensivamente e com jogadores com talento. Temos de ter cuidado, porque, muitas vezes, quando se joga contra equipas italianas pode-se ser dono da bola, mas não se é dono do jogo. Temos de saber o que temos de fazer com a bola e estar prevenidos para o momento da perda da bola que é normalmente uma arma das equipas italianas: terem de fazer pouco para alcançarem um golo e obrigarem os adversários a trabalhar muito para marcarem.”

Paulo Bento, na conferência de imprensa de lançamento do jogo Sporting-Fiorentina, da primeira mão do “play-off” de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, que se disputa nesta terça-feira, às 19h45, no Estádio de Alvalade
FOTO: "Record Online"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Holandeses do FC Twente na rota do Sporting

Vermelho como o rival histórico de Lisboa, o FC Twente, segundo classificado no último campeonato holandês com 69 pontos (menos 11 que o campeão Alkmaar, de boa memória para a equipa leonina), será o adversário do Sporting na terceira pré-eliminatória de apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões 2009-2010. O jogo de apresentação da equipa sportinguista, neste sábado, em Alvalade, com o Feyenoord, sétimo classificado na mesma liga holandesa, com menos 24 pontos que o FC Twente, será, assim, um excelente teste para aferir das possibilidades de o Sporting ultrapassar o primeiro obstáculo europeu da temporada.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O génio de Cristiano Ronaldo

Os grandes jogadores são assim. Num gesto improvável e repentino, Cristiano Ronaldo arrancou um remate fantástico, quase a 40 metros da baliza de Helton, e decidiu a passagem do Manchester United às meias-finais da Liga dos Campeões, deixando pelo caminho um FC Porto que prometera muito em Inglaterra, mas que não conseguiu cumprir no Dragão.
O FC Porto confirma o estatuto de melhor equipa portuguesa, sendo a última a deixar a Europa. Isto no ano em que o Sporting, também na Liga dos Campeões, conseguiu reunir numa só eliminatória o melhor e o pior de sempre: alcançou, pela primeira vez, os oitavos-de-final, mas não resistiu ao Bayern de Munique, tendo sofrido as duas goleadas mais pesadas da sua história europeia. Na UEFA, o Sporting de Braga também caiu nos oitavos-de-final, mas caiu de pé. Já o Benfica - que foi o clube português que mais investiu na compra de jogadores - foi uma desilusão.
Estamos em Abril e a temporada vai sendo definida para as equipas portuguesas, que agora só têm compromissos internos. O FC Porto tem uma vantagem de 4 pontos sobre o Sporting para gerir nas seis jornadas que restam da Liga. E tem ainda a Taça de Portugal, onde é superfavorito. O Benfica está fora da Taça de Portugal, ganhou a Taça da Liga da forma que todos sabemos e, na Liga, tudo indica que voltará a classificar-se abaixo do segundo lugar e atrás do Sporting, pelo quarto ano consecutivo.
O Sporting, que também ficou pelo caminho na Taça de Portugal e voltou a perder a Taça da Liga no desempate por grandes penalidades, conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira, tendo hipóteses matemáticas de ser campeão nacional, embora dependa de um trambolhão portista. Se não for campeão, o Sporting atravessará os 12 meses de 2009 sem festejar qualquer título nacional, como aconteceu nos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006. FOTO: PA Photos

terça-feira, 7 de abril de 2009

O segredo do FC Porto

O FC Porto empatou em Manchester (2-2) e tornou-se num sério candidato à conquista da Liga dos Campeões 2008-2009. Depois da extraordinária exibição em Inglaterra, tudo pode acontecer. E se o FC Porto conquistar a Liga dos Campeões, ultrapassa o Benfica ao nível das conquistas europeias, o que será uma ambição secreta de Pinto da Costa, tornando o clube nortenho na maior força internacional do futebol português.
O FC Porto teve um arranque de jogo avassalador, silenciou Old Trafford, actuou como se estivesse no Estádio do Dragão e controlou as operações até ao fim. Também cometeu erros (o de Bruno Alves foi fatal), mas soube reagir com personalidade e força colectiva, que também se demonstra nos maus momentos. Em suma, o FC Porto revelou fibra, revelou estatura europeia e qualidade de campeão.
Este sucesso europeu do FC Porto ganha ainda mais significado no ano em que o Sporting foi humilhado pelo Bayern da forma que todos sabemos e também no ano em que o Benfica não obteve uma única vitória na fase de grupos da Taça UEFA, tendo sido também humilhado por uma equipa grega cujo nome não me ocorre.
O exemplo do FC Porto contradiz a opinião de muitos teóricos, segundo os quais não é possível ter mais do que uma equipa portuguesa que seja competitiva no plano internacional. É evidente que é possível, desde que haja organização e trabalho, muito trabalho.
O FC Porto jogou e correu porque trabalha durante a semana. O FC Porto calou Manchester porque o seu departamento de futebol cuida de todos os pormenores que rodeiam os jogadores. Se têm o cabelo grande, eles cuidam de mudar o corte (reparem como Cristiano Rodriguez já não tem a cabeleira que exibia em Lisboa…). Se há jogadores com mais apetência para a diversão nocturna, há um “cão de guarda” (é assim que é carinhosamente conhecido) que cuida de vigiá-los para que recolham a casa à meia-noite (no caso, a função é de João Pinto, que só é treinador-adjunto para “trabalhar” a vida dos jogadores). Se há um jogador que demonstre um comportamento mais estranho ou menos consentâneo com a “cultura de vitória” que se respira no clube, há um psicólogo que entra na vida do atleta. Tudo isto é invisível, mas tudo isto é real, fazendo do FC Porto um clube de sucesso, enquanto os "grandes" de Lisboa continuam embrulhados nos seus equívocos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Muito medo e muitos equívocos

SPORTING-BAYERN DE MUNIQUE, 0-5 (1/8 de final da Liga dos Campeões) - Independentemente do jogo com o FC Porto, que só se disputa no próximo sábado (e não deveria ser jogado no domingo?...), seria expectável que quatro dias chegassem para que os jogadores do Sporting tivessem recuperado do esforço decorrente da partida de sábado com o Benfica. Pelos vistos, Paulo Bento viu-se obrigado a “gerir o esforço” dos jogadores e, frente ao Bayern de Munique, apresentou alguns que têm sido suplentes nas últimas semanas. Foi assim que, de uma assentada, o treinador leonino promoveu três mudanças no quarteto defensivo e uma no meio-campo. Isto sem contar com o impedimento do guarda-redes Rui Patrício. Muitas alterações perante um adversário tão difícil como o Bayern. A não ser que, em Alvalade, alguém tenha acreditado que a equipa alemã estava mesmo muito mal…
A verdade é que o Sporting, que conseguira uma resença inédita nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, voltou a fraquejar no plano internacional, revelando-se incapaz de se impor perante adversários mais exigentes. A equipa teve medo de jogar e de fazer história, pois poderia ter ganho pela primeira vez em provas da UEFA a uma equipa alemã, e acabou humilhado, vergonhosamente humilhado, em Alvalade, pelo Bayern de Munique, perdendo por 5-0 e ficando praticamente afastado da Liga dos Campeões. Foi a maior derrota europeia do Sporting no Estádio de Alvalade (e a vitória mais expressiva dos alemães, como visitantes, em jogos da UEFA), que desbaratou a força anímica leonina, que tinha sido gerada pela vitória sobre o Benfica. Na semana em que a equipa de Paulo Bento tem um compromisso muito importante, com o FC Porto, no Dragão, para a Liga Portuguesa, não poderia ter sido pior.
A equipa alemã ainda respeitou a equipa portuguesa, começando recuada e impondo um ritmo baixo – embora acelerando nas transições ofensivas. A ideia de não espantar a caça resultou, pois o Sporting não entrou em força, não fez por ter vida própria e entrou no jogo calculista dos alemães, acabando por se embrulhar nos seus equívocos, de resto, já conhecidos: falta de agressividade sobre a bola, falta de profundidade ofensiva, pouca velocidade, um jogo muito encolhido, muita desconcentração competitiva e uma equipa pouco compacta e pouco colectiva. Os alemães cedo viram isso e, com facilidade, passaram a mandar no jogo, roubando a bola ao adversário e jogando simples. E quando não conseguiam roubá-la, era o Sporting que a oferecia. Como fez Derlei, para o primeiro golo alemão, pouco antes do intervalo, que fez Alvalade descer à terra.
Na segunda parte, o futebol leonino dava mostras de continuar adiado. Só a desconcentração continuava em campo. A forma irritantemente incompetente como Abel ignorou o jogador que deveria marcar facilitou o segundo golo. O ataque às pernas de um avançado contrário, dentro da área, num assomo de agressividade gratuita de Rochemback, levou Tiago a encaixar o terceiro, de grande penalidade. Muitos erros para um só jogo desenhavam o escândalo em Alvalade. Para os alemães, ainda faltava muito tempo para o fim. Para eles, tinha começado um treino. Para o Sporting, uma noite de pesadelo.
Quanto à “gestão do esforço” de Paulo Bento, considero-a altamente questionável (até porque Rochemback foi poupado…). De resto, não sei o que é que Romagnoli, um jogador franzino que perde um duelo com um sopro, tinha melhor do que o jovem e poderoso Vukcevic, perante um conjunto alemão muito forte fisicamente. Como não sei como é que Vukcevic estava cansado de tantos jogos, ele que esteve parado meia temporada. Também não sei quantos centímetros terá dado à equipa a entrada de Abel para o lugar de Pedro Silva, que é mais forte, mais alto e tem poucos jogos nas pernas. E se havia jogo para Tonel voltar à titularidade, não poderia ter sido este – mais a mais porque Daniel Carriço, que é um jovem em afirmação, não deveria estar cansado de ter jogado contra o Benfica.
Importa agora esquecer rapidamente este jogo vergonhoso. No sábado, há mais um “jogo do título”, no Dragão. E no final do mês de Março, há uma taça para ganhar ao Benfica no Algarve. Este ano, o Sporting já levou “5” do Real Madrid, do Barcelona e do Bayern de Munique. Os jogadores do Sporting podem formar uma equipa sem dimensão europeia. Pelo menos, que nos mostrem que ainda têm dimensão nacional. FOTOS: José Manuel Ribeiro (Reuters) e AFP - Getty Images

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Sporting e o momento do Bayern de Munique

Nas últimas semanas, uma ideia peregrina tem ganho terreno na imprensa desportiva portuguesa e entre os comentadores futebolísticos que participam nos vários fóruns mediáticos: a ideia de que o Bayern de Munique está em mau momento e que, por consequência, o Sporting tem a tarefa facilitada nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
Escusado será dizer que se trata de uma ideia completamente estúpida e perigosa. Estúpida porque o Bayern de Munique é sempre o Bayern de Munique, mais a mais jogando na Liga dos Campeões - uma prova onde as grandes equipas aparecem sempre, por muito mau desempenho que registem nas provas dos respectivos países. E perigosa porque poderá ter duas consequências: por um lado, "adormecer" a equipa do Sporting, entre dois compromissos internos reconhecidos como difíceis e decisivos (o Benfica, já ultrapassado com êxito, e o FC Porto, agendado para o próximo fim-de-semana, no Dragão); por outro lado, essa ideia da fragilidade conjuntural do Bayern só pode contribuir para menorizar o feito da equipa do Sporting em caso de sucesso na eliminatória.
A questão é muito simples: o Bayern de Munique é uma das melhores equipas do mundo, que joga o seu prestígio e o seu orgulho ferido na maior prova europeia de clubes, pelo que requer o melhor Sporting - pelo menos igual ao que ganhou ao Benfica - de modo a que a equipa leonina aceda aos quartos-de-final e continue a fazer história na Liga dos Campeões. É esta a ideia que Paulo Bento tem de incutir na cabeça dos jogadores. Para o Sporting, a semana é decisiva em Portugal e na Europa, pelo que é agora que os jogadores leoninos têm de provar que valem os milhões que preenchem os seus passes.
Para ultrapassar o Bayern e seguir em frente na Liga dos Campeões, o Sporting tem de ser competente e ambicioso, genial e destemido, esforçado e glorioso, confiante e intenso, como foi contra o Benfica... Qualquer discurso que procure reduzir a força alemã pretende, unicamente, o fracasso do Sporting. E ponto final.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Encarar o Bayern de Munique

Encarar o poderoso Bayern de Munique sem falsas expectativas ou temores infundados é acreditar num jogo de futebol como uma disputa de onze contra onze que têm como objectivo meter a bola na baliza do adversário. Onze contra onze que representam duas equipas que estão, por direito próprio, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E que terão dois jogos entre si, em dois dos melhores palcos da Europa.
Como diria José Mourinho (para quem a qualidade do Manchester United só contribuirá para motivar ainda mais os jogadores do Inter de Milão, que não deixa de ser uma atitude paradigmática…), ao defrontar o Bayern de Munique, os jogadores do Sporting têm todas as condições para mostrar o que valem ao serviço do seu clube e, assim, justificarem as notícias constantes que dão alguns deles como futuros reforços de grandes clubes europeus. É agora que queremos ver o que valem Miguel Veloso, João Moutinho, Yannick Djaló, Liedson e companhia.
Encarar o Bayern de Munique como deve ser é ter a consciência de que quem joga no Sporting representa uma grande equipa portuguesa, com história feita no futebol europeu e que é responsável pela formação de alguns dos melhores futebolistas do mundo. É ter a consciência de que há 50 por cento de hipóteses para cada lado porque, quem chega a esta fase da Liga dos Campeões, só pode pensar em ganhar qualquer jogo que apareça no sorteio, por muito difícil que seja o obstáculo. É, também, ter a consciência de que representar o Sporting Clube de Portugal e ter a possibilidade de defrontar o Bayern de Munique na mais importante prova de clubes do planeta – o “Mundial de Clubes” não tem nada a ver com a Liga dos Campeões – é um privilégio que não está ao alcance de muitos jogadores no mundo inteiro.
Por tudo isto, o Bayern de Munique tem de ser um convite ao melhor que os jogadores do Sporting têm para dar, para que o clube de Alvalade siga em frente numa eliminatória gloriosa ou caia de cabeça bem levantada sem se desculpar com o medo paralisante da putativa qualidade superior do adversário. Porque o Sporting tem de ser sempre o melhor clube do mundo!...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Yannick e Tiago decisivos em Basileia

Os regressados Yannick Djaló (que teve lugar face à lesão de Liedson), pelo golo que marcou, e Tiago (que rendeu o castigado Rui Patrício), pelos golos que evitou na baliza leonina, foram decisivos na noite de Basileia, onde o Sporting, ao vencer por 1-0, confirmou a sua melhor prestação de sempre na Liga dos Campeões (tal como hoje é disputada), com quatro vitórias em seis possíveis na primeira fase daquela que é a prova de clubes mais importante do mundo, que resultaram em doze pontos, para a história desportiva, e 10,8 milhões de euros, para os cofres do clube - um registo histórico.
O Basileia revelou-se uma presa fácil para os "leões", que até marcaram cedo (15'). Frágil a defender, a equipa suíça revelou muita disponibilidade e força física, mas tinha contra si a conhecida falta de jeito na hora da decisão. Daí que as falhas defensivas do Sporting, que foram notórias, tivessem passado despercebidas no resultado final, o que, certamente, não aconteceria se o adversário fosse de outro quilate...
Em vez de correr em busca do segundo golo, de modo a garantir a vitória esperada, a equipa portuguesa preferiu manter um ritmo baixo, deixando o adversário jogar e procurando aproveitar eventuais erros contrários. Mais uma vez, Paulo Bento correu riscos desnecessários, devendo agradecer ao guarda-redes Tiago pelo naipe de boas defesas que executou nos momentos finais da partida, quando a equipa de Basileia, muito apoiada pelo seu público, apesar de só ter ganho alguma experiência internacional nesta Liga dos Campeões, procurava com vigor o golo do empate, sobre um Sporting cada vez mais recuado, a perder o controlo do jogo e só à espera do apito final. Os emigrantes portugueses que estiveram em Basileia porque amam o Sporting e tudo o que seja de Portugal mereciam melhor...
Não falta quem argumente que o Sporting de Paulo Bento regista a melhor participação desportiva e financeira de sempre da Liga dos Campeões. É verdade. E todo o futebol leonino merece o aplauso da nação sportinguista por ter alcançado esse objectivo histórico de passar à segunda fase da prova. Porém, dos seis jogos realizados, quatro dos quais foram ganhos pelo Sporting (cinco golos, apenas, renderam doze pontos!), o que é que, de extraordinário, fica na memória dos sportinguistas? Provavelmente, só a vergonhosa derrota com o Barcelona, por 5-2, em Alvalade...
Finalmente, causou alguma estranheza a forma triste como Yannick Djaló (não) festejou o golo que marcou e decidiu o jogo. Na esteira, aliás, de um futebol da equipa que é tudo menos atractivo e empolgante. Nada de anormal ou um "recado" para o treinador, de um jogador que começou bem a época, motivado e a marcar golos, e foi desaparecendo à medida que Liedson foi regressando, voltando agora que o brasileiro estava impedido de jogar?... FOTO: AFP - Getty Images

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Liga dos Campeões não é a Liga Intercalar...

Diziam que era um jogo sem a pressão de ganhar, dado já estar assegurado o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, e os jogadores do Sporting parece que interpretaram à letra essa expectativa, encarando o Barcelona como quem joga em Alvalade com o Estrela da Amadora para o campeonato português. Só que a Liga dos Campeões não é a Liga Portuguesa ou a Liga Intercalar. O Barcelona, que joga todas as semanas numa das ligas mais competitivas da Europa, tendo, por isso, outro ritmo de jogo e outra capacidade física, e que possui um grupo de jogadores de grande qualidade técnico-táctica, não poderia ter encontrado a liberdade que teve para jogar, para conduzir a bola, para pensar muito antes de decidir.
Demonstrando os mesmos erros que muitas vezes evidencia nos jogos das competições internas, o Sporting perdeu pela atitude reverente do seu jogo lento e inconsequente, no pouco tempo em que teve a bola em seu poder, mesmo perante um Barcelona que até foi poupado nas opções que colocou em campo. Por outro lado, a desconcentração defensiva leonina – que teve em Anderson Polga e Marco Caneira os seus principais intérpretes – acabou por oferecer ao adversário uma goleada histórica (2-5) em jogos internacionais. Na verdade, não me lembro de o Sporting perder em Alvalade por cinco golos para as provas da UEFA.
Para além da desconcentração defensiva, que resultou em três golos oferecidos que, em condições normais, o Barcelona não marcaria, o Sporting não soube fazer a bola circular, enfim, não soube jogar. Paulo Bento chamou-lhe “ingenuidade”. Talvez tenha sido isso e mais alguma coisa. A verdade é que, quando o Sporting reduziu para 2-3, ficou a ideia de que o jogo poderia ter sido diferente se a atitude e a competência leoninas tivessem sido outras desde o minuto inicial.
Uma nota para o trabalho do árbitro para dizer que cometeu dois erros (um para cada lado) que resultaram em golo. No livre que deu a Miguel Veloso o primeiro golo do Sporting, não me parece que o defesa espanhol tenha cortado a bola com a mão. Logo, não haveria lugar à marcação do livre directo. Depois, no lance que ditou a expulsão de Rui Patrício (na foto) também não havia motivos para grande penalidade. Na minha opinião, o guarda-redes do Sporting procurou apenas jogar a bola, dando-lhe uma palmada, acabando por derrubar o avançado catalão porque estava no ar e tinha de cair em algum lado em virtude da lei da gravidade.
Outra nota para Liedson. Mereceu aquela ovação, quando foi substituído. Demonstrou, de facto, que é um jogador da Liga dos Campeões, pelo que não merecia ter sofrido tamanha derrota. No conjunto dos dois jogos com o Barcelona, o Sporting marcou três golos e sofreu oito. Péssimo. O que nos vale é que há uns Basileias que ainda vão entrando na principal prova europeia de clubes...
E a fechar, uma nota sobre o público, para dizer que pareceu surrealista ouvir das bancadas leoninas gritos de "olé", já na parte final, sempre que os jogadores do Sporting trocavam a bola, como se o resultado estivesse ao contrário... Pareceu mesmo o cúmulo da falta de ambição leonina... FOTO: AFP - Getty Images

O Barcelona e a pressão leonina

Há uma ideia dominante na antevisão do Sporting-Barcelona desta noite, segundo a qual a equipa portuguesa vai receber os espanhóis num jogo em que não terá a pressão de ganhar. Ora, em futebol, a falta de pressão de ganhar é meio caminho andado para uma equipa perder. Não é por acaso, aliás, que Paulo Bento se manifestou preocupado com a falta de pressão, pelo facto de o Sporting já estar apurado para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões 2008-2009 - um feito que é histórico em Alvalade e que, confirmado o apuramento do FC Porto, contribui decisivamente para uma proeza histórica do futebol português que, pela primeira vez, coloca duas equipas na segunda fase da prova maior do futebol mundial a nível de clubes.
Embora não se compreendendo a necessidade de a SAD do Sporting reunir com os jogadores, atrasando o início de um treino, para negociar um aumento do prémio por um eventual primeiro lugar no Grupo C, num sinal de falta de planeamento da temporada numa matéria que é sagrada para quem trabalha, o que este desafio com o Barcelona nos vai dizer é se a equipa leonina está ou não preparada para grandes conquistas internacionais, ou, por outras palavras, se se contenta com o objectivo mínimo (o segundo lugar no Grupo C e apuramento já alcançados) ou se não se contenta com isso e entra em campo como se ainda não tivesse conquistado nada nesta edição da Liga dos Campeões. Oxalá estejamos perante a segunda hipótese, pois seria um sinal de que os jogadores leoninos estão muito empenhados em fazer sempre o melhor possível. E, já agora, em reforçar o vínculo afectivo com o público que os apoia e paga o bilhete para ver bom futebol.
Uma exibição de gala e uma vitória sobre o Barcelona teria também o condão de apagar a má imagem deixada pelo Sporting em Espanha no último Verão. Que os jogadores se lembrem do vexame de Madrid e respondam com a qualidade e a competência que possuem, sem se esquecerem que o Barcelona é o Barcelona, isto é, para além de ter um craque chamado Messi, é uma das melhores equipas do mundo e não quer, com toda a certeza, ficar atrás do Sporting em qualquer circunstância.
Finalmente uma palavra para a chamada ao grupo dos convocados do defesa-central júnior Pedro Mendes. É evidente que foi por necessidade, face à onda de lesões que tem varrido o plantel, mas Paulo Bento poderia ter optado por outra solução. Ao chamar um júnior para um jogo com um gigante europeu e mundial, o treinador deu um sinal da importância dos jogadores da formação. Que sinais destes continuem a ser dados! FOTO: www.uefa.com

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A "chapada" de Soares Franco

Após a vitória sobre o Shakhtar e o apuramento para a segunda fase da Liga dos Campeões, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, em vez de enaltecer o sucesso leonino e de elogiar a militância dos 24 mil adeptos que foram ao jogo, de modo a combater a "falta de militância" e a congregar os sportinguistas em torno da equipa de futebol e do clube, mostrou à saciedade a azia que lhe vai na alma – para usar uma terminologia bem actual em Alvalade –, falando do êxito como “uma chapada de luva branca aos críticos”, como relata o diário "O Jogo".
Como reacção presidencial ao jogo, Soares Franco não fez mais do que dar mais uma “chapada” na pacificação da nação sportinguista. Ao contrário, por exemplo, de Paulo Bento, que falou para o exterior, criticando, de forma certeira, a falta de critério da imprensa desportiva portuguesa.
Que o defesa-direito Abel mencione que “os cães ladram e a caravana passa”, aceita-se perfeitamente. Afinal, o jogador é um assalariado que é pago para sofrer em campo, para ajudar a fazer o espectáculo. Tem o direito a exprimir o que lhe vai na alma... Mas já não é aceitável que um presidente assuma um discurso divisionista. Por muitas paredes que os vândalos, num acto condenável, andem por aí a pintar. Um presidente deve ser um apaziguador, contribuindo para a soma das partes para que o todo seja mais forte. Tem de unir. Não pode dividir ainda mais.
Numa noite europeia decisiva, na competição de clubes mais importante do planeta, o Sporting não atraiu a Alvalade mais de 24.282 pessoas, para sermos exactos. Num estádio com capacidade para 52 mil pessoas, é menos de meia casa. Será que a “chapada de luva branca” foi apontada às 27 mil pessoas que faltaram no estádio?...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Noite histórica ém Alvalade

Com uma vitória “à italiana” sobre o Shakhtar Donetsk, por 1-0, o Sporting carimbou a sua primeira passagem à segunda fase da Liga dos Clubes Campeões e, pela primeira vez em muitos, muitos anos, não falhou num jogo decisivo das provas europeias. Era preciso ganhar para garantir, desde já, o êxito desportivo e, sobretudo, os milhões de euros de que a SAD leonina bem precisa para pagar o investimento realizado. E o Sporting ganhou. E o treinador Paulo Bento – apesar de criticado nas paredes de Alvalade e não só… – prossegue a temporada num registo irrepreensível sob o ponto de vista do cumprimento dos objectivos, juntando esta façanha europeia à Supertaça Cândido Oliveira.
Foi uma vitória sofrida, é certo, como todas as vitórias de quem não arrisca muito, mas foi uma vitória justa. E muito saborosa, como foi visível nos metros que Paulo Bento percorreu junto ao banco, de braços levantados e punhos cerrados, olhos pregados no chão e língua dobrada entre os dentes, festejando o golo decisivo de Derlei (73’). Um golo, aliás, a finalizar uma das poucas jogadas bem trabalhadas pelo ataque leonino. Para ganhar ao Shakhtar Donetsk – que foi uma equipa que procurou responder sempre de igual para igual, embora sem grandes argumentos – o Sporting não se limitou a aproveitar erros alheios e procurou accionar a capacidade para desequilibrar, recorrendo, no momento decisivo, a Izmailov, que, num lance de classe, proporcionou a Derlei o remate para o golo. Um lance, aliás, parecido com um outro, pouco tempo antes, concluído por Liedson, que fez a bola passar mesmo junto ao poste da baliza ucraniano. Era o corolário de um Sporting mais sereno, mais confiante e, por isso, mais afoito, até porque o empate também dava para manter intacto o objectivo europeu. Um Sporting que não foi perfeito, até porque cedeu espaços na defesa e errou passes que poderiam ter comprometido a vitória.
O Sporting está agora nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, quando ainda tem mais dois jogos da primeira fase, nos quais o objectivo será pontuar no campo para facturar na tesouraria. Depois, tudo pode acontecer... Inclusive, ultrapassar a grande campanha europeia de 1982-1983, em que o Sporting, com um treinador-jogador – um caso raro na Europa do futebol – chamado António Oliveira (o irmão de Joaquim Oliveira) atingiu os quartos-de-final da exigente Taça dos Clubes Campeões Europeus. E por falar no treinador-jogador, nessa época, ele também marcava golos. Como naquela noite gloriosa em que marcou os três da vitória sobre o Dínamo de Zagreb, com o velho Estádio de Alvalade cheio de gente. Tempos que não voltam mais. FOTO: AFP - Getty Images

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O fato-macaco leonino em noite histórica

A melhor peça do guarda-roupa do futebol desenhado por Paulo Bento para o Sporting não é o fato de gala – raramente foi –, mas o fato-macaco típico da mão-de-obra braçal que é obrigada a sofrer para ganhar a vida. Na Ucrânia, frente a um Shakhtar Donetsk banal no contexto do futebol europeu, o Sporting cumpriu o seu objectivo mais ambicioso, ao vencer por 1-0, e deu um passo muito importante rumo à qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões 2008-2009 – que, a concretizar-se, será um feito histórico inédito na carreira internacional do clube.
Foi uma vitória conquistada à custa de muito esforço e dedicação de uma equipa que se revelou um colectivo personalizado e dinâmico, no qual brilharam mais as estrelas de Rui Patrício (seguro e destemido na baliza), João Moutinho (cerebral e cada vez mais influente no meio-campo) e de Liedson (“matador” no ataque, ele que foi o autor do golo solitário, totalmente “made in Brazil”, com Rochemback a cobrar um livre para o interior da área e Derlei a assistir Liedson com um excelente toque de calcanhar). Um golo que também fica para a história pessoal de Liedson, que agora é o melhor marcador do Sporting nas competições europeias, com 19 golos, tendo ultrapassado Manuel Fernandes e Lourenço (ambos com 18).
À excepção desse momento decisivo, o Sporting sofreu, mas procurou sempre sofrer da forma mais adequada, isto é, o mais longe possível da baliza de Rui Patrício. Daí que o jogo não tenha sido farto em ocasiões de golo, em especial no primeiro tempo. De resto, os jogadores leoninos – face a um ritmo de jogo mais veloz do adversário – pareciam mentalizados para segurar o empate a zero golos, considerado também “um bom resultado”. Tanto mais que no começo do período complementar, os ucranianos revelaram-se mais perigosos e estiveram mesmo à beira de marcar.
Como sempre acontece, em especial na alta competição, quem não aproveita uma ocasião soberana arrisca em demasia. Foi o que aconteceu, para bem do Sporting. Aos 76 minutos, na segunda oportunidade da equipa em todo o encontro, Liedson - o grande reforço da temporada, que, com dois golos, já decidiu as duas partidas em que participou depois da lesão - executou o remate fatal, lançando um balde de água gelada nas ruidosas bancadas do público de Donetsk e, claro, no jogo do Shakhtar.
O futebol do Sporting pode não entusiasmar nem seduzir, mas tem tudo para fazer história nesta Liga dos Campeões!... A vitória em Donetsk deixa a equipa leonina com seis pontos, mais três do que o Shakhtar, e em condições de garantir já na quarta jornada (que se disputa em 4 de Novembro, em Alvalade), uma qualificação inédita para os oitavos-de-final da mais importante competição de clubes do planeta. Ao Sporting basta vencer o Shakhtar e esperar que o Basileia não ganhe em casa do Barcelona. FOTO: AFP - Getty Images

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Vitória europeia com sinais de perturbação

O jogo com o Basileia era para ganhar e o Sporting ganhou mesmo, após a derrota na jornada inaugural da Liga dos Campeões 2008-2009, em Barcelona, e da derrota com o Benfica, para a Liga Portuguesa. Ganhou com justiça, por 2-0, numa exibição que, no entanto, não foi linear. Mas o importante é que a equipa leonina conquistou os primeiros três pontos, que permitiram alcançar os ucranianos do Shakhtar Donetsk, que perderam em casa com o Barcelona (1-2), desfecho que confirmou a equipa espanhola como principal candidata à vitória no Grupo C. Resta saber se será acompanhada no apuramento pelo Sporting ou pelo Shakhtar Donetsk.
Se nos regularmos por aquilo que o Sporting fez no primeiro tempo da partida contra o Basileia, só por muita sorte é que a equipa orientada por Paulo Bento será apurada. Se, pelo contrário, houver um Sporting mais próximo daquele que actuou na segunda parte, em que construiu uma vitória por 2-0 sobre os suíços, será possível esperar que o conjunto leonino faça história, apurando-se, pela primeira vez, para a segunda fase da Liga dos Campeões.
Quanto ao jogo com o Basileia... Para quem acha que o que interessa é ganhar, não importando como, está tudo bem. Para quem não gosta de ganhar de qualquer maneira, este Sporting demonstra claros sinais de perturbação. Sinais de perturbação surpreendentes, ou talvez não.
João Moutinho escondeu-se depois de um Verão agitado. Vukcevic também foi notícia pelos piores motivos, regressando agora frente ao Basileia, surpreendentemente e, claro, longe da melhor forma, mas ainda assim foi suficiente para ficar ligado aos melhores momentos da equipa. Rochemback está uma sombra daquilo que mostrou nos primeiros jogos da temporada, que são aqueles que deixam maiores impressões. E como ele foi então "nomeado" para o "cargo" de "motor" da equipa, é natural que a equipa tenha deixado de funcionar... Felizmente, Liedson está para chegar, criando os desejáveis problemas de abundância no ataque.
Ao intervalo do jogo desta segunda jornada da Liga dos Campeões, a equipa leonina foi assobiada, mas o tempo não dá margem para grandes assobiadelas, sob pena de os prejuízos, nesta fase, serem maiores. Não sei se os visados do público que não consegue encher Alvalade eram os jogadores ou o treinador. Mas isso é pouco importante. O visado foi o Sporting. Só que o FC Porto, que foi humilhado pelo Arsenal, está aí, já na próxima jornada da Liga portuguesa. E o Sporting tem o primeiro lugar para defender.
Ora, defender a liderança significa ganhar, mais uma vez, à equipa de Jesualdo Ferreira. Ao ter perdido em Barcelona com uma exibição tão desinteressada, na abertura da Liga dos Campeões, e, dias depois, na Luz, caindo aos pés de um Benfica altamente pressionado, Paulo Bento fez do jogo com o FC Porto mais um teste à sua sobrevivência em Alvalade. É a vida de um treinador. Sempre a depender dos resultados. Pode parecer que não, mas até com Alex Ferguson é assim.
FOTO: Francisco Leong (AP Photo)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O desastre espanhol

O Sporting fez o seu arranque na Liga dos Campeões 2008-2009 com o último jogo de Braga na cabeça. Perdeu 3-1 numa partida em que o desempenho leonino correspondeu a uma espécie de segunda parte do jogo de Braga para a I Liga, que dera três pontos e a liderança no campeonato.
Os jogadores de Paulo Bento entraram no Camp Nou com a ideia de defender e ver jogar, para assim melhor controlar as operações. É a táctica das equipas incompletas, que procuram passar tempo ou passar a bola para trás, porque não sabem ou não querem jogar ou não têm qualquer prazer em jogar. Em Braga resultou. Em Barcelona não resultou. Nem podia resultar. O Barcelona não é o Braga. Daniel Alves não é João Pereira; Eto´o não é Meyong; Messi não é Alan, e por aí fora...
Mais uma vez, o Sporting Clube de Portugal sai de Espanha vergado por uma derrota pesada. Um desastre espanhol a somar à goleada recente sofrida em Madrid. Não faltarão sportinguistas a dizer que a equipa de Paulo Bento a mais não seria obrigada. Não concordo. O candidato a campeão português não pode ir a Barcelona jogar com tanto medo de perder por muitos e, sobretudo, sem nenhuma vontade de ganhar alguma coisa.
O Sporting joga para ser campeão em Portugal, mas não faria mais do que lutar para não descer do outro lado da antiga fronteira. Curiosamente, é o mesmo Sporting que alimenta a selecção de Portugal com fornadas constantes de novos jogadores, alguns deles craques de eleição mundial. Selecção de Portugal que até tem feito boa figura internacional nos últimos anos. Por que é que o futebol do Sporting (que actualmente até é a equipa mais portuguesa de Portugal), não espelha em campo a ambição e a força da selecção nacional?... FOTO: Lluis Gene (AFP - Getty Images)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O desígnio histórico

O Sporting faz hoje a sua estreia na Liga dos Campeões 2008-2009, defrontando o adversário teoricamente mais difícil do seu grupo. Digo teoricamente, porque, em futebol, a bola é redonda e ainda continua a ter uma palavra a dizer, que, muitas vezes, é tão ou mais importante do que todas as teorias. Além disso, o Barcelona é uma das melhores equipas do mundo. É bom que se diga isto e que não nos deixemos embalar por cantos de algumas sereias que têm procurado desvalorizar a equipa espanhola. Ao Sporting não se pede que vença a Liga dos Campeões, mas exige-se que passe à segunda fase da prova, o que aconteceria pela primeira vez na história do clube leonino. É por esse desígnio histórico que a equipa de Paulo Bento tem de lutar. Depois, o que vier, será por acréscimo. Porque, em futebol, não há impossíveis. Boa sorte!
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