Nos anos sessenta, o clube de Alvalade tinha o jovem Vítor Damas, que, aos 21 anos, fez a sua estreia na selecção nacional, em 6 de Abril de 1969. Quarenta anos depois, volta a ter um jovem guarda-redes no grupo de trabalho da selecção principal de Portugal. É um motivo de orgulho para o jogador, para o Sporting Clube de Portugal e, em particular, para os responsáveis pela academia do futebol leonino. Mas é uma grande bofetada de luva branca naqueles que, no último defeso, foram a um mercado distante comprar um guarda-redes, internacional, é certo, mas igualmente jovem, para substituir Ricardo na baliza do Sporting, ignorando o potencial de um produto da formação do clube possuidor da cultura sportinguista. E não há aqui nada contra Stojkovic, que não tem culpa nenhuma de ter sido contratado. A questão é que, na construção de uma equipa de futebol, podem ser integrados sem grandes sobressaltos dois ou três jogadores de qualidade vindos de países muito diferentes e distantes, mas já se torna uma tarefa muito difícil, e sujeita a falhanços, integrar nove ou dez jogadores, como aconteceu este ano a Paulo Bento, mais a mais quando, entre esses jogadores, há alguns cuja qualidade deixa a desejar.
Voltando à baliza do Sporting, a verdade é que o decorrer da temporada demonstrou que a sucessão de Ricardo deveria ter passado imediatamente por Rui Patrício, como, na altura, foi defendido aqui. Como em outros casos de jogadores do Sporting formados na academia do clube que se impuseram na equipa principal, também no que diz respeito ao lançamento de Rui Patrício como titular da equipa sénior, acabaram por ser os acontecimentos a ditar a estratégia e não a estratégia a ditar os acontecimentos. Parabéns, Rui Patrício! FOTO: "Record"