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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A falência do Sporting

A SAD do Sporting fechou as contas do exercício 2008-2009 com um prejuízo de 13,1 milhões de euros. Isto no ano em que mais dinheiro captou da Liga dos Campeões… E, segundo relata a imprensa, ainda não estão contabilizados os prémios dos administradores. Sim, os prémios. Porque uma gestão assim é merecedora de um bom prémio. "A SAD ainda não atribuiu prémios da época 2008-2009 aos administradores, pelo que não constam das contas", informa o "Jornal de Notícias".
Deixando de lado os jargões de “economês” que tudo justificam, mas que só serve para anestesiar os papalvos, a verdade é que a SAD do Sporting, mesmo com o cinto apertado no que diz respeito ao reforço da equipa de futebol, regista o pior resultado financeiro desde 2002-2003. E ninguém se demite por incompetência e má gestão. A começar por quem justifica os maus resultados com a “inexistência de proveitos com vendas”, quando eles são os primeiros responsáveis por isso: tendo cada vez menos influência no mercado, não conseguindo vender activos excedentes, contribuindo, assim, para a sua desvalorização, ou delapidando os jogadores formados na Academia – muitos deles por terem esse grave defeito de serem extremos… -, pagando-lhes para que eles saiam do clube. O agora portista Varela, por exemplo, recebeu 11 mil euros para sair. Outros receberam muito mais.
No fundo, foi esta gestão, dita rigorosa, que mereceu 90 por cento dos votos nas últimas eleições para os órgãos directivos do Sporting Clube de Portugal. Por isso, temos a garantia de que o sinal das finanças leoninas se tornará cada vez mais vermelho à medida que o tempo avança… Até que um dia, dentro de pouco tempo, o sinal mudará de vermelho para preto... A não ser que José Eduardo Bettencourt consiga fazer algum milagre.
Como é possível que isto esteja a acontecer?... Como é possível que banqueiros tidos como insuspeitos, que entraram no Sporting e se fizeram conhecidos no Sporting porque se diziam sportinguistas, tenham deixado o clube chegar onde chegou?...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Presidente, o seu lugar é no banco de suplentes!

Nesta segunda-feira, José Eduardo Bettencourt cumpre os primeiros 100 dias do mandato na presidência do Sporting Clube de Portugal. Ainda é muito cedo para fazer qualquer balanço. A sensação é bastante estranha: parece que o presidente quer empurrar o Sporting para a frente, mas o clube, por motivos que não são visíveis a olho nu, não avança. E até a equipa de futebol – que é o grande motor da nação sportinguista – não ajuda nada, embrulhada nos seus equívocos, que têm resultado em más exibições e maus resultados. De resto, a eliminação da Liga dos Campeões foi a primeira má consequência, desportiva e financeira, do arranque mais frouxo de sempre do futebol profissional do Sporting.
Amarrado a demasiados compromissos, até com o treinador, por força de uma candidatura tardia e lançada em desespero pelos donos da lógica de poder que vigora em Alvalade nos últimos anos, José Eduardo Bettencourt está perante o grande desafio de afirmar a sua liderança contra um certo conservadorismo que reina no Sporting, de modo a que a sua prática condiga com a ambição do seu discurso. O primeiro sinal foi dado ao assumir a responsabilidade pelo futebol do Sporting, deixando Miguel Ribeiro Telles sem nada para fazer na SAD.
Já deu para reparar que José Eduardo Bettencourt valoriza os sinais. Faz muito bem. Por falar em sinais, há um que ele deveria dar para dentro e para fora do clube a partir de um dos próximos jogos do Sporting: seria sentar-se no banco, ao lado da equipa técnica, como grande timoneiro da nau de Alvalade. Sei que não existe essa tradição no clube, cujos presidentes sempre foram demasiado "aristocratas" para se sujeitarem a sujar os pés na relva molhada. Mas o Sporting nunca teve um presidente a tempo inteiro, pago pelo seu trabalho, e agora tem o primeiro. E é preciso que a nação sportinguista sinta que as coisas estão a mudar... Se não fosse antes, a estreia do presidente do Sporting no banco poderia acontecer, por exemplo, no Estádio do Dragão, no próximo dia 26, um jogo de particular importância para o futuro da equipa de Paulo Bento nesta Liga.
Pinto da Costa já não tem idade para isso, nem precisa. Mas fez a sua carreira no banco, começando por se sentar ao lado do mestre José Maria Pedroto. Luís Filipe Vieira gostaria, mas, por motivos de saúde, nem sequer pode assistir aos jogos do Benfica. Logo, José Eduardo Bettencourt tem todas as condições para ser o único presidente de um grande clube português a participar no jogo, sentando-se no banco, vivendo alegrias e tristezas ao lado de técnicos e jogadores, como um general que não desiste de um combate, mesmo quando o inimigo parece ganhar vantagem.
Talvez esse sinal fosse importante para mostrar quem manda no Sporting. E fosse mais um meio de motivar a equipa leonina, fomentando a solidariedade no grupo de trabalho, fazendo renascer um Sporting mais forte e mais solidário em todos os sectores do clube. Portanto, senhor presidente do Sporting, o seu lugar é no banco, junto da equipa, junto dos seus que são nossos!...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Negócios leoninos

Afinal, Miguel Veloso já não é do Sporting. É do BES... Enquanto isso, o israelita Pini Zahavi, agente FIFA conhecido por estar por dentro de negócios duvidosos através do fundo de investimento MSI no Brasil (Corinthians) e na Inglaterra (Portsmouth), ganha espaço no Sporting a cada dia que passa... Esperemos que não seja nada de grave.

sábado, 6 de junho de 2009

O Sporting de Bettencourt

José Eduardo Bettencourt tem o Sporting na palma de uma mão. A sua vitória esmagadora (89,43 por cento em resultado de 65.540 votos, contra 10,57 por cento de Paulo Pereira Cristóvão, que recolheu apenas 6.926 votos) transforma-o no presidente leonino com a maior legitimidade política de sempre. E teve uma consequência imediata que é boa para a vida do Sporting: dizimou por completo a chamada “oposição”. Isto é, a partir de agora deixa de ter sentido falar em “minoria do bloqueio” porque ela, simplesmente, desapareceu nestas eleições. Nesse sentido, a enorme vitória de Bettencourt contribuiu para a pacificação das hostes leoninas.
Isto também significa que, doravante, não haverá desculpas para falhanços. Nos próximos quatro anos, os sportinguistas querem ver a equipa de futebol mais competitiva e a ganhar a Liga Portuguesa e outros troféus, querem ver o passivo a inverter a escalada de subida, querem um pavilhão para as modalidades que dignifique o Sporting como a maior potência desportiva portuguesa, querem um clube mais virado para os sócios. Para isso contam com José Eduardo Bettencourt, que terá todas as horas do dia para pensar no Sporting.
Paulo Pereira Cristóvão também preconizava aquelas ideias centrais. A sua campanha andou longe das primeiras páginas dos jornais e quando apareceu em destaque foi quase sempre pelos piores motivos. Acossado por um processo judicial decorrente da sua antiga actividade profissional como inspector da PJ, do qual, entretanto, saiu ilibado, desconhecido da larga maioria dos sportinguistas e sem tempo de afirmação pública, Cristóvão não conseguiu alargar a base de apoio, nem conseguiu captar eventuais descontentes do processo eleitoral. Pedro Souto, por exemplo, veio revelar-se traído por Bettencourt, mas nem por isso deu o voto a Cristóvão. Não me lembro de rigorosamente ninguém, exterior à sua candidatura, que tivesse vindo a público apoiá-lo. Até Dias da Cunha, o único “notável” que estivera na apresentação da candidatura, acabaria por deixá-lo quando apareceu Bettencourt. De resto, o presidente eleito conseguiu a proeza inédita de reunir o apoio de todos os presidentes vivos desde João Rocha, incluindo Jorge Gonçalves. Isto não quer dizer que Cristóvão não tenha sido escutado. Pelo contrário. Bettencourt até foi dos que mais o escutaram...
Cristóvão “despenhou-se” quando, ao anunciar Sven-Göran Eriksson como treinador substituto de Paulo Bento, revelou que iria apresentar o técnico publicamente. É evidente que não poderia. Depois disso, o seu discurso de rigor e exigência foi engolido por uma sucessão de notícias e desmentidos sobre potenciais reforços estrangeiros. Paulo Pereira Cristóvão, que até aí tinha sido o paradigma do rigor, da exigência e da ambição, acabou por direccionar as atenções para “trunfos” que não poderia garantir de forma nenhuma e os sportinguistas, que tinham ouvido falar num passivo astronómico e num clube pré-falido, assustaram-se. Daí, talvez, a grande mobilização dos sócios no dia das eleições. Cristóvão, que acabou mais ou menos sozinho, tal como tinha começado, foi importante para pôr os sportinguistas a debater o clube, o que há muito não acontecia. E soube sair de cena como um grande “leão”: “A partir de agora, José Eduardo Bettencourt é o meu presidente.” FOTO: "Diário de Notícias"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O exemplo de Bruno Alves e os casos leoninos

Algumas atitudes em campo menos próprias de um profissional com ética e desportivismo (como no lance que a imagem documenta, em que João Moutinho, no chão, foi brindado com uma patada numa coxa), levam-me, como sportinguista e adepto do futebol, a embirrar com o defesa-central do FC Porto Bruno Alves. Não obstante isso, reconheço-lhe virtualidades, não só técnicas como de postura perante a sua entidade patronal.
Vem isto a propósito das suas declarações sobre a possibilidade de sair do FC Porto neste defeso, para um emblema europeu de maior projecção desportiva e financeira. Embora admitindo que lhe agradaria sair do Porto nesta altura, foi claro ao afirmar que o seu futuro está nas mãos do FC Porto, aceitando de bom grado aquilo que o clube decidir. Disse isto não esquecendo que deve ao clube de Pinto da Costa aquilo que é como futebolista e como homem. E mais: afirmou que se sente bem no FC Porto, embora também tenha admitido com naturalidade a ambição de evoluir noutras paragens.
Não obstante estas declarações, o mais provável é que o jogador acabe mesmo por deixar o Dragão, proporcionando mais um bom negócio ao FC Porto. Mas o seu nome ficará para sempre no coração dos adeptos, que um dia mais tarde irão lembrar-se que Bruno Alves dissera que estava bem no FC Porto e que depositara o seu futuro nas mãos de Pinto da Costa. Deixará saudades e candidata-se a um final de carreira tranquilo e compensador no clube de origem, depois de ganhar dinheiro e prestígio em Ligas mais competitivas. Tem sido assim o trajecto de muitos jogadores que emergiram no FC Porto ao longo dos últimos 20 anos.
Comparar este caso com a “novela" do sportinguista Miguel Veloso, por exemplo, é um exercício impossível. Ora, mais do que reforçar a equipa principal com jogadores de nomeada internacional, o Sporting precisa, em primeiro lugar, de resolver este problema doméstico, de modo a rendibilizar devidamente os produtos da sua formação, tanto no plano desportivo como financeiro.
O Sporting precisa de ensinar os seus jogadores a respeitar o clube, que investiu na sua formação e na sua promoção como profissionais de futebol. E precisa de mostrar aos jogadores que está no mercado de forma activa, que sabe qual o melhor momento de valorizar o colectivo leonino e que não se esquece de promover e valorizar a carreira individual de cada jovem jogador do clube. A tal gestão dos egoísmos de que tem falado Bettencourt, sem explicar como fazer essa gestão.
Quando os jogadores do Sporting falam nos sentidos mais diversos (mesmo sobre questões internas, como aconteceu na saída para férias) e quando não assumem claramente que aquilo que o clube decidir por eles estará bem decidido é porque ainda não têm a confiança necessária na instituição que representam.
A questão entronca com o processo eleitoral em curso. E como José Eduardo Bettencourt já definiu quem são os três homens com quem irá decidir tudo no mais alto sigilo sobre o futebol leonino (Miguel Ribeiro Telles, Pedro Barbosa e Paulo Bento), a pergunta que devemos fazer neste momento é se será possível mudar de paradigma contando exactamente com as mesmas pessoas que nos últimos anos têm sido incapazes de controlar a situação.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Já lá vão sete anos sem o título nacional!

Em 2002, o Sporting festejou o seu último título de campeão nacional de futebol. Já lá vão sete anos sem ganhar o troféu mais importante de cada temporada, aquele que constitui a melhor forma de publicitar a imagem e a marca do Sporting Clube de Portugal no País e no mundo, de gerar receitas e de incentivar a militância dos sócios e adeptos. Estamos a viver o segundo período mais longo da história do clube sem conquistar o campeonato nacional. Filipe Soares Franco termina o seu mandato sem ganhar o título prometido. E, mesmo assim, não há alternativa dirigente. A sensação que paira é desoladora. O que parece é que há cada vez menos Sporting. Houve outros momentos atribulados da história do clube que foram resolvidos com actos eleitorais vibrantes, com várias alternativas de gestão. Agora, não há ninguém que queira pegar no clube, a não ser os mesmos, cujos resultados já conhecemos. Será mesmo impossível travar o declínio?...

terça-feira, 28 de abril de 2009

A recandidatura de Soares Franco

Filipe Soares Franco está a caminho da recandidatura à presidência do Sporting. Em Janeiro passado revelou que iria embora, agora prepara-se para avançar. Não há incoerência, porque passaram quatro meses e ainda não apareceu nenhum candidato com um projecto alternativo para a gestão leonina. O seu propósito é não deixar o clube órfão e faz todo o sentido, pois de quem não está de acordo com a gestão do Sporting só temos ouvido conversa. Mais nada. O que é muito mau para o clube. E mesmo que agora surja um candidato, será, obviamente, carne para canhão. E partirá sempre em desvantagem, num processo reactivo à iniciativa de Franco - que já está decidida, faltando apenas o anúncio oficial. A não ser que haja alguma surpresa de última hora, os dados das próximas eleições parecem estar lançados. Soares Franco parte com um avanço esmagador e qualquer candidato alternativo, sem tempo para se afirmar, só irá marcar calendário e tentar reunir um pequeno grupo de pressão no vetusto Conselho Leonino. Só que, agora, os críticos - ou "a minoria do bloqueio", como lhes chama Soares Franco - perdem credibilidade. Porque quando tinham de avançar com um projecto alternativo coerente não avançaram. Quanto ao futuro do Sporting, seja o que Deus quiser.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Tempo perdido em Alvalade

Forçado pela circunstância de ter saído derrotado na última assembleia geral do Sporting, que impediu a instituição do referendo como meio de consulta aos sócios, Filipe Soares Franco desistiu de submeter o plano de reestruturação financeira a uma assembleia geral tradicional, que seria realizada a poucas semanas do acto eleitoral para os órgãos directivos do clube. Agora, sim, Soares Franco coloca a questão da reestruturação financeira no lugar certo, submetendo-a às eleições. Mais democrático não poderia ser, embora contra a sua vontade inicial. Isto é: os candidatos que se apresentarem a eleições terão que apresentar também um plano de gestão financeira no seu programa eleitoral. E os sócios, ao escolherem o futuro presidente já sabem com o que poderão contar. Sendo certo que Soares Franco, ou o candidato apoiado por ele, já tem um plano, falta saber quais são os planos alternativos.
Isto só vem dar razão ao LEÃO DA ESTRELA quando, logo no dia em que Filipe Soares Franco anunciou que não se recandidatava a novo mandato, em Janeiro último, aqui defendeu a antecipação das eleições. Mas Soares Franco tentou ser presidente em pleno até ao último dia, como disse. Um erro político e muito tempo perdido, como agora se confirma.
O que vale é que o Sporting Clube de Portugal ainda é muito grande. Candidatos a candidatos não faltam. Pedro Souto, Pedro Moraes (o único que, na única entrevista que deu, apresentou uma solução de gestão alternativa, propondo a criação de uma fundação, que, curiosamente, ninguém quis debater, a começar pela comunicação social…), Paulo Cristóvão, e, agora, Carlos Barbosa (um bom nome). Para além, claro, do sempre disponível Menezes Rodrigues…

Obs. - Parece que o árbitro Bruno Paixão não escreveu no seu relatório tudo o que viu e ouviu de Paulo Bento, que, assim, foi punido apenas com uma repreensão escrita e 500 euros de multa. O que só confirma a consciência pesadíssima de um árbitro vendido a um sistema que "mete nojo"...

sábado, 18 de abril de 2009

Paulo Bento por tempo indeterminado, já!




CARTA ABERTA A SOARES FRANCO


Exmo. Sr. Presidente do Sporting, Dr. Filipe Soares Franco,
Na próxima segunda-feira, esqueça, por um dia, o seu plano de reestruturação financeira e, naquela hora que costuma dedicar ao Sporting, chame o treinador Paulo Bento ao seu gabinete, no Edifício Visconde de Alvalade, e apresente-lhe uma proposta de renovação de contrato por tempo indeterminado. Julgo que não é preciso explicar porquê. Toda a gente viu e, sobretudo, ouviu esta noite, a partir de Guimarães. E há uma razão política: a canalhada que manda no futebol português precisa de saber que o Sporting está cem por cento ao lado do seu treinador e que se identifica com a sua revolta.
Estou à vontade, porque eu até nem tinha grande simpatia pelo treinador, sobretudo, pelo seu conservadorismo na arrumação da equipa, por uma notória falta de ambição que leva a equipa a defender vantagens mínimas, a esconder-se num futebol nada agradável e a mostrar duas faces ao longo de um jogo. Mas o que tenho visto nesta época tem sido demais. Paulo Bento tem defendido o Sporting como um verdadeiro Leão. Paulo Bento é muito mais do que o nosso Alex Ferguson. E isso, como já reconheci neste blog, deve-se, em primeiro lugar, ao senhor presidente. Paulo Bento é hoje o rosto do Sporting no País do futebol. Aliás, já era há muito tempo. Por isso, e por entender que só os burros é que não mudam de opinião, como dizia Mário Soares, penitencio-me por ter escrito algumas vezes que o ciclo de Paulo Bento tinha terminado. Até porque a equipa mostra que está com com ele, depois dos altos e baixos já vividos.
Há ainda outra razão: de uma época para outra não pode mudar tudo no Sporting, desde a direcção ao treinador. Por isso, em caso de grandes mudanças ao nível dirigente, Paulo Bento está em excelentes condições de garantir uma transição pacífica que garanta um mínimo de estabilidade ao futebol do Sporting.
Saudações Leoninas,
O editor do LEÃO DA ESTRELA

Derrota de Franco, boa imprensa e alternativa

A direcção de Filipe Soares Franco precisava de uma maioria qualificada de 75 por cento dos votos expressos e obteve 72,45 por cento. A direcção de Filipe Soares Franco precisava do voto favorável de 75 por cento dos 1996 sócios presentes na assembleia geral, mas só conseguiu convencer 69,7 por cento dos associados.
Números são números, como muito bem sabem os gestores do falhado “Projecto Roquette” e os seus apaniguados, que são incansáveis na produção de observações intoxicantes nas caixas de comentários da blogosfera. Se não conseguiu a percentagem necessária de votos e de associados favoráveis, Soares Franco perdeu. Ponto final. Foi uma derrota à justa, mas foi uma derrota. Como num jogo de futebol, basta a diferença de um golo para ganhar ou perder o jogo. Soares Franco perdeu por um golo de diferença. Pode ter jogado bem, pela propaganda que difundiu, mas perdeu. Não ganhou a taça, ficou com a vitória moral.
Mas a derrota não é apenas de Franco. A “boa imprensa”, que está sempre ao lado das pretensões da direcção do Sporting (e que raramente está tão ao lado da equipa de futebol leonina…), também sofreu uma derrota que deverá envergonhar os bons profissionais que ainda trabalham nas redacções. Para além de “O Jogo”, que trabalhou muito a telefonar para os núcleos “ressuscitados” do Sporting, é preciso lembrar que “A Bola”, a quem, por causa da sobrevivência do Benfica, convém um Sporting a caminho da extinção, até mobilizou o seu director, Vítor Serpa, para entrevistar José Roquette. E o benfiquista José Manuel Delgado – da direcção de “A Bola” –, até escreveu um editorial, onde falava numa “noite histórica para o Sporting”, onde os sócios do clube iriam escolher “entre uma visão mais pragmática e realista e outra, romântica e saudosista, que rema contra a maré dos tempos”. Como se não fosse possível adaptar uma gestão desportiva competitiva, com razão e coração, às exigências dos novos tempos...
O “Record”, por seu lado, foi ouvir José Filipe Nobre Guedes, definido como “o homem do projecto” de Soares Franco, destacando-lhe uma frase interessante para captar a atenção dos sócios que só ligam ao futebol: “Investir no futebol em vez de pagar ao banco”. Porreiro, pá!, como diria o outro.
É por isso que os 30,3 por cento dos associados do Sporting que não foram atrás das teorias manipuladoras da imprensa do regime merecem respeito e atenção. E merecem, sobretudo, um líder que indique à nação sportinguista qual é o caminho alternativo. O que terá de acontecer, forçosamente, antes da próxima assembleia geral de 8 de Maio. Para que o voto dos sportinguistas descontentes deixe de ser um voto eminentemente negativo, um voto de um grupo de opositores internos, e se transforme num voto positivo que encha de esperança a enorme nação sportinguista.
A chamada “oposição leonina” tem de deixar de “votar contra” para passar a votar a favor de alguém. Se no próximo dia 8 de Maio não existir essa alternativa e esse projecto alternativo, para que todos os sportinguistas, de uma forma muito clara, saibam quais são os dois caminhos em aberto, então, o melhor será deixar Soares Franco ir sozinho a eleições... Ele ou outro "príncipe herdeiro"...

Sócios chumbam referendo

Apesar da forte campanha mediática em favor das suas teses, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, voltou a sofrer uma derrota em Assemblea Geral (AG), ao não ter obtido a maioria qualificada de 75 por cento dos votos que era necessária para aprovar uma norma transitória nos estatutos do clube que iria introduzir a figura do referendo (sem o período de debate que as assembleia gerais tradicionais contemplam), como meio de aprovar medidas importantes para a vida do clube, como, por exemplo, o plano de reestruturação financeira.
Esta noite, reunidos na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, os sócios do Sporting chumbaram a possibilidade de a reestruturação financeira proposta por Soares Franco ser votada em referendo. Apesar de 72,45 por cento dos votos expressos em Assembleia Geral terem sido favoráveis à realização de referendo, a AG que servirá para aprovar a proposta vai realizar-se nos moldes tradicionais.
Para que o referendo fosse aprovado, era necessário que a proposta de Franco tivesse alcançado três quartos dos votos, o que implicaria uma percentagem de 75 por cento. Com 10.270 votos a favor e 3.781 contra, o referendo ficou a curta distância de ser aprovado. A este universo de votos corresponde um total de 1996 votantes, tendo cada qual números diferentes de votos consoante a antiguidade de filiação.
Entre os sócios presentes, o percentual de aprovação foi ligeiramente inferior, ao ter recolhido 69,7 por cento dos votos, igualmente abaixo dos 75 por cento, enquanto a percentagem de sócios presentes que chumbaram a introdução do referendo foi de 29,3 por cento.
Esta foi a segunda derrota do presidente leonino em menos de um ano. A outra tinha sido em 28 de Maio de 2008, como se recorda aqui. É talvez por isso que Soares Franco não gosta nada de reunir com os associados em assembleia geral, como confessou há dias, no debate com Dias da Cunha.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"O Jogo" de Joaquim Oliveira

O jornal “O Jogo”, do accionista leonino e “patrão” do futebol português Joaquim Oliveira, continua a sua campanha em favor das teses defendidas por Filipe Soares Franco para a gestão do Sporting Clube de Portugal. O que só surpreende quem andar distraído.
É evidente que, para “O Jogo”, com sede no Porto, interessa um Sporting como está: dependente dos bancos, conivente com o “sistema”, sentado nas tribunas ao lado dos dirigentes que foram apanhados nas escutas telefónicas e pouco ambicioso no plano desportivo (contentando-se com umas taças que sobram). Basicamente é este o desígnio do FC Porto para o seu concorrente verde, na sua caminhada triunfal, que visa, a curto prazo, ultrapassar o Benfica em termos de conquistas nacionais. É o pouco que falta para tornar o clube de Pinto da Costa na força mais vitoriosa da história do futebol português. FC Porto que era terceiro no "ranking" do futebol português quando Pinto da Costa assumiu o poder...
No seu trabalho em prol da causa, os jornalistas de “O Jogo” – que fazem o melhor que sabem dentro daquilo que podem fazer – resolveram, num acto inédito, contactar com os núcleos do Sporting Clube de Portugal espalhados pelo País e pelo Mundo, perguntando-lhes se concordam com as assembleias gerais referendárias. É claro que concordam. Todos os sportinguistas concordam com a possibilidade de referendar uma decisão importante para a vida do clube. E a resposta concordante dos núcleos, porque é muito importante para o “regime leonino”, é devidamente ilustrada com um mapa (ver imagem), que já é publicado pela segunda vez em poucos dias.
O trabalho teve o mérito de mostrar a grandeza do Sporting. O problema é que as respostas dos núcleos são grosseiramente manipuladas de modo a darem a ideia de que há consenso na nação sportinguista quanto às propostas de Soares Franco para a gestão do clube.
Mas “O Jogo” não fica por aqui na manipulação notoriamente controlada a partir da central de propaganda de Alvalade. E como acontece na edição desta quarta-feira, o jornal de Joaquim Oliveira abre as suas páginas às justificações de figuras que eram contrárias às teses de Franco e que agora estarão ao lado do presidente cessante. Se mesmo assim não conseguir os tais 75% de sócios presentes e de votos, na assembleia geral do dia 17, Soares Franco ficará com fortes motivos para se fartar de vez desta vida de presidente incompreendido.

domingo, 12 de abril de 2009

Um debate que ninguém ganhou

O debate na SIC Notícias entre Filipe Soares Franco e António Dias da Cunha, os dois responsáveis máximos do Sporting Clube de Portugal nos últimos nove anos, foi realizado fora do tempo certo, que teria sido há quatro anos. Realizado nesta altura, quando Soares Franco afirma que não se recandidata e depois de Dias da Cunha, que também não é candidato, ter dito que o seu tempo já passou, deixou de ter sentido. A não ser que ambos tivessem algo para revelar que fosse extraordinário para o futuro do clube. O que não aconteceu.
O balanço é confrangedor. No fundo, tratou-se de uma sessão de lavagem de roupa suja, para a qual Soares Franco e Dias da Cunha se esqueceram de levar o detergente. Por isso, ambos perderam o debate. E o Sporting Clube de Portugal não ganhou nada. Antes pelo contrário.
A poucos dias de uma assembleia geral importante para o futuro do clube e a poucas semanas das eleições que vão determinar a escolha dos próximos dirigentes, era escusado recordar episódios pouco edificantes de há quatro anos – tais como as cartas que trocaram ou não trocaram ou as diligências que foram preparadas para que o substituto de Dias da Cunha (que inicialmente seria Ernesto Ferreira da Silva, que até precisava de uma “presidência” das comemorações do centenário do clube para ser conhecido) fosse combinado por sucessão dinástica no segredo dos gabinetes... Mais a mais, não conseguimos vislumbrar os grandes motivos por que António Dias da Cunha tanto tem atacado o carácter de Soares Franco.
Como ficou patente ao longo do debate, o Sporting – que há muitos anos está em declínio no plano desportivo e a lutar contra um défice que não pára de aumentar – é hoje uma coutada de umas elites distantes do balneário e da dimensão popular de um grande clube que não passam de agentes de negócios, hoje em representação dos interesses bancários. Só assim se explica que, durante uma hora de pretenso debate sobre “o futuro do Sporting”, tenhamos assistido a um triste espectáculo sobre bancos, buracos e afins - nada de desporto e de futebol - em que Soares Franco e Dias da Cunha pareciam dois contabilistas desavindos, que, a certa altura, certamente por não saberem das contas todas, até tiveram de citar Rui Meireles (um ex-funcionário do clube que foi despedido a peso de ouro). Com Soares Franco a colocar a cereja em cima de um bolo estragado ao revelar que Dias da Cunha “sacou 45 milhões da SAD”. Presume-se que para o clube e não para o próprio bolso. Mas só o facto de Franco se colocar ao lado da SAD contra o clube, acusando o seu antecessor de ter sacado (o nível da linguagem é delicioso…) dinheiro da SAD para o clube, ou perguntando-lhe quanto é que o clube deve à SAD, foram momentos susceptíveis de terem colocado em pé os cabelos de qualquer sportinguista. Do mesmo modo, causou perplexidade o facto de Franco não justificar o aumento do passivo, apesar da venda de património e de jogadores... Venda de património que tinha sido planeada pela direcção de Dias da Cunha, de quem Soares Franco era vice-presidente substituto...
Do futuro, e de futebol, que é suposto ser a actividade principal do Sporting Clube de Portugal, nem uma ideia, nem uma palavra. Está assim explicada a falta de militância da nação sportinguista, que não entende este discurso que o Sporting tem feito sair para o exterior, como se não fosse uma instituição desportiva. Para isso contribuem estes dirigentes, que não sabem como devem aproveitar uma hora de televisão para falar sobre o seu clube de modo a chamarem a atenção do seu público, que são milhares de associados e alguns milhões de adeptos e simpatizantes. E estamos a falar dos dois homens mais importantes do clube nesta década. O que também explica que o Sporting não esteja a recuperar o terreno perdido nas instâncias que governam o futebol em Portugal.
Depois deste debate entre Soares Franco e Dias da Cunha, torna-se claro para os sportinguistas que, com estes dirigentes, é uma sorte que ainda haja uma equipa de futebol que representa o Sporting Clube de Portugal, com jogadores como Lideson, João Moutinho, Daniel Carriço, Adrien Silva, Izmailov, Derlei, entre outros. E que com eles trabalhe um treinador chamado Paulo Bento, que, apesar de tudo, tem o mérito de ser também a voz do Sporting no futebol português. Para o nível que os dirigentes do Sporting têm revelado, já é muito bom ficar em segundo lugar, ir à Liga dos Campeões e ganhar umas taças de vez em quando.
Ou o próximo acto eleitoral lança na corrida candidatos que escapem a esta lógica dinástica ou o Sporting vai mesmo para o lugar do Belenenses em muito poucos anos.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pedro Sousa Moraes: o Leão da Caparica

O jornalista Eugénio Queirós, que, na edição de hoje do jornal “Record”, assina uma entrevista exclusiva ao empresário Pedro Sousa Moraes, escreveu, a pedido do LEÃO DA ESTRELA, um depoimento sobre o novo candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal:

Não conhecia Pedro Sousa Moraes. Um telefonema de um amigo com larguíssima experiência futebolística, hoje retirados das lides, questionou-me quanto à possibilidade de entrevistar alguém que pretende candidatar-se à presidência do Sporting: um empresário com residência em Lisboa e na Costa da Caparica. Fiz-me à estrada com tudo em aberto, na certeza, porém, de que não iria encontrar, à porta do convento dos Capuchos, em S. João da Caparica, um candidato de V5 e apenas folclórico.
Pedro Sousa Moraes escolheu a sua quinta, sobre a riba da Caparica, de seu nome "Casa do Robalo", para se apresentar. Fez logo questão de subir ao terraço para nos mostrar o estupendo horizonte que vai do Cabo da Roca ao Cabo Espichel. E depois, sim, deu-se a conhecer.
Rapidamente percebi que estava perante um sportinguista com grandes tradições e de qualidade inquestionável. Nesse aspecto ninguém o pode acusar de ser um paraquedista, o que nestas coisas é sempre importante...
Com 51 anos, Pedro Sousa Moraes é um homem de bem com a vida, com sucesso aparente nos seus negócios (de Angola ao Brasil) e com uma rede vasta de amigos, muitos deles do universo sportinguista.
Filho de boas famílias, com raízes em Tortosendo (região centro), o novo candidato, aos 19 anos, já conduzia um Porsche, oferecido por um tio também com grandes ligações ao Sporting, e não gosta de falhar um jogo em Alvalade. E mesmo fora de Alvalade.
Contou-me até a história do dia em que, com amigos, foi ver o Salgueiros-Sporting que confirmou o Sporting com o campeão, quando chegou à Mealhada e só então percebeu que se tinha esquecido dos bilhetes em casa (Lisboa) – uma operação a pisar todos os limites de velocidade permitiu que todos vissem o jogo, embora só tivessem entrado já com este a decorrer.
Pedro Sousa Moraes tem um projecto para o Sporting. Quer criar uma fundação que seja capaz de, concorrendo a empreitadas com o suporte inicial de mecenas, consiga gerar receitas para aplicar no futebol e na vida eclética do clube. "Quando os outros miúdos contavam carneiros para adormecer, eu fazia equipas do Sporting...", diz ainda sobre o seu sportinguismo, que estendeu aos quatro filhos, um deles a estudar no Porto.
Incomodado com alguns barões que residem há muitos anos no Conselho Leonino, que quer extinguir, e que não contribuem para o clube em nada, o novo candidato ao cadeirão de Alvalade integrou a lista de Sérgio Abrantes Mendes "por pura amizade" e aí percebeu como é difícil lutar contra o sistema... interno. "Mesmo assim tivemos 25% dos votos", acentua.
Agora parece que é a sério. Pedro Sousa Moraes não acredita que Pedro Souto se candidate, acha ridículo que lance uma candidatura à condição e mais motivado se vai sentir para ir em frente se Filipe Soares Franco também for candidato, como acredita que será.
Pedro Sousa Moraes respeita o trajecto de Dias da Cunha, mas não deixa de fazer algumas críticas, nomeadamente à forma como alguns jogadores foram, no seu entender, mal vendidos. Presidente durante 8 anos do Núcleo do Sporting da Costa da Caparica, onde quis lançar um projecto pioneiro, tendo quase conseguido adquirir o espólio de José Travassos, Pedro Sousa Moraes apresenta também um estilo de liderança presidencialista. "Serei eu e mais dez", diz, convicto de que terá de ser sempre ele a dar a cara, interagindo com o treinador, os jogadores e os sócios. Sócios que considera fundamentais para o futuro de um clube que vê ameaçado quando já se fala na extinção da figura dos mesmos, em detrimento dos accionistas da SAD.
O novo candidato quer ainda que o Sporting recupere o ecletismo que perdeu e é bem preciso quando identifica o principal rival: o Benfica. Enfim, gostei do que ouvi e senti pois é raro, nos tempos que correm, encontrar alguém tão entusiasmado com uma causa clubística, sobretudo alguém que podem podia aproveitar todo o seu tempo para desfrutar do sossego e da beleza da quinta do Robalo.
Eugénio Queirós, jornalista do “Record” e editor do blog Bola na Área (post especial para o LEÃO DA ESTRELA)
FOTO: "Record Online"

Um insulto aos sportinguistas

Filipe Soares Franco dá sinais de grande desorientação. Depois de ter acertado um debate com Dias da Cunha na SIC-Notícias, na noite deste domingo de Páscoa, deu o dito pelo não dito e só se manifestou disponível para ir ao debate no próximo dia 17 de Abril - sim, no dia da próxima assembleia geral, a tal que é decisiva para o futuro do clube. Isto depois de ter atacado duramente Dias da Cunha, responsabilizando-o pela subida galopante do défice leonino, entre 2000 e 2005. Como se Filipe Soares Franco nunca tivesse participado na equipa directiva de Dias da Cunha. E como se nessa altura o Sporting não tivesse investido na construção da Academia de Alcochete e do novo Estádio José Alvalade (um passo que, sabemos agora, foi um exemplo do novo-riquismo português e de cedência ao lóbi dos empreiteiros e afins, tendo sido mais um erro histórico do clube, uma vez que o velhinho e emblemático Estádio de Alvalade, bem remodelado, custaria muito menos dinheiro).
A questão é que Soares Franco, ao acusar Dias da Cunha pelo aumento do défice, está, em primeiro lugar, a acusar-se a si próprio, porque os sportinguistas não lhe conhecem nenhuma crítica ou nenhuma chamada de atenção para eventuais erros de gestão que partilhou com o líder Dias da Cunha. E Soares Franco estava lá, à espreita de subir ao poder, claro, e talvez pouco interessado nos altos interesses do Sporting. Como esta acusação bafienta a Dias da Cunha demonstra na plenitude.
Agora, ao fugir ao debate, alegando que o dia de Páscoa é para a família e mostrando-se disponível para ir à SIC só no dia 17, o tal dia da reunião magna dos associados, está a insultar a inteligência dos sportinguistas. Soares Franco, que já disse que ia embora, mas que, afinal, não quer nada ir embora ou quer deixar a cama prontinha para quem vier a seguir, está a passar das marcas.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Todo o plano financeiro de Filipe Soares Franco

O LEÃO DA ESTRELA revela na íntegra o documento que o Sporting entregou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), com as propostas a apresentar pela direcção à próxima assembleia geral do clube. Para Filipe Soares Franco, que, curiosamente, já disse, por mais do que uma vez, que não se recandidata à presidência nas eleições do próximo dia 5 de Junho, só mediante a aprovação deste plano é que será possível gerir o clube. Para outros sportinguistas, como Dias da Cunha, será o fim do Sporting Clube de Portugal em 10 anos. No próximo dia 17 de Abril os sócios têm a palavra. Entretanto, o LEÃO DA ESTRELA recorda um post premonitório. CLIQUE NOS DOCUMENTOS PARA AMPLIAR E DEIXE O SEU COMENTÁRIO.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O homem-mistério do Sporting

Não deixa de ser irónico que o candidato a candidato à presidência do Sporting que maior estrondo está a causar entre a nação sportinguista seja alguém que muito poucos conhecem e que ainda não disse uma palavra sobre o assunto e não alguém que tenha apresentado ideias para a gestão do clube, nomeadamente no último congresso – a não ser que as tenha apresentado através de algum representante.
Até parece que, no meio de tanto calculismo e tanto frenesim, que tem assumido proporções inenarráveis no vice-presidente Menezes Rodrigues – que tanto está disponível para convencer Filipe Soares Franco a reconsiderar a decisão de não avançar, como já pressionou Miguel Ribeiro Teles a candidatar-se ou afirmou que, ele próprio, avança se ninguém da actual direcção estiver disponível – o que os sportinguistas, fartos de tanta conversa, querem é alguém que esteja disponível para ser o presidente do Sporting, mas que não diga nada sobre aquilo que quer fazer ao leme do clube.
O silêncio do empresário Pedro Pinto Souto – estrategicamente justificado com afazeres profissionais algures no estrangeiro, de onde regressa no próximo domingo –, assim como a falta de fotografias actuais nos jornais (uma das escassas que foram publicadas, no meio de uma colecção de carros antigos, é do tempo em que o Sporting era campeão nacional) é bem capaz de ser de ouro, tantas são as reacções que a sua disponibilidade para assumir o barco leonino está a suscitar, sobretudo pelo facto de as referências serem positivas, nomeadamente em sectores identificados com a oposição. Elogiam-lhe a capacidade de gestão. Até Sérgio Abrantes Mendes está pronto a abdicar da sua candidatura. Luís Aguiar de Matos, que só entrará em jogo para liderar, diz que se afastará do acto eleitoral. E Luís Duque deverá ser o seu homem-forte para o futebol leonino. Do actual regime, recebe a indiferença, talvez para disfarçar alguma preocupação. Estranhamente, o sempre disponível Menezes Rodrigues não conhece Pedro Pinto Souto. Rogério Alves diz que também não.
Num clube inquieto em relação ao seu futuro imediato, eis que, de súbito, há um desconhecido a gerar enormes expectativas. Se não falando já dá que falar - com as informações a sairem a conta-gotas nos jornais como numa aparição meticulosamente preparada -, o mais provável é que seja o mais escutado de todos. Às vezes, os grandes líderes também começam assim. No caso de Pedro Pinto Souto, um gestor de 46 anos, formado na Universidade Católica, basta que continue a dar que falar depois de abrir a boca… FOTO: "Diário de Notícias" - Arquivo

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sinais de um congresso leonino

1. A realização do Congresso Leonino foi extremamente positiva no sentido em que demonstrou um património que é único entre os clubes portugueses. Quando se diz que o Sporting é “um clube diferente dos outros”, isso tem tudo a ver com esta disponibilidade dos sportinguistas para debater o clube num registo democrático sem paralelo no desporto em Portugal. O Sporting ainda é um clube diferente…

2. Contrariamente ao que tem sido divulgado por uma imprensa mandriona e apologista do poder vigente, as propostas de recomendação apresentadas – mesmo não sendo vinculativas – indicam claramente que os sportinguistas defendem um Sporting Clube de Portugal forte no futebol de formação e no futebol profissional, mas, simultaneamente, um Sporting Clube de Portugal assente no ecletismo. Uma estratégia que só a presidência de João Rocha soube interpretar nas décadas de 1970 e 1980 – período vibrante da história do clube, em que o Sporting se tornou na maior potência desportiva portuguesa. O facto de a construção de um pavilhão desportivo ter sido uma recomendação aprovada por unanimidade constitui, no fundo, uma moção de censura aos conselhos directivos do Sporting dos últimos anos, que desprezaram, de forma escandalosa, a construção de um pavilhão para as modalidades, que deveria ter sido incluída na empreitada de construção do novo Estádio de Alvalade.

3. As recomendações do actual Conselho Directivo do Sporting foram aprovadas por maioria, facto que coloca Filipe Soares Franco como incontornável na questão da sua própria sucessão – caso não surjam candidatos credíveis com modelos de gestão alternativos. Por parte do chamado poder vigente, a questão é saber se José Eduardo Bettencourt desistiu mesmo de avançar. Se desistiu, sobra o nome de Rogério Alves, que também já deu sinais de que não tem disponibilidade pessoal para assumir a presidência do Sporting. Dado que a disponibilidade de Menezes Rodrigues é folclórica, Filipe Soares Franco está cada vez mais próximo de ser o candidato escolhido por… Filipe Soares Franco. Tudo dependerá da “difícil” assembleia geral do próximo dia 17 de Abril.

4. Os sportinguistas que não concordam com as ideias de Filipe Soares Franco são catalogados pela propaganda do regime leonino como “oposição”. E os jornais vão atrás desse conceito intencionalmente depreciativo. É a face negativa do Sporting actual. O Sporting deveriam ser um clube de todos os sportinguistas, mas é hoje um clube fortemente politizado na lógica do seu funcionamento. Quem não está por nós, é contra nós, é da “oposição”. Para a direcção de propaganda de Soares Franco, o Sporting só é um clube dos que concordam com as ideias de quem manda. O que é revelador de um ambiente inquinado e pouco democrático, que contrasta com a abertura demonstrada pela organização do congresso. Só que é uma abertura ilusória. Filipe Soares Franco sabe que as suas teses vencem no terreno mediático. E conhece as insuficiências dos opositores ao nível da comunicação, que aparecem aos olhos da opinião pública apenas em registos reactivos ou como protagonistas de incidentes, tomando posições avulsas sobre questões acessórias (como aconteceu com Sérgio Abrantes Mendes, a criticar o inócuo voto de louvor a Soares Franco no encerramento dos trabalhos de Santarém). Por estes dias, o conselheiro leonino Luís Aguiar de Matos foi a única presença assinalável da “oposição” na comunicação social. O seu problema é que foi através de uma entrevista ao “Público” – um jornal generalista, portanto, que não é da especialidade. Na imprensa desportiva, ninguém existe com vida própria a não ser quem está no poder…

5. O Sporting sai do congresso mais ou menos como estava. Nada do que foi aprovado como recomendação era desconhecido do conselho directivo. O que vale é que o congresso não é vinculativo. No Sporting, uma assembleia geral ainda é uma assembleia geral. Pelo menos até ao próximo dia 17 de Abril. FOTO: "Record Online"

sexta-feira, 27 de março de 2009

O diagnóstico de Luís Aguiar de Matos

“Está equacionada uma candidatura [à presidência do Sporting] encabeçada por mim, mas ainda não tomei a decisão definitiva. Só a tomarei depois do congresso e depois da assembleia geral, que vai decidir a emissão dos VMOC [valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis, que configuram um aumento de capital da SAD], no âmbito do plano de reestruturação económica apresentado pela actual direcção. A minha decisão está dependente de ver bem o que os sportinguistas querem para o clube e se isso está de acordo com a minha visão.]

“Eu sou contra a emissão dos VMOC, que na prática são um empréstimo obrigacionista que, ao fim de cinco anos, se transforma em acções da SAD. Numa linguagem simplista, um empréstimo obrigacionista, no verdadeiro sentido, tem de ser devolvido em dinheiro dentro de um determinado prazo, neste caso é convertido em acções. De momento, o universo Sporting participa na SAD com 70 por cento de acções. Para manter a maioria accionista, terá de acompanhar o aumento de capital resultante da conversão dos VMOC. Será preciso pôr alguma coisa de valor, de palpável, dentro da SAD para que a banca torne firme um empréstimo obrigacionista destes. Por isso é que querem transportar a Academia e, mais tarde, o estádio para a SAD. O que significa que o clube perde mais duas fontes de receitas.”

“Está a ser hipotecado o futuro. Faz lembrar um bocado a história do Freeport: esta direcção está em gestão e não pode tomar grandes decisões. E [o plano de reestruturação económica] é uma decisão importante e profunda, que pode condicionar decididamente o futuro.”

O que tem sucedido é uma sucessão dinástica na direcção do clube. Começou no Pedro Santana Lopes, que era o "testa-de-ferro" de Roquette. Seguiu-se o próprio Roquette e depois Dias da Cunha. Tudo por cooptações. O próprio Dias da Cunha chegou a dizer que a presidência seria assumida transitoriamente por Soares Franco, para depois assumir o cargo Ernesto Ferreira da Silva. Isto não é uma sucessão dinástica? A mim, dá-me a impressão de que estão todos a tapar-se uns aos outros. De quê? Não sei. Mas também deixo aqui uma pergunta: esta direcção, que disse e propalou que tinha sido a salvadora do Sporting, foi também aquela que de maior encaixe financeiro dispôs na história do clube. Entre a venda de património não desportivo (46 milhões de euros), o retorno da venda do passe de Nani (25 milhões), três idas seguidas à Liga dos Campeões (30 milhões) e as receitas decorrentes da venda dos terrenos do antigo estádio (29 milhões), encaixaram 130 milhões de euros, mas na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está declarado que o abate ao passivo cifrou-se em quatro milhões, o que representa três por cento desse valor. Onde está o resto? Não estou a dizer que alguém o tenha, mas aquilo que duvido é que tenha sido bem utilizado. Isto foi um autêntico Euromilhões e não há nada mais para receber, a não ser as receitas correntes e triviais.”

“Na altura em que o projecto Roquette foi apresentado dei uma entrevista onde afirmava que estava a ser constituído um emaranhado tal de empresas que impossibilitaria, no futuro, alguém de saber qual era a verdadeira situação económica-financeira. Esta teia de empresas permitiu uma engenharia financeira e contabilística, com resultados transitados de um lado para o outro, com a qual não concordo.”


“Verifico que uma grande maioria dos membros do Conselho Leonino eleitos pela lista de Soares Franco são, ou foram, funcionários de topo do BES. O mesmo acontece no Conselho Fiscal, onde está [José Maria Espírito Santo], Ricciardi [vice-presidente deste órgão]. Repare na similitude das situações: quando é que Soares Franco diz que se vai embora? Quando o BES diz que, face à crise que assola o mundo, irá cortar com os financiamentos para o futebol depois desta temporada. O dr. Filipe Soares Franco, com todo o mérito que terá e que eu não lhe nego, sempre tem gravitado em empresas que são maioritariamente detidas pelo BES. Portanto, em relação à pergunta que faz, considero que esta familiaridade não é desejável. Nas últimas eleições, a candidatura encabeçada pelo juiz desembargador Sérgio Abrantes Mendes considerou mesmo Soares Franco um "empregado do BES".”

“[Se fosse presidente do Sporting, a continuidade de Paulo Bento] seria uma hipótese a equacionar e que não estaria de todo posta de parte.”

Luís Aguiar de Matos, conselheiro leonino e membro da organização do Congresso do Sporting, “Público”, 27-03-2009
FOTO: "Record Online"
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