
Os associados e adeptos assobiam o futebol da equipa do Sporting e vão cada vez menos ao Estádio de Alvalade. Já os dirigentes leoninos, eventualmente contagiados, também assobiam, mas para o lado ou para o ar, justificando as vergonhosas assistências registadas em Alvalade com
"a crise económica portuguesa e mundial". Sim, uma assistência de 35 mil espectadores num Sporting-FC Porto, ou seja, entre o vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça e o vencedor do campeonato nacional, é um registo vergonhoso para o clube leonino... E não podemos esquecer o registo de assistências inferiores a dez mil pessoas em alguns jogos dos últimos anos... De resto, olhando para o lado, vemos as assistências do Benfica e do FC Porto a subir nesta temporada...
De acordo com
um inquérito online promovido pelo diário “O Jogo”, em que participaram 1394 leitores do jornal, a crise económica é apontada como
“a principal responsável pela quebra de assistências no estádio do Sporting” por 34 por cento dos inquiridos. O curioso é que a mensagem oficial de Alvalade sobre este problema aproveita a boleia desta justificação...
No entanto, convém não desviar as atenções. A verdade é que 32 por cento dos participantes no referido inquérito apontam Paulo Bento como responsável pelo pouco público em Alvalade e 23 por cento indicam os jogadores como culpados por assistências desoladoras. Tudo somado, 55 por cento das responsabilidades pela quebra dos espectadores em Alvalade são atribuídas à equipa de futebol, isto é, ao mau futebol praticado pelo Sporting. É isto que merece uma reflexão urgente.
Não adianta andar à procura dos motivos fora das quatro linhas de jogo, muito menos pondo em causa os homens do marketing leonino – que na temporada 2008-2009, é bom lembrar, tinham sido responsáveis por uma campanha promocional de venda dos lugares de época (as tais “gamebox”...) ao nível do melhor que se podia fazer no mundo (o famoso telefonema de Paulo Bento...), porém, também sem sucesso, uma vez que as vendas não dispararam.
Os homens do marketing trabalham em função do que têm para vender... Ou seja, só poderão ser bons se tiverem substância para vender... A grande verdade é que, num clube de futebol, o que há de mais importante para vender ao público é justamente o futebol. Se o futebol jogado não tiver qualidade capaz de seduzir as pessoas; se a equipa for ganhando umas taças à custa de doses cavalares de sofrimento dentro do campo e nas bancadas; se a equipa der constantemente 45 minutos de avanço aos adversários (e, às vezes, mesmo os 90 minutos...); se a equipa procurar ser em campo tão fria e calculista como se um jogo de futebol fosse um exercício de contabilidade; enfim, se Paulo Bento não conseguir colocar o Sporting a ganhar jogos e a obrigar os jogadores a dar uns minutos que sejam de espectáculo em cada jogo, é evidente que o povo vai deixando o Estádio José Alvalade cada vez mais vazio.
O futebol é emoção e o acto de comprar o bilhete para ir ao estádio é emotivo. Mas ninguém se emociona com um jogo frio, calculista, sempre à espera do erro do adversário ou do apito final. A não ser que seja masoquista.
Obs. – A maior alegria que Paulo Bento deu aos sportinguistas como treinador não foi, curiosamente, a conquista de um título. Porque será?... Foi a vitória sobre o Benfica por 5-3, que permitiu ao Sporting seguir para a última final da Taça de Portugal, que seria conquistada ao FC Porto. Mas até nesse jogo com o Benfica o Sporting fez a pior primeira parte da última temporada. Ao intervalo, o Sporting perdia por 2-0. Depois, uma segunda parte do outro mundo mudou a história. Recordo este facto para lembrar que até na sua vitória emocionalmente mais importante o Sporting de Paulo Bento jogou mal, muito mal. No final da última temporada, o balanço desportivo até foi melhor do que em 2006-2007. Mas será que alguém se lembra disso, depois de tantas derrotas humilhantes e exibições paupérrimas ao longo de uma época de sofrimento?... As pessoas lembram-se é que 2007-2008 foi o ano dos Gladstones, dos Celsinhos, dos Marian Hads e dos Purovics, e mais um ano de um atraso pontual irrecuperável em relação ao FC Porto, ou seja, um ano para esquecer.
LEÃO DA ESTRELA feito pelos leitores
[Concordo com tudo! Mas muitos supostos Sportinguistas virão aqui defender o PB como de costume. A mediocridade impera, muitas vezes com a desculpa de que não há dinheiro para melhor. Como se o futebol positivo e de ataque, a qualidade táctica, a coerência e a alegria de jogar futebol não fossem atributos que não são precisos comprar mas sim tê-los incutidos num treinador para pôr uma equipa a jogar e precisamente depois a entusiasmar os adeptos!] Pedro Silva
[Concordo. A derrota por 4-1 com o último classificado da Liga e que desceu (Leiria) foi difícil de digerir… Muito mesmo. Mas outro factor não deixa de ser importante: o preço dos bilhetes está muito caro para o mau futebol praticado. A direcção fez um campanha de promoção da equipa, a dizer que era melhor que o ano passado e que ia ganhar o campeonato para justificar esta tabela de preços. Acontece que vendeu gato por lebre. O pior é que alguns adeptos podem acabar por “se acomodar” ao sofá. Sempre me disseram: é mais fácil destruir que construir. O que se vai passar é isso mesmo. Vai demorar até conseguir voltar a ver Alvalade cheio.] Samuel Mota
[Esta direcção e, em especial, seu presidente, é fraca demais para um clube que, pelo menos, lutava por algo e tinha nos seus adeptos o seu ponto de alicerce, o que neste momento nem isso já tem, pois no "Futebol Finance", soube-se agora, que o FC Porto já passou o número de apoiantes do Sporting, o que não é de estranhar, pois quando estes dirigentes, em entrevistas, os apoiam, o número aumenta. Quando apresentam um lucro de 600 mil euros, e têm um passivo de 240 milhões a dizer que este até aumentou devido aos juros, depois de vender quase tudo (Academia está breve, pelo menos já está nas mãos dos accionistas), e se vangloriam, está tudo dito. Mas os sócios, ainda continuam a dormir e a gostar de acreditar no Pai Natal Soares e que ele existe... Este clube está a descer aos limites do insuportável, e não me admira que não venha a ser mais um clube que já o foi...] P. Sousa (blog Bancada Directa)
[O problema não é recente nem vem de agora, muito menos se deve única e exclusivamente a esta crise. Já não se recordam que, na época em que fomos à final da Taça UEFA, as assitências que tivemos em casa nos quartos e na meia-final? Não passou os 35.000. Recordem-se ou vão verificar isso. E no ano passado no derby da taça, nos históricos 5-3? 37.500, isso mesmo, num Sporting-Benfica... Este estádio só encheu na inauguração e mesmo assim, ficou a escassos lugares dos 50000 e na final da UEFA. De resto, volta Alvalade velho, tu sim, tinhas grandes casas. Em 2002, como alguém disse, as filas para comprar bilhetes para o derby davam a volta ao estádio e duravam mais de 10 horas... Curiosamente um ano depois, inaugura-se o novo estádio e começa a meu ver a crise de bilheteira... É preciso reflectir nestas coincidências. O preço do bilhete não ajuda muito, apesar da gamebox ser acessível e preço justo ou razoável para os tempos que correm. Há muito sportinguista no Norte e em Trás os Montes, no Minho e nas Beiras. Quem está em Lisboa, muitas vezes desconhece este universo. Há núcleos com centenas de associados, que são ignorados constantemente. A alma do Sporting é em todo o País e no Mundo. É preciso identidade, recuperar a mística leonina... Eu sou transmontano, sócio do Sporting há 16 anos, efectivo, com quotas sempre pagas. Vou a Alvalade 1 ou 2 vezes por ano, mas já tive a gamebox no 1.º e 2.º ano, pois o meu irmão mais novo estudava em Lisboa e ia ver os jogos. Continuo sócio, mesmo a 500 km de distância, sou dos tais 27000 que o nosso Presidente menciona na sua entrevista. É preciso dar a volta ao País, ir aos núcleos, estabelecer parcerias, promover uma cultura de marketing com base na mística leonina que tem de ser recuperada. A meu ver as gamebox são um flop e impedem que Alvalade encha, pois há muito sócio que não comparece a todos os jogos e apesar do encaixe financeiro a cadeira fica vazia e é menos uma voz a gritar Sporting. Outro dia falei aqui na identidade do Sporting, no post da crise de identidade e continuo a pensar que o problema está precisamente nisto. Mas os outros também vão passar por isso, é uma questão de tempo...] Eugénio Borges