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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O preço de Leandro Grimi

Esclarecimento do Sporting, com data de 16 de Setembro de 2009, sobre a aquisição do argentino Leandro Grimi: "Na medida em que foram levantadas dúvidas acerca do valor contabilístico do jogador Leandro Grimi por alegada discrepância entre a informação prestada ao mercado e a constante no Balanço, esclarece a Sporting SAD que, ao valor de aquisição dos direitos desportivos do Jogador ao AC Milan referido no Comunicado de Informação Privilegiada de 15 de Julho de 2008, acresce o montante pago ao jogador a título de prémio de assinatura, o valor pago pela Sociedade para aquisição e exploração dos seus direitos de imagem e, por fim, a comissão de intermediação que teve lugar, pelo que, o valor actual contabilístico reflectido no Balanço é necessariamente superior àquele que foi comunicado e suportado pela Sociedade com a aquisição dos direitos desportivos do jogador."
Estamos esclarecidos. É a gestão de activos no seu esplendor...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A falência do Sporting

A SAD do Sporting fechou as contas do exercício 2008-2009 com um prejuízo de 13,1 milhões de euros. Isto no ano em que mais dinheiro captou da Liga dos Campeões… E, segundo relata a imprensa, ainda não estão contabilizados os prémios dos administradores. Sim, os prémios. Porque uma gestão assim é merecedora de um bom prémio. "A SAD ainda não atribuiu prémios da época 2008-2009 aos administradores, pelo que não constam das contas", informa o "Jornal de Notícias".
Deixando de lado os jargões de “economês” que tudo justificam, mas que só serve para anestesiar os papalvos, a verdade é que a SAD do Sporting, mesmo com o cinto apertado no que diz respeito ao reforço da equipa de futebol, regista o pior resultado financeiro desde 2002-2003. E ninguém se demite por incompetência e má gestão. A começar por quem justifica os maus resultados com a “inexistência de proveitos com vendas”, quando eles são os primeiros responsáveis por isso: tendo cada vez menos influência no mercado, não conseguindo vender activos excedentes, contribuindo, assim, para a sua desvalorização, ou delapidando os jogadores formados na Academia – muitos deles por terem esse grave defeito de serem extremos… -, pagando-lhes para que eles saiam do clube. O agora portista Varela, por exemplo, recebeu 11 mil euros para sair. Outros receberam muito mais.
No fundo, foi esta gestão, dita rigorosa, que mereceu 90 por cento dos votos nas últimas eleições para os órgãos directivos do Sporting Clube de Portugal. Por isso, temos a garantia de que o sinal das finanças leoninas se tornará cada vez mais vermelho à medida que o tempo avança… Até que um dia, dentro de pouco tempo, o sinal mudará de vermelho para preto... A não ser que José Eduardo Bettencourt consiga fazer algum milagre.
Como é possível que isto esteja a acontecer?... Como é possível que banqueiros tidos como insuspeitos, que entraram no Sporting e se fizeram conhecidos no Sporting porque se diziam sportinguistas, tenham deixado o clube chegar onde chegou?...

sábado, 12 de setembro de 2009

Começou a limpeza no Sporting

Na véspera do "11 de Setembro" desta semana e na tomada de posse dos novos órgãos da associação de solidariedade social "Leões de Portugal", José Eduardo Bettencourt "começou", finalmente, a exercer o seu mandato como presidente do Sporting Clube de Portugal, com estrondo, três meses depois da sua eleição e tomada de posse, em que ganhou as eleições internas com 90 por cento dos votos, vendendo a alma a todos os interesses e tendências instaladas em Alvalade.
Ao contrário do que sugere Dias Ferreira - que, escandalosamente, continua a ser presidente da Assembleia Geral e a mandar "bitaites" na comunicação social como se fosse um líder de opinião, tomando partido e colocando sportinguistas contra sportinguistas, não aprendendo nada de política com a sua irmã Manuela Ferreira Leite, uma ilustre sportinguista - a preocupação de Bettencourt não são os "rapazes" da Associação de Adeptos Sportinguistas, que já pediram a cabeça de Paulo Bento. Basta estar atento às notícias. E a sucessão de novidades dá corpo ao discurso de ruptura encetado por Bettencourt. No mesmo dia, o Sporting comunicava à CMVM que o administrador Miguel Ribeiro Telles perdia a pasta do futebol em favor do presidente. É uma mudança histórica, sobretudo tendo em conta que Bettencourt terá colocado a continuidade de Miguel Ribeiro Telles como condição para se candidatar à presidência.
No dia seguinte, o guarda-redes Stojkovic, o reservista mais caro da história do Sporting ao auferir 50 mil euros mensais, que, por vontade de Pedro Barbosa, continuaria a treinar sozinho até Janeiro, foi reintegrado no plantel. Ou seja, numa semana, Bettencourt tomou conta do futebol (não seria admissível outra coisa sendo ele presidente a tempo inteiro). Resta saber o que pensa Miguel Ribeiro Telles, agora administrador da SAD não executivo (se continua ou vai embora). Mais abaixo na hierarquia, a reintegração de Stojkovic no plantel orientado por Paulo Bento significa, em primeiro lugar, uma desautorização clara de Pedro Barbosa. É possível que ele não entenda isso. Tudo somado, José Eduardo Bettencourt começou a limpar o Sporting. Resta saber se não está amarrado a muitos compromissos ou se ainda vai a tempo...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O oxigénio de Bento e as decisões de Bettencourt

Estou cem por cento de acordo com o sportinguista João Pedro Varandas, que escreve, no sítio Centúria Leonina, que “Paulo Bento é um homem de carácter, de personalidade forte, leal, que tem dado tudo o que sabe e pode ao Sporting”. Porém, esse facto não me impede de continuar a considerar que Paulo Bento, como treinador do Sporting, está esgotado. E de considerar, também, que o problema do futebol leonino não reside exclusivamente na cristalização do trabalho do treinador.
Recuso-me a embarcar num dos principais argumentos que vai segurando Paulo Bento no Sporting, que foi exaustivamente repetido, por exemplo, num debate ocorrido quarta-feira na SIC Notícias, onde estiveram os ex-treinadores leoninos Augusto Inácio e Octávio Machado e o jornalista David Borges. Segundo eles, Paulo Bento é o ideal para o Sporting porque é o treinador capaz de interpretar as orientações da SAD do Sporting, trabalhando uma equipa com poucos recursos técnicos, não intervindo no mercado por falta de dinheiro. Como se nenhum outro treinador fosse capaz de respeitar a estratégia do clube que lhe paga no final do mês...
Eu diria que o Sporting não tem ido ao mercado por falta de competência (ou desleixo profissional) da sua estrutura dirigente, uma vez que abre os cordões à bolsa para contratar o que não deve – Rochemback é um exemplo paradigmático – e farta-se de perder dinheiro com jogadores que contrata, que falham e que, depois, não são recolocados no mercado ou, pura e simplesmente, são libertados. Rodrigo Tello, Silvestre Varela, Tiago Pinto, Stojkovic, Purovic, Luiz Paez, Yannick Pupo, Ronny, Romagnoli, Rodrigo Tiuí, Marian Had, Pontus Farnerud, enfim, estamos a falar de 12 jogadores (embora haja mais) que, nos últimos dois anos, foram quadros do Sporting (alguns ainda são, dando apenas despesa) e que foram descartados pela equipa técnica sem qualquer retorno financeiro.
Portanto, o problema do futebol do Sporting não é exclusivo do seu treinador. Mas também é do seu treinador. A primeira parte de Florença foi mais um balão de oxigénio que ajudará Paulo Bento a respirar mais uns tempos. Porque a sua margem de erro é muito reduzida. Basta esperar pelo próximo empate e pela próxima derrota. Porque o Sporting é um clube de futebol, com adeptos que se indignam com o vexame, e não uma empresa de fabricar salsichas.
Tanto mais que, se os defensores de Paulo Bento argumentam que o treinador tem feito ovos sem omeletas, também é preciso que se diga que Paulo Bento é o único responsável pelas omeletas que escolheu. Pelo menos, tem repetido publicamente que sempre teve os jogadores que escolheu para alcançar os objectivos do Sporting, que continuam a ser vencer todas as provas em que participa. E a própria propaganda do clube faz eco dessa estratégia, dando a ideia de que o Sporting ainda é tão grande como os grandes da Europa.
José Eduardo Bettencourt – que está recolhido a um silêncio estratégico, depois de uns tempos em que falava por tudo e por nada, até para comentar os reforços do Benfica – saberá, melhor do que ninguém, identificar os problemas que afectam o rendimento do futebol leonino e que geram perdas continuadas ao nível da rentabilização de activos. Até já fez constar que tomará decisões drásticas caso os resultados não apareçam.
Indo ao encontro das palavras de Paulo Bento – “que ninguém se exclua…” –, quando falou da metáfora do Titanic, um barco que como se sabe, foi ao fundo, talvez a primeira “decisão drástica” mais apropriada por parte do presidente do Sporting fosse assumir directamente a responsabilidade pelo futebol. Porque, assim à primeira vista, não sei por que é que Miguel Ribeiro Teles é assim tão imprescindível na SAD do Sporting. Será imprescindível para que as borradas continuem ao nível da intervenção do clube no mercado (em termos de compra, venda e gestão de activos)?... Só se for por isso. FOTO: Albert Gea (Reuters)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Começou a corrida pelo Sporting

Dias Ferreira, Paulo Cristóvão, Pedro Souto, Rogério Alves... A ordem é alfabética. Será preciso mais do que o nome para elaborar uma ordem de preferência. Com Soares Franco, segundo a última versão, fora da corrida, multiplicam-se os possíveis candidatos à presidência do Sporting Clube de Portugal. É capaz de haver mais. Não há fome que não dê em fartura, o que revela, também, que o Sporting ainda é apetecível...
Agora, precisamos é saber das qualidades. Das pessoas e, sobretudo, dos programas de trabalho. De qualquer modo, daqueles quatro nomes iniciais, há dois que conhecemos mais. Dias Ferreira é um grande sportinguista. E está disponível para se candidatar e pelo grande coração de leão que possui. A forma generosa como manifestou a sua intenção, num programa televisivo, confirma isso mesmo. Embora se afirme como um candidato da "continuidade" (a que se converteu nos últimos anos), é capaz de transmitir à nação sportinguista a paixão que foi desbaratada na era franquista. Mas é também o dirigente sportinguista mais conhecido do "sistema" que manda no futebol português, desde os tempos de Sousa Cintra, em que era o advogado do Sporting e andava pela Liga, então a começar. Que se saiba, sem ter conseguido nada de extraordinário. Antes pelo contrário. Eram os tempos em que Jorge Coroado prejudicava o Sporting e ficava com azia. Mas não lhe falta sportinguismo.
Quanto a Rogério Alves, é outro grande sportinguista, muito forte no exercício da palavra falada e escrita, embora com a particularidade de ter começado já a imitar Soares Franco, uma vez que, ainda há poucas semanas, afirmou que não tinha condições, nomeadamente pessoais, para assumir uma candidatura.
Quanto aos outros, façam o favor de dizer o que querem fazer pelo Sporting. Ah! E continuamos sem saber o que vai fazer Filipe Soares Franco, que nos últimos tempos, recuperou para si aquela máxima de Pimenta Machado: "No futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira..." Ou vice-versa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Já lá vão sete anos sem o título nacional!

Em 2002, o Sporting festejou o seu último título de campeão nacional de futebol. Já lá vão sete anos sem ganhar o troféu mais importante de cada temporada, aquele que constitui a melhor forma de publicitar a imagem e a marca do Sporting Clube de Portugal no País e no mundo, de gerar receitas e de incentivar a militância dos sócios e adeptos. Estamos a viver o segundo período mais longo da história do clube sem conquistar o campeonato nacional. Filipe Soares Franco termina o seu mandato sem ganhar o título prometido. E, mesmo assim, não há alternativa dirigente. A sensação que paira é desoladora. O que parece é que há cada vez menos Sporting. Houve outros momentos atribulados da história do clube que foram resolvidos com actos eleitorais vibrantes, com várias alternativas de gestão. Agora, não há ninguém que queira pegar no clube, a não ser os mesmos, cujos resultados já conhecemos. Será mesmo impossível travar o declínio?...

terça-feira, 28 de abril de 2009

A recandidatura de Soares Franco

Filipe Soares Franco está a caminho da recandidatura à presidência do Sporting. Em Janeiro passado revelou que iria embora, agora prepara-se para avançar. Não há incoerência, porque passaram quatro meses e ainda não apareceu nenhum candidato com um projecto alternativo para a gestão leonina. O seu propósito é não deixar o clube órfão e faz todo o sentido, pois de quem não está de acordo com a gestão do Sporting só temos ouvido conversa. Mais nada. O que é muito mau para o clube. E mesmo que agora surja um candidato, será, obviamente, carne para canhão. E partirá sempre em desvantagem, num processo reactivo à iniciativa de Franco - que já está decidida, faltando apenas o anúncio oficial. A não ser que haja alguma surpresa de última hora, os dados das próximas eleições parecem estar lançados. Soares Franco parte com um avanço esmagador e qualquer candidato alternativo, sem tempo para se afirmar, só irá marcar calendário e tentar reunir um pequeno grupo de pressão no vetusto Conselho Leonino. Só que, agora, os críticos - ou "a minoria do bloqueio", como lhes chama Soares Franco - perdem credibilidade. Porque quando tinham de avançar com um projecto alternativo coerente não avançaram. Quanto ao futuro do Sporting, seja o que Deus quiser.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Tempo perdido em Alvalade

Forçado pela circunstância de ter saído derrotado na última assembleia geral do Sporting, que impediu a instituição do referendo como meio de consulta aos sócios, Filipe Soares Franco desistiu de submeter o plano de reestruturação financeira a uma assembleia geral tradicional, que seria realizada a poucas semanas do acto eleitoral para os órgãos directivos do clube. Agora, sim, Soares Franco coloca a questão da reestruturação financeira no lugar certo, submetendo-a às eleições. Mais democrático não poderia ser, embora contra a sua vontade inicial. Isto é: os candidatos que se apresentarem a eleições terão que apresentar também um plano de gestão financeira no seu programa eleitoral. E os sócios, ao escolherem o futuro presidente já sabem com o que poderão contar. Sendo certo que Soares Franco, ou o candidato apoiado por ele, já tem um plano, falta saber quais são os planos alternativos.
Isto só vem dar razão ao LEÃO DA ESTRELA quando, logo no dia em que Filipe Soares Franco anunciou que não se recandidatava a novo mandato, em Janeiro último, aqui defendeu a antecipação das eleições. Mas Soares Franco tentou ser presidente em pleno até ao último dia, como disse. Um erro político e muito tempo perdido, como agora se confirma.
O que vale é que o Sporting Clube de Portugal ainda é muito grande. Candidatos a candidatos não faltam. Pedro Souto, Pedro Moraes (o único que, na única entrevista que deu, apresentou uma solução de gestão alternativa, propondo a criação de uma fundação, que, curiosamente, ninguém quis debater, a começar pela comunicação social…), Paulo Cristóvão, e, agora, Carlos Barbosa (um bom nome). Para além, claro, do sempre disponível Menezes Rodrigues…

Obs. - Parece que o árbitro Bruno Paixão não escreveu no seu relatório tudo o que viu e ouviu de Paulo Bento, que, assim, foi punido apenas com uma repreensão escrita e 500 euros de multa. O que só confirma a consciência pesadíssima de um árbitro vendido a um sistema que "mete nojo"...

sábado, 18 de abril de 2009

Paulo Bento por tempo indeterminado, já!




CARTA ABERTA A SOARES FRANCO


Exmo. Sr. Presidente do Sporting, Dr. Filipe Soares Franco,
Na próxima segunda-feira, esqueça, por um dia, o seu plano de reestruturação financeira e, naquela hora que costuma dedicar ao Sporting, chame o treinador Paulo Bento ao seu gabinete, no Edifício Visconde de Alvalade, e apresente-lhe uma proposta de renovação de contrato por tempo indeterminado. Julgo que não é preciso explicar porquê. Toda a gente viu e, sobretudo, ouviu esta noite, a partir de Guimarães. E há uma razão política: a canalhada que manda no futebol português precisa de saber que o Sporting está cem por cento ao lado do seu treinador e que se identifica com a sua revolta.
Estou à vontade, porque eu até nem tinha grande simpatia pelo treinador, sobretudo, pelo seu conservadorismo na arrumação da equipa, por uma notória falta de ambição que leva a equipa a defender vantagens mínimas, a esconder-se num futebol nada agradável e a mostrar duas faces ao longo de um jogo. Mas o que tenho visto nesta época tem sido demais. Paulo Bento tem defendido o Sporting como um verdadeiro Leão. Paulo Bento é muito mais do que o nosso Alex Ferguson. E isso, como já reconheci neste blog, deve-se, em primeiro lugar, ao senhor presidente. Paulo Bento é hoje o rosto do Sporting no País do futebol. Aliás, já era há muito tempo. Por isso, e por entender que só os burros é que não mudam de opinião, como dizia Mário Soares, penitencio-me por ter escrito algumas vezes que o ciclo de Paulo Bento tinha terminado. Até porque a equipa mostra que está com com ele, depois dos altos e baixos já vividos.
Há ainda outra razão: de uma época para outra não pode mudar tudo no Sporting, desde a direcção ao treinador. Por isso, em caso de grandes mudanças ao nível dirigente, Paulo Bento está em excelentes condições de garantir uma transição pacífica que garanta um mínimo de estabilidade ao futebol do Sporting.
Saudações Leoninas,
O editor do LEÃO DA ESTRELA

Derrota de Franco, boa imprensa e alternativa

A direcção de Filipe Soares Franco precisava de uma maioria qualificada de 75 por cento dos votos expressos e obteve 72,45 por cento. A direcção de Filipe Soares Franco precisava do voto favorável de 75 por cento dos 1996 sócios presentes na assembleia geral, mas só conseguiu convencer 69,7 por cento dos associados.
Números são números, como muito bem sabem os gestores do falhado “Projecto Roquette” e os seus apaniguados, que são incansáveis na produção de observações intoxicantes nas caixas de comentários da blogosfera. Se não conseguiu a percentagem necessária de votos e de associados favoráveis, Soares Franco perdeu. Ponto final. Foi uma derrota à justa, mas foi uma derrota. Como num jogo de futebol, basta a diferença de um golo para ganhar ou perder o jogo. Soares Franco perdeu por um golo de diferença. Pode ter jogado bem, pela propaganda que difundiu, mas perdeu. Não ganhou a taça, ficou com a vitória moral.
Mas a derrota não é apenas de Franco. A “boa imprensa”, que está sempre ao lado das pretensões da direcção do Sporting (e que raramente está tão ao lado da equipa de futebol leonina…), também sofreu uma derrota que deverá envergonhar os bons profissionais que ainda trabalham nas redacções. Para além de “O Jogo”, que trabalhou muito a telefonar para os núcleos “ressuscitados” do Sporting, é preciso lembrar que “A Bola”, a quem, por causa da sobrevivência do Benfica, convém um Sporting a caminho da extinção, até mobilizou o seu director, Vítor Serpa, para entrevistar José Roquette. E o benfiquista José Manuel Delgado – da direcção de “A Bola” –, até escreveu um editorial, onde falava numa “noite histórica para o Sporting”, onde os sócios do clube iriam escolher “entre uma visão mais pragmática e realista e outra, romântica e saudosista, que rema contra a maré dos tempos”. Como se não fosse possível adaptar uma gestão desportiva competitiva, com razão e coração, às exigências dos novos tempos...
O “Record”, por seu lado, foi ouvir José Filipe Nobre Guedes, definido como “o homem do projecto” de Soares Franco, destacando-lhe uma frase interessante para captar a atenção dos sócios que só ligam ao futebol: “Investir no futebol em vez de pagar ao banco”. Porreiro, pá!, como diria o outro.
É por isso que os 30,3 por cento dos associados do Sporting que não foram atrás das teorias manipuladoras da imprensa do regime merecem respeito e atenção. E merecem, sobretudo, um líder que indique à nação sportinguista qual é o caminho alternativo. O que terá de acontecer, forçosamente, antes da próxima assembleia geral de 8 de Maio. Para que o voto dos sportinguistas descontentes deixe de ser um voto eminentemente negativo, um voto de um grupo de opositores internos, e se transforme num voto positivo que encha de esperança a enorme nação sportinguista.
A chamada “oposição leonina” tem de deixar de “votar contra” para passar a votar a favor de alguém. Se no próximo dia 8 de Maio não existir essa alternativa e esse projecto alternativo, para que todos os sportinguistas, de uma forma muito clara, saibam quais são os dois caminhos em aberto, então, o melhor será deixar Soares Franco ir sozinho a eleições... Ele ou outro "príncipe herdeiro"...

Sócios chumbam referendo

Apesar da forte campanha mediática em favor das suas teses, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, voltou a sofrer uma derrota em Assemblea Geral (AG), ao não ter obtido a maioria qualificada de 75 por cento dos votos que era necessária para aprovar uma norma transitória nos estatutos do clube que iria introduzir a figura do referendo (sem o período de debate que as assembleia gerais tradicionais contemplam), como meio de aprovar medidas importantes para a vida do clube, como, por exemplo, o plano de reestruturação financeira.
Esta noite, reunidos na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, os sócios do Sporting chumbaram a possibilidade de a reestruturação financeira proposta por Soares Franco ser votada em referendo. Apesar de 72,45 por cento dos votos expressos em Assembleia Geral terem sido favoráveis à realização de referendo, a AG que servirá para aprovar a proposta vai realizar-se nos moldes tradicionais.
Para que o referendo fosse aprovado, era necessário que a proposta de Franco tivesse alcançado três quartos dos votos, o que implicaria uma percentagem de 75 por cento. Com 10.270 votos a favor e 3.781 contra, o referendo ficou a curta distância de ser aprovado. A este universo de votos corresponde um total de 1996 votantes, tendo cada qual números diferentes de votos consoante a antiguidade de filiação.
Entre os sócios presentes, o percentual de aprovação foi ligeiramente inferior, ao ter recolhido 69,7 por cento dos votos, igualmente abaixo dos 75 por cento, enquanto a percentagem de sócios presentes que chumbaram a introdução do referendo foi de 29,3 por cento.
Esta foi a segunda derrota do presidente leonino em menos de um ano. A outra tinha sido em 28 de Maio de 2008, como se recorda aqui. É talvez por isso que Soares Franco não gosta nada de reunir com os associados em assembleia geral, como confessou há dias, no debate com Dias da Cunha.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"O Jogo" de Joaquim Oliveira

O jornal “O Jogo”, do accionista leonino e “patrão” do futebol português Joaquim Oliveira, continua a sua campanha em favor das teses defendidas por Filipe Soares Franco para a gestão do Sporting Clube de Portugal. O que só surpreende quem andar distraído.
É evidente que, para “O Jogo”, com sede no Porto, interessa um Sporting como está: dependente dos bancos, conivente com o “sistema”, sentado nas tribunas ao lado dos dirigentes que foram apanhados nas escutas telefónicas e pouco ambicioso no plano desportivo (contentando-se com umas taças que sobram). Basicamente é este o desígnio do FC Porto para o seu concorrente verde, na sua caminhada triunfal, que visa, a curto prazo, ultrapassar o Benfica em termos de conquistas nacionais. É o pouco que falta para tornar o clube de Pinto da Costa na força mais vitoriosa da história do futebol português. FC Porto que era terceiro no "ranking" do futebol português quando Pinto da Costa assumiu o poder...
No seu trabalho em prol da causa, os jornalistas de “O Jogo” – que fazem o melhor que sabem dentro daquilo que podem fazer – resolveram, num acto inédito, contactar com os núcleos do Sporting Clube de Portugal espalhados pelo País e pelo Mundo, perguntando-lhes se concordam com as assembleias gerais referendárias. É claro que concordam. Todos os sportinguistas concordam com a possibilidade de referendar uma decisão importante para a vida do clube. E a resposta concordante dos núcleos, porque é muito importante para o “regime leonino”, é devidamente ilustrada com um mapa (ver imagem), que já é publicado pela segunda vez em poucos dias.
O trabalho teve o mérito de mostrar a grandeza do Sporting. O problema é que as respostas dos núcleos são grosseiramente manipuladas de modo a darem a ideia de que há consenso na nação sportinguista quanto às propostas de Soares Franco para a gestão do clube.
Mas “O Jogo” não fica por aqui na manipulação notoriamente controlada a partir da central de propaganda de Alvalade. E como acontece na edição desta quarta-feira, o jornal de Joaquim Oliveira abre as suas páginas às justificações de figuras que eram contrárias às teses de Franco e que agora estarão ao lado do presidente cessante. Se mesmo assim não conseguir os tais 75% de sócios presentes e de votos, na assembleia geral do dia 17, Soares Franco ficará com fortes motivos para se fartar de vez desta vida de presidente incompreendido.

domingo, 12 de abril de 2009

Um debate que ninguém ganhou

O debate na SIC Notícias entre Filipe Soares Franco e António Dias da Cunha, os dois responsáveis máximos do Sporting Clube de Portugal nos últimos nove anos, foi realizado fora do tempo certo, que teria sido há quatro anos. Realizado nesta altura, quando Soares Franco afirma que não se recandidata e depois de Dias da Cunha, que também não é candidato, ter dito que o seu tempo já passou, deixou de ter sentido. A não ser que ambos tivessem algo para revelar que fosse extraordinário para o futuro do clube. O que não aconteceu.
O balanço é confrangedor. No fundo, tratou-se de uma sessão de lavagem de roupa suja, para a qual Soares Franco e Dias da Cunha se esqueceram de levar o detergente. Por isso, ambos perderam o debate. E o Sporting Clube de Portugal não ganhou nada. Antes pelo contrário.
A poucos dias de uma assembleia geral importante para o futuro do clube e a poucas semanas das eleições que vão determinar a escolha dos próximos dirigentes, era escusado recordar episódios pouco edificantes de há quatro anos – tais como as cartas que trocaram ou não trocaram ou as diligências que foram preparadas para que o substituto de Dias da Cunha (que inicialmente seria Ernesto Ferreira da Silva, que até precisava de uma “presidência” das comemorações do centenário do clube para ser conhecido) fosse combinado por sucessão dinástica no segredo dos gabinetes... Mais a mais, não conseguimos vislumbrar os grandes motivos por que António Dias da Cunha tanto tem atacado o carácter de Soares Franco.
Como ficou patente ao longo do debate, o Sporting – que há muitos anos está em declínio no plano desportivo e a lutar contra um défice que não pára de aumentar – é hoje uma coutada de umas elites distantes do balneário e da dimensão popular de um grande clube que não passam de agentes de negócios, hoje em representação dos interesses bancários. Só assim se explica que, durante uma hora de pretenso debate sobre “o futuro do Sporting”, tenhamos assistido a um triste espectáculo sobre bancos, buracos e afins - nada de desporto e de futebol - em que Soares Franco e Dias da Cunha pareciam dois contabilistas desavindos, que, a certa altura, certamente por não saberem das contas todas, até tiveram de citar Rui Meireles (um ex-funcionário do clube que foi despedido a peso de ouro). Com Soares Franco a colocar a cereja em cima de um bolo estragado ao revelar que Dias da Cunha “sacou 45 milhões da SAD”. Presume-se que para o clube e não para o próprio bolso. Mas só o facto de Franco se colocar ao lado da SAD contra o clube, acusando o seu antecessor de ter sacado (o nível da linguagem é delicioso…) dinheiro da SAD para o clube, ou perguntando-lhe quanto é que o clube deve à SAD, foram momentos susceptíveis de terem colocado em pé os cabelos de qualquer sportinguista. Do mesmo modo, causou perplexidade o facto de Franco não justificar o aumento do passivo, apesar da venda de património e de jogadores... Venda de património que tinha sido planeada pela direcção de Dias da Cunha, de quem Soares Franco era vice-presidente substituto...
Do futuro, e de futebol, que é suposto ser a actividade principal do Sporting Clube de Portugal, nem uma ideia, nem uma palavra. Está assim explicada a falta de militância da nação sportinguista, que não entende este discurso que o Sporting tem feito sair para o exterior, como se não fosse uma instituição desportiva. Para isso contribuem estes dirigentes, que não sabem como devem aproveitar uma hora de televisão para falar sobre o seu clube de modo a chamarem a atenção do seu público, que são milhares de associados e alguns milhões de adeptos e simpatizantes. E estamos a falar dos dois homens mais importantes do clube nesta década. O que também explica que o Sporting não esteja a recuperar o terreno perdido nas instâncias que governam o futebol em Portugal.
Depois deste debate entre Soares Franco e Dias da Cunha, torna-se claro para os sportinguistas que, com estes dirigentes, é uma sorte que ainda haja uma equipa de futebol que representa o Sporting Clube de Portugal, com jogadores como Lideson, João Moutinho, Daniel Carriço, Adrien Silva, Izmailov, Derlei, entre outros. E que com eles trabalhe um treinador chamado Paulo Bento, que, apesar de tudo, tem o mérito de ser também a voz do Sporting no futebol português. Para o nível que os dirigentes do Sporting têm revelado, já é muito bom ficar em segundo lugar, ir à Liga dos Campeões e ganhar umas taças de vez em quando.
Ou o próximo acto eleitoral lança na corrida candidatos que escapem a esta lógica dinástica ou o Sporting vai mesmo para o lugar do Belenenses em muito poucos anos.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pedro Sousa Moraes: o Leão da Caparica

O jornalista Eugénio Queirós, que, na edição de hoje do jornal “Record”, assina uma entrevista exclusiva ao empresário Pedro Sousa Moraes, escreveu, a pedido do LEÃO DA ESTRELA, um depoimento sobre o novo candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal:

Não conhecia Pedro Sousa Moraes. Um telefonema de um amigo com larguíssima experiência futebolística, hoje retirados das lides, questionou-me quanto à possibilidade de entrevistar alguém que pretende candidatar-se à presidência do Sporting: um empresário com residência em Lisboa e na Costa da Caparica. Fiz-me à estrada com tudo em aberto, na certeza, porém, de que não iria encontrar, à porta do convento dos Capuchos, em S. João da Caparica, um candidato de V5 e apenas folclórico.
Pedro Sousa Moraes escolheu a sua quinta, sobre a riba da Caparica, de seu nome "Casa do Robalo", para se apresentar. Fez logo questão de subir ao terraço para nos mostrar o estupendo horizonte que vai do Cabo da Roca ao Cabo Espichel. E depois, sim, deu-se a conhecer.
Rapidamente percebi que estava perante um sportinguista com grandes tradições e de qualidade inquestionável. Nesse aspecto ninguém o pode acusar de ser um paraquedista, o que nestas coisas é sempre importante...
Com 51 anos, Pedro Sousa Moraes é um homem de bem com a vida, com sucesso aparente nos seus negócios (de Angola ao Brasil) e com uma rede vasta de amigos, muitos deles do universo sportinguista.
Filho de boas famílias, com raízes em Tortosendo (região centro), o novo candidato, aos 19 anos, já conduzia um Porsche, oferecido por um tio também com grandes ligações ao Sporting, e não gosta de falhar um jogo em Alvalade. E mesmo fora de Alvalade.
Contou-me até a história do dia em que, com amigos, foi ver o Salgueiros-Sporting que confirmou o Sporting com o campeão, quando chegou à Mealhada e só então percebeu que se tinha esquecido dos bilhetes em casa (Lisboa) – uma operação a pisar todos os limites de velocidade permitiu que todos vissem o jogo, embora só tivessem entrado já com este a decorrer.
Pedro Sousa Moraes tem um projecto para o Sporting. Quer criar uma fundação que seja capaz de, concorrendo a empreitadas com o suporte inicial de mecenas, consiga gerar receitas para aplicar no futebol e na vida eclética do clube. "Quando os outros miúdos contavam carneiros para adormecer, eu fazia equipas do Sporting...", diz ainda sobre o seu sportinguismo, que estendeu aos quatro filhos, um deles a estudar no Porto.
Incomodado com alguns barões que residem há muitos anos no Conselho Leonino, que quer extinguir, e que não contribuem para o clube em nada, o novo candidato ao cadeirão de Alvalade integrou a lista de Sérgio Abrantes Mendes "por pura amizade" e aí percebeu como é difícil lutar contra o sistema... interno. "Mesmo assim tivemos 25% dos votos", acentua.
Agora parece que é a sério. Pedro Sousa Moraes não acredita que Pedro Souto se candidate, acha ridículo que lance uma candidatura à condição e mais motivado se vai sentir para ir em frente se Filipe Soares Franco também for candidato, como acredita que será.
Pedro Sousa Moraes respeita o trajecto de Dias da Cunha, mas não deixa de fazer algumas críticas, nomeadamente à forma como alguns jogadores foram, no seu entender, mal vendidos. Presidente durante 8 anos do Núcleo do Sporting da Costa da Caparica, onde quis lançar um projecto pioneiro, tendo quase conseguido adquirir o espólio de José Travassos, Pedro Sousa Moraes apresenta também um estilo de liderança presidencialista. "Serei eu e mais dez", diz, convicto de que terá de ser sempre ele a dar a cara, interagindo com o treinador, os jogadores e os sócios. Sócios que considera fundamentais para o futuro de um clube que vê ameaçado quando já se fala na extinção da figura dos mesmos, em detrimento dos accionistas da SAD.
O novo candidato quer ainda que o Sporting recupere o ecletismo que perdeu e é bem preciso quando identifica o principal rival: o Benfica. Enfim, gostei do que ouvi e senti pois é raro, nos tempos que correm, encontrar alguém tão entusiasmado com uma causa clubística, sobretudo alguém que podem podia aproveitar todo o seu tempo para desfrutar do sossego e da beleza da quinta do Robalo.
Eugénio Queirós, jornalista do “Record” e editor do blog Bola na Área (post especial para o LEÃO DA ESTRELA)
FOTO: "Record Online"

terça-feira, 7 de abril de 2009

Todo o plano financeiro de Filipe Soares Franco

O LEÃO DA ESTRELA revela na íntegra o documento que o Sporting entregou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), com as propostas a apresentar pela direcção à próxima assembleia geral do clube. Para Filipe Soares Franco, que, curiosamente, já disse, por mais do que uma vez, que não se recandidata à presidência nas eleições do próximo dia 5 de Junho, só mediante a aprovação deste plano é que será possível gerir o clube. Para outros sportinguistas, como Dias da Cunha, será o fim do Sporting Clube de Portugal em 10 anos. No próximo dia 17 de Abril os sócios têm a palavra. Entretanto, o LEÃO DA ESTRELA recorda um post premonitório. CLIQUE NOS DOCUMENTOS PARA AMPLIAR E DEIXE O SEU COMENTÁRIO.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A crítica de Abrantes Mendes

Sérgio Abrantes Mendes, ex-adversário eleitoral de Filipe Soares Franco na corrida à presidência do Sporting e antigo presidente da Assembleia Geral do clube e, naquele tempo, em finais da década de 1980, uma espécie de reserva moral do agitado consulado de Jorge Gonçalves, veio a público contestar o "timing" da renúncia do actual presidente leonino a uma recandidatura.
A crítica de Sérgio Abrantes Mendes não tem razão de ser, porque o processo eleitoral teria de acontecer em qualquer altura do ano. Ironicamente, o período menos indicado para a realização de eleições é justamente aquele que coincide com o fim de uma temporada desportiva e a preparação da temporada seguinte.
Soares Franco, ao anunciar que não é candidato com seis meses de antecedência em relação à data das eleições, prestou um grande serviço ao Sporting, porque permite criar condições para um debate profundo sobre o futuro de clube dividido, mais a mais com um congresso agendado para dentro de poucas semanas. O que não seria possível caso esse anúncio tivesse ocorrido a um ou dois meses das eleições, numa altura igualmente decisiva para a equipa de futebol na luta pelo título nacional. Ao mesmo tempo, é preciso ter em conta que o sucesso da equipa de futebol na Taça da Liga, na Liga Portuguesa e na Liga dos Campeões será sempre o sucesso do projecto de Soares Franco, que terá, certamente, um candidato a defendê-lo.
O que teria sentido Abrantes Mendes fazer seria recomendar a Filipe Soares Franco que recorra a todos os meios no sentido de defender a máxima tranquilidade no grupo de trabalho do Sporting, de modo a que os objectivos desportivos da temporada não sejam postos em causa. De resto, todos os profissionais do Sporting continuam a receber no final do mês pelas funções para as quais foram contratados. Uns para dirigir, outros para treinar, outros para jogar e outros, ainda, para ajudar a máquina a funcionar. E o âmbito dessas funções específicas de cada profissional leonino não passa, ou não pode passar, por alinhamentos pré-eleitorais que prejudiquem o futebol do Sporting.

O Sporting na mão dos sócios

Num País onde o presidente de um Governo regional está no poder há 30 anos, onde o presidente de um grande clube desportivo vai também a caminho de 30 anos no cargo, onde há presidentes de câmara também há mais de 30 anos no poder e onde há líderes de muitas instituições que também se eternizam no poder, não obstante todos terem sido escolhas teoricamente democráticas, a decisão de Filipe Soares Franco de não se recandidatar à presidência do Sporting merece, em primeiro lugar, o profundo respeito de todos os sportinguistas.
Embora contrariado, por notar que não recolhe no clube a margem de 75 por cento de apoio que é necessária em Assembleia Geral para mudar os estatutos e concretizar o seu projecto empresarial no Sporting, Filipe Soares Franco devolve o futuro do clube aos associados. Sai derrotado, mas sai com honra e de cabeça erguida. É evidente que o projecto de Soares Franco continuará sobre a mesa e terá, certamente, um futuro candidato a defendê-lo. Mas também é evidente que, doravante, estão criadas as condições para que, nos próximos meses, surjam projectos alternativos que proporcionem um amplo e necessário debate sobre o Sporting Clube de Portugal. Um debate que se espera sereno e profundamente democrático. Para que dirigentes e ex-dirigentes deixem de lavar roupa suja ou ajustar contas na praça pública e que tudo fique esclarecido. De uma vez por todas.
Que os melhores projectos e os melhores candidatos apareçam a jogo, para que o Sporting acabe, de uma vez por todas, com guerras intestinas que minam o clube, de modo a que o rumo que venha a ser escolhido nas próximas eleições seja, no dia seguinte, defendido por todos ou, pelo menos, que não seja hostilizado por ninguém. Os tempos não estão fáceis e o Sporting precisa de todos os sportinguistas para recuperar o entusiasmo em torno do clube e assumir a liderança no desporto em Portugal, tendo o futebol profissional e de formação como as suas grandes bandeiras no País e no mundo.
Finalmente, uma nota decorrente da entrevista de Filipe Soares Franco à RTP: tendo em conta a necessidade de uma preparação atempada da próxima temporada desportiva, em particular a questão sensível da escolha do treinador da equipa principal de futebol, as eleições deveriam ser antecipadas. Paulo Bento é o treinador do Sporting, é um profissional, mas, pela forma como sempre conduziu as suas funções, tendo sido, muitas vezes, a única voz do Sporting no país futebolístico, é talvez o treinador mais “político” da história do Sporting, na medida em que sempre falou a mesma linguagem da administração, sendo visto, portanto, como uma extensão do presidente que agora vai retirar-se. Só por isso, dificilmente Paulo Bento terá condições para continuar como treinador do Sporting para além desta época. FOTO: "Record Online"

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mau futebol deixa Alvalade cada vez mais vazio

Os associados e adeptos assobiam o futebol da equipa do Sporting e vão cada vez menos ao Estádio de Alvalade. Já os dirigentes leoninos, eventualmente contagiados, também assobiam, mas para o lado ou para o ar, justificando as vergonhosas assistências registadas em Alvalade com "a crise económica portuguesa e mundial". Sim, uma assistência de 35 mil espectadores num Sporting-FC Porto, ou seja, entre o vencedor da Taça de Portugal e da Supertaça e o vencedor do campeonato nacional, é um registo vergonhoso para o clube leonino... E não podemos esquecer o registo de assistências inferiores a dez mil pessoas em alguns jogos dos últimos anos... De resto, olhando para o lado, vemos as assistências do Benfica e do FC Porto a subir nesta temporada...
De acordo com um inquérito online promovido pelo diário “O Jogo”, em que participaram 1394 leitores do jornal, a crise económica é apontada como “a principal responsável pela quebra de assistências no estádio do Sporting” por 34 por cento dos inquiridos. O curioso é que a mensagem oficial de Alvalade sobre este problema aproveita a boleia desta justificação...
No entanto, convém não desviar as atenções. A verdade é que 32 por cento dos participantes no referido inquérito apontam Paulo Bento como responsável pelo pouco público em Alvalade e 23 por cento indicam os jogadores como culpados por assistências desoladoras. Tudo somado, 55 por cento das responsabilidades pela quebra dos espectadores em Alvalade são atribuídas à equipa de futebol, isto é, ao mau futebol praticado pelo Sporting. É isto que merece uma reflexão urgente.
Não adianta andar à procura dos motivos fora das quatro linhas de jogo, muito menos pondo em causa os homens do marketing leonino – que na temporada 2008-2009, é bom lembrar, tinham sido responsáveis por uma campanha promocional de venda dos lugares de época (as tais “gamebox”...) ao nível do melhor que se podia fazer no mundo (o famoso telefonema de Paulo Bento...), porém, também sem sucesso, uma vez que as vendas não dispararam.
Os homens do marketing trabalham em função do que têm para vender... Ou seja, só poderão ser bons se tiverem substância para vender... A grande verdade é que, num clube de futebol, o que há de mais importante para vender ao público é justamente o futebol. Se o futebol jogado não tiver qualidade capaz de seduzir as pessoas; se a equipa for ganhando umas taças à custa de doses cavalares de sofrimento dentro do campo e nas bancadas; se a equipa der constantemente 45 minutos de avanço aos adversários (e, às vezes, mesmo os 90 minutos...); se a equipa procurar ser em campo tão fria e calculista como se um jogo de futebol fosse um exercício de contabilidade; enfim, se Paulo Bento não conseguir colocar o Sporting a ganhar jogos e a obrigar os jogadores a dar uns minutos que sejam de espectáculo em cada jogo, é evidente que o povo vai deixando o Estádio José Alvalade cada vez mais vazio.
O futebol é emoção e o acto de comprar o bilhete para ir ao estádio é emotivo. Mas ninguém se emociona com um jogo frio, calculista, sempre à espera do erro do adversário ou do apito final. A não ser que seja masoquista.

Obs. – A maior alegria que Paulo Bento deu aos sportinguistas como treinador não foi, curiosamente, a conquista de um título. Porque será?... Foi a vitória sobre o Benfica por 5-3, que permitiu ao Sporting seguir para a última final da Taça de Portugal, que seria conquistada ao FC Porto. Mas até nesse jogo com o Benfica o Sporting fez a pior primeira parte da última temporada. Ao intervalo, o Sporting perdia por 2-0. Depois, uma segunda parte do outro mundo mudou a história. Recordo este facto para lembrar que até na sua vitória emocionalmente mais importante o Sporting de Paulo Bento jogou mal, muito mal. No final da última temporada, o balanço desportivo até foi melhor do que em 2006-2007. Mas será que alguém se lembra disso, depois de tantas derrotas humilhantes e exibições paupérrimas ao longo de uma época de sofrimento?... As pessoas lembram-se é que 2007-2008 foi o ano dos Gladstones, dos Celsinhos, dos Marian Hads e dos Purovics, e mais um ano de um atraso pontual irrecuperável em relação ao FC Porto, ou seja, um ano para esquecer.

LEÃO DA ESTRELA feito pelos leitores

[Concordo com tudo! Mas muitos supostos Sportinguistas virão aqui defender o PB como de costume. A mediocridade impera, muitas vezes com a desculpa de que não há dinheiro para melhor. Como se o futebol positivo e de ataque, a qualidade táctica, a coerência e a alegria de jogar futebol não fossem atributos que não são precisos comprar mas sim tê-los incutidos num treinador para pôr uma equipa a jogar e precisamente depois a entusiasmar os adeptos!] Pedro Silva

[Concordo. A derrota por 4-1 com o último classificado da Liga e que desceu (Leiria) foi difícil de digerir… Muito mesmo. Mas outro factor não deixa de ser importante: o preço dos bilhetes está muito caro para o mau futebol praticado. A direcção fez um campanha de promoção da equipa, a dizer que era melhor que o ano passado e que ia ganhar o campeonato para justificar esta tabela de preços. Acontece que vendeu gato por lebre. O pior é que alguns adeptos podem acabar por “se acomodar” ao sofá. Sempre me disseram: é mais fácil destruir que construir. O que se vai passar é isso mesmo. Vai demorar até conseguir voltar a ver Alvalade cheio.] Samuel Mota

[Esta direcção e, em especial, seu presidente, é fraca demais para um clube que, pelo menos, lutava por algo e tinha nos seus adeptos o seu ponto de alicerce, o que neste momento nem isso já tem, pois no "Futebol Finance", soube-se agora, que o FC Porto já passou o número de apoiantes do Sporting, o que não é de estranhar, pois quando estes dirigentes, em entrevistas, os apoiam, o número aumenta. Quando apresentam um lucro de 600 mil euros, e têm um passivo de 240 milhões a dizer que este até aumentou devido aos juros, depois de vender quase tudo (Academia está breve, pelo menos já está nas mãos dos accionistas), e se vangloriam, está tudo dito. Mas os sócios, ainda continuam a dormir e a gostar de acreditar no Pai Natal Soares e que ele existe... Este clube está a descer aos limites do insuportável, e não me admira que não venha a ser mais um clube que já o foi...] P. Sousa (blog Bancada Directa)

[O problema não é recente nem vem de agora, muito menos se deve única e exclusivamente a esta crise. Já não se recordam que, na época em que fomos à final da Taça UEFA, as assitências que tivemos em casa nos quartos e na meia-final? Não passou os 35.000. Recordem-se ou vão verificar isso. E no ano passado no derby da taça, nos históricos 5-3? 37.500, isso mesmo, num Sporting-Benfica... Este estádio só encheu na inauguração e mesmo assim, ficou a escassos lugares dos 50000 e na final da UEFA. De resto, volta Alvalade velho, tu sim, tinhas grandes casas. Em 2002, como alguém disse, as filas para comprar bilhetes para o derby davam a volta ao estádio e duravam mais de 10 horas... Curiosamente um ano depois, inaugura-se o novo estádio e começa a meu ver a crise de bilheteira... É preciso reflectir nestas coincidências. O preço do bilhete não ajuda muito, apesar da gamebox ser acessível e preço justo ou razoável para os tempos que correm. Há muito sportinguista no Norte e em Trás os Montes, no Minho e nas Beiras. Quem está em Lisboa, muitas vezes desconhece este universo. Há núcleos com centenas de associados, que são ignorados constantemente. A alma do Sporting é em todo o País e no Mundo. É preciso identidade, recuperar a mística leonina... Eu sou transmontano, sócio do Sporting há 16 anos, efectivo, com quotas sempre pagas. Vou a Alvalade 1 ou 2 vezes por ano, mas já tive a gamebox no 1.º e 2.º ano, pois o meu irmão mais novo estudava em Lisboa e ia ver os jogos. Continuo sócio, mesmo a 500 km de distância, sou dos tais 27000 que o nosso Presidente menciona na sua entrevista. É preciso dar a volta ao País, ir aos núcleos, estabelecer parcerias, promover uma cultura de marketing com base na mística leonina que tem de ser recuperada. A meu ver as gamebox são um flop e impedem que Alvalade encha, pois há muito sócio que não comparece a todos os jogos e apesar do encaixe financeiro a cadeira fica vazia e é menos uma voz a gritar Sporting. Outro dia falei aqui na identidade do Sporting, no post da crise de identidade e continuo a pensar que o problema está precisamente nisto. Mas os outros também vão passar por isso, é uma questão de tempo...] Eugénio Borges

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O tabu de Paulo Bento e outras artimanhas

À falta de coragem e liberdade para tratar de assuntos importantes, e com o Sporting na liderança da I Liga – é bom que se diga… -, a imprensa fica entretida a falar de um suposto tabu de Paulo Bento, a propósito da sua permanência em Alvalade, para além da época em curso. Tudo começou numa entrevista de Paulo Bento à SIC Notícias, onde o treinador do Sporting não disse nem mais nem menos do que aquilo que poderia ter dito sobre essa questão. Basicamente, o treinador afirmou que o contrato acaba no final desta temporada, encerrando um ciclo de quase quatro anos. É uma verdade. E sobre o futuro disse que não sabia se continuava, ou não, porque a questão ainda vai ser colocada. Evidentemente. Não estou a ver o que Paulo Bento poderia ter dito de muito diferente, mesmo sendo ele já o "Alex Ferguson do Sporting", como desejava Filipe Soares Franco.
Porém, certa imprensa especializada na criação de casos que não existem, em vez de tratar de questões essenciais para o futebol português – a forma como o livro de Octávio Machado foi praticamente ignorado pela comunicação social desportiva é absolutamente escandalosa – parece estar a procurar mais um caso em Alvalade a propósito da continuidade de Paulo Bento. Mas o caso não existe e nem tem que existir. Basicamente, Paulo Bento será treinador do Sporting enquanto ganhar. Como acontece com todos os treinadores. E, até agora, fazendo a avaliação entre os bons e os maus resultados, a verdade é que o saldo de Paulo Bento é largamente positivo.
Só nos últimos dois anos, o Sporting ganhou dois troféus nacionais por época (Taça de Portugal e Supertaça), o que não acontecia há muito tempo. Para ser mais preciso, a conquista de dois troféus nacionais em duas épocas consecutivas já não acontecia em Alvalade desde o tempo glorioso dos “Cinco Violinos”. Há mais de 50 anos!...
É por isso que os adversários do Sporting, a começar pelo Benfica, andam entretidos a mostrar ao País um filme de má qualidade que nos mostra Cristiano Rodriguez a dar uns "coices de amor" em Nuno Gomes. Mas o Benfica zeloso da aplicação da justiça que pede mais um sumaríssimo para castigar um jogador do FC Porto (em vez de procurar saber se a Sport TV, que teve 26 câmaras no Estádio da Luz, registou as imagens e não as mostrou ao público...), é o mesmo Benfica que pede a despenalização do seu jogador Luisão, que agrediu um adversário portista (em vez de aceitar o castigo e penalizar internamente o defesa brasileiro, para que ele aprenda a não enterrar mais vezes a equipa de Quique Flores).
Com quatro pontos perdidos à segunda jornada, o Benfica, que clama por justiça e transparência, revela-se, afinal, um paladino das artimanhas jurídicas, ao procurar adiar o mais possível o castigo da Liga a Luisão, só para que ele possa defrontar o Sporting no final do mês. E como a justiça desportiva portuguesa faz de conta que existe, como ficou provado pelos tostões de multa ao Benfica por uma invasão de campo seguida de agressão a um árbitro assistente, tudo é permitido. FOTO: "Record Online"
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