
O Sporting goleou o FC Porto com toda a justiça (4-1) e está, pela segunda vez consecutiva, na final da Taça da Liga, onde irá defrontar o Benfica, que venceu o Vitória de Guimarães por 2-1. Em Alvalade, foi uma grande vitória num jogo que não começou bem para o Sporting. Fiel aos seus "princípios", a equipa de Paulo Bento entrou em jogo pouco confiante e com um futebol muito enredado e previsível, que chegou a prenunciar o pior, sobretudo após o FC Porto ter aberto o marcador, logo aos 10’, no primeiro remate à baliza de Tiago.
Desde muito cedo, Adrien Silva, que rubricou uma excelente exibição, assumiu-se como o pêndulo do jogo leonino, desdobrando-se na distribuição de jogo por toda a largura do campo e também em oportunas recuperações defensivas. Foi um dos melhores elementos da equipa leonina, confirmando-se como um valor seguro para a chamada “posição 6”. Mas Pedro Silva, Anderson Polga, João Moutinho, Vukcevic e Romagnoli (dois golos de penálti valem muito no Sporting...), assim como Derlei e Pereirinha, estes numa segunda parte colectiva de grande qualidade, também estiveram em grande plano.
O FC Porto apresentou-se em Alvalade desfalcado de alguns titulares e a equipa de Jesualdo Ferreira pareceu uma manta de retalhos, que só o golo “madrugador” conseguiu esconder por algum tempo. O Sporting, diga-se, só entrou verdadeiramente em campo quando Romagnoli converteu uma grande penalidade, restabelecendo o empate (36'). O golo funcionou como um tónico psicológico que levaria a equipa a criar algumas situações de golo, mas a ineficácia de Hélder Postiga impediu que o domínio leonino se traduzisse em golos.
De resto, o que de melhor Postiga deixou em campo foi talvez o modo como soube provocar uma segunda grande penalidade indiscutível, cometida por Stepanov, que Romagnoli voltou a marcar com êxito, virando o resultado. A segunda parte estava a começar e o Sporting passava então a jogar com confiança que não tivera quando iniciou a partida. Mas os golos em futebol corrido só surgiram quando Paulo Bento fez entrar Pereirinha e trocou Postiga por Derlei. O “velho” luso-brasileiro assinou dois excelentes golos, mostrando que está aí para as curvas nestes últimos meses de uma bem sucedida. Foram momentos de bom futebol por parte da equipa leonina, que assim construiu uma das vitórias mais gordas sobre o FC Porto em muitos anos.
Quanto ao árbitro Carlos Xistra, ficam as dúvidas quanto ao golo invalidado a Hélder Postiga. Mesmo vendo e revendo as escassas imagens televisivas captadas pela SIC, não parece ter havido infracção do jogador leonino. E a verdade é que o árbitro assistente, que teria melhor ângulo de visão, nada assinalou. Do mesmo modo, não me pareceu ter havido motivos para assinalar a primeira grande penalidade contra o FC Porto. De qualquer modo, se houve erros nestes dois casos, os prejuízos foram divididos... Finalmente, Tarik poderia ter ido mais cedo para o duche. Insultou o público de Alvalade com gestos obscenos após a marcação do golo e nada lhe aconteceu. No início da segunda parte, abriu a cabeça de Pedro Silva elevando o pé na disputa de uma bola e viu o cartão amarelo... FOTO: Nacho Doce (Reuters)