JÁ FAZ INVEJA ATÉ NO DRAGÃO...
Vukcecic pode não gostar de futebol nem na PlayStation (foi ele próprio quem o confirmou numa entrevista ao jornal "A Bola"), mas quem gosta de futebol gosta cada vez mais do montenegrino. Os adeptos apenas atentos à espuma registaram somente os seus dois golos, principalmente a estética do segundo. É natural, eles confirmaram o killer instinct anunciado e cada vez mais confirmado e devem garantir ao Sporting uma viagem tranquila até à Suíça. Mas acaba por ser injusto e redutor, porque Vukcevic foi também determinante no pior período do Sporting, naquela meia hora de caos total que se seguiu ao feliz 1-0. Aí, quando parecia ir repetir-se mais uma dose gigante de futebol leonino nervoso e aos repelões, Vukcevic pegou no jogo e mostrou como jogar frente a um adversário apenas mediano (para além de afectado por várias lesões, o Basileia ficou sem o único verdadeiro craque que tinha - o jovem equatoriano Felipe Caicedo, que Eriksson levou em Janeiro para o Manchester City por 11 milhões de euros). De facto, foi a raça de Vukcevic (viram como, ainda no relvado, pediu para lhe reduzirem a luxação no ombro?) que ajudou a colar os cacos e deu a estabilidade psicológica que faltava. E a sua classe foi essencial para o Sporting partir para um resto de jogo seguro e concentrado. É justo reconhecer também o papel de Romagnoli (finalmente num nível aceitável) e de Patrício (aquela defesa aos 12", em que pesou a "bunda" a Veloso, pode vir a valer a eliminatória), Vukcevic insiste em provar que os dois milhões de euros pagos por metade do seu passe foram um bom negócio. Até porque no Dragão já deve haver quem torça a orelha por ter recusado idêntico acordo...
Autor: Bruno Prata, "Público", 14-02-2008