terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Os títulos de Freitas

A propaganda dos jornais amigos não vai esquecer uma herança alegadamente dourada de Carlos Freitas em sete anos de trabalho no Sporting. Provavelmente, vão atirar-nos à cara aquela história dos sete títulos em sete anos e serão capazes de prever um jejum de títulos para as próximas décadas. A grande verdade, porém, é que o Sporting já não é campeão nacional há seis anos! E ganhar um título, que eu saiba, é ganhar um campeonato.

As cartas de Soares Franco

O Sporting anda aflito com a queda de Carlos Freitas. Uns querem que outros dirigentes, e até o treinador, peçam também a demissão. São os homens do sangue a todo o custo. Outros não sabem o que fazer à vida sem os lóbis do Leste e de outras paragens do planeta, temem o pior e viram-se para o que ainda resta do “roquettismo” dentro do Sporting. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O “roquettismo” ainda não morreu, mas já faltou mais. Em poucos meses já foi criticado por Soares Franco e tombaram mais dois nomes do universo dirigente: Rui Meireles e, agora, Freitas… Não deverá acontecer grande coisa nos próximos tempos. A saída de Freitas, nesta altura do campeonato, não tem influência nenhuma. Para o futebol do Sporting, Freitas era uma irrelevância de bastidores que só fazia estragos quando abria o mercado. Com a sua retirada, depois das asneiras do último Verão, até ficará aberto espaço a outros jogadores do plantel que até agora andavam escondidos. Portanto, a vida continua. Mas será interessante saber quem é que Filipe Soares Franco vai chamar para a SAD e para a chefia do futebol. Para ficarmos a saber se o futebol do Sporting vai mesmo mudar de vida ou se Soares Franco vai apenas baralhar e dar de novo… FOTO: "Record"

A retirada de Carlos Freitas II

Depois do título de 2000, Carlos Freitas ficou tão entusiasmado com as aquisições que começou a fazer asneira da grossa no Sporting. Peter Schmeichel viu tanta asneira que quis logo ir embora para acabar a carreira com mais dignidade em Inglaterra! Enquanto os sportinguistas festejavam o título ao fim de um jejum de 18 anos, Freitas, com carta branca de Luís Duque, começou por contratar 15 (quinze) jogadores a seguir ao título de 2000, um dos quais, Rodrigo Tello, apareceu em Alvalade como “o melhor extremo-esquerdo da América Latina”, custando 7,5 milhões de euros – tendo sido o jogador mais caro da história do Sporting. Pior: Tello foi contratado em Janeiro de 2001 para corrigir desequilíbrios num plantel que tinha sido dotado com 15 novos jogadores no defeso anterior!... No ano em que mais dinheiro gastou com o futebol, o Sporting perdeu um título que parecia fácil (o Boavista, levado ao colo pelos árbitros, foi campeão e o Benfica sexto classificado!...) e regressou ao terceiro lugar na I Liga.
Entre cerca de seis dezenas de jogadores, e num juízo certamente subjectivo, cerca de metade deles podem ser considerados os “barretes” que Carlos Freitas enfiou ao Sporting (entre compras e empréstimos). Lembremos alguns nomes: Chiquinho, Cáceres, Hugo, Dimas (foi contratado em fim de carreira e nunca se afirmou como titular devido a problemas físicos), Alan Mahon, Kirovski, Horvath, Bruno Caires, Robaina, Mário Sérgio, Sphear, Rodrigo Tello (relação preço-qualidade), Diogo, Luís Filipe, Nalitzis, Kutuzov, Marcos Paulo, Silva, Clayton, Mota, Koke, Paredes, Pinilla, Farnerud, Bueno, Purovic, Marian Had, Celsinho...
Este ano foram contratados nove jogadores, metade deles oriundos de Moscovo, e nenhum se afirmou ainda como titular indiscutível. Mais: dos jogadores contratados desde Janeiro de 2006, ou seja, nos últimos dois anos, poucos se afirmaram como titulares indiscutíveis além de Marco Caneira. Abel e Romagnoli, entre dezena e meia de jogadores que entraram nestes dois anos, tornaram-se titulares do Sporting com regularidade. E mesmo Romagnoli, que precisou de um ano para se adaptar, é um atleta que suscita opiniões contraditórias. Acabaram por ser os jogadores formados no clube a sustentar a equipa, depois de confirmados os fiascos vindos de fora. Por outras palavras, e em conclusão, Carlos Freitas estava a perder qualidades na detecção de jogadores baratos fora do País e não se entusiasmava com os jovens formados na Academia do Sporting.

A retirada de Carlos Freitas I

André Cruz foi uma das melhores contratações de Carlos Freitas

O LEÃO DA ESTRELA escreveu em 9 de Novembro último que o administrador da SAD do Sporting Carlos Freitas, mesmo depois de ter voltado ao trabalho após um período de reflexão, continuava a ser um “caso” por resolver em Alvalade. De então para cá, a equipa de futebol não melhorou e agora chega a notícia: o responsável pelo pelouro das contratações e dispensas de jogadores abandona o Sporting. O desfecho era esperado. Agora é tempo de balanço. A verdade é que a grande maioria das seis dezenas de jogadores contratados nos últimos sete anos não foram valorizados pelo Sporting. Além disso, foi neste período de tempo que o Sporting viu sair prematuramente jogadores como Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo. Para além de Quaresma ter ido para o FC Porto (2004-2005), depois da aventura espanhola, e Simão para o Benfica (em 2001-2002), também após regressar do Barcelona. Ou seja, o Sporting não teve capacidade, nomeadamente financeira, para reaver dois produtos de primeira qualidade da sua formação, que passaram a servir clubes rivais. Carlos Freitas, quando precisava de mostrar serviço, esteve perfeito naquele Inverno de 1999-2000, ao contratar César Prates, André Cruz e Mbo Mpenza. Deu ao treinador Augusto Inácio os jogadores de que precisava para ser campeão. Os problemas vieram depois.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

CORREIO LEONINO

CARTA ABERTA AOS SPORTINGUISTAS

Sou um sócio de bancada. Não sou nenhum notável nem barão do Sporting. No entanto, penso pela minha cabeça! É nestes momentos de frustração que aparecem mais participantes nos blogues e foruns de opinião. A minha opinião é mais uma e tem o peso de 20 anos de sócio! Também é nestes momentos que não se deve falar "a quente"! E há muita gente que fala a quente, que emite opiniões absurdas (José Mourinho no SCP, etc.).
Pois bem, eu não vou falar "a quente"! Julgo que todos aqueles que aqui vêm comentar diariamente ou frequentemente têm, tal como eu, um amor inquestionável pelo clube! Pois bem, dirijo-me a esses, pois são esses que estão dispostos a fazer sacrifícios pessoais pelo Sporting, abdicando muitas vezes de obrigações familiares, aqueles que pensam TODOS OS DIAS no Sporting!
É bom que todos façamos uma reflexão honesta sobre o que representou para O CLUBE (muito para além de meros resultados desportivos) estes 12 anos de "Roquettismo"! Sim, porque Dias da Cunha e Soares Franco são o refugo, as sobras desse traidor "projecto empresarial"! Não nos iludamos: nestes 12 anos quem esteve no poder mamou sempre da mesma teta! Mas o leite secou, acabou!!!
O que é que Sporting tinha então e o que é que o Sporting tem hoje? O que era a Instituição SCP então e o que é aquilo em que se transformou? Quantos sócios e adeptos tinha o SCP de então e quantos tem hoje? Estas perguntas podiam-se prolongar por muitas mais linhas, mas penso que já perceberam o meu ponto de vista!
Em conclusão: aquilo que é urgente para a sobrevivência do nosso clube, muito mais do que ganhar um campeonato, uma Taça de Portugal ou uma Taça da Liga, é neste momento fazermos TUDO o que estiver ao nosso alcance para afastarmos essa súcia de anti-sportinguistas que se apoderou do NOSSO SPORTING! Gente essa que, diariamente, conspurca o nome sagrado do nosso clube, que o desvaloriza, que o desfigura, que o agride, que o despreza, que o rouba, que o goza, que o vende, que, em suma, contribui para a sua extinção tal como o conhecemos e aprendemos a amá-lo!
É esse, SPORTINGUISTAS, o dever que temos perante nós neste momento miserável da nossa história institucional como grande clube que (ainda) somos! Essa guerra começa já amanhã! E não podemos dar tréguas a esta corja que tem no sócio anónimo leonino um alvo a abater! Há que atingi-los usando o principal trunfo que dispomos, e que eles não: O NOSSO AMOR PELO CLUBE! É isso que os vai derrotar e os vai escorraçar de Alvalade de uma vez por todas!
Peço desculpa ao "LEÃO DA ESTRELA" por este desabafo tão directo, mas esta minha revolta já a não a consigo conter e de certeza que muitos estão comigo! Conto convosco! Saudações Leoninas!
Leitor do LEÃO DA ESTRELA e Sócio do Sporting Clube de Portugal, devidamente identificado (carta enviada por e-mail, 06-01-2008)

domingo, 6 de janeiro de 2008

As camisolas pretas

Quando a equipa de futebol do Sporting sobe ao relvado com aquelas camisolas pretas – por conta de alegados compromissos comerciais decorrentes do “merchandising” – não é a mesma coisa. Não sei o que é que pensam os jogadores. E seria interessante saber o que eles pensam. Mas, para mim, uma equipa do Sporting equipada com camisolas pretas não é uma equipa do Sporting. É um grupo de jogadores sem uma identidade estética clara aos olhos de todos, a começar pelos olhos dos adversários. No Estádio do Bessa jogaram duas equipas de preto, sobressaindo o branco na indumentária boavisteira. Antigamente, um equipamento alternativo só era utilizado nos jogos em casa quando as cores do equipamento principal do adversário eram susceptíveis de gerar confusão. E, como manda o bom senso, era a equipa anfitriã que mudava de equipamento. Nos tempos que correm não há critério nenhum, a não ser, ao que dizem, um presumível critério comercial. Mas se a questão é comercial, seria interessante saber algo mais. Seria interessante saber quem é que define as cores da camisola alternativa e se o Sporting é ouvido ou tem ideias sobre a matéria. E seria muito interessante que a SAD leonina apresentasse as contas relativas às receitas resultantes da venda das camisolas alternativas nos últimos dez anos e que nos indicasse qual tem sido o peso dessas receitas no orçamento global do Sporting. Só assim poderemos ficar a saber se vale a pena continuar a ver o Sporting equipado de negro com umas tiras de verde desbotado… FOTO: "Record Online"

sábado, 5 de janeiro de 2008

A brincadeira do costume

Parece que não há volta a dar. O Sporting não deverá chegar a lado nenhum na Liga Portuguesa 2007-2008. Aliás, a continuar com esta “pedalada perdedora”, poderá mesmo ter dificuldades em conseguir um lugar de acesso à Taça UEFA. Uma equipa que dizem ter sido preparada para lutar pelo título nacional e que não consegue ganhar um único jogo a Norte do rio Mondego, sofrendo derrotas humilhantes em Braga (3-0) e no Bessa (2-0), não pode ser levada a sério no que concerne às contas do título nacional. E não pode ser levada a sério, em primeiro lugar, porque é a própria equipa que parece não levar a sério o seu trabalho e os seus objectivos. E o seu trabalho é fazer tudo o que está ao seu alcance para ganhar os jogos de modo a facturar mais pontos do que todos os adversários e jogar um futebol que seja agradável ao público, para, desse modo, poder rendibilizar ao máximo as diversas vertentes de um projecto empresarial de que o futebol apresentado em campo é o único grande motor.
No Estádio do Bessa, vimos a brincadeira do costume. Depois de uma série de duas vitórias tremidas, em que foi decisiva a inspiração do montenegrino Vukcevic, o Sporting voltou a cair, desta vez aos pés do Boavista. E voltou a cair como sempre cai: dando 45 minutos de avanço ao adversário e correndo atrás do prejuízo com esse atraso nas pernas. E desta vez não houve Vukcevic, a não ser por tentativas infrutíferas. Nem houve Liedson. Muito menos Purovic – cuja falta de qualidade se revelou mais uma vez. O que houve foi mais um golo esquisito sofrido na sequência de um lance de bola parada (onde estavam os defesas centrais?...). E depois, bastou um pouco de sorte ao Boavista – um trabalho competente do seu guarda-redes e uma bola no poste – para que o Sporting não conseguisse revelar soluções alternativas capazes de virar o jogo. Isto justamente numa partida antes da qual o treinador Paulo Bento alertara para a necessidade de um Sporting com “a mesma agressividade” que o Boavista.
Com esta derrota, o Sporting desbaratou em definitivo a possibilidade de recuperar o atraso pontual em relação ao FC Porto. E deitou fora a recuperação psicológica que poderia ter resultado da série de quatro vitórias consecutivas com que fechou 2007. Os problemas que a equipa revela são estruturais. Não estamos a falar de um jogo que corre mal. Estamos a falar de jogos em série em que a equipa joga mal, joga feio, sofre golos de qualquer maneira e dá avanço aos adversários. Jogos em série sem velocidade, sem alegria, sem prazer, sem faro pelo golo e sem desejo de vitórias. Jogos em série em que Paulo Bento se afirma como um treinador ultraconservador, que mostra não ter medidas alternativas quando as coisas correm mal. Quando Luiz Paez (muito melhor do que Purovic!) e Pereirinha entraram a 20 minutos do fim, já era visível que o Sporting não iria dar a volta ao jogo. Porque, para além dos erros de “casting” na formação da equipa, o Sporting revela fragilidades colectivas muito mais importantes, que têm a ver com a falta de intensidade competitiva, com a falta de confiança e com muita falta de alegria no trabalho. E as camisolas pretas também não ajudam nada. Mas são talvez a única coisa que faz sentido neste Sporting 2007-2008...
FOTO: Miguel Vidal (Reuters)

SPORTINGUISTAS Sara Kostov



A modelo portuguesa Sara, de 22 anos, é filha do antigo futebolista búlgaro do Sporting Vanio Kostov, que chegou a Portugal em 1982, acompanhado pelo seu compatriota Bukovac. Na altura, os futebolistas dos países do Leste da Europa, que integravam o "Pacto de Varsóvia", não podiam emigrar antes dos 30 anos de idade, a não ser através do casamento, o qual também permitia a naturalização, uma vez que cada equipa não poderia alinhar com mais de dois jogadores estrangeiros (exceptuando os atletas nascidos nas antigas colónias portuguesas, incluindo o Brasil). O Sporting, então sob a presidência de João Rocha, foi percursor na utilização deste estratagema. Nos casos de Kostov e Bukovac, o clube – que tinha acabado de ser campeão nacional sob a orientação do inglês Malcolm Allison –, terá tratado da papelada, e não só, para os respectivos casamentos, de tal forma que os jogadores nem terão visto as moças com quem oficialmente contraíram matrimónio... Mas tanto Kostov como Bucovac ficaram em Portugal muito tempo. Vanio Kostov até ficou para sempre, sendo hoje empresário credenciado pela FIFA. Mas nos últimos tempos, sobretudo depois de a filha ter sido capa da revista masculina “FHM”, número a que o antigo futebolista do Sporting não achou muita piada, tem sido mais conhecido por ser "o pai de Sara Kostov", o que, como demonstra a imagem, é um grande elogio. Mais a mais, Sara contou na "FHM" que é sportinguista "desde pequenina". "Comecei a ir aos jogos com o meu pai e sou do Sporting por causa dele", explica a modelo.

OS NOSSOS CAMPEÕES (7) António Oliveira

Divide opiniões? Sem dúvida, como dividem todos aqueles que são competentes no seu trabalho. António Oliveira – autor da célebre frase "Por cada Leão que cair, outro se levantará" – chegou ao Sporting em 1981, pela mão do presidente João Rocha, para integrar aquela que foi uma das melhores equipas do Sporting dos últimos 25 anos, tendo conquistado o título nacional e a Taça de Portugal, em 1981-82, e a Supertaça Cândido Oliveira no ano seguinte. Oliveira, que pontificara no FC Porto campeão de 1978 e 1979, que falharia o tri-campeonato em 1980 – com a humildade e o trabalho do Sporting a resultarem em mais um título nesse ano –, chegou a Alvalade vindo do FC Penafiel, equipa-sensação da I Divisão em 80-81, onde, depois de ter sido um dissidentes numa crise que agitou o FC Porto, foi treinador-jogador de sucesso, com apenas 28 anos de idade. Era um “número dez” de eleição, que, se tivesse as condições de formação que existem hoje, poderia ter sido um futebolista de classe mundial. No Sporting de Malcolm Allison resolvia os jogos ao lado de Manuel Fernandes e Jordão. No ano seguinte, com 30 anos, foi só o único treinador-jogador da história do Sporting, facto que lhe retirou faculdades dentro do campo, pelo que considero ter sido um erro da gestão de João Rocha. De qualquer modo, numa noite de glória dessa temporada, fez só... três golos magníficos ao Dínamo de Zagreb, para a então Taça dos Clubes Campeões Europeus. Num deles, pegou na bola na linha de meio-campo e fugiu com ela em direcção à baliza norte do velho Estádio de Alvalade, ultrapassando quem lhe aparecesse pela frente. Depois, Oliveira entrou nos negócios do futebol através da Olivedesportos, com o irmão Joaquim, e, futebolisticamente, andou por aí, até regressar ao FC Porto, para voltar a ser campeão, agora como treinador, e à selecção nacional, para acabar da pior forma naquela triste aventura asiática. FOTOMONTAGEM: http://cromosdefutebol.blogspot.com

FORAM LEÕES Bobby Robson

Após anos de sucesso, nomeadamente com a vitória da Taça UEFA pelo Ipswish Town - que lhe valeu uma estátua na cidade... -, com o trabalho na selecção de Inglaterra e os títulos no PSV da Holanda, o treinador inglês Bobby Robson conseguiu a proeza de ser despedido pela primeira vez na sua brilhante carreira só depois de passar a trabalhar em Portugal, onde chegou em 1992, para treinar o Sporting. Jamais tinha sido alvo da chamada "chicotada psicológica" e acabou despedido em 1993-94, ainda antes do Natal. O presidente Sousa Cintra – um Leão que tinha o coração ao pé da boca e que estava apostado em devolver títulos ao clube – despediu Robson depois de uma eliminação prematura da Taça UEFA, no confronto com os austríacos do Casino de Salzburgo, numa altura em que o Sporting ocupava o primeiro lugar no campeonato! Uma medida que seria impensável nos dias de hoje. E que, 14 anos depois, continua, para muitos, como um erro histórico no Sporting. Nessa época, Bobby Robson tinha como adjunto Manuel Fernandes, sendo José Mourinho – sim, o ex-treinador do Chelsea! – um jovem tradutor de inglês muito interessado em aprender... O resto da história confirma o erro de Cintra: Robson e Mourinho seriam campeões no FC Porto e rumariam, mais tarde, a Barcelona... A equipa do Sporting ficaria entregue a Carlos Queirós, que conhecia grande parte dos jovens jogadores portugueses do plantel, desde o tempo da selecção nacional de sub-20, que fora campeã do Mundo em 1989 e 1991. Mas Queirós, que perdeu a Taça de Portugal 93-94 para o FC Porto de... Bobby Robson, depois de também ter perdido o título dessa época para o Benfica (naquele famoso 6-3...), acabou por sair de Alvalade com as suas conquistas limitadas a uma Taça de Portugal, ganha no Estádio Nacional sobre o Marítimo, em 1995. Ah! Resta acrescentar que, já nessa altura, o famigerado "sistema" funcionava em pleno. Basta lembrar que, na fase decisiva dessa temporada de 93-94, o Sporting (que jogava o melhor futebol do país e tinha o melhor plantel) foi goleado pelo Benfica em Alvalade poucos dias depois de ter acabado com oito jogadores em campo num FC Porto-Sporting, nas Antas, arbitrado por Carlos Valente...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A ausência de Carlos Paredes

No estranho caso da ausência de Carlos Paredes é enssurdecedor o silêncio do Sporting. O que se sabe resulta de recados mandados para os jornais, rádios e televisões apontando a falha do atleta e eventuais consequências, que poderão passar por uma multa, um processo disciplinar ou pela resciusão do contrato. Mas o jogador não se defende, pois está em parte incerta, incontactável. O empresário diz que também não sabe de Paredes e até se demarca do seu cliente, o que é curioso. Do Sporting, que se saiba, ninguém diz nada, a começar pelo conselho de administração, que deveria emitir um comunicado sobre o caso. Afinal, está em causa o jogador mais bem pago do Sporting, tendo em conta a relação entre o que ganha e o que rende em campo. Na página do clube na Internet, a grande notícia dá conta de um pedido de desculpa pelo facto de ter sido reenviada uma SMS aos associados convocando-os para um jogo da Taça de Portugal que já se realizou há um ano!...
Na comunicação social, porém, em três ou quatro dias de faltas aos treinos multiplicam-se as notícias que fazem de Carlos Paredes um mercenário da pior espécie, aos olhos dos sócios, dos accionistas e dos simpatizantes. E, afinal, há outra versão. Segundo a irmã do antigo internacional paraguaio, Carolina Paredes, o médio do Sporting está autorizado pela SAD para chegar mais tarde a Portugal e, inclusive, procurar um clube no qual possa dar sequência à sua carreira. Segundo o "Record", Carolina, em declarações ao jornal "Diário Popular”, do Paraguai, até fala do Sporting como uma espécie de república das bananas: “Os que falam nada sabem. Os que têm peso no clube estão de férias e foram esses que lhe deram a autorização.” Se isto for verdade, anda tudo doido.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O candidato Rui Meireles

O momento mais extraordinário do ex-director financeiro do Sporting, Rui Meireles, na sua entrevista ao “Correio da Manhã” publicada no último sábado, foi quando abriu a porta a uma eventual candidatura à presidência do Sporting. “Admite candidatar-se?”, perguntou o jornalista Nuno Miguel Simas. “Não, mas o futuro a Deus pertence”, respondeu Rui Meireles, um dos subprodutos do Sporting idealizado por José Roquette e companhia. Os 500 mil euros de indemnização, que foi quanto custou à SAD do Sporting o afastamento do gestor que um dia procurou meter-se no futebol com o sucesso que todos conhecem e que ficou conhecido como um dos homens do BES em Alvalade, devem ter-lhe subido à cabeça. Com tanta intensidade que lhe toldaram a lucidez e o discernimento. Só assim se percebe que tenha considerado como “um acto irresponsável” os despedimentos de funcionários ocorridos no Sporting, que estavam previstos num projecto de reestruturação alegadamente elaborado pelo próprio. De resto, as suas críticas à gestão de Soares Franco, por muito certeiras que algumas sejam, acabam por cheirar a roupa muito suja. É o que acontece quando todos estão metidos no mesmo saco.

RECORTES LEONINOS João Pinto

O MAIOR ERRO DA CARREIRA

(…) PÚBLICO – Esperava o sucesso que teve no Sporting?
JOÃO PINTO – Só não esperava ser tão bem recebido pelos sócios. Escolhi o Sporting numa altura em que era assediado por gigantes – depois do Euro 2000, tive dirigentes do Liverpool dentro do meu carro, o pessoal da Fiorentina foi ao hotel da selecção falar comigo, fui contactado pelo Arsenal, o Aston Villa e o Valência. Em Alvalade, davam-me o que pretendia, que era lutar pelo título, andar nas competições europeias e ter acesso à selecção. E um bom contrato de trabalho.
PÚBLICO – Porque é que o Sporting não o segurou em 2004?
JOÃO PINTO – Queria que renovasse e, embora me custe admitir, errei tanto ou mais do que eles nas negociações. Não tive a noção das dificuldades que o futebol português estava a atravessar, nomeadamente o Sporting. Aquilo coincidiu com o meu processo de divórcio e um problema que tinha tido com um sócio. Era um mar de coisas para eu pensar e pouca frieza para decidir. Acabei por escolher a pior das hipóteses. Sair do Sporting foi o maior erro da minha carreira.
PÚBLICO – A sua transferência para Alvalade está em tribunal por suspeitas de burla, com José Veiga no centro da acção. Como é que está o processo?
JOÃO PINTO – Aguardo uma decisão. Anda em fase de investigação e já disse tudo o que tinha a dizer a quem de direito. Em breve saberemos quem fez a denúncia anónima.
PÚBLICO – Recebeu a totalidade do prémio de assinatura e os valores do contrato com o Sporting?
JOÃO PINTO – Não posso falar sobre isso.
PÚBLICO – Como é que são as suas relações com Veiga?
JOÃO PINTO – O contacto diminuiu, mas continuamos amigos. Não tenho razão para deixar de o ser.
PÚBLICO – E que relação tem com os dirigentes do Sporting?
JOÃO PINTO – Boa, como sempre. (…)
Excerto de uma entrevista de João Pinto, jogador do Sporting entre 2000 e 2004, “Público”, 03-01-2008

CORREIO LEONINO

FILHA DE CRAQUE SEM RESPOSTA
(..) Sou filha do Vadinho, craque do Sporting em 1958. Estou indo a Lisboa em Janeiro de 2008 e gostaria de visitar e conhecer o Sporting e o Estádio (palco de grandes jogadas e golos do meu pai). Gostaria de fotografar e trazer para meu pai a camisa do Sporting no centenário e outras lembranças. Quem devo procurar? Como devo proceder?Já enviei um email para o site do Sporting, mas não tive nenhuma resposta. Fico aguardando a resposta e contacto. Na certeza de que serei atendida, agradeço.
Jaqueline Ramalho Cordeiro (Brasil), enviado ao LEÃO DA ESTRELA por e-mail

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A "pedra" de Liedson

"Cada um interpreta o que disse como deseja. Eu não falei nada daquilo, mas tudo bem." Foi assim que Liedson disse que não disse o que dissera ao “Jornal de Notícias”. Esta era uma das pedras possíveis que jogador tinha para colocar sobre o assunto. Na perspectiva do brasileiro e do Sporting foi, talvez, a melhor pedra. Liedson não disse que não disse o que foi publicado. Nem se fragilizou com um eventual pedido de desculpas. Disse que “cada um interpreta como deseja”. E, assim, o Sporting ganha margem de manobra para evitar um processo disciplinar de consequências imediatas imprevisíveis. No primeiro treino depois das férias de Natal, Paulo Bento deixou-se filmar sorridente em conversa com Liedson, dando sinal de que o problema estaria resolvido. O caso, porém, pode ter beliscado a autoridade do treinador. Veremos como será no futuro…
Toda a comunicação social centralizou a gravidade das declarações de Liedson na referência ao Sporting como “uma ditadura” ou “um quartel-general”. Era o que dava o título mais forte… E isso nem foi o mais importante, tanto mais que nem foi dito de forma assertiva. O mais importante e assertivo foi dito quando Liedson se referiu às fugas de informação – que, curiosamente, são bem difíceis numa “ditadura”… –, pondo em causa todo o balneário: "Não sei porque é que sai tanta coisa aqui do Sporting para a Imprensa. Quando acontece algum episódio em que só estão jogadores e técnicos, passam duas ou três horas e toda a gente já sabe…”, afirmou o jogador brasileiro, num registo de interpretação muito fácil...
Enfim, o alerta de Liedson foi dado e não deverá acontecer nada. Se fosse aberto um processo disciplinar, o Sporting teria de chamar a Alcochete o jornalista do “JN”, o que só prolongaria a polémica, prejudicando ainda mais a tranquilidade necessária à equipa de Paulo Bento. Equipa que, de resto, precisa muito dos golos de Liedson para as quatro frentes ainda em jogo nesta temporada.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

O LEÃO DA ESTRELA deseja ao SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, aos leitores deste blog e a todos os SPORTINGUISTAS um Ano Novo repleto de sucessos!

OS NOSSOS CAMPEÕES (6) Manoel

Antes de Liedson, Manoel foi o último avançado a vir directamente do Brasil para o Sporting e a ter sucesso. Manoel da Silva Costa, nascido em 14-02-1953, no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, foi um dos temíveis pontas-de-lança do Sporting, entre 1976 e 1981, tendo sido parceiro de avançados de eleição como Manuel Fernandes, Rui Jordão, Salif Keita ou mesmo Freire, então uma jovem promessa do Sporting e do futebol português. Contratado ao América do Rio de Janeiro, chegou a Alvalade em Março de 1976, com a temporada 75-76 a caminhar para o fim, fazendo o primeiro jogo em Braga, onde o Sporting perdeu por 2-1, em 11 de Abril. Tinha 23 anos. Em cinco temporadas e alguns meses, Manoel marcou um total de 47 golos em todas as competições (campeonato, Taça de Portugal e Taça UEFA). Uma boa marca, sobretudo tendo em conta que não tinha lugar garantido no “onze” titular, caso Manuel Fernandes, Jordão e Keita estivessem operacionais. Os 15 golos que marcou em 77-78 (ano em que venceu a Taça de Portugal) e os 17 golos que marcou em 79-80 (ano em que foi campeão nacional) foram o seu melhor registo por temporada, e, mesmo assim, nesses anos, não foi mais do que o terceiro melhor marcador do Sporting, tendo sido superado por Manuel Fernandes e Jordão. Não muito dotado tecnicamente, ao contrário da maioria dos brasileiros, Manoel era, no entanto, um avançado muito possante, daqueles que desgastavam qualquer defesa e abriam espaços para os companheiros. A sua “coroa de glória” foi um “hat-trick” na vitória de 3-0 sobre o Benfica, num jogo para a Taça de Portugal, em Março de 1977. Uma proeza que repetiria em 1980, na vitória do Sporting sobre o Marítimo por 4-1. Em 1981, com 28 anos, deixou Alvalade e foi desaparecendo. Andou pelo Portimonense (81-82; 1 golo) e pelo Sp. Braga (82-83; 5 golos), representou clubes secundários do Algarve e da zona de Lisboa. Terá jogado até perto dos 40 anos. Actualmente, com 54 anos, consta que é funcionário da distribuidora de jornais e revistas VASP.

domingo, 30 de dezembro de 2007

RECORTES LEONINOS Rui Meireles

ERROS DE CÁLCULO
(…) Rui Meireles foi uma figura cinzenta escura ao longo dos doze anos que serviu o Sporting, numa área administrativa, mas com salário de futebolista mediano, beneficiando de uma posição estratégica ao serviço do presidente José Roquette, o homem que introduziu no Sporting o conceito de clube empresa em que, num quadro de autêntico caos orgânico, acabaram por florescer os conceitos administrativos e multiplicar-se as empresas e serviços, um prometido paraíso de gestão que redundou no agravamento do quadro geral das finanças do clube, em consequência dos resultados negativos acumulados por toda essa actividade improdutiva, parasita do futebol.
Conhecido como o ‘homem do BES’ nos ‘mentideros’ do clube, cultivou o “low profile” característico da rapaziada das finanças, mas não deixou de sentir o apelo do futebol, já na gestão de Dias da Cunha, quando a equipa leonina ficou nas mãos da linha burocrática. Sem sensibilidade desportiva, cometeu o erro fatal de abandonar um jogo marcante, quando a equipa perdia copiosamente, em Paços de Ferreira, deixando os jogadores e o treinador José Peseiro à mercê da fúria dos adeptos.
Esse erro de cálculo foi-lhe fatal, bem como o alinhamento com o candidato Abrantes Mendes, derrotado nas eleições que se seguiram à demissão de Dias da Cunha. O seu profundo conhecimento da crítica condição financeira do clube permitiu-lhe manter o emprego durante mais dois anos e agora ameaça prolongar-se como uma sombra da reestruturação empreendida por Soares Franco.
O presidente do Sporting veio anunciar uma redução do défice na ordem dos 28,5 milhões de euros, mas o ex-director financeiro desmente-o e ainda levanta suspeitas sobre o destino de mais 24 milhões resultantes da venda do património imobiliário.
Sem as consequências dramáticas, inclusive para a estabilidade económica do clube, de um possível confronto entre Liedson e Paulo Bento, as alegações de Rui Meireles lançam uma nuvem de descrédito sobre uma instituição cotada em bolsa, com custos irreparáveis sobre a sua imagem, aos olhos dos investidores.
Quando Meireles foi afastado, embora negando a indemnização milionária que tanto indispusera os membros do Conselho Leonino, o presidente Soares Franco elogiou o profissional e desmentiu a ideia de um confronto entre as partes, resultante do alinhamento declarado dele com uma lista opositora, no processo eleitoral. Percebe-se agora a fragilidade dessa cordialidade, em contraste com as ameaças de procedimento cível e de expulsão de sócio. Outro clamoroso erro de cálculo, com um lesado único: o Sporting.
João Querido Manha, “Correio da Manhã”, 29-12-2007

FOTO: Pedro Ferreira, "Record"

sábado, 29 de dezembro de 2007

SPORTING NO PAÍS Castelo de Vide

Estas são imagens do jantar natalício do Núcleo Sportinguista de Castelo de Vide. Segundo relata o jornal "Notícias de Castelo de Vide", cerca de meia centena de sócios daquele núcleo leonino celebraram o Natal na sua sede, naquela que foi descrita como “uma noite bem animada, que contou com o já tradicional Bacalhau à Sousa Cintra” - especialidade cuja existência o LEÃO DA ESTRELA desconhecia. O convívio dos sportinguistas de Castelo de Vide terminou com uma troca de prendas. São acontecimentos como este que provam a grandeza e a popularidade do Sporting Clube de Portugal. Se o Benfica tem seis milhões de adeptos no Continente e nas Ilhas, então, no território nacional, haverá muito mais do que dez milhões de portugueses... FOTOS: "Notícias de Castelo de Vide"

Os empresários é que mandam...

Infelizmente, o Sporting continua a revelar-se um alfobre de casos e histórias que denunciam um enorme amadorismo na gestão do futebol profissional e do grupo de jogadores, com reflexos negativos para o clube, nomeadamente no que concerne ao seu poder de negociação no mercado. Dois exemplos de hoje: o jornal online “Mais Futebol” revelou nesta madrugada que o Sporting vai contratar o defesa-esquerdo paraguaio Lourenzo Silva. O jogador ainda não assinou contrato, mas já anda a dar entrevistas como eventual futuro jogador do Sporting. Guillermo Vera, vice-presidente do Tacuary, também conta todos os pormenores do interesse do Sporting. Ora, não aparece ninguém do Sporting a confirmar a novidade, mas é evidente que o “Mais Futebol”, por muito boa que seja a sua redacção, não chegaria até ela se não houvesse quem informasse. Mesmo que seja o empresário que esteja atrás desta história, o problema revela também incompetência por parte dos dirigentes do Sporting. Seria muito simples: se o empresário se antecipa e dá a novidade à comunicação social, o que o Sporting teria a fazer seria acabar com o negócio imediatamente. Na próxima não haveria nenhum empresário a vender o seu “peixe” antes do tempo. É assim que faz Pinto da Costa no FC Porto, que, nestas matérias, continua a ser um paradigma.
Entretanto, Paulo Barbosa, um empresário que há dias também ficou conhecido por levar Miguel Veloso para uma esplanada de Lisboa, deixando-se fotografar ao longe por um fotógrafo do “24 Horas”, para registar o momento em que o jogador assinava um contrato de publicidade com um banco (é curioso como o jornal obteve a informação para legendar uma fotografia aparentemente indesejada…), aparece hoje a dizer que Izmailov “não é negociável" no mercado de Inverno, apesar de, segundo a imprensa, estar a ser "muito cobiçado por emblemas estrangeiros”. É mais um momento de propaganda de um empresário que controla os passes de grande parte dos jogadores do Sporting. Segundo Paulo Barbosa, não faltam clubes interessados no russo: ele é o Dínamo Kiev, ele é o Manchester City, ele é o Inter de Milão, ele é o Spartak Moscovo. Não falta mercado a Izmailov, apesar da sua irregularidade! E, mesmo assim, apesar de estar apenas emprestado ao Sporting, o jogador é inegociável! Grande Paulo Barbosa, que tão bem defendes os interesses do Sporting!...
O mesmo Barbosa que, curiosamente, vai avisando que se o Sporting quiser accionar o direito de opção na compra do passe de Izmailov, poderá fazê-lo até 31 de Março de 2008. Por uma verba que ronda os cinco milhões de dólares. Enfim, só não vai agora para o Inter de Milão porque os coitados dos italianos devem estar sem dinheiro…
Isto para dizer que os empresários mandam no Sporting e utilizam o clube como bem lhes apetece em favor dos seus negócios. Neste caso concreto, é evidente que teria de ser Filipe Soares Franco ou alguém em nome do Sporting – visto que, afinal, são outros que decidem… – a dizer se Izmailov é negociável ou inegociável. Mas isso seria num clube em que o presidente fosse um líder a tempo inteiro que entendesse de futebol...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Um goleador chamado Vukcevic

O Natal do Sporting revelou o montenegrino Simon Vukcevic como goleador e salvador da equipa em duas vitórias sofridas: na Madeira, sobre o Marítimo, e em Alvalade, frente ao Paços de Ferreira. Curiosamente, dois jogos em que o Sporting ganhou por 2-1 e teve necessidade de recuperar de uma desvantagem no marcador.
Em resultado do seu bom desempenho nestes dois jogos, depois de prestações irregulares à imagem da equipa, Vukcevic tornou-se no melhor marcador leonino, com 5 golos – embora a Liga de Clubes, por indicação do árbitro portuense Jorge Sousa, contrariando as indicações da FIFA, considere apenas quatro, não lhe atribuindo o segundo golo leonino na Madeira, facto que deveria merecer o mais vivo protesto da SAD do Sporting junto do organismo liderado por Hermínio Loureiro...
Importante é que a veia goleadora do jovem Vukcevic – que no último defeso escolheu o Sporting e recusou o FC Porto, porque em Alvalade teria mais oportunidades para jogar – acaba por constituir uma nova opção atacante para o treinador Paulo Bento. Se houver bom senso, o internacional montenegrino poderá ser o tão procurado “reforço de Inverno” para o ataque…
Vukcevic, que como "peça" do lado esquerdo do losango tem sido um jogador à procura de um registo que ainda não encontrou, acaba por se evidenciar em arrancadas individuais ou quando joga na área adversária, valendo-se de um poder físico impressionante. Está, por isso, encontrado o parceiro ideal para Liedson, logo o brasileiro, com quem o montenegrino protagonizou uma desavença em pleno jogo, justamente na Madeira – um caso, aparentemente, sanado.
Se Paulo Bento fizer essa experiência – e, muito a propósito, o jogador revela hoje, em entrevista ao jornal “A Bola”, que “se jogasse na frente talvez fosse o melhor marcador” – resolverá o problema de Izmailov, que tem jogado no lado direito, para compatibilizar a integração de Vukcevic no “onze”. Paulo Bento transformaria Vukcevic numa espécie de “Lizandro Lopez do Sporting”. E abriria uma vaga para Adrien Silva no meio-campo... FOTO: www.sporting.pt

VUKCEVIC NO ARQUIVO DO "LEÃO DA ESTRELA":

RECORTES LEONINOS Filipe Soares Franco

O SPORTING NÃO É PRIORITÁRIO...
Soares Franco conseguiu o que muitos líderes mundiais nunca terão logrado nas suas mediáticas carreiras: ser entrevistado por sete jornalistas. Todos do mesmo jornal, entenda-se. Mais: o resultado dessa conversa foi antecipadamente publicitado de uma forma que raramente (ou nunca?) terá ocorrido neste País. Excessivo ou não, a verdade é que o resultado foram oito páginas publicadas no “Record” de anteontem. Isto apesar de o presidente do Sporting não ter feito grandes revelações ou produzido declarações polémicas. Pelo contrário, o que sobressai é um discurso com muita tranquilidade (onde já ouvimos isto?), quase nada contestatário e até surpreendentemente sincero. Para o bem e para o mal. O próprio Soares Franco, a propósito do atraso da Câmara de Lisboa na questão do loteamento dos terrenos do Sporting, defende que o seu feitio moderado não ajudou o clube. “Acho que faço mal ao Sporting”, chega mesmo a dizer a propósito de uma questão que, revela, já fez o Sporting perder cerca de 12 milhões de euros. Por isso é que o Sporting não pôde comprar Cardozo, acrescenta, não se percebendo se o exemplo é para ser tomado a sério. Mas a única verdadeira novidade foi a de que o Sporting terá sempre o direito de preferência sobre Nani. Esqueceu-se foi de dizer que também o tinha sobre Simão e foi o que se viu… Pior ainda foi ter dito que apanhou um choque e que lhe ia caindo o cabelo quando lhe disseram que era preciso contratar o Derlei “do Benfica”. O avançado só não irá desanimar porque, mais à frente, o presidente do Sporting assume não ser “um especialista na área do futebol”. E que só precisa de saber o que se passa quando o objectivo já está traçado, eventualmente (dizemos nós), na hora de passar o cheque. No resto, sobressaiu a mensagem de que os cortes no orçamento no futebol acabaram e que vai haver uns dinheiritos para um ou outro reforço em Janeiro. À maior despesa terá de corresponder um aumento de receitas, defende, porque “o Sporting terá de ser campeão a curto prazo”. Mas será isso possível com um presidente que assume não ser o Sporting a sua primeira prioridade?
Bruno Prata, “Público”, 28-12-2007

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Perguntas que sete jornalistas do "Record" não fizeram a Soares Franco, mas poderiam ter feito...

- Em que ano é que o Sporting poderá investir tanto dinheiro como o FC Porto na equipa de futebol?

- O sucesso do FC Porto, que é indiscutível nas últimas duas décadas, deve-se ao controlo do “sistema” do futebol português, ao facto de investir mais dinheiro que o Sporting no futebol ou tem apenas a ver com questões de organização dos dois clubes e das respectivas SAD?

- Estando o Sporting sem dinheiro para investir em jogadores de reconhecida qualidade internacional (gastando no futebol pouco mais de metade do FC Porto), a maioria dos jogadores estrangeiros contratados registam problemas no seu percurso profissional, chegando a Lisboa à procura do relançamento das suas carreiras. A qualidade do futebol do Sporting ressente-se deste facto?

- Tendo o Sporting mais património imobiliário, tendo o Sporting definido um caminho novo, muito antes do FC Porto e do Benfica, com a construção de um novo estádio e de uma academia, e sendo o Sporting o maior exportador de jovens talentos portugueses, como explica que, dez anos depois de implementado o actual modelo de gestão, o clube continue a ser, entre os três grandes, aquele que tem menos dinheiro para investir no futebol, que é o seu negócio principal?

- O facto de tanto o Sporting como o Benfica terem necessidade de ir ao mercado em Janeiro deve-se à incompetência dos responsáveis dos dois clubes de Lisboa pela contratação dos jogadores?

- O plantel leonino é assim tão fraco para que a mera ausência Derlei seja tão importante na estratégia colectiva do Sporting?

- Como é possível ser presidente de um clube tão grande como o Sporting, dedicando-lhe apenas uma hora por dia?

- Como é que pode exigir qualidade e rigor nas decisões da sua equipa na administração da SAD e dos responsáveis técnicos do Sporting, se o senhor presidente é o primeiro a dizer que não é especialista em futebol?

- Se o dr. Filipe Soares Franco só entra no processo de decisão quando tudo está decidido pelos seus colaboradores, não teme ficar para a história do clube como a “rainha de Inglaterra do Sporting”?

- Não acha que a grandeza do Sporting justificaria que o seu presidente tivesse o clube como a sua primeira prioridade profissional de todos os dias?

- Se Paulo Bento ainda não lhe disse nada sobre a necessidade de contratar jogadores em Janeiro, por que é que se fala em reforços para o Sporting na reabertura do mercado? Serão os empresários a movimentarem-se para que sejam feitos novos negócios?

- Entre contratar novos jogadores ou contratar um psicólogo para a equipa de futebol que decisão tomaria?

- No último defeso o Sporting contratou três jogadores (Marian Had, Izmailov e Celsinho) a um único clube russo (Lokomotiv de Moscovo), que chegaram a Alvalade através do mesmo empresário (Paulo Barbosa). A contratação desses três jogadores obedeceu a critérios técnicos definidos pelo treinador Paulo Bento ou resultou de uma mera oportunidade de negócio proporcionada pelo empresário?

- Como é que explica que, no final da época passada, tenha dito que gostaria de ver o plantel do Sporting formado maioritariamente por jogadores da formação, tendo o número de jogadores formados no clube baixado no plantel principal, dando lugar a estrangeiros de duvidosa qualidade em função dos activos formados pelo Sporting que entretanto foram emprestados ou dispensados?

Um problema chamado Liedson

Poucos dias após ter recebido o Prémio Francisco Stromp, por ter sido considerado o melhor jogador do Sporting em 2007, Liedson partiu de férias para o Brasil, mas deixou uma pequena bomba que rebentou sob a forma de entrevista exclusiva no “Jornal de Notícias”. Nessa entrevista, o jogador brasileiro, cuja saída de Alvalade volta a ser falada, apesar de o seu contrato ter sido prolongado (e o atleta pode mesmo sair antes do fim do contrato por uns meros cinco milhões de euros, dado ter mais de 28 anos…), aborda o problema das fugas de informação do interior do balneário leonino com um elefante numa loja de porcelanas, comprometendo os colegas de equipa e a equipa técnica. "Não sei porque é que sai tanta coisa aqui do Sporting para a Imprensa. Quando acontece algum episódio em que só estão jogadores e técnicos, não só este como outros, e passam duas ou três horas e toda a gente já sabe. O Sporting tem de ter cuidado com isso, porque estas coisas não podem ser divulgadas desta maneira, porque pode prejudicar um plantel. Tem de haver mais defesa do grupo, estas coisas resolvem-se com o grupo. Se alguém fizer alguma coisa tem de ser chamado e tem de se conversar com o grupo. Tem de ser entre a direcção, os técnicos e os jogadores”, afirmou Liedson ao “Jornal de Notícias”.
O jogador, cujo feitio especial já lhe custou outros problemas disciplinares nos cinco anos em que veste a camisola do Sporting, contestou ainda o recente castigo imposto por Paulo Bento, por se recusar a treinar grandes penalidades. Para além ter sido a primeira pessoa a confirmar publicamente que foi alvo de um castigo por parte do treinador, Liedson considera que ao ter recusado treinar as grandes penalidades não manifestou indisciplina, a não ser que o Sporting seja “uma ditadura ou um quartel-general”. E deixou uma ameaça: “Não quero atrapalhar o trabalho de ninguém e, se um dia achar que o estou a fazer, peço para ir embora.”
Depois desta entrevista, o Sporting entra no novo ano com mais um problema. Aparentemente, o jogador leonino foi longe demais. Entre esta entrevista e o facto de se ter recusado a marcar uma grande penalidade num treino, parece-me muito mais grave a entrevista. Ainda que o problema das fugas de informação seja uma realidade no Sporting, fazendo do clube um espaço de transparência para gáudio da imprensa e dos adversários, a verdade é que Liedson fez eco desse problema justamente na praça pública, ou seja, utilizando o método que ele próprio estava a criticar. Com uma diferença: dando a cara. Porém, deixa muito mal na fotografia os colegas e a equipa técnica. Porque se estamos a falar de assuntos que ocorrem apenas na presença dos jogadores e da equipa técnica, então as fugas de informação saem do próprio grupo de trabalho. É uma enorme batata quente no prato de Paulo Bento. E também no prato de Soares Franco, que declarou ao “Record” não querer que Liedson saia. A verdade é que o brasileiro parece ter arranjado espaço para sair já em Janeiro.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Um "Record" de desilusões

O que é de relevar na entrevista de Filipe Soares Franco ao diário desportivo "Record", publicada nesta quarta-feira, depois de muita publicidade, é que o jornal da Cofina tenha mobilizado um total de sete jornalistas para questionar o presidente do Sporting e que, mesmo assim, nada de extraordinário tenha sido revelado pelo entrevistado. Nem o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro já tiveram a honra de serem entrevistados ao mesmo tempo por sete jornalistas de um único órgão de informação!...
Entre os sete jornalistas, mais o fotógrafo, foi notória a ausência do subdirector Bernardo Ribeiro, ele que é um especialista nos bastidores de Alvalade e Alcochete. Mas para que não houvesse dúvidas, o director de comunicação do Sporting, Miguel Salema Garção, também protagonizou a mega-entrevista, sentando-se entre os jornalistas do "Record", certamente para, desse modo, impedir a intromissão do "rival" Bernardo Ribeiro. Pelos vistos, o almoço, servido em Alvalade, dava para toda a gente. Ah! Também foi pública e notória a ausência de Rui Santos. Ok!, esse já não pergunta. Só comenta. Tudo tem uma explicação.
O único enigma que persiste desta grande entrevista, ou desta entrevista grande, conforme as perspectivas, é que os sete jornalistas não tenham arrancado uma única grande novidade ao presidente leonino. Uma desilusão. Quem perguntou e quem respondeu. FOTO: Luís Manuel Neves
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