Conhecido no Mali como a pantera negra do futebol, Salif Keita, nascido em 12 de Dezembro de 1946, foi um dos melhores futebolistas africanos de sempre, um dos primeiros africanos a vingar no futebol europeu, e foi, seguramente, um dos melhores estrangeiros que passaram pelo Sporting e pelo futebol português. Agora, aos 61 anos, é presidente da Federação de Futebol do Mali e possui um centro de formação de jovens futebolistas com o seu nome. Chegou ao Sporting com 29 anos depois de uma carreira de enorme sucesso em França, onde representou Saint-Étienne (1967-1972) e Olympique de Marselha (72-73), e em Espanha, no Valência, entre 1973 e 1976. Depois do Sporting, acabou a carreira nos Estados Unidos, ao serviço do New England Tea Men (Boston). Foi internacional do Mali, ganhou três títulos no seu país, pelo Real Bamako, foi campeão de França em 1968, 1969 e 1970, pelo Saint-Étienne, clube que também ajudou a vencer a Taça de França, em 1968 e 1970. Alinhando preferencialmente no lado esquerdo do ataque, Keita representou o Sporting entre 1976 e 1979, tendo feito 77 jogos e marcado 35 golos. No primeiro ano, integrou um tridente ofensivo ao lado do brasileiro Manoel e de Manuel Fernandes. No ano seguinte, passou a ter a companhia de Rui Jordão. Em 5 de Fevereiro de 1978, era eu adolescente, entrei no Estádio Municipal de Vila Nova de Famalicão para assistir a mais uma eliminatória da Taça de Portugal. Mas como o estádio estava completamente cheio, tive que subir a uma das árvores que circundavam o interior do muro de vedação para poder ver o Sporting com um temível trio ofensivo de raça negra, formado por Manoel, Jordão e Keita (Manuel Fernandes estava lesionado), que, na segunda parte, e após muito sofrimento, deitou por terra todo o esforço e competência de uma grande equipa do Famalicão, treinada por José Carlos (lateral-direito e "capitão" do Sporting nos anos sessenta e setenta), que, entre outros, tinha Zézinho (emprestado pelo Sporting), Reinaldo (que jogaria no Benfica), Jacques (que seria “Bola de Prata” no FC Porto) e Vítor Oliveira (actual treinador da União da Leiria). Nesse jogo, o Sporting alinhou com: Botelho; Manaca, Joaquim Murça, Laranjeira e Inácio; Vítor Gomes, Fraguito e Barão; Manoel, Jordão e Keita. Foi um jogo muito difícil para o Sporting, mas Jordão e Manoel, a meio da segunda parte, recorreram ao seu famoso poder de fogo e fizeram os golos que resolveram a questão, conseguindo o apuramento para os quartos-de-final, onde derrotariam o Benfica por 3-1, em Alvalade, com golos de Manuel Fernandes (2) e Keita (1). O curioso é que, no final da temporada, o Famalicão foi campeão nacional da II Divisão e o Sporting venceu a Taça de Portugal, após dois jogos com o FC Porto. Foi o único troféu de Keita em Portugal, onde a sua passagem deixou muitas saudades.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Paredes não perdeu tudo...
A SAD do Sporting informou que o contrato com o paraguaio Carlos Paredes terminou "de forma amigável". A ligação da "estrela" sul-americana ao clube de Alvalade - que auferia mais de 50 mil euros mensais - vigoraria até final de Junho de 2009. Mas agora acabou, "não tendo havido lugar ao pagamento de quaisquer remunerações vincendas", isto segundo um comunicado da SAD leonina. Mas garantem-nos que Carlos Paredes não saiu de mãos a abanar. Não levou o dinheiro de todo o contrato, mas parece que foi embora sem grandes razões de queixa. Amigavelmente, portanto.
sábado, 12 de janeiro de 2008
RECORTES LEONINOS
METER O FUTEBOL
NO PROJECTO DO SPORTING
NO PROJECTO DO SPORTING
Há uma frase de Paulo Bento no final do jogo do Bonfim que é particularmente reveladora. Disse o treinador do Sporting: "Os nossos problemas, não será o mercado de Janeiro a resolvê-los." Dela nascem duas interpretações possíveis e compatíveis. A saber: que os problemas são tantos que não é com a chegada de alguns jogadores este mês que vão desaparecer e que os problemas não nasceram do melhor ou pior rendimento dos novos recrutas mas sim da impossibilidade de substituir sem perda significativa a meia equipa que saiu no Verão. Porque a crise actualmente vivida pelo Sporting vai muito além da exibição deprimida do Bonfim ou das duas derrotas consecutivas sem fazer golos desde as férias de Natal. A crise do Sporting é de projecto e deve ser este a ser objecto da mais profunda reflexão.
Embora muitos concentrem os tiros nos reforços falhados que Carlos Freitas contratou ou no sistema de jogo que Paulo Bento montou, não é aí que está o verdadeiro problema do Sporting. Bento fez as delícias dos adeptos leoninos há menos de um ano a jogar com este mesmo esquema táctico e, do ponto de vista técnico, esta época, só terá cometido um erro, que foi a aposta em Rui Patrício: o jovem de Marrazes terá o seu tempo mas, para já, como se viu no Bonfim, o melhor guarda-redes do Sporting é Stojkovic, cujo afastamento só pode ser visto à luz de falhas de comportamento no seio do grupo. Por sua vez, Freitas foi contestado por largas faixas de adeptos por ter trazido uma série de jogadores que não pegaram, mas isso é normal e não deveria provocar-lhe a demissão nem levar aos habituais panegíricos que nestas alturas lembram sempre os sucessos e até chegam ao ponto de lhe atribuir títulos ou de fazer contas entre o que se gastou e o que se recebeu com jogadores vindos da formação.
O problema do Sporting, contudo, está mais fundo e chama-se projecto. Debelados os equívocos do projecto-Roquette, que pretendia fazer do Sporting uma joint-venture entre futebol e imobiliário, continua a haver excesso de mentalidade empresarial em Alvalade. Do mundo empresarial, os clubes devem herdar o rigor, o profissionalismo e a capacidade para inovar nos planos comercial ou de marketing, mas nunca a mentalidade que faz do princípio de causalidade a raiz do pensamento. Porque se numa empresa a contratação de mão-de-obra especializada gera sempre trabalho, num clube a chegada de um jogador não tem que produzir resultados desportivos. O problema desta segunda fase do projecto Sporting está no desconhecimento - ou na vontade de fazer tábua-rasa - de verdades absolutas do futebol. Exemplos? Um clube de futebol pode perfeitamente assentar a sua política na formação e exportação de talentos, mas deve saber que há num balneário equilíbrios cuja manutenção não pode ser substituída nem pelo mais sagaz dos operadores de mercado.
O grande erro estratégico do Sporting esta época não foi ter contratado Had, Izmailov, Purovic, Stojkovic, Gladstone ou Vukcevic. O grande erro estratégico do Sporting este ano - e já o digo desde o início da época - foi não ter percebido que, depois de ter vendido Nani (excelente negócio) e perdido Caneira (saída inevitável), não podia deixar fugir mais três titulares por questões de apenas alguns milhares de euros, confiando cegamente na sua capacidade de os substituir com ganho financeiro e futebolístico no mercado. Sem Ricardo, o Sporting perdeu o terceiro internacional português no mesmo Verão e entregou a baliza a jovens de futuro brilhante mas presente inconstante. Sem Tello, deixou fugir a segunda opção para um lugar ainda por preencher (o de lateral-esquerdo). E sem Alecsandro disse adeus ao jogador que, a seguir a Deivid - também vendido em saldo -, melhor se adaptou ao futebol de Liedson. Acentuada a crise, demitido Carlos Freitas, o que pode fazer o Sporting? Demitir Paulo Bento? Não. Resta-lhe reflectir acerca do projecto e da necessidade de incorporar uns pozinhos de mentalidade futebolística em tanta visão empresarial. É que, com o tempo, o futebol encarrega-se de regular todas as crises e, a continuarem as coisas como estão, o Sporting não venderá ninguém esta época por 25 milhões de euros e poderá deixar crescer esta equipa.
Autor: António Tadeia, "Diário de Notícias", 12-01-2008
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O raspanete de Soares Franco
No final da derrota do Bonfim, soubemos pelo defesa-central Anderson Polga que o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, para dar a ideia de que está próximo da equipa, foi ao balneário dar um raspanete aos jogadores e manifestar confiança neles para o futuro. Em primeiro lugar, é estranho que tenha sido um jogador a informar a comunicação social sobre o que aconteceu. Se o presidente foi ao balneário, ninguém deveria saber, porque se tratou de um acto interno, que jamais deveria ter saído do grupo de trabalho. Ou será que algum trabalhador gosta que toda a gente saiba que levou um raspanete do patrão?...
Mas há outra questão: Soares Franco não foi ao balneário fazer nada. Antes pelo contrário. Porque a derrota estava consumada e os jogadores queriam tudo menos que lhes chateassem mais a cabeça. Se a ideia de Soares Franco era mostrar que estava com a equipa num momento menos bom, então, nesta fase delicada, deveria deslocar-se aos estádios no autocarro com os jogadores. Isso sim, seria um forte sinal de apoio, de solidariedade e de união do grupo, e poderia funcionar como factor suplementar de motivação para cada jogo. Ir apenas ao balneário no fim de cada naufrágio não interessa nada. Se não vai lá depois das vitórias, muito menos deve ir depois das derrotas.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
O "LEÃO DA ESTRELA" HÁ SEIS MESES...
A DESTRUIÇÃO DE UMA EQUIPA
Desde que o treinador do Valência anunciou que estava interessado em Marco Caneira que a saída do defesa emprestado ao Sporting era evidente. Agora, a solução lógica seria promover ex-juniores formados no clube, sob pena de a aposta na formação não passar de uma treta fiada para ser usada quando dá jeito. Depois de Caneira, agora fala-se na saída do guarda-redes Ricardo. A confirmar-se, será destruída a equipa da época passada, que tanto trabalho deu a Paulo Bento para formar. Dentro de alguns meses, se as coisas começarem a correr mal, não faltarão vozes a explicar que é preciso dar tempo ao tempo, porque a equipa está em formação. Afinal, e ao contrário do que diz Soares Franco, a estratégia do Sporting para o futebol caminha sobre manteiga... Os números são fatais: se Ricardo também sair, serão dez os jogadores que deixam Alvalade. E, desses dez, sete são portugueses, quatro dos quais formados no clube. Quanto a entradas, estão confirmados sete novos jogadores, onde apenas dois nasceram em Portugal. Mas a internacionalização do plantel não ficará por aqui...
LEÃO DA ESTRELA, 10-07-2007
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Provavelmente, o pior futebol do mundo...
Não há pachorra para escrever sobre mais uma derrota e um mau jogo do Sporting. Desta vez perdeu em Setúbal (1-0) para a Taça da Liga, não sendo eliminado da prova porque estamos numa fase de grupos. E como a prova se chama Carlsberg Cup, ocorre-me dizer uma coisa: o Sporting pratica, provavelmente, o pior futebol do mundo. Assim, sugiro a Paulo Bento - o elo mais fraco da cadeia de comando deste pesadelo - que pegue nas trouxas e vá atrás de Carlos Freitas...
A oposição do Sporting
O Sporting Clube de Portugal é o mais democrático dos clubes portugueses, no sentido em que tem várias sensibilidades que discutem o clube, seja na comunicação social ou nos novos meios de comunicação, nomeadamente na blogosfera. E há sportinguistas, em Portugal e em vários pontos do mundo, ávidos de informação sobre o clube, seja quando a equipa de futebol ganha ou quando perde.
Apesar disso, o Sporting, anestesiado pelo “Projecto Roquette” e pela credibilidade que os seus mentores inspiravam, esteve quase duas décadas sem que nas eleições para a sua direcção concorresse mais do que uma lista. Mais ainda: os dois últimos presidentes (Dias da Cunha e Soares Franco) até chegaram ao cargo por cooptação, ou seja, sem terem sido eleitos nas urnas. Foi neste clima que medrou uma "cultura de empresa" em detrimento de uma "cultura de clube".
Dos clubes portugueses que criaram sociedade anónimas desportivas, o Sporting é talvez aquele que mais se entregou a gestores de fato escuro que não sofrem com as derrotas nem se alegram com as vitórias. O último acto eleitoral em que houve uma disputa forte ocorreu em 1989, quando Sousa Cintra foi eleito presidente. Em 2006, regressaram as disputas eleitorais pondo em jogo modelos distintos de gestão do clube, mas Filipe Soares Franco esmagou Sérgio Abrantes Mendes, obtendo cerca de 70 por cento dos votos. Quase dois anos depois, o que verificamos é que Sérgio Abrantes Mendes não cresceu como alternativa sólida à actual gestão. E isso não é bom para o Sporting, que continua a ter muita gente a ralhar ou a gritar.
Ao desdobrar-se em entrevistas e na resposta a inquéritos dos jornais, Sérgio Abrantes Mendes está apenas a servir os propósitos de aparente equidistância da comunicação social face às querelas leoninas. E não está a mostrar-se como alternativa credível à sucessão de Filipe Soares Franco. Desde logo por contribuir para agitar as águas em tempos de crise, provocando ainda mais ruído. De resto, já todos sabemos que as coisas estão mal. Basta ler as notícias que chegam de Alvalade ou ver a equipa de futebol a arrastar-se no campo.
Um putativo candidato a presidente do Sporting não pode andar por aí a comentar o que pensa de Carlos Freitas, de Pedro Barbosa ou de Purovic, nem a dizer-nos que não sabe disto, nem daquilo, porque não tem informação do clube. Um putativo candidato a presidente do Sporting não pode andar a lavar roupa suja nas esquinas. Um candidato a presidente do Sporting tem que definir um caminho sólido para o clube e lutar por ele, acima dos conflitos entre as partes.
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RECORTES LEONINOS Carlos Freitas
"Estou orgulhoso por ter participado numa das décadas mais vitoriosas do Sporting nos últimos tempos."
"As razões são as que levaram à reflexão: cansaço e injustiças."
"A culpa era sempre do Freitas. Assim vou deixar de ser o bode expiatório."
"Nem todas as decisões tiveram cem por cento de êxito."
"O momento que mais gozo me deu foi o dia da chegada e de ter abraçado um projecto que me motivou muito."
"O dia mais triste é o de hoje, porque deixo um projecto pelo qual me empenhei a fundo e ao qual dei bastante de mim."
"A realidade fala por si. Independentemente de estar consciente de que quem desempenha este tipo de funções tem de estar sujeito à crítica, ninguém lhe é imune. Quem toma posições vai necessariamente errar algumas vezes."
"A saída é completamente amigável, não há rigorosamente nenhuma indemnização. Vou receber a minha remuneração até ao exacto dia em que cessar funções."
"Cansaço de sentir que é injusto o enfoque excessivamente centrado na minha pessoa relativamente a alguns momentos menos bons e algumas decisões menos boas. E sem acompanhamento nos momentos melhores."
"Não se consegue encontrar no mercado aquilo que mais necessitamos ao preço a que podemos pagar."
"É impossível fazer uma equipa com jogadores entre os 17, 18 e 19 anos, até porque seria uma tremenda injustiça para eles."
"Acredito que todos os jogadores que vieram para o Sporting têm capacidade para impor-se."
"Não saio desiludido com pessoas, porque não é qualquer pessoa que me desilude e aqueles a quem dei muito do meu empenho felizmente sempre o devolveram."
Carlos Freitas, em declarações produzidas após o anúncio da sua demissão do cargo de administrador da Sporting SAD, "Público", 09-01-2008
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Ranking´s há muitos...
O ranking mundial da Federação de História e Estatística do Futebol (IFFHS) não é mesmo para levar a sério. O Benfica, na 27.ª posição, é o clube português melhor colocado nesse ranking mundial, que é liderado pelo Sevilha. O Sporting concluiu 2007 no 66.º posto, à frente do FC Porto (71.º), que foi campeão nacional e passou à segunda fase da Liga dos Campeões. O Manchester United e o AC Milan ocupam os segundo e terceiro lugares, respectivamente. A lista, divulgada esta terça-feira, contempla mais três clubes portugueses: Sp. Braga (83.º), Belenenses (235.º) e U. Leiria (248.º). O Sevilha termina o ano de 2007 como o melhor clube do mundo, seguido por Manchester United e AC Milan. Chelsea, Santos, Boca Juniors, Inter, Liverpool, Roma e América (do México) completam os dez primeiros da classificação.
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DOCUMENTO EXCLUSIVO "LEÃO DA ESTRELA"
PARA UM SPORTING COM FUTURO
1. O Sporting Clube de Portugal (SCP) precisa de um Presidente da Direcção do clube e da SAD (sociedade anónima desportiva) que se dedique a tempo inteiro ao clube e à SAD, sem conflito de interesses entre a sua actividade profissional e os objectivos do clube, que se afirme como um líder defensor e promotor da Cultura Sportinguista e que seja o representante do Sporting em todos os organismos e eventos nacionais e internacionais, nomeadamente aqueles que dizem respeito ao futebol profissional.
2. O SCP precisa de uma Direcção que assuma o futebol de formação e o futebol profissional como grandes motores do funcionamento do clube, mas que aposte igualmente nas diversas modalidades desportivas, profissionais ou amadoras, assumindo o ecletismo como um factor distintivo dos clubes desportivos em Portugal, apostando na captação de patrocínios privados e procurando patrocínios públicos através de convénios com o Estado Português, tendo em conta o serviço de responsabilidade social decorrente do trabalho de promoção desportiva e de ocupação dos tempos livres, nomeadamente dos jovens.
3. O SCP precisa de uma Direcção que promova uma cultura de grande responsabilidade e exigência em todos os sectores do universo leonino. Os atletas e as equipas do Sporting têm de ser sempre os primeiros e os melhores. Quando não o conseguem esse objectivo, devem sentir uma grande frustração e não se devem contentar com segundos objectivos.
4. O SCP precisa de renegociar a sua dívida bancária, de modo a libertar-se dos enormes compromissos que estão a impedir uma política expansionista do futebol profissional. Para a sobrevivência do Sporting como clube de dimensão nacional e internacional é fundamental que, num prazo máximo de cinco anos, seja um clube liderante no futebol português (tanto no investimento no futebol profissional como nos resultados desportivos), e com melhores resultados desportivos no futebol europeu, incrementando novas e maiores receitas, de modo a combater o défice com o sucesso desportivo.
5. O SCP e o seu futebol profissional precisam de ser dirigidos “de dentro para fora” e não “de fora para dentro”, eliminando todos os factores de interferência externa que contribuem para a sua desestabilização permanente, nomeadamente o protagonismo mediático dos empresários e de outros lóbis.
6. O treinador principal da equipa profissional de futebol do Sporting deve ser um técnico de reconhecido valor, no País e no estrangeiro, que deverá ser o responsável por todo o futebol do clube, incluindo o futebol de formação.
7. A política de aquisição e dispensa de jogadores deve ser da responsabilidade do treinador principal, em articulação com o dirigente responsável pelo pelouro do futebol, devendo a contratação de jogadores obedecer a rigorosos critérios de ordem técnica, definidos pelo treinador, no âmbito das disponibilidades orçamentais definidas pelo SCP.
8. O SCP deve apostar na sua escola de formação de jogadores como principal fonte de constituição do seu plantel do futebol profissional, recorrendo ao mercado para corrigir eventuais lacunas, contratando jogadores de valor inquestionável, cuja carreira e comportamento profissional constitua um exemplo a seguir pelos jovens.
9. O SCP precisa de estabelecer verdadeiros protocolos com clubes que disputem a I Liga Portuguesa (com excepção do Benfica e do FC Porto) e a I Liga Espanhola, com vista à venda e empréstimo dos jogadores oriundos da Academia de Futebol de Alcochete que não tenham lugar no plantel profissional. Em todos dos casos, o SCP precisa de criar uma equipa de treinadores e psicólogos responsáveis pelo acompanhamento próximo e permanente de todos os futebolistas que estejam na situação de emprestados.
10. O SCP precisa de defender, junto da Liga de Clubes de Futebol Profissional, que os direitos de transmissão televisiva dos jogos de futebol sejam negociados entre a Liga e os agentes do audiovisual e não entre estes e os clubes individualmente.
11. O SCP precisa de rentabilizar em todas as vertentes a marca SPORTING, liderando todo o “merchandising” do clube e criando uma rede de lojas, envolvendo primordialmente os núcleos e as filiais no País e no Mundo. Ao mesmo tempo, o SCP deve procurar meios alternativos de sustentabilidade económica diversificando serviços a prestar em áreas não desportivas.
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Os títulos de Freitas
A propaganda dos jornais amigos não vai esquecer uma herança alegadamente dourada de Carlos Freitas em sete anos de trabalho no Sporting. Provavelmente, vão atirar-nos à cara aquela história dos sete títulos em sete anos e serão capazes de prever um jejum de títulos para as próximas décadas. A grande verdade, porém, é que o Sporting já não é campeão nacional há seis anos! E ganhar um título, que eu saiba, é ganhar um campeonato.
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As cartas de Soares Franco
O Sporting anda aflito com a queda de Carlos Freitas. Uns querem que outros dirigentes, e até o treinador, peçam também a demissão. São os homens do sangue a todo o custo. Outros não sabem o que fazer à vida sem os lóbis do Leste e de outras paragens do planeta, temem o pior e viram-se para o que ainda resta do “roquettismo” dentro do Sporting. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O “roquettismo” ainda não morreu, mas já faltou mais. Em poucos meses já foi criticado por Soares Franco e tombaram mais dois nomes do universo dirigente: Rui Meireles e, agora, Freitas… Não deverá acontecer grande coisa nos próximos tempos. A saída de Freitas, nesta altura do campeonato, não tem influência nenhuma. Para o futebol do Sporting, Freitas era uma irrelevância de bastidores que só fazia estragos quando abria o mercado. Com a sua retirada, depois das asneiras do último Verão, até ficará aberto espaço a outros jogadores do plantel que até agora andavam escondidos. Portanto, a vida continua. Mas será interessante saber quem é que Filipe Soares Franco vai chamar para a SAD e para a chefia do futebol. Para ficarmos a saber se o futebol do Sporting vai mesmo mudar de vida ou se Soares Franco vai apenas baralhar e dar de novo… FOTO: "Record"
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A retirada de Carlos Freitas II
Depois do título de 2000, Carlos Freitas ficou tão entusiasmado com as aquisições que começou a fazer asneira da grossa no Sporting. Peter Schmeichel viu tanta asneira que quis logo ir embora para acabar a carreira com mais dignidade em Inglaterra! Enquanto os sportinguistas festejavam o título ao fim de um jejum de 18 anos, Freitas, com carta branca de Luís Duque, começou por contratar 15 (quinze) jogadores a seguir ao título de 2000, um dos quais, Rodrigo Tello, apareceu em Alvalade como “o melhor extremo-esquerdo da América Latina”, custando 7,5 milhões de euros – tendo sido o jogador mais caro da história do Sporting. Pior: Tello foi contratado em Janeiro de 2001 para corrigir desequilíbrios num plantel que tinha sido dotado com 15 novos jogadores no defeso anterior!... No ano em que mais dinheiro gastou com o futebol, o Sporting perdeu um título que parecia fácil (o Boavista, levado ao colo pelos árbitros, foi campeão e o Benfica sexto classificado!...) e regressou ao terceiro lugar na I Liga.
Entre cerca de seis dezenas de jogadores, e num juízo certamente subjectivo, cerca de metade deles podem ser considerados os “barretes” que Carlos Freitas enfiou ao Sporting (entre compras e empréstimos). Lembremos alguns nomes: Chiquinho, Cáceres, Hugo, Dimas (foi contratado em fim de carreira e nunca se afirmou como titular devido a problemas físicos), Alan Mahon, Kirovski, Horvath, Bruno Caires, Robaina, Mário Sérgio, Sphear, Rodrigo Tello (relação preço-qualidade), Diogo, Luís Filipe, Nalitzis, Kutuzov, Marcos Paulo, Silva, Clayton, Mota, Koke, Paredes, Pinilla, Farnerud, Bueno, Purovic, Marian Had, Celsinho...
Este ano foram contratados nove jogadores, metade deles oriundos de Moscovo, e nenhum se afirmou ainda como titular indiscutível. Mais: dos jogadores contratados desde Janeiro de 2006, ou seja, nos últimos dois anos, poucos se afirmaram como titulares indiscutíveis além de Marco Caneira. Abel e Romagnoli, entre dezena e meia de jogadores que entraram nestes dois anos, tornaram-se titulares do Sporting com regularidade. E mesmo Romagnoli, que precisou de um ano para se adaptar, é um atleta que suscita opiniões contraditórias. Acabaram por ser os jogadores formados no clube a sustentar a equipa, depois de confirmados os fiascos vindos de fora. Por outras palavras, e em conclusão, Carlos Freitas estava a perder qualidades na detecção de jogadores baratos fora do País e não se entusiasmava com os jovens formados na Academia do Sporting.
Entre cerca de seis dezenas de jogadores, e num juízo certamente subjectivo, cerca de metade deles podem ser considerados os “barretes” que Carlos Freitas enfiou ao Sporting (entre compras e empréstimos). Lembremos alguns nomes: Chiquinho, Cáceres, Hugo, Dimas (foi contratado em fim de carreira e nunca se afirmou como titular devido a problemas físicos), Alan Mahon, Kirovski, Horvath, Bruno Caires, Robaina, Mário Sérgio, Sphear, Rodrigo Tello (relação preço-qualidade), Diogo, Luís Filipe, Nalitzis, Kutuzov, Marcos Paulo, Silva, Clayton, Mota, Koke, Paredes, Pinilla, Farnerud, Bueno, Purovic, Marian Had, Celsinho...
Este ano foram contratados nove jogadores, metade deles oriundos de Moscovo, e nenhum se afirmou ainda como titular indiscutível. Mais: dos jogadores contratados desde Janeiro de 2006, ou seja, nos últimos dois anos, poucos se afirmaram como titulares indiscutíveis além de Marco Caneira. Abel e Romagnoli, entre dezena e meia de jogadores que entraram nestes dois anos, tornaram-se titulares do Sporting com regularidade. E mesmo Romagnoli, que precisou de um ano para se adaptar, é um atleta que suscita opiniões contraditórias. Acabaram por ser os jogadores formados no clube a sustentar a equipa, depois de confirmados os fiascos vindos de fora. Por outras palavras, e em conclusão, Carlos Freitas estava a perder qualidades na detecção de jogadores baratos fora do País e não se entusiasmava com os jovens formados na Academia do Sporting.
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A retirada de Carlos Freitas I
O LEÃO DA ESTRELA escreveu em 9 de Novembro último que o administrador da SAD do Sporting Carlos Freitas, mesmo depois de ter voltado ao trabalho após um período de reflexão, continuava a ser um “caso” por resolver em Alvalade. De então para cá, a equipa de futebol não melhorou e agora chega a notícia: o responsável pelo pelouro das contratações e dispensas de jogadores abandona o Sporting. O desfecho era esperado. Agora é tempo de balanço. A verdade é que a grande maioria das seis dezenas de jogadores contratados nos últimos sete anos não foram valorizados pelo Sporting. Além disso, foi neste período de tempo que o Sporting viu sair prematuramente jogadores como Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo. Para além de Quaresma ter ido para o FC Porto (2004-2005), depois da aventura espanhola, e Simão para o Benfica (em 2001-2002), também após regressar do Barcelona. Ou seja, o Sporting não teve capacidade, nomeadamente financeira, para reaver dois produtos de primeira qualidade da sua formação, que passaram a servir clubes rivais. Carlos Freitas, quando precisava de mostrar serviço, esteve perfeito naquele Inverno de 1999-2000, ao contratar César Prates, André Cruz e Mbo Mpenza. Deu ao treinador Augusto Inácio os jogadores de que precisava para ser campeão. Os problemas vieram depois.
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
CORREIO LEONINO
CARTA ABERTA AOS SPORTINGUISTAS
Sou um sócio de bancada. Não sou nenhum notável nem barão do Sporting. No entanto, penso pela minha cabeça! É nestes momentos de frustração que aparecem mais participantes nos blogues e foruns de opinião. A minha opinião é mais uma e tem o peso de 20 anos de sócio! Também é nestes momentos que não se deve falar "a quente"! E há muita gente que fala a quente, que emite opiniões absurdas (José Mourinho no SCP, etc.).
Pois bem, eu não vou falar "a quente"! Julgo que todos aqueles que aqui vêm comentar diariamente ou frequentemente têm, tal como eu, um amor inquestionável pelo clube! Pois bem, dirijo-me a esses, pois são esses que estão dispostos a fazer sacrifícios pessoais pelo Sporting, abdicando muitas vezes de obrigações familiares, aqueles que pensam TODOS OS DIAS no Sporting!
É bom que todos façamos uma reflexão honesta sobre o que representou para O CLUBE (muito para além de meros resultados desportivos) estes 12 anos de "Roquettismo"! Sim, porque Dias da Cunha e Soares Franco são o refugo, as sobras desse traidor "projecto empresarial"! Não nos iludamos: nestes 12 anos quem esteve no poder mamou sempre da mesma teta! Mas o leite secou, acabou!!!
O que é que Sporting tinha então e o que é que o Sporting tem hoje? O que era a Instituição SCP então e o que é aquilo em que se transformou? Quantos sócios e adeptos tinha o SCP de então e quantos tem hoje? Estas perguntas podiam-se prolongar por muitas mais linhas, mas penso que já perceberam o meu ponto de vista!
Em conclusão: aquilo que é urgente para a sobrevivência do nosso clube, muito mais do que ganhar um campeonato, uma Taça de Portugal ou uma Taça da Liga, é neste momento fazermos TUDO o que estiver ao nosso alcance para afastarmos essa súcia de anti-sportinguistas que se apoderou do NOSSO SPORTING! Gente essa que, diariamente, conspurca o nome sagrado do nosso clube, que o desvaloriza, que o desfigura, que o agride, que o despreza, que o rouba, que o goza, que o vende, que, em suma, contribui para a sua extinção tal como o conhecemos e aprendemos a amá-lo!
É esse, SPORTINGUISTAS, o dever que temos perante nós neste momento miserável da nossa história institucional como grande clube que (ainda) somos! Essa guerra começa já amanhã! E não podemos dar tréguas a esta corja que tem no sócio anónimo leonino um alvo a abater! Há que atingi-los usando o principal trunfo que dispomos, e que eles não: O NOSSO AMOR PELO CLUBE! É isso que os vai derrotar e os vai escorraçar de Alvalade de uma vez por todas!
Peço desculpa ao "LEÃO DA ESTRELA" por este desabafo tão directo, mas esta minha revolta já a não a consigo conter e de certeza que muitos estão comigo! Conto convosco! Saudações Leoninas!
Leitor do LEÃO DA ESTRELA e Sócio do Sporting Clube de Portugal, devidamente identificado (carta enviada por e-mail, 06-01-2008)
domingo, 6 de janeiro de 2008
As camisolas pretas
Quando a equipa de futebol do Sporting sobe ao relvado com aquelas camisolas pretas – por conta de alegados compromissos comerciais decorrentes do “merchandising” – não é a mesma coisa. Não sei o que é que pensam os jogadores. E seria interessante saber o que eles pensam. Mas, para mim, uma equipa do Sporting equipada com camisolas pretas não é uma equipa do Sporting. É um grupo de jogadores sem uma identidade estética clara aos olhos de todos, a começar pelos olhos dos adversários. No Estádio do Bessa jogaram duas equipas de preto, sobressaindo o branco na indumentária boavisteira. Antigamente, um equipamento alternativo só era utilizado nos jogos em casa quando as cores do equipamento principal do adversário eram susceptíveis de gerar confusão. E, como manda o bom senso, era a equipa anfitriã que mudava de equipamento. Nos tempos que correm não há critério nenhum, a não ser, ao que dizem, um presumível critério comercial. Mas se a questão é comercial, seria interessante saber algo mais. Seria interessante saber quem é que define as cores da camisola alternativa e se o Sporting é ouvido ou tem ideias sobre a matéria. E seria muito interessante que a SAD leonina apresentasse as contas relativas às receitas resultantes da venda das camisolas alternativas nos últimos dez anos e que nos indicasse qual tem sido o peso dessas receitas no orçamento global do Sporting. Só assim poderemos ficar a saber se vale a pena continuar a ver o Sporting equipado de negro com umas tiras de verde desbotado… FOTO: "Record Online"
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sábado, 5 de janeiro de 2008
A brincadeira do costume
Parece que não há volta a dar. O Sporting não deverá chegar a lado nenhum na Liga Portuguesa 2007-2008. Aliás, a continuar com esta “pedalada perdedora”, poderá mesmo ter dificuldades em conseguir um lugar de acesso à Taça UEFA. Uma equipa que dizem ter sido preparada para lutar pelo título nacional e que não consegue ganhar um único jogo a Norte do rio Mondego, sofrendo derrotas humilhantes em Braga (3-0) e no Bessa (2-0), não pode ser levada a sério no que concerne às contas do título nacional. E não pode ser levada a sério, em primeiro lugar, porque é a própria equipa que parece não levar a sério o seu trabalho e os seus objectivos. E o seu trabalho é fazer tudo o que está ao seu alcance para ganhar os jogos de modo a facturar mais pontos do que todos os adversários e jogar um futebol que seja agradável ao público, para, desse modo, poder rendibilizar ao máximo as diversas vertentes de um projecto empresarial de que o futebol apresentado em campo é o único grande motor.
No Estádio do Bessa, vimos a brincadeira do costume. Depois de uma série de duas vitórias tremidas, em que foi decisiva a inspiração do montenegrino Vukcevic, o Sporting voltou a cair, desta vez aos pés do Boavista. E voltou a cair como sempre cai: dando 45 minutos de avanço ao adversário e correndo atrás do prejuízo com esse atraso nas pernas. E desta vez não houve Vukcevic, a não ser por tentativas infrutíferas. Nem houve Liedson. Muito menos Purovic – cuja falta de qualidade se revelou mais uma vez. O que houve foi mais um golo esquisito sofrido na sequência de um lance de bola parada (onde estavam os defesas centrais?...). E depois, bastou um pouco de sorte ao Boavista – um trabalho competente do seu guarda-redes e uma bola no poste – para que o Sporting não conseguisse revelar soluções alternativas capazes de virar o jogo. Isto justamente numa partida antes da qual o treinador Paulo Bento alertara para a necessidade de um Sporting com “a mesma agressividade” que o Boavista.
Com esta derrota, o Sporting desbaratou em definitivo a possibilidade de recuperar o atraso pontual em relação ao FC Porto. E deitou fora a recuperação psicológica que poderia ter resultado da série de quatro vitórias consecutivas com que fechou 2007. Os problemas que a equipa revela são estruturais. Não estamos a falar de um jogo que corre mal. Estamos a falar de jogos em série em que a equipa joga mal, joga feio, sofre golos de qualquer maneira e dá avanço aos adversários. Jogos em série sem velocidade, sem alegria, sem prazer, sem faro pelo golo e sem desejo de vitórias. Jogos em série em que Paulo Bento se afirma como um treinador ultraconservador, que mostra não ter medidas alternativas quando as coisas correm mal. Quando Luiz Paez (muito melhor do que Purovic!) e Pereirinha entraram a 20 minutos do fim, já era visível que o Sporting não iria dar a volta ao jogo. Porque, para além dos erros de “casting” na formação da equipa, o Sporting revela fragilidades colectivas muito mais importantes, que têm a ver com a falta de intensidade competitiva, com a falta de confiança e com muita falta de alegria no trabalho. E as camisolas pretas também não ajudam nada. Mas são talvez a única coisa que faz sentido neste Sporting 2007-2008... FOTO: Miguel Vidal (Reuters)
No Estádio do Bessa, vimos a brincadeira do costume. Depois de uma série de duas vitórias tremidas, em que foi decisiva a inspiração do montenegrino Vukcevic, o Sporting voltou a cair, desta vez aos pés do Boavista. E voltou a cair como sempre cai: dando 45 minutos de avanço ao adversário e correndo atrás do prejuízo com esse atraso nas pernas. E desta vez não houve Vukcevic, a não ser por tentativas infrutíferas. Nem houve Liedson. Muito menos Purovic – cuja falta de qualidade se revelou mais uma vez. O que houve foi mais um golo esquisito sofrido na sequência de um lance de bola parada (onde estavam os defesas centrais?...). E depois, bastou um pouco de sorte ao Boavista – um trabalho competente do seu guarda-redes e uma bola no poste – para que o Sporting não conseguisse revelar soluções alternativas capazes de virar o jogo. Isto justamente numa partida antes da qual o treinador Paulo Bento alertara para a necessidade de um Sporting com “a mesma agressividade” que o Boavista.
Com esta derrota, o Sporting desbaratou em definitivo a possibilidade de recuperar o atraso pontual em relação ao FC Porto. E deitou fora a recuperação psicológica que poderia ter resultado da série de quatro vitórias consecutivas com que fechou 2007. Os problemas que a equipa revela são estruturais. Não estamos a falar de um jogo que corre mal. Estamos a falar de jogos em série em que a equipa joga mal, joga feio, sofre golos de qualquer maneira e dá avanço aos adversários. Jogos em série sem velocidade, sem alegria, sem prazer, sem faro pelo golo e sem desejo de vitórias. Jogos em série em que Paulo Bento se afirma como um treinador ultraconservador, que mostra não ter medidas alternativas quando as coisas correm mal. Quando Luiz Paez (muito melhor do que Purovic!) e Pereirinha entraram a 20 minutos do fim, já era visível que o Sporting não iria dar a volta ao jogo. Porque, para além dos erros de “casting” na formação da equipa, o Sporting revela fragilidades colectivas muito mais importantes, que têm a ver com a falta de intensidade competitiva, com a falta de confiança e com muita falta de alegria no trabalho. E as camisolas pretas também não ajudam nada. Mas são talvez a única coisa que faz sentido neste Sporting 2007-2008... FOTO: Miguel Vidal (Reuters)
SPORTINGUISTAS Sara Kostov
A modelo portuguesa Sara, de 22 anos, é filha do antigo futebolista búlgaro do Sporting Vanio Kostov, que chegou a Portugal em 1982, acompanhado pelo seu compatriota Bukovac. Na altura, os futebolistas dos países do Leste da Europa, que integravam o "Pacto de Varsóvia", não podiam emigrar antes dos 30 anos de idade, a não ser através do casamento, o qual também permitia a naturalização, uma vez que cada equipa não poderia alinhar com mais de dois jogadores estrangeiros (exceptuando os atletas nascidos nas antigas colónias portuguesas, incluindo o Brasil). O Sporting, então sob a presidência de João Rocha, foi percursor na utilização deste estratagema. Nos casos de Kostov e Bukovac, o clube – que tinha acabado de ser campeão nacional sob a orientação do inglês Malcolm Allison –, terá tratado da papelada, e não só, para os respectivos casamentos, de tal forma que os jogadores nem terão visto as moças com quem oficialmente contraíram matrimónio... Mas tanto Kostov como Bucovac ficaram em Portugal muito tempo. Vanio Kostov até ficou para sempre, sendo hoje empresário credenciado pela FIFA. Mas nos últimos tempos, sobretudo depois de a filha ter sido capa da revista masculina “FHM”, número a que o antigo futebolista do Sporting não achou muita piada, tem sido mais conhecido por ser "o pai de Sara Kostov", o que, como demonstra a imagem, é um grande elogio. Mais a mais, Sara contou na "FHM" que é sportinguista "desde pequenina". "Comecei a ir aos jogos com o meu pai e sou do Sporting por causa dele", explica a modelo.
OS NOSSOS CAMPEÕES (7) António Oliveira
Divide opiniões? Sem dúvida, como dividem todos aqueles que são competentes no seu trabalho. António Oliveira – autor da célebre frase "Por cada Leão que cair, outro se levantará" – chegou ao Sporting em 1981, pela mão do presidente João Rocha, para integrar aquela que foi uma das melhores equipas do Sporting dos últimos 25 anos, tendo conquistado o título nacional e a Taça de Portugal, em 1981-82, e a Supertaça Cândido Oliveira no ano seguinte. Oliveira, que pontificara no FC Porto campeão de 1978 e 1979, que falharia o tri-campeonato em 1980 – com a humildade e o trabalho do Sporting a resultarem em mais um título nesse ano –, chegou a Alvalade vindo do FC Penafiel, equipa-sensação da I Divisão em 80-81, onde, depois de ter sido um dissidentes numa crise que agitou o FC Porto, foi treinador-jogador de sucesso, com apenas 28 anos de idade. Era um “número dez” de eleição, que, se tivesse as condições de formação que existem hoje, poderia ter sido um futebolista de classe mundial. No Sporting de Malcolm Allison resolvia os jogos ao lado de Manuel Fernandes e Jordão. No ano seguinte, com 30 anos, foi só o único treinador-jogador da história do Sporting, facto que lhe retirou faculdades dentro do campo, pelo que considero ter sido um erro da gestão de João Rocha. De qualquer modo, numa noite de glória dessa temporada, fez só... três golos magníficos ao Dínamo de Zagreb, para a então Taça dos Clubes Campeões Europeus. Num deles, pegou na bola na linha de meio-campo e fugiu com ela em direcção à baliza norte do velho Estádio de Alvalade, ultrapassando quem lhe aparecesse pela frente. Depois, Oliveira entrou nos negócios do futebol através da Olivedesportos, com o irmão Joaquim, e, futebolisticamente, andou por aí, até regressar ao FC Porto, para voltar a ser campeão, agora como treinador, e à selecção nacional, para acabar da pior forma naquela triste aventura asiática. FOTOMONTAGEM: http://cromosdefutebol.blogspot.com
FORAM LEÕES Bobby Robson
Após anos de sucesso, nomeadamente com a vitória da Taça UEFA pelo Ipswish Town - que lhe valeu uma estátua na cidade... -, com o trabalho na selecção de Inglaterra e os títulos no PSV da Holanda, o treinador inglês Bobby Robson conseguiu a proeza de ser despedido pela primeira vez na sua brilhante carreira só depois de passar a trabalhar em Portugal, onde chegou em 1992, para treinar o Sporting. Jamais tinha sido alvo da chamada "chicotada psicológica" e acabou despedido em 1993-94, ainda antes do Natal. O presidente Sousa Cintra – um Leão que tinha o coração ao pé da boca e que estava apostado em devolver títulos ao clube – despediu Robson depois de uma eliminação prematura da Taça UEFA, no confronto com os austríacos do Casino de Salzburgo, numa altura em que o Sporting ocupava o primeiro lugar no campeonato! Uma medida que seria impensável nos dias de hoje. E que, 14 anos depois, continua, para muitos, como um erro histórico no Sporting. Nessa época, Bobby Robson tinha como adjunto Manuel Fernandes, sendo José Mourinho – sim, o ex-treinador do Chelsea! – um jovem tradutor de inglês muito interessado em aprender... O resto da história confirma o erro de Cintra: Robson e Mourinho seriam campeões no FC Porto e rumariam, mais tarde, a Barcelona... A equipa do Sporting ficaria entregue a Carlos Queirós, que conhecia grande parte dos jovens jogadores portugueses do plantel, desde o tempo da selecção nacional de sub-20, que fora campeã do Mundo em 1989 e 1991. Mas Queirós, que perdeu a Taça de Portugal 93-94 para o FC Porto de... Bobby Robson, depois de também ter perdido o título dessa época para o Benfica (naquele famoso 6-3...), acabou por sair de Alvalade com as suas conquistas limitadas a uma Taça de Portugal, ganha no Estádio Nacional sobre o Marítimo, em 1995. Ah! Resta acrescentar que, já nessa altura, o famigerado "sistema" funcionava em pleno. Basta lembrar que, na fase decisiva dessa temporada de 93-94, o Sporting (que jogava o melhor futebol do país e tinha o melhor plantel) foi goleado pelo Benfica em Alvalade poucos dias depois de ter acabado com oito jogadores em campo num FC Porto-Sporting, nas Antas, arbitrado por Carlos Valente...
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CURIOSIDADES LEONINAS,
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
A ausência de Carlos Paredes
No estranho caso da ausência de Carlos Paredes é enssurdecedor o silêncio do Sporting. O que se sabe resulta de recados mandados para os jornais, rádios e televisões apontando a falha do atleta e eventuais consequências, que poderão passar por uma multa, um processo disciplinar ou pela resciusão do contrato. Mas o jogador não se defende, pois está em parte incerta, incontactável. O empresário diz que também não sabe de Paredes e até se demarca do seu cliente, o que é curioso. Do Sporting, que se saiba, ninguém diz nada, a começar pelo conselho de administração, que deveria emitir um comunicado sobre o caso. Afinal, está em causa o jogador mais bem pago do Sporting, tendo em conta a relação entre o que ganha e o que rende em campo. Na página do clube na Internet, a grande notícia dá conta de um pedido de desculpa pelo facto de ter sido reenviada uma SMS aos associados convocando-os para um jogo da Taça de Portugal que já se realizou há um ano!...
Na comunicação social, porém, em três ou quatro dias de faltas aos treinos multiplicam-se as notícias que fazem de Carlos Paredes um mercenário da pior espécie, aos olhos dos sócios, dos accionistas e dos simpatizantes. E, afinal, há outra versão. Segundo a irmã do antigo internacional paraguaio, Carolina Paredes, o médio do Sporting está autorizado pela SAD para chegar mais tarde a Portugal e, inclusive, procurar um clube no qual possa dar sequência à sua carreira. Segundo o "Record", Carolina, em declarações ao jornal "Diário Popular”, do Paraguai, até fala do Sporting como uma espécie de república das bananas: “Os que falam nada sabem. Os que têm peso no clube estão de férias e foram esses que lhe deram a autorização.” Se isto for verdade, anda tudo doido.
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
O candidato Rui Meireles
O momento mais extraordinário do ex-director financeiro do Sporting, Rui Meireles, na sua entrevista ao “Correio da Manhã” publicada no último sábado, foi quando abriu a porta a uma eventual candidatura à presidência do Sporting. “Admite candidatar-se?”, perguntou o jornalista Nuno Miguel Simas. “Não, mas o futuro a Deus pertence”, respondeu Rui Meireles, um dos subprodutos do Sporting idealizado por José Roquette e companhia. Os 500 mil euros de indemnização, que foi quanto custou à SAD do Sporting o afastamento do gestor que um dia procurou meter-se no futebol com o sucesso que todos conhecem e que ficou conhecido como um dos homens do BES em Alvalade, devem ter-lhe subido à cabeça. Com tanta intensidade que lhe toldaram a lucidez e o discernimento. Só assim se percebe que tenha considerado como “um acto irresponsável” os despedimentos de funcionários ocorridos no Sporting, que estavam previstos num projecto de reestruturação alegadamente elaborado pelo próprio. De resto, as suas críticas à gestão de Soares Franco, por muito certeiras que algumas sejam, acabam por cheirar a roupa muito suja. É o que acontece quando todos estão metidos no mesmo saco.
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Sporting SAD
RECORTES LEONINOS João Pinto
O MAIOR ERRO DA CARREIRA
(…) PÚBLICO – Esperava o sucesso que teve no Sporting?
JOÃO PINTO – Só não esperava ser tão bem recebido pelos sócios. Escolhi o Sporting numa altura em que era assediado por gigantes – depois do Euro 2000, tive dirigentes do Liverpool dentro do meu carro, o pessoal da Fiorentina foi ao hotel da selecção falar comigo, fui contactado pelo Arsenal, o Aston Villa e o Valência. Em Alvalade, davam-me o que pretendia, que era lutar pelo título, andar nas competições europeias e ter acesso à selecção. E um bom contrato de trabalho.
PÚBLICO – Porque é que o Sporting não o segurou em 2004?
JOÃO PINTO – Queria que renovasse e, embora me custe admitir, errei tanto ou mais do que eles nas negociações. Não tive a noção das dificuldades que o futebol português estava a atravessar, nomeadamente o Sporting. Aquilo coincidiu com o meu processo de divórcio e um problema que tinha tido com um sócio. Era um mar de coisas para eu pensar e pouca frieza para decidir. Acabei por escolher a pior das hipóteses. Sair do Sporting foi o maior erro da minha carreira.
PÚBLICO – A sua transferência para Alvalade está em tribunal por suspeitas de burla, com José Veiga no centro da acção. Como é que está o processo?
JOÃO PINTO – Aguardo uma decisão. Anda em fase de investigação e já disse tudo o que tinha a dizer a quem de direito. Em breve saberemos quem fez a denúncia anónima.
PÚBLICO – Recebeu a totalidade do prémio de assinatura e os valores do contrato com o Sporting?
JOÃO PINTO – Não posso falar sobre isso.
PÚBLICO – Como é que são as suas relações com Veiga?
JOÃO PINTO – O contacto diminuiu, mas continuamos amigos. Não tenho razão para deixar de o ser.
PÚBLICO – E que relação tem com os dirigentes do Sporting?
JOÃO PINTO – Boa, como sempre. (…)
Excerto de uma entrevista de João Pinto, jogador do Sporting entre 2000 e 2004, “Público”, 03-01-2008
JOÃO PINTO – Só não esperava ser tão bem recebido pelos sócios. Escolhi o Sporting numa altura em que era assediado por gigantes – depois do Euro 2000, tive dirigentes do Liverpool dentro do meu carro, o pessoal da Fiorentina foi ao hotel da selecção falar comigo, fui contactado pelo Arsenal, o Aston Villa e o Valência. Em Alvalade, davam-me o que pretendia, que era lutar pelo título, andar nas competições europeias e ter acesso à selecção. E um bom contrato de trabalho.
PÚBLICO – Porque é que o Sporting não o segurou em 2004?
JOÃO PINTO – Queria que renovasse e, embora me custe admitir, errei tanto ou mais do que eles nas negociações. Não tive a noção das dificuldades que o futebol português estava a atravessar, nomeadamente o Sporting. Aquilo coincidiu com o meu processo de divórcio e um problema que tinha tido com um sócio. Era um mar de coisas para eu pensar e pouca frieza para decidir. Acabei por escolher a pior das hipóteses. Sair do Sporting foi o maior erro da minha carreira.
PÚBLICO – A sua transferência para Alvalade está em tribunal por suspeitas de burla, com José Veiga no centro da acção. Como é que está o processo?
JOÃO PINTO – Aguardo uma decisão. Anda em fase de investigação e já disse tudo o que tinha a dizer a quem de direito. Em breve saberemos quem fez a denúncia anónima.
PÚBLICO – Recebeu a totalidade do prémio de assinatura e os valores do contrato com o Sporting?
JOÃO PINTO – Não posso falar sobre isso.
PÚBLICO – Como é que são as suas relações com Veiga?
JOÃO PINTO – O contacto diminuiu, mas continuamos amigos. Não tenho razão para deixar de o ser.
PÚBLICO – E que relação tem com os dirigentes do Sporting?
JOÃO PINTO – Boa, como sempre. (…)
Excerto de uma entrevista de João Pinto, jogador do Sporting entre 2000 e 2004, “Público”, 03-01-2008
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Sporting SAD
CORREIO LEONINO
FILHA DE CRAQUE SEM RESPOSTA
(..) Sou filha do Vadinho, craque do Sporting em 1958. Estou indo a Lisboa em Janeiro de 2008 e gostaria de visitar e conhecer o Sporting e o Estádio (palco de grandes jogadas e golos do meu pai). Gostaria de fotografar e trazer para meu pai a camisa do Sporting no centenário e outras lembranças. Quem devo procurar? Como devo proceder?Já enviei um email para o site do Sporting, mas não tive nenhuma resposta. Fico aguardando a resposta e contacto. Na certeza de que serei atendida, agradeço.
Jaqueline Ramalho Cordeiro (Brasil), enviado ao LEÃO DA ESTRELA por e-mail
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
A "pedra" de Liedson
Toda a comunicação social centralizou a gravidade das declarações de Liedson na referência ao Sporting como “uma ditadura” ou “um quartel-general”. Era o que dava o título mais forte… E isso nem foi o mais importante, tanto mais que nem foi dito de forma assertiva. O mais importante e assertivo foi dito quando Liedson se referiu às fugas de informação – que, curiosamente, são bem difíceis numa “ditadura”… –, pondo em causa todo o balneário: "Não sei porque é que sai tanta coisa aqui do Sporting para a Imprensa. Quando acontece algum episódio em que só estão jogadores e técnicos, passam duas ou três horas e toda a gente já sabe…”, afirmou o jogador brasileiro, num registo de interpretação muito fácil...
Enfim, o alerta de Liedson foi dado e não deverá acontecer nada. Se fosse aberto um processo disciplinar, o Sporting teria de chamar a Alcochete o jornalista do “JN”, o que só prolongaria a polémica, prejudicando ainda mais a tranquilidade necessária à equipa de Paulo Bento. Equipa que, de resto, precisa muito dos golos de Liedson para as quatro frentes ainda em jogo nesta temporada.
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