sábado, 16 de fevereiro de 2008

Reflexos de uma gestão errática

Sporting, Leiria e Freamunde: o trajecto descendente de André Marques em apenas seis meses, após ter sido preterido em favor do falhado Had

O problema da política de gestão de jogadores da equipa profissional do Sporting, tendo por base algumas decisões tomadas no último defeso quanto a dispensas e contratações, não está na limitação dos recursos financeiros, imposta pelas obrigações bancárias a que o Sporting está sujeito, mas sim na ausência de uma aplicação correcta dos fundos disponíveis, o que, por sua vez, decorre da ausência de uma estratégia clara de médio-longo prazo para o futebol leonino.
Com pouco mais de metade da época decorrida, os exemplos falam por si: Rui Patrício na baliza e Stojkovic no banco; o falhanço de Marían Had; Gladstone no banco e Daniel Carriço “perdido” no Chipre; Purovic sem qualidade e Carlos Saleiro emprestado ao Fátima, etc.
Estes casos provam-nos que seria possível, na pior das hipóteses, fazer o mesmo, sem investir em novos contratos com jogadores desenraizados do futebol português e da mística sportinguista e aproveitando os valores nacionais, valorizando, deste modo, o trabalho do Sporting como grande escola de formação de jogadores e, por consequência, os seus activos. Porque Stojkovic, Gladstone, Marían Had e Purovic, por exemplo, não trouxeram experiência nem valor acrescentado! Antes pelo contrário. Isto num plantel que já tinha Carlos Paredes em fim de carreira e acomodado por um dos melhores salários do grupo e o mediano Pontus Farnerud.

O CASO DO LATERAL-ESQUERDO

Vamos a um caso concreto, para vermos o que se passou com a formação de alternativas para o lugar de lateral-esquerdo. Na pré-temporada, Paulo Bento tinha escolhido duas opções: o internacional e campeão nacional nos escalões jovens do Sporting André Marques e o brasileiro Ronny. Nos jogos de preparação, o treinador, que conhecia bem André Marques dos tempos em que era treinador dos juniores e que até experimentara o atleta na equipa principal em 2005-2006, “descobriu”, afinal, que ele não seria uma opção válida. Prejudicado por um problema que, afinal, era colectivo, o jogador acabou por ser emprestado à União de Leiria. Para o seu lugar foi contratado o desconhecido Marían Had, vindo do Lokomotiv de Moscovo, de onde vieram também Izmailov e Celsinho. Seis meses depois, André Marques acabou dispensado pela União de Leiria e procura agora sobreviver no “escondido” Freamunde, um clube do Norte, que joga para um lugar mediano na II Liga. E seis meses entre Sporting, União de Leiria e Freamunde, por esta ordem, não devem ser nada fáceis de gerir na cabeça de André Marques…
Quanto a Marían Had, falhou em Alvalade e acaba de rescindir o contrato. Foram seis meses perdidos, que poderiam ter ficado mais baratos à SAD do Sporting e poderiam (ou não) ter confirmado André Marques como possível lateral-esquerdo para o futuro. Agora chegou o argentino Leandro Grimi – uma excelente opção, se confirmar e melhorar os indicadores já fornecidos. Depois de seis meses perdidos. FOTO: André Figueiredo

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Manuel Fernandes, o sportinguista

Ídolo da minha infância e juventude, Manuel Fernandes é uma das grandes figuras da história do Sporting Clube de Portugal. Sem espaço no seu clube de sempre e no futebol português, o que só é possível em Portugal, Manuel Fernandes trabalha hoje no estrangeiro. É treinador do ASA de Luanda - um clube sem dinheiro para ser campeão e que recorre a jovens angolanos lançados pelo treinador português para ficar na primeira metade da tabela. Nesta quinta-feira, Manuel Fernandes apareceu no programa “Pontapé-de-Saída”, na RTPN. Como faço sempre que passa algo de muito importante pelo ecrã, suspendi o "zapping" pelos canais da TV Cabo ao ver o "grande capitão" a falar em directo, a partir de Luanda. E valeu a pena. Para além de ter revisto o "cantinho de Morais", que, em 1964, dera ao Sporting e a Portugal a única Taça das Taças da EUFA, foi tocante ouvir Manuel Fernandes, ao comentar a actualidade do futebol leonino, dizer que, “como sportinguista”, quer o melhor para o seu clube. Aquele “como sportinguista” soou a algo de outros tempos. Algo que, normalmente, um treinador no activo dificilmente assume em público sem lhe pedirem. Nunca ouvi Álvaro Magalhães dizer o que pensava disto ou daquilo "como benfiquista". Nem Jorge Costa "como portista"... Manuel Fernandes foi um jogador de outros tempos e continua a ser um homem de outros tempos. Tempos que não voltam mais. Se calhar, é por isso que está em Angola. Infelizmente.

Obs. - A propósito de Manuel Fernandes e do ASA de Luanda, não percebo por que é que o Sporting não aproveita esta oportunidade para estabalecer um protocolo com o clube angolano ao nível da formação e prospecção de talentos. Ou será que agora estão todos vidrados com a África da Sul?... E porquê a África do Sul?...

RECORTES LEONINOS Vukcevic

JÁ FAZ INVEJA ATÉ NO DRAGÃO...
Vukcecic pode não gostar de futebol nem na PlayStation (foi ele próprio quem o confirmou numa entrevista ao jornal "A Bola"), mas quem gosta de futebol gosta cada vez mais do montenegrino. Os adeptos apenas atentos à espuma registaram somente os seus dois golos, principalmente a estética do segundo. É natural, eles confirmaram o killer instinct anunciado e cada vez mais confirmado e devem garantir ao Sporting uma viagem tranquila até à Suíça. Mas acaba por ser injusto e redutor, porque Vukcevic foi também determinante no pior período do Sporting, naquela meia hora de caos total que se seguiu ao feliz 1-0. Aí, quando parecia ir repetir-se mais uma dose gigante de futebol leonino nervoso e aos repelões, Vukcevic pegou no jogo e mostrou como jogar frente a um adversário apenas mediano (para além de afectado por várias lesões, o Basileia ficou sem o único verdadeiro craque que tinha - o jovem equatoriano Felipe Caicedo, que Eriksson levou em Janeiro para o Manchester City por 11 milhões de euros). De facto, foi a raça de Vukcevic (viram como, ainda no relvado, pediu para lhe reduzirem a luxação no ombro?) que ajudou a colar os cacos e deu a estabilidade psicológica que faltava. E a sua classe foi essencial para o Sporting partir para um resto de jogo seguro e concentrado. É justo reconhecer também o papel de Romagnoli (finalmente num nível aceitável) e de Patrício (aquela defesa aos 12", em que pesou a "bunda" a Veloso, pode vir a valer a eliminatória), Vukcevic insiste em provar que os dois milhões de euros pagos por metade do seu passe foram um bom negócio. Até porque no Dragão já deve haver quem torça a orelha por ter recusado idêntico acordo...
Autor: Bruno Prata, "Público", 14-02-2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O regresso das grandes noites europeias

O Sporting recebeu e venceu os suíços do Basileia por 2-0, num jogo que marcou o regresso do Estádio José Alvalade às grandes noites europeias. Com uma exibição segura e eficaz, a equipa leonina foi superior e confirmou que na época em curso está mais talhada para se exibir em jogos que não sejam da I Liga Portuguesa, o que dá que pensar... O montenegrino Vukcevic marcou os dois golos, tendo o Sporting tido oportunidades para fazer outros tantos golos, resolvendo de imediato a eliminatória. Mas, de qualquer modo, a vantagem obtida parece ser suficiente para seguir em frente na Taça UEFA, quiçá, até à final. Definitivamente, o problema deste Sporting é ganhar ao Fátima, ao Boavista, ao União de Leiria, ao Vitória de Setúbal, ao Leixões, à Académica, ao Belenenses e a outras equipas do topo do futebol europeu...

O clube dos dinossauros

Há imagens que ganham importância com o passar do tempo. Esta é uma delas. Mostra-nos um triunvirato nortenho formado por Pimenta Machado, Valentim Loureiro e Pinto da Costa, no tempo em que eram “jovens” dirigentes do futebol português, há quase 30 anos. Eles elevaram o Vitória de Guimarães, o Boavista e o FC Porto, respectivamente, aos patamares mais altos do futebol português. Só Pimenta Machado, autor da frase “no futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira”, não viu o seu clube ser campeão nacional. Não admira. Também foi o primeiro a contestar o “sistema”. E foi o primeiro a desaparecer da circulação.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A fruta de Valentim

Valentim Loureiro foi uma das presenças mediáticas no I Salão Erótico de Gondomar. Para além das moças que por lá se mostraram, com destaque, evidentemente, para a espanhola Sónia Baby. É caso para dizer que o presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes não resistiu e foi espreitar a fruta que passou pelo Pavilhão Multiusos de Gondomar. Em que estará a pensar o major? Na fruta comprada e vendida no futebol português nos últimos anos? No sexo como um trunfo turístico a explorar pela Câmara Municipal de Gondomar? Ou no julgamento do "Apito Dourado"?... FOTO: Paulo Pimenta ("Público")

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O SCP e a protecção aos clubes formadores

O futebol é uma indústria que movimenta muito dinheiro. Produz futebolistas para o espectáculo de um jogo que apaixona multidões, sempre ávidas de festejar golos, vitórias e títulos. O Sporting Clube de Portugal é uma das empresas dessa indústria planetária. Uma empresa com infra-estruturas adequadas e reconhecida em todo o mundo pela sua qualidade na formação de jovens talentos. Não é hoje, porém, reconhecida como uma máquina de produzir títulos. Mas essa é outra conversa...
Num mundo globalizado, os ricos tornam-se facilmente mais ricos e os pobres têm tendência a ficar mais pobres. É que o que está a acontecer hoje em Portugal, com o atrofiamento financeiro da chamada classe média e com os salários e lucros cada vez mais altos dos quadros de topo e das empresas que dominam a economia, designadamente as do sector bancário. O mesmo fenómeno está a verificar-se no futebol mundial, com os jovens talentos de vários pontos do mundo a serem adquiridos pelos maiores clubes europeus, onde estão os mais ricos e melhor preparados para rendibilizar devidamente esses talentos. Arsenal, Barcelona e Manchester United são três exemplos desses clubes ricos que atraem miúdos de todo o mundo, geralmente em prejuízo dos clubes de origem.
O Sporting é um clube com excelentes condições para a formação, e com provas dadas, mas é um clube limitado por pesados compromissos financeiros com a banca e, portanto, sem capacidade para investir na contratação de futebolistas de qualidade indiscutível, que no auge das suas carreiras têm propostas mais tentadoras em outras latitudes. E está num país pobre, cujo futebol não conta para o “totobola” europeu, não obstante o excelente nível alcançado pelas selecções nacionais nos últimos anos – mercê, também, do trabalho leonino na formação. Só que, essa formação não tem trazido para o clube os dividendos desportivos e financeiros que seriam de esperar: o Sporting não é a máquina de fabricar títulos que é, por exemplo, o FC Porto, e está mergulhado em dívidas, apesar de ter formado e vendido futebolistas como Luís Figo, Simão Sabrosa, Hugo Viana, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Emílio Peixe, Nani e muitos outros.

UM MERCADO SELVAGEM

Neste quadro, o trabalho do Sporting como clube formador e usufrutuário dessa aposta estratégica, através do aproveitamento do talento dos jovens futebolistas na equipa principal durante um período de tempo razoável, corre sérios riscos de fracassar, caso não haja, como não há, uma política de protecção dos clubes formadores de talentos, quer face a empresários mais dados ao lucro fácil, quer face ao poder de atracção dos clubes mais ricos. E a procura de talentos juvenis em outros continentes, que o Sporting tem promovido ultimamente, não parece ser a resposta adequada, a não ser em situações excepcionais, como comprovaram os casos dos jovens brasileiros Ronny e Yannick Pupo, que não conseguiram impor-se na equipa principal, apesar de terem sido rotulados de “craques” quando chegaram para a equipa de juniores. Além disso, essa prospecção internacional colocaria o Sporting a concorrer directamente com os maiores clubes do mundo...
Conforme o cenário está montado, e de acordo com o modo como este mercado selvagem funciona à escala global, os miúdos tanto aterram hoje no Sporting como, no ano seguinte, saem de Alcochete e são desviados para Espanha, Itália ou Inglaterra. Sem que o clube formador, atrofiado pela absoluta necessidade de dinheiro, seja devidamente compensado.
Ainda há relativamente pouco tempo, os jogadores Adrien Silva, Fábio Ferreira e Ricardo Fernandes, então nos Juniores B do Sporting, “fugiram” para Londres, seduzidos pelo Chelsea. Adrien Silva, que acabou por prolongar o seu vínculo com o clube, com a intervenção da família, reflectiu e voltou a Alcochete. Os outros dois não voltaram.

A CERTIFICAÇÃO DE QUALIDADE

Neste quadro, e tendo em vista dar protecção aos clubes formadores, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, poderia encetar um caminho inovador, tanto mais agora que as cláusulas milionárias parecem também estar comprometidas. Como acontece em qualquer indústria, há produtos que obtêm a chamada certificação de qualidade, a qual obedece a diversos critérios. Ora, também no futebol faria todo o sentido criar a certificação internacional de qualidade para distinguir os clubes que investem na formação daqueles que apenas aproveitam o trabalho formativo feito por outros.
Neste sentido, o Sporting – que até formou Cristiano Ronaldo, que é considerado o mais completo jogador da actualidade – poderia emergir como defensor dos clubes formadores, lançando uma campanha mundial junto da FIFA pela criação de mecanismos legais que possibilitem esta certificação, que também poderia ser justificada pela globalização da economia e pelo imperativo de sobrevivência dos clubes mais pequenos, sem os quais continuará a aumentar o fosso entre os mais pobres e os mais ricos, prejudicando a indústria do futebol.
Se o Sporting Clube de Portugal é uma empresa da indústria futebolística que cria talentos para o futebol (e eles têm de ser criados sob pena de o futebol acabar como indústria lucrativa) e se o Sporting teve de investir em determinada estratégia, construindo uma Academia de Futebol, para ser uma empresa formadora de qualidade, então, a FIFA tem obrigação de defender as empresas que lhe dão a matéria-prima, ou seja, os jogadores, sem os quais não existe a indústria do futebol, concedendo certificações internacionais aos clubes que tenham determinadas condições consideradas essenciais para serem considerados “clubes formadores”.

VANTAGENS DA CERTIFICAÇÃO

O que é que o Sporting Clube de Portugal ou outros clubes formadores ganhariam com isso? É muito simples: um jogador que fizesse a sua formação num clube certificado internacionalmente como formador não poderia ser transferido antes dos 23 anos de idade, a não ser por acordo mútuo, mediante determinadas contrapartidas, nomeadamente cláusulas de rescisão mais altas, aumentando o peso negocial dos pequenos clubes, dando efeitos práticos às cláusulas de rescisão. Uma protecção deste género seria uma forma de compensar os clubes vocacionados para a formação, pois não só teriam a possibilidade de obter rendimento desportivo dos seus talentos na equipa principal durante, pelo menos, cinco anos, como afastaria dos clubes e dos jogadores as tentações inflacionistas dos empresários, assim como permitiria um amadurecimento programado e coerente de cada jogador formado. Por outro lado, ao serem compensados devidamente pela venda de jovens talentos, os clubes formadores teriam meios financeiros para ir ao mercado.

"Apito Encarnado" empurra Benfica

O árbitro Augusto Duarte evitou a queda de Camacho no Benfica

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) nomeou Augusto Duarte para o jogo Benfica-Paços de Ferreira e o árbitro de Braga não se fez rogado. Munido de uma espécie de "apito encarnado", impediu que o Paços de Ferreira traduzisse em mais golos o seu domínio de jogo inicial e mandou marcar duas grandes penalidades inexistentes (na primeira, a mais importante, nomeadamente por ter sido aos 40' e ter dado o empate a um golo, Rodríguez chuta o relvado e cai sozinho, e, na segunda, Makukula e Tiago Valente agarram-se mutuamente), que proporcionaram ao Benfica a reviravolta no marcador. Depois, a jogar contra dez, o Benfica encontrou espaço suficiente para chegar ao 4-1 final e continuar na Taça de Portugal, enquanto o seu treinador, José António Camacho, viu os seus pulmões revigorados com mais um balão de oxigénio. Resta acrescentar que Augusto Duarte, que há anos não entrava no Estádio da Luz, é o mesmo árbitro que, nesta segunda-feira, deverá começar a ser julgado no âmbito do processo "Apito Dourado", no qual é acusado de corrupção, sendo público que terá recebido dinheiro de gente ligada ao FC Porto. Uma nomeação escandalosa, provando claramente que a FPF continua a brincar ao futebol.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Os serviços mínimos leoninos

Depois de um longo jejum de golos, Liedson voltou a decidir

O Sporting bateu o Marítimo por 2-1, em Alvalade, e cumpriu o objectivo de se apurar para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Isso é o que fica para a história, mas não deixa de ser verdade que o jogo leonino continua sem convencer, até os menos exigentes. O que indica também que os “sermões” que Paulo Bento e Filipe Soares Franco dirigiram aos jogadores, durante a semana, entraram por um ouvido e saíram pelo outro. A única diferença é que a equipa leonina, desta vez, fez o contrário de outros jogos: foi melhor na primeira parte, período em que se fez o resultado final, do que na segunda. Tremendamente eficaz, o Sporting fez os dois golos nas duas ocasiões de que dispôs no primeiro tempo. Ainda cedeu o empate, tremeu bastante, mas conseguiu reagir e recolocar-se em vantagem.
Creio que Paulo Bento, parafraseando José Maria Pedroto, disse há tempos que, quem quiser ver espectáculo deverá ir à ópera e não ao futebol. Não é bem assim. Os sportinguistas e os adeptos de futebol gostam de bons espectáculos nos relvados. E cada um gosta, em primeiro lugar, de um bom espectáculo da sua equipa, revelador da qualidade e da solidez do seu futebol. A verdade, porém, é que o povo leonino tem seguido o “conselho” de Paulo Bento e não tem ido a Alvalade. Esta noite, estiveram no estádio menos de dez mil pessoas, talvez a mais baixa assistência de sempre em jogos entre equipas da I Liga. Um dado para reflectir.
Antes de mais, isso resulta justamente da pobreza franciscana que é o futebol leonino desta temporada. A equipa do Sporting, a jogar em Alvalade, contra o Marítimo, não pode estar dez ou quinze minutos que sejam sem fazer um remate à baliza contrária. Pois bem, neste jogo, o Sporting esteve os 45 minutos da segunda parte sem chutar à baliza do Marítimo e sem criar uma oportunidade para marcar, conseguindo apenas dois remates com selo de golo, por Moutinho e Romagnoli, só no período de descontos. Ou seja, um remate por cada 22,5 minutos de jogo. Fraco rendimento.
Uma palavra sobre as estreias de Grimi e Tiuí como titulares. O defesa-esquerdo argentino confirmou que é melhor a atacar do que a defender. Mas é, de longe, a melhor opção do plantel para o lugar. Esteve no golo do Marítimo, aparecendo fora do seu lugar no caminho de uma bola que o seu corpo desviou para o poste, surgindo um maritimista (na zona que deveria ser de Grimi…) liberto de marcação para a recarga fatal, sem hipótese para Rui Patrício. Foi mais um daqueles momentos de desconcentração colectiva que costumam resultar em golo sofrido. Mas Grimi também esteve no segundo golo leonino, ao executar um cruzamento primoroso para um bom cabeceamento de Liedson. Quanto a Tiuí, revelou-se o contrário de Grimi: melhor nas missões defensivas do que nas ofensivas. Dois jogadores a rever.
Entretanto, Paulo Bento alterou o meio-campo, fazendo entrar Adrien Silva e Celsinho em detrimento de Miguel Veloso e Romagnoli, que ficaram no banco. O primeiro lesionou-se ainda na primeira parte e o segundo não deu sequência aos bons sinais revelados em jogos anteriores.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O "streap-tease" leonino

A palestra de Paulo Bento no balneário leonino não foi mais do que um apelo desesperado à superação dos jogadores do Sporting nos próximos desafios, que são decisivos para salvar o que resta da temporada. Não sabemos se Paulo Bento já descobriu por que é que a equipa dá 45 minutos de avanço aos adversários, nem sabemos se já encontrou solução para o problema. Aparentemente não, porque os jornais não contam nada sobre isso. O que sabemos é que não há encontro íntimo entre o presidente e os jogadores ou entre o treinador e os jogadores que não apareça escarrapachado nos jornais no dia seguinte. O que, aliás, já foi lamentado por Liedson. Quando o centro de trabalho era no movimentado Estádio de José Alvalade, ainda se compreendia. Na reservada Academia de Alcochete não se entende. O Sporting precisa de acabar com este "streap-tease" permanente.

Obs. - Ontem, no balneário, Paulo Bento falou 50 minutos com os jogadores. Hoje, foi lá Filipe Soares Franco falar mais 30 minutos. Estas conversas não deveriam ficar no interior do grupo de trabalho? Se os jornalistas até sabem o tempo que dura cada sermão, quem é que lhes dá a informação?

RECORTES LEONINOS

OS FANTASMAS
Os partidos políticos e os clubes de futebol não acertam o passo em relação às estratégias de comunicação. Pululam por aí as agências que se propõem minimizar os efeitos da aleatoriedade e da desorganização. Nos partidos, como nos clubes, pretende-se que haja disciplina no âmbito da dialéctica, mesmo que isso condicione o livre pensamento. Felizmente, e sem fazer, como é óbvio, a apologia da desordem ou do caos, há cada vez mais independentes, que são, afinal, filhos de um desalinhamento ideológico muito difícil de sustentar. O Mundo não se pode ver a preto e branco – e é da troca e mesmo do confronto de ideias que nascem as soluções. Se, na política, são os “outsiders” a oferecer os melhores tópicos de discussão, no futebol não há tolerância para dois pontos de vista diferentes.
Os responsáveis do Sporting estão a subestimar a forma como não conseguem passar a mensagem para o exterior. Se explicassem melhor aos seus adeptos, associados e accionistas a génese da estratégia que preconizam – encarando a verdade –, talvez o ruído fosse menor. Essa pode ser uma responsabilidade imputável ao presidente Soares Franco, que tem permitido todo o tipo de excessos à autodenominada Direcção-Geral de Comunicação do Sporting, espécie de ASAE da Informação, através de métodos que não dignificam a história e a grandeza do clube de Alvalade.
Pensam os inefáveis “directores de comunicação dos clubes” que a sua função é controlar a Informação e a Opinião. Quando a controlam, isto é, quando condicionam as perguntas, trabalham e publicam as posições oficiais e quando conseguem calar aqueles que, nas redacções, lutam desesperadamente pela sua dignidade profissional, acham-se os maiores. Quando perdem o controlo, arvoram-se em arautos da moral e peroram sobre conceitos como isenção, deontologia e bom/mau jornalismo, como se eles tivessem dimensão para ensinar alguma coisa. No meio de certa indecisão, talvez fosse bom começar por afastar os fantasmas.
Autor: Rui Santos, "Record", 08-02-2008

CORREIO LEONINO

O ESSENCIAL DE UM PROJECTO
CHAMADO ROQUETTE (*)


1. Num País onde a memória é geralmente curta, vale a pena recordar um pouco a lógica que levou o Sporting a endividar-se brutalmente para a construção do novo estádio: o equipamento anterior (que não velho, assinale-se) não possuía valências que lhe permitissem gerar receitas para o Clube.
Era um “elefante branco”, dizia-se, que só tinha movimento de 15 em 15 dias. O novo complexo permitiria, através de várias estruturas comerciais, outro nível de receitas que poderiam sustentar outro tipo de investimento nas áreas desportivas (…). O advento do Euro e a miragem de participações públicas várias – directas e indirectas – fechou o círculo virtuoso das boas razões.
Resultado: venderam-se os terrenos que o Clube tinha na zona do antigo estádio e o património do Sporting passou a ser, em exclusivo, o estádio e os edifícios circundantes que compõem a sua estrutura (tirando o centro de estágio, que merecerá outro parágrafo). É pois com grande espanto que se assiste agora ao anúncio do novo objectivo da actual direcção do clube: vender tudo o que não é estádio e centro de estágio. Estaremos a falar, portanto, do edifício sede, da estrutura Alvaláxia e do ‘health club’.
Tudo aquilo, portanto, que era suposto gerar novas receitas capazes de colocar o Sporting a ombrear com os grandes clubes europeus. Pretexto: o serviço da dívida bancária está a estrangular o clube. Resultado: o Sporting voltará ao que tinha antes – um estádio que produz rendimento de 15 em 15 dias, com a agravante de já não ter os valiosos terrenos contíguos à zona do estádio e de manter, mesmo após essas pretendidas vendas, um passivo monstruoso.
O que falhou? O “11 de Setembro”, como defende caricatamente o nóvel presidente, ou afinal tudo não passou de um conjunto de operações imobiliárias: venderam-se os terrenos e construiu-se o estádio, uma magnífica e apelativa empreitada de mais de 100 milhões de euros, cuja gestão os drs. José Roquete e Dias da Cunha entregaram nas experientes mãos do dr. Godinho Lopes.
Curiosamente, feito o serviço, o dr. Godinho Lopes desapareceu miraculosamente do circuito e neste momento não é visível em nada: orgãos sociais, administrações de empresas do grupo Sporting ou, sequer, na concorrida comissão do centenário.

2. Mas o chamado projecto Roquette também trouxe coisas boas. Por um lado, a academia, numa aposta na continuação do Sporting como grande clube formador do futebol português e uma das referências de formação na Europa. A única coisa que nunca se chegou a perceber foi a razão pela qual o terreno onde a academia foi construída teve de ser adquirido pelo Clube, quando era público que existiam na altura pelo menos duas autarquias (Torres Vedras e Loures) que disponibilizavam gratuitamente terrenos para esse efeito. E os bons jogadores que a formação continua a produzir, na esteira dos Futres e Figos do passado, renderam nos últimos anos muitas dezenas de milhões de euros aos cofres do clube, mas que infelizmente foram alegremente dissipados no enorme défice de exploração do Grupo Sporting.
Outro aspecto positivo foi o modelo de SAD que foi implementado, onde o clube detém uma maioria confortável. Ora, segundo o actual presidente – e pelos vistos candidato contra a sua própria palavra – o objectivo agora é reduzir a participação do clube na SAD de modo a permitir a captação de investidores. Segundo as suas declarações, a participação do clube deveria ser reduzida a 51% “numa primeira fase”. O que quer dizer, obviamente, que numa segunda fase passaria a minoritário.
Preto no branco, tal significa que o Sporting – ou seja, os sócios – deixarão de mandar no futebol do clube. Isto a troco de tornar o clube mais atractivo para potenciais investidores. E quem serão esses investidores que irão mandar no futebol do clube?
Naturalmente que, numa primeira fase, gente escolhida pela direcção do clube; mas, depois, esses, um dia venderão a quem lhes pagar mais e daí em diante tudo pode acontecer. Até uma falência, se surgir um novo episódio Jorge Gonçalves, por exemplo. Olhe-se para o Estoril, onde uma dupla aparentemente credível – Manuel Damásio/José Veiga – deu no que deu.

3. Se é verdade que o Sporting precisa de empresários e, em geral, de pessoas com capacidade e valor, não é menos verdade que isso só por si não chega. Fazem falta desportistas, no sentido literal da palavra, de pessoas que gostem e se dediquem ao desporto e que encarem uma experiência na direcção de um clube como um acto de sacerdócio por uma causa bonita e que vale a pena.

Pedro Valido, advogado; texto publicado no blog Ofensiva 1906, em Fevereiro de 2006, agora enviado ao LEÃO DA ESTRELA, tendo em conta “a conjuntura actual do Sporting Clube de Portugal” e a actualidade e pertinência do que então foi exposto
(*) - Título da responsabilidade do LEÃO DA ESTRELA

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O fantasma da perseguição

O Gabinete de Comunicação do Sporting, dirigido por Miguel Salema Garção, deu mais uma prova de que percebe muito pouco de como é que funcionam os jornais e os jornalistas. Incomodado com a manchete do jornal “A Bola” de ontem, sobre a crise no Sporting, Salema Garção reagiu redigindo um comunicado em que acusa “o comportamento do jornal”, e adianta que a Sporting, SAD se considera “legitimada a tomar as medidas que julgue convenientes à defesa dos seus interesses”. É caso para dizer que a jurista da SAD Rita Figueira não tem mãos a medir com tanto trabalho…
Cá para nós, o trabalho dito jornalístico, assinado por Eduardo Marques e Nuno Raposo, merecia ter sido ignorado. Porque não acrescenta quase nada de novo. A única novidade, em três páginas da “Radiografia de uma época de sobressaltos”, vem lá no meio, em letras miudinhas, e diz respeito a um alegado “sururu” entre Anderson Polga e Romagnoli, no intervalo do Manchester-Sporting, que terá surpreendido os ingleses... Tudo o resto é requentado e não acrescenta nada ao que toda a gente já sabe. Mas Salema Garção deu muita importância ao assunto, classificando o alegado trabalho jornalístico como inserido nas “campanhas orquestradas e com objectivos de desestabilização e divisão interna perfeitamente claros e identificáveis”, sob o alto patrocínio do jornal “A Bola”. O mesmo jornal, curiosamente, que, ainda há poucos meses, juntou Filipe Soares Franco e Luís Filipe Vieira para um brinde ao “fair play” regado com vinho tinto. Enfim…
De resto, este trabalho de “A Bola” sobre o Sporting até foi escrito num registo minimamente sério e cuidado, talvez para não ferir susceptibilidades... Só lhe faltou informação nova dos bastidores, como prometia a primeira página. Foi, portanto, um trabalho que ficou aquém das expectativas e dos pergaminhos de "A Bola". Por outro lado, o director, os editores e os jornalistas da Travessa da Queimada revelaram que são pouco competentes e facciosos, porque, se o Sporting está em crise, o Benfica não está nada melhor, sobretudo numa temporada em que gastou milhões e milhões em contratações.
Na última jornada da I Liga, o Sporting registou a quarta derrota na prova, mas o Benfica não ficou atrás, consentindo o quarto empate em casa, a acrescentar a mais três empates na condição de visitante. E está fora da Taça da Liga há muito tempo, enquanto o Sporting está na final, apesar da crise. Porém, jamais vimos nas páginas de “A Bola” um levantamento isento da crise do Benfica. Isso sim, teria sentido denunciar. Agora fazer queixinhas e agitar o fantasma da perseguição não leva a lado nenhum.

Uma solução para o "caso" Yordanov

Em vez de ocupar o tempo a preparar o recurso da decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa sobre o "caso" Yordanov, o Sporting deveria trabalhar na resolução deste imbróglio no mais curto espaço de tempo. É evidente que, nesta altura, um jogo de homenagem como evento principal seria um fiasco, mais a mais quando o jogador Yordanov já não joga há mais de cinco anos, não dizendo nada ou dizendo muito pouco a grande parte do público mais jovem. A falta do factor proximidade retira também muita da emoção que a homenagem teria se tivesse sido promovida na altura própria.
Tendo em conta as circunstâncias críticas que afectam o futebol do Sporting, a homenagem nas condições definidas pelo tribunal até poderia tornar-se numa peixeirada pública contra a actual direcção leonina, expondo o clube a mais um episódio ridículo.
Como resolver, então, este caso? O LEÃO DA ESTRELA dá uma ideia a Filipe Soares Franco: organize um Sporting-Benfica entre jogadores que representaram os dois clubes nos anos oitenta e noventa, ou seja, atletas da geração de Yordanov, a ser disputado duas horas antes do próximo Sporting-Benfica para a I Liga. Para treinador leonino, convide José Mourinho (que trabalhou no Sporting no tempo de Yordanov e cuja presença em Alvalade seria factor de interesse acrescido) e, pelo Benfica, proponha ao seu amigo Luís Filipe Vieira a escolha do velho "capitão" Mário Wilson (também ele um antigo jogador do Sporting!...). Se houver mesmo "fair play" entre os dois clubes não será difícil organizar o encontro. Finalmente, no intervalo de 15 minutos entre o jogo das "velhas guardas" e o jogo da I Liga, chame o Yordanov ao centro do relvado para que todos lhe prestem a homenagem merecida. E esqueça a receita. Quem paga 500 mil euros de indemnização a um ex-funcionário do clube que agora o critica na praça pública não se deve preocupar com essas ninharias.

SPORTINGUISTAS Artur Agostinho

Nascido em 25 de Dezembro de 1920, Artur Agostinho é um dos sportinguistas mais antigos do País. Regista uma longevidade activa impressionante, sendo comparável à do cineasta Manoel Oliveira, que, apesar de celebrar 100 anos no próximo dia 12 de Dezembro, também continua a trabalhar e afirma ter projectos para os próximos anos. Ainda há pouco tempo, Artur Agostinho trabalhava numa novela da TVI e era director do jornal “Sporting”. Escreve uma crónica no jornal “Record”. E tem atrás de si um passado multifacetado, embora os mais velhos o recordem mais como homem da rádio e da televisão. Por vezes, vemos Artur Agostinho bem mais novo, naquelas imagens muito antigas, ainda a preto e branco, como repórter desportivo da RTP, acompanhando a brilhante campanha portuguesa no Mundial de Inglaterra, em 1966. Jornalista, radialista, apresentador de televisão e actor de teatro, cinema e telenovelas. Eis, em resumo, as suas actividades. Como actor de cinema participou em nove filmes, tendo um deles sido “O Leão da Estrela” – título inspirador deste blog. "O Leão da Estrela" é um clássico de 1947 - uma época dourada do cinema português e do Sporting Clube de Portugal, com os seus "Cinco Violinos" -, que conta a história de Anastácio da Silva, um sportinguista ferrenho, que vai ao Porto assistir à Final da Taça, levando consigo a mulher e as duas filhas. Ficam hospedados em casa da riquíssima família Barata, que acredita que os seus convidados também têm distintas origens. A situação complica-se quando Eduardo Barata, o filho do casal, se apaixona por Jujú, filha de Anastácio, e os dois decidem casar-se. A cerimónia é em Lisboa e o pai da noiva tem que manter as aparências a todo o custo. Ah! O Sporting ganhou a Taça!...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A ausência do Sporting

A selecção de Portugal preparou-se para o próximo Europeu e, a avaliar pelo resultado (derrota por 1-3), deve ter aprendido alguma coisa com a grande Itália. Mas ao olhar para a selecção de Luiz Filipe Scolari, um sportinguista tem de ficar incomodado ao ver muitas das estrelas portuguesas em campo. Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Nani, Marco Caneira... São apenas quatro jogadores de grande qualidade, que frequentaram os escalões de formação do Sporting, mas que não têm hoje qualquer ligação ao clube. O incómodo sente-se quando surge a pergunta: será que o Sporting ganhou com esses grandes jogadores o que deveria ter ganho, em termos desportivos e financeiros? E o desconforto aumenta quando olhamos para dentro do campo e o único representante de Alvalade na selecção principal é o terceiro guarda-redes... É só uma consequência da internacionalização barata e sem critério do plantel do Sporting, que é uma das causas da crise por que passa o futebol leonino. FOTO: Luca Bruno (Associated Press)

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 06-02-2008

Yordanov e a derrota de Soares Franco

Mais do que uma vitória do antigo “capitão” leonino Yordanov, a decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa de obrigar o Sporting a organizar um jogo de homenagem ao ex-atleta búlgaro é uma pesada derrota de Filipe Soares Franco e da Sporting SAD.
A notícia não mereceu chamadas à primeira página da imprensa desportiva, mas é muito mais importante do que o que parece. A condenação do Sporting neste diferendo não é uma mera questão laboral. Pela força das circunstâncias, que resultam da enorme crise em que o futebol do Sporting está mergulhado, estamos perante uma vitória da “cultura sportinguista” – corporizada por Yordanov, que é um símbolo da garra leonina dos anos noventa e também deste século, e pelas suas testemunhas, nomeadamente Ricardo Sá Pinto e Oceano Cruz, outros ex-capitães da equipa afastados do clube –, sobre uma cultura tecnocrata que hoje vigora na gestão do clube e da SAD, que, ao contrário do que seria de esperar há dez anos, tem sido responsável pelo empobrecimento patrimonial, financeiro e competitivo do Sporting. O estilo tecnocrata, contabilístico e desprovido de humanismo e de memória desportiva que conduziu a esta trapalhada com um ex-jogador do Sporting é também um sinal claro desse empobrecimento.
É neste contexto que a decisão do Tribunal de Trabalho de Lisboa assume contornos algo preocupantes para a gestão de Filipe Soares Franco e para o seu projecto. Estamos perante uma decisão judicial de foro laboral que terá consequências políticas no Sporting. Basta que um eventual candidato à presidência do clube, nas eleições do próximo ano, saiba interpretar o que está em causa. Por isso, o jogo de homenagem a Yordanov tem tudo para ser um evento muito interessante... FOTO: "Record"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

As artes de Rui Jordão

O antigo internacional português Rui Jordão, quinto maior goleador de sempre da história do Sporting, com 187 golos marcados, mudou de vida desde que abandonou o futebol. No último sábado, Jordão, que é natural de Angola, onde nasceu em 09-08-1952, foi capa do suplemento "DN Gente", do "Diário de Notícias", que nos mostrou a faceta de pintor do antigo futebolista leonino - que, em 1989, terminou a sua carreira no Vitória de Setúbal, depois de ter sido mal dispensado pelo Sporting, cuja camisola vestiu durante nove temporadas. Revelado ao serviço do Benfica, a partir de 1970, e depois de uma aventura de um ano no futebol espanhol, Jordão foi uma das apostas da presidência de João Rocha, na segunda metade dos anos setenta, entrando em Alvalade para fazer com Manuel Fernandes uma das duplas mais temíveis da história do futebol português. A presença no Europeu de França, em 1984, foi o seu grande momento internacional, tendo os seus golos proporcionado emoções muito fortes naquela mítica meia-final entre Portugal e França, que seria decidida por Michele Platini nos minutos finais de um prolongamento dramático.
Hoje, Rui Jordão está afastado do futebol. Aliás, detesta que lhe falem de futebol. E também evita jornalistas. Tornou-se pintor, manifestando "uma apetência pelas artes" que confessa ter existido desde que se conhece. Fez o curso de Pintura e Desenho na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa e frequentou o curso de Modelagem, ministrado pelo escultor Sebastião Quintino, e o atelier livre do pintor Jaime Silva. Actualmente, as suas artes plásticas estão expostas no Museu do Vinho da Bairrada, na Anadia, até 9 de Março.
Enquanto futebolista, Jordão era um avançado felino e elegante. Driblava, assistia e finalizava. Ele e Manuel Fernandes completavam-se. Comemorava os golos a correr sem sair do lugar, elevando o braço com o dedo indicador bem levantado. O antigo treinador Fernando Mendes, campeão pelo Sporting em 1980, considera que Jordão “é um jogador de sempre”.
No Saragoça, não foi feliz, por más relações com o argentino Arrua, então vedeta da equipa espanhola. Voltaria à glória no Sporting, onde só não foi mais vezes o melhor marcador devido a três lesões gravíssimas: rotura de ligamentos no joelho e duas pernas partidas. Acabou a jogar pelo V. Setúbal, ao serviço do qual ainda voltou à Selecção, tornando-se no segundo jogador português com a mais longa carreira de quinas ao peito (16 anos entre a primeira e a última de 43 internacionalizações). Ao todo, ganhou seis campeonatos nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça, marcando um total de 215 golos na I Divisão e 15 na Selecção, pela qual foi terceiro classificado no Europeu de 1984.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pistas para os mistérios do Sporting

Dias depois de ter dito que os graves problemas do futebol do Sporting não se resolvem de um dia para o outro, muito menos com uma simples vitória sobre o campeão nacional, Paulo Bento, numa clara confissão de impotência face ao que se passa no balneário, revela agora que não sabe por que é que a equipa não demonstra a mesma intensidade competitiva ao longo de todo o jogo. O que há de misterioso neste Sporting que até o treinador desconhece?...
O blog LEÃO DA ESTRELA considera que é da discussão civilizada que nasce a luz. Por isso, tem procurado defender o Sporting Clube de Portugal expondo, analisando e discutindo abertamente os problemas mais visíveis da gestão do futebol profissional. Uns aplaudem ou incentivam, outros criticam ou insultam. Normalíssimo. Como também é normal haver sportinguistas que se indignam com a quarta derrota na I Liga, no Restelo, enquanto outros, resignados, consideram que não é possível fazer mais, nem é possível fazer melhor, porque há uma dívida enorme a pagar aos bancos.
No início da segunda volta da I Liga, chega a ser deprimente ouvir Paulo Bento dizer que continua a lutar pelo segundo lugar, isto no dia em que o Sporting caiu do terceiro para o quarto lugar. Um discurso na linha do exercício de masoquismo do administrador para o futebol, Miguel Ribeiro Teles, chefe máximo da desgraça leonina, para quem, “o segundo lugar claro que é motivante”. Na senda da falta de exigência e da desresponsabilização que reinam em Alvalade, Ribeiro Teles adensa o mistério: “Temos de aceitar todas as críticas e acreditar que a nossa estratégia está correcta.” Se a estratégia está correcta, por que é que os responsáveis pelo futebol leonino têm de aceitar todas as críticas? E por que é que o futebol do Sporting está como está?...
Segundo informações que chegam ao LEÃO DA ESTRELA, e porque já se fala em "desunião no balneário", é possível que algumas respostas tenham de ser dadas pelos próprios responsáveis. Nesse sentido, ficam aqui algumas pistas.

1. Seria importante avaliar o que mudou em Paulo Bento no modo como se relaciona com os jogadores, entre o tempo em que trabalhou como treinador da equipa de juniores e a actualidade, e quais os reflexos dessa mudança na motivação dos jogadores, em particular nos jovens formados no Sporting.

2. Seria importante saber o que é que Pedro Barbosa faz no futebol do Sporting e quais são os seus métodos de trabalho. É verdade que Pedro Barbosa não fala directamente com os jogadores, fazendo-o apenas através de funcionários subalternos? Será por isso que só vemos Pedro Barbosa ao lado dos administradores, quando eles vão “espreitar” o treino, e nunca próximo dos jogadores a não ser no banco dos suplentes?

3. Seria importante saber qual é o papel e a influência de Eurico Gomes junto do plantel do Sporting. É verdade que Eurico Gomes – aquele funcionário que, uma vez, no aeroporto de Lisboa, se enganou ao abordar um jogador do Benfica, pensando estar a falar com um novo reforço do Sporting… – não é respeitado pelos jogadores, por não lhe reconhecerem aptidões para as funções que desempenha?

4. Será que os jogadores estrangeiros que chegam ao Sporting são devidamente ajudados pela estrutura do futebol na resolução dos seus problemas pessoais, nomeadamente de ordem burocrática, facilitando assim a sua integração?...

Talvez a resposta a estas perguntas ajude a explicar o fracasso do futebol do Sporting na época em curso. Talvez… FOTO: Nacho Doce (Reuters)

Obs. – O LEÃO DA ESTRELA estimula o debate, aceita e agradece opiniões, correcções e sugestões.

SPORTING NO MUNDO Paris

Conheça o Sporting Club de Paris, filial nº 143 do Sporting Clube de Portugal, em Paris, e um dos veículos de promoção do clube leonino na capital francesa. É pena que estes grupos de sportinguistas espalhados pelo mundo, que deveriam funcionar como autênticas embaixadas internacionais da marca "Sporting", estejam tão distantes de Alvalade... Ou melhor, que o Sporting esteja tão distante desses sportinguistas espalhados pelo mundo...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O regresso à normalidade...

Depois da extraordinária vitória leonina sobre o FC Porto, esta jornada marca o regresso à normalidade na I Liga Portuguesa: o Sporting perdeu (1-0) com o Belenenses, no Restelo, o Benfica empatou (0-0) na Luz, com o Nacional da Madeira e o FC Porto retomou o caminho de mais um título, goleando a União de Leiria por 4-0.
O Sporting voltou a revelar os problemas de sempre frente a um Belenenses bem organizado. Na primeira parte, vimos a falta de agressividade e a falta de concentração que têm sido imagens de marca da equipa leonina, face a um Belenenses seguro e rigoroso. No segundo tempo, o Sporting não deixou o Belenenses sair para o ataque como antes, mas também foi incapaz de dar a volta ao jogo. Paulo Bento ainda lançou o novo avançado brasileiro Rodrigo Tiuí, mas bastou ver a rapaz a tocar na bola para percebermos por que é que tinha sido dispensado pelo Fluminense há dois meses. Depois, o treinador leonino ainda chamou Bruno Pereirinha, que foi para o lugar do "titular" Abel (onde é que estava o lateral-direito no momento do golo do Belenenses, numa jogada que nasceu numa falha de marcação de Gladstone na zona de meio-campo?). Pereirinha que tinha sido um dos melhores no último Sporting-Porto. Por que é que Paulo Bento “premiou” essa excelente exibição de Pereirinha com o regresso do jogador ao banco dos suplentes? Será com surpresas destas que um jogador jovem ganha espaço na equipa? Será que há jogadores com lugar cativo no “onze” principal? Abel estava com ritmo necessário para este jogo?...
No final, Paulo Bento fez, como sempre, a sua leitura do jogo. Mas não precisaria de ter ido falar aos jornalistas. Bastaria mandar-lhes uma cassete com as declarações que prestou depois da última derrota ou do último empate. Se o treinador repete pela enésima vez que os jogadores revelaram “falta de agressividade”, então estamos perante um caso de divórcio entre o treinador e a equipa, sobre o qual a administração da SAD do Sporting já deveria ter tomado decisões. O mais curioso é que o treinador assume a responsabilidade pelas asneiras da equipa. Ora, se Paulo Bento é responsável, por que é que insiste em continuar como treinador do Sporting, transformando o discurso da responsabilidade pelo que está a acontecer num “blá-blá-bla” inconsequente e prejudicando a sua imagem de homem sério, frontal e rigoroso? Que prazer é que Paulo Bento tem hoje no seu trabalho? Será que vai aguentar o calvário até ao fim?...
A questão é muito séria: os “cacos” da equipa de futebol do Sporting estão outra vez espalhados pelo chão. Nem o empate do Benfica deu motivação suplementar a um conjunto de jogadores que não conseguem formar uma equipa. FOTO: Hugo Correia (Reuters)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O desabafo de Paulo Bento

Ao manifestar-se farto dos assobios dos adeptos do Sporting e ao ter dito, nos últimos tempos, que estaria mais perto de sair do que de continuar, Paulo Bento obrigou o presidente Filipe Soares Franco a vir em sua defesa. Num clube cuja estrutura directiva tem dificuldade em proteger publicamente os seus subordinados, o desabafo do treinador era previsível. Bastaria olhar para o seu semblante carregado dos últimos tempos - só aliviado pela vitória sobre o FC Porto. Tal como o LEÃO DA ESTRELA escreveu após o Sporting-Penafiel, o treinador leonino imitou Ricardo Quaresma, que também se manifestara cansado dos assobios dos adeptos do FC Porto. Neste caso, Pinto da Costa, mais interessado em valorizar o "activo", renovou-lhe o contrato. Ora, no Sporting, Filipe Soares Franco também foi forçado a fazer alguma coisa, tendo optado por um gesto de bom senso. Porque os problemas leoninos não se resolvem com a mudança deste por aquele, Franco teve a coragem de anunciar que Paulo Bento será o "seu" Alex Fergunson até ao fim do mandato, ou seja, até 2009. No imediato, é bom para clarificar as águas e, sobretudo, proporcionar ao treinador a necessária estabilidade no seu trabalho. E também para acabar com as perguntas inevitáveis dos jornalistas sobre o futuro de Paulo Bento. Mas para que isso se concretize, o Sporting - cujos sócios e adeptos estão fartos de esperar pelos títulos prometidos pelo falido Projecto Roquette, que já fogem há seis anos - terá de conseguir, pelo menos, o segundo lugar na Liga e terá de ganhar a Taça da Liga e a Taça de Portugal. Caso contrário, dificilmente Paulo Bento terá condições para continuar em Alvalade no próximo ano. FOTO: Gonçalo Borges Dias

CORREIO LEONINO

ASSOBIOS PARA OS ASSOBIADORES
A moda parece que pegou. A exigência dos adeptos parece não ter medida. Todos nós queremos ver bons jogos em Alvalade. Todos nós queremos que o nosso querido Sporting Clube de Portugal ganhe tudo. A propósito, eu a nunca vi o Sporting perder, às vezes não ganha...
Mas talvez a nossa memória seja curta e para não irmos mais longe recordo as assobiadelas atiradas por tudo e por nada ao Nani. E ao Yannick? Lembram-se?
No jogo para a Taça da Liga (que efectivamente não foi um bom jogo) a falta de senso chegou ao ponto de se gritar contra "o lampião do Paulo Bento"! Isto não é contado, ouvi eu vários desequilibrados a gritar "vai-te embora Paulo Bento, vai-te embora ò lampião!". Acho que anda tudo a ouvir vozes do além.
Quando é que iremos atingir a classe dos adeptos ingleses que, mesmo quando as suas equipas estão a perder, continuam a entoar cânticos de estímulo aos jogadores? E já agora, por falar em memória, quem se lembra dos assobios ao Acosta? Por favor tenham tino! Viva o Sporting! Saudações Leoninas... e vamos todos a Belém puxar pelo nosso Sporting.
Jorge Lemos Peixoto, Lisboa (enviado por e-mail)

A nota de crédito de Leandro Grimi

Em 1998-99, o defesa-esquerdo argentino Gabriel Heinze, então com 19 anos, reforçava o Sporting. Veio emprestado pelo Valladolid, mas não se impôs em Alvalade, onde já pontificavam os laterais-esquerdos Rui Jorge (acabado de chegar do FC Porto) e Nuno Valente. O lateral-esquerdo argentino voltaria a Espanha seis meses depois, transferindo-se depois para o Paris SG, onde esteve três anos. Seguiu-se o Manchester United (3 anos), estando agora na sua primeira época ao serviço do Real Madrid. Um caminho sempre ascendente do defesa internacional argentino, que actualmente tem 29 anos, estando, por isso, no auge da sua carreira. Lembrei-me de Gabriel Heinze - que em Alvalade encontrou outros compatriotas que se revelaram autênticos fiascos, como Kmet e Bruno Gimenez - por se tratar de um futebolista argentino, lateral-esquerdo, que teve uma oportunidade no Sporting, tal como Leandro Grimi, a segunda e última contratação de Inverno do clube leonino, tem agora. De Grimi, de 22 anos, não há muito para dizer. Mas o que há a dizer é importante. O facto de ter sido descoberto pelo AC Milan na Argentina é uma boa nota de crédito. E se nos lembrarmos de Gabriel Heinze, temos todos os motivos para esperar o melhor do jovem lateral-esquerdo argentino. Difícil será vermos Leandro Grimi ao seu melhor nível no tempo que resta até ao fim da época, dada a temporada atribulada do atleta, pois não jogava em Itália (estava emprestado ao Siena) desde Novembro último e acaba de aterrar em Lisboa. Mas isso é outra questão...
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