terça-feira, 15 de abril de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS O “hat-trick” de Manoel

O brasileiro Manoel marcou três golos a Bento em 1977

De entre os 11 confrontos entre Sporting e Benfica disputados em Alvalade a contar para a Taça de Portugal, há um que ficará para sempre na história do brasileiro Manoel, disputado em 13 de Março de 1977, que resultou na vitória leonina por 3-0, com todos os golos apontados pelo avançado brasileiro, aos 10’ 52’ e 57’. De resto, Manoel continua a ser o único jogador da história do Sporting a ter marcado três golos ao Benfica em jogos da Taça de Portugal. O Sporting era treinado pelo inglês Jimmy Hagan que, nesse jogo, não pôde contar com Manuel Fernandes, nem com Keita. Com os colegas ausentes, Manoel assumiu o papel de estrela da equipa e marcou por três vezes. Nesse ano, porém, o Sporting perdeu o campeonato para o Benfica, de forma inglória, pois chegou a usufruir de uma vantagem de sete pontos no final da primeira volta. E caiu aos pés do FC Porto depois de ter afastado o Benfica da Taça de Portugal. Contra o Benfica, o Sporting alinhou com os seguintes jogadores: Luís Matos; Vítor Gomes, João Laranjeira (Capitão), Amândio Barreiras e Augusto Inácio; Samuel Fraguito, Zezinho (aos 83’, Rui Palhares) e Baltasar; Marinho, Manoel e Freire (aos 83’, Da Costa). FOTO: "Record / Arquivo"

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Público", 13-04-2008

MEMÓRIAS LEONINAS 1977-1978

Em cima: Laranjeira, Inácio, Vítor Gomes, Manaca, Keita e Botelho. Em baixo: Manuel Fernandes, Jordão, Barão, Artur e Fraguito.

Eis a equipa do Sporting que defrontou o Benfica no Estádio da Luz, em 12-02-1978, em jogo da 16ª jornada do Campeonato Nacional da I Divisão, que terminou com uma derrota leonina por 1-0. Foi um dos jogos azarentos de Jordão, que se lesionou gravemente, aos 26’, fracturando uma perna num lance com o defesa-esquerdo benfiquista Alberto. O avançado leonino, que já tinha 15 golos marcados em 15 jogos desse campeonato, só voltaria aos relvados na época seguinte.
Nessa temporada de 1977-1978, exactamente há 30 anos, o Sporting também encontrou o Benfica na Taça de Portugal e seguiu em frente. Em jogo a contar para os quartos-de-final, disputado em 5 de Março de 1978, o Sporting recebeu e venceu o rival da Luz por 3-1, com golos de Manuel Fernandes (2) e Keita. Antes, a equipa leonina, orientada pelo brasileiro Paulo Emílio (nos primeiros meses da temporada) e depois pelo português Rodrigues Dias, derrotara o Sporting de Espinho, o Salgueiros, o União da Coimbra e o FC Famalicão. Nas meias-finais, o Sporting foi à Póvoa de Varzim vencer por 2-1. Na final, a equipa leonina defrontou o FC Porto, que então se sagrara campeão nacional, ao fim de um jejum de 19 anos. Depois de uma final que terminou empatada 1-1, o Sporting derrotaria os portistas – que então ainda não eram conhecidos por “dragões” – na finalíssima, por 2-1, com golos de Vítor Gomes e Manuel Fernandes.

domingo, 13 de abril de 2008

E o segundo lugar está à vista...

Quando diz que o Sporting “não joga sozinho”, Paulo Bento agarra-se a um lugar-comum verdadeiro para procurar esconder debilidades próprias que não conseguirá ou não quererá explicar de outro modo. Em cada jogo, além da equipa do Sporting, há, de facto, uma bola – o elemento mais puro de um jogo de futebol – e onze jogadores da equipa contrária. Teoricamente, são as duas equipas que se defrontam que têm influência directa no resultado final. Digo teoricamente, porque, às vezes, não é assim.
Frente ao Leixões - na ressaca de um fracasso europeu, com o Estádio José Alvalade a registar 30 mil espectadores motivados pela derrota humilhante do Benfica na noite de sexta-feira... -, e mesmo a jogar com demasiada “tranquilidade”, sem pressionar atrás, no meio ou à frente, o Sporting poderia ter chegado ao intervalo a ganhar por 1-0, se o árbitro Duarte Gomes não tivesse anulado um golo limpo e bonito a Liedson (37’). Se dúvidas houvesse, o árbitro provou que o Sporting não estava mesmo a jogar sozinho…
Mas, independentemente do jogo adversário ou da influência de um árbitro, o Sporting não pode ser tão passivo e tem obrigação de fazer tudo o que está ao seu alcance. A equipa leixonense teve muita liberdade para jogar e rematar à baliza de Rui Patrício com bastante frequência. Porque o Sporting deixou, não impondo um ritmo de jogo. E bastaria que os onze jogadores mostrassem em campo a atitude competitiva de Liedson ou João Moutinho para que tudo fosse mais fácil.
Daí que a vitória leonina (2-0) tenha sido mais sofrida do que teoricamente seria de esperar. Os golos vieram quase de rajada, desta vez na marcação de dois pontapés-de-canto, com Ronny a assistir as cabeças de Tonel (52’) e Liedson (59’), confirmando assim uma rápida aproximação leonina ao segundo lugar, que agora é do Vitória de Guimarães, que acumula mais dois pontos. Estranha esta situação de o Sporting depender de um clube vindo da II Divisão para ter acesso ao segundo lugar no campeonato… Ainda assim, em melhor posição do que o Benfica, que gastou mais do triplo na contratação de jogadores oriundos de vários pontos do mundo, sem esquecer os dois treinadores que já despachou...
Registo para a expulsão de Ronny (68'), por acumulação de cartões amarelos. E sobre ela ocorre-me perguntar uma coisa: se Ronny jogasse no Estádio do Dragão e equipasse de azul e branco e fizesse o que fez neste jogo com o Leixões também seria expulso?...
Infelizmente, as diferenças pontuais continuam a ser feitas também pelos árbitros. O Sporting ganhou ao Leixões e não precisou do golo mal anulado. Ao decidirem sobre uma eventual posição irregular de Liedson, o árbitro e o auxiliar devem ter tido dúvidas. Mas optaram por castigar o futebol ofensivo do Sporting e o excelente golo de Liedson. O problema é que o FC Porto, mesmo já campeão, continua a marcar golos duvidosos que não oferecem dúvidas aos árbitros. Golos que dão vitórias, pontos e campeonatos... FOTO: Hugo Correia (Reuters)

RECORTES LEONINOS

SOARES FRANCO ALIVIADO *
(..) O presidente [do Sporting] deve estar aliviado. Podemos concentrar-nos no objectivo principal, que é ser a equipa que perde por menos em relação ao FC Porto. Provavelmente, o segundo lugar até é o que a Direcção prefere: permite a ida à Liga dos Campeões sem ter de pagar os prémios por vitória no campeonato. Ufa!
AUTOR: Zé Diogo Quintela, "A Bola", 12-04-2008
* - Título do LEÃO DA ESTRELA

RECORTES LEONINOS

QUASE, QUASE...
Filipe Soares Franco, à falta de outros imprevistos, fez bem em agradecer a adesão do público sportinguista, mobilizado para uma grande noite europeia que acabou em frustração. Por esse lado – apesar de não ter havido Farnerud... –, não há desculpas.
O medo sempre presente em campo. Risco? Só quando está tudo quase perdido. Paulo Bento apostou na contenção em Glasgow e apostou na contenção, durante o primeiro tempo, em Alvalade. A sedução do controlo. A fúria tranquila e obsessiva do controlo.
Paulo Bento perde o título, perde a Taça da Liga, perde a oportunidade de marcar presença nas meias-finais da Taça UEFA, perde o verniz, mas, de perda em perda, continua a achar que tem muito a ganhar, perante a (sua) verificação óbvia de que o Sporting foi vítima de tudo lhe terem feito para perder. É muita arrogância junta, em Alvalade, para quem faz tão pouco para construir um Sporting ganhador. A culpa não é apenas de Paulo Bento. É dos promotores da falta de ambição. É daqueles que, na engrenagem, não sentem o Sporting. É daqueles que levam o Sporting no sopro do vento. É também da “boa imprensa” que o jovem técnico dos leões possui, a avaliar pelas perguntas de ontem, tão ronceiras, como o futebol praticado pelo conjunto verde-e-branco.
Se Paulo Bento tem tudo o que pretende e a equipa joga à sua imagem e semelhança, não há ninguém em Alvalade para perceber a evidência de que o mesmo plantel e a mesma equipa, não obstante as suas debilidades, poderiam ser rentabilizados de outra forma? Bastaria incutir mais velocidade, mais agressividade competitiva, mais exigência, mais ideias, isto é, outra concepção de futebol.
As “chicotadas” servem, por definição, para promover a mudança. Agora, não é oportuna. O Sporting precisa de mudar a sua concepção futebolística. A dúvida é saber se Soares Franco está interessado nisso (como e quando) e isso passa por uma orientação técnico-táctica menos... tranquila.O bis do “quase Sporting” está a tornar-se mitológico.
AUTOR: Rui Santos, "Record", 11-04-2008
FOTO: Marcos Borga (Reuters)

RECORTES LEONINOS

A APRENDIZAGEM DO SPORTING
O Sporting foi eliminado da Taça UEFA e tornou cada vez mais difícil a transformação desta época num sucesso desportivo. Por muitas voltas que se dê à questão, em Alvalade vão ficando sem argumentos os que agitam o fantasma de Peseiro a cada vez que surge uma ligeira contestação. O antecessor de Paulo Bento falhou sucessivamente o título, a final da Taça UEFA e o segundo lugar, mas o actual técnico já perdeu a final da Taça da Liga, fez pior do que o Sporting de Peseiro na Taça UEFA e até do que o Panathinaikos de Peseiro contra o Glasgow Rangers. E, embora esteja bem colocado, nada garante que chegue à segunda ou mesmo à terceira posição da Liga. Quer isto dizer que Bento deve sair? Claramente, não.
Paulo Bento é, neste momento, o treinador de que o Sporting precisa, assim tanto ele como quem o rodeia tenham aprendido alguma coisa com o que correu mal. Em que áreas se deve então mudar? Nas regras de condução geral e na definição de estratégias. Conforme se percebe do caso Stojkovic, para o treinador do Sporting conta sempre mais a influência de um jogador no balneário, a confiança que nele tem como indivíduo, que o seu rendimento. E só por isso se compreende que Abel, um dos líderes da cabina, um dos homens em quem o treinador confia mais abertamente, continue a jogar em vez de Pereirinha, que desde a vitória sobre o FC Porto está a render muito mais; ou que Yannick marque golos em três jogos seguidos e depois vá para o banco, mesmo que, como se percebeu das palavras de Liedson no final da partida - a alusão a individualismo assentava que nem uma luva em Vukcevic - conte com o apoio do "Levezinho".
O problema do Sporting contra o Rangers não foi o azar. Sucede que não jogaram os que estão melhor e a estratégia e o discurso cautelosos não assentaram bem numa equipa que, como dizem sempre os seus responsáveis, é um projecto de formação - logo, cheia de jovens. Ora só quem não liga nenhuma à natureza humana pode esperar de tantos jovens calculismo e a anulação de emoções em vez de fulgor e espírito de conquista.
AUTOR: António Tadeia, "Diário de Notícias", 12-04-2008
FOTO: Marcos Borga (Reuters)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A profecia de Soares Franco

A Académica de Coimbra, que actualmente é uma espécie de delegação do FC Porto, foi à Luz derrotar o Benfica por 3-0. Há mais de 50 anos que a equipa de Coimbra não vencia no estádio benfiquista. O mais curioso é que esta vitória histórica até poderia ter sido mais expressiva, dadas as diferenças entre o desastre do futebol do Benfica e a eficácia da Académica de Domingos Paciência. Desta vez não houve nenhum árbitro a puxar o Benfica para baixo... Ou seja, o discurso de Luís Filipe Vieira contra a arbitragem, procurando dar-nos a ideia de que o Benfica perdera o campeonato por ter sido escandalosamente espoliado, foi destruído por mais um desaire caseiro, desta vez humilhante.
Quem fica a lucrar é o Sporting, que agora vê, afinal, o segundo lugar, cumprindo a profecia de Filipe Soares Franco, expressa na má noite europeia desta semana, quando manifestou a certeza de que a equipa leonina terminaria a Liga Portuguesa em segundo lugar. A verdade é que, caso vença o Leixões, em Alvalade - mas é preciso vencer o Leixões... -, o Sporting ultrapassa o clube de Luís Filipe Vieira na classificação. Vamos ver como é que a equipa de Paulo Bento reage ao desaire europeu... E como é que o Benfica vai sair desta humilhação, que, recorde-se, será no jogo das meias-finais da Taça de Portugal, precisamente em Alvalade, na próxima quarta-feira. É preciso ter cuidado... FOTO: Paulo Duarte (AP Photo)

Núcleos e filiais: a mudança necessária

Embora não pareça, o Sporting Clube de Portugal tem 246 núcleos, 23 delegações e 186 filiais. É um total de 455 extensões do clube espalhadas pelo País e pelo Mundo. Umas mais activas do que outras e outras eventualmente inactivas ou com uma actividade intermitente. Apesar das mudanças verificadas na gestão do clube na última década, na sequência da criação da sociedade anónima desportiva para a gestão do futebol profissional, a verdade é que, ao nível das suas extensões no País e no Mundo, o Sporting não mudou nada. E, contudo, o mundo mudou e muito. Daí que seja necessário e urgente que o clube faça um balanço à actividade dos seus núcleos, das suas delegações e das suas filiais, em particular quanto ao papel que desempenham na projecção do Sporting Clube de Portugal. E, claro, impõe-se também um balanço sobre aquilo que o Sporting tem feito pelas suas extensões em Portugal e no estrangeiro.
Independentemente disso, é imperioso fazer uma reestruturação nesta área. E uma reestruturação implica mudar. Mudar radicalmente, adequando o clube aos novos tempos. A verdade é que o papel de uma delegação, de um núcleo e de uma filial na promoção do clube e do sportinguismo poderia ser muito maior, designadamente nas cidades mais afastadas de Lisboa ou em grupos de sportinguistas inseridos em comunidades de portugueses nos vários pontos da Europa e do Mundo. E uma extensão do Sporting também deveria ser vista pelo clube como uma oportunidade geradora de receitas, através do "merchandising", do aumento do número de associados, da venda de bilhetes para os jogos, etc..
Uma das hipóteses poderia passar pela conversão das delegações, dos núcleos e das filiais em "Casas do Sporting". Nos casos em que isso fosse possível, evidentemente. A Casa do Sporting seria a única forma de representação do clube numa determinada cidade. O Sporting Clube de Portugal registaria a marca CASA DO SPORTING e criaria uma rede de “franchising” – mediante um conceito comercial uniforme e inovador – para os associados sportinguistas que estivessem interessados em assumir o negócio. Que negócio? Seria um espaço de convívio, um bar, um restaurante, um café-bar, um espaço Internet, onde seria possível assistir aos jogos do Sporting, onde seria possível a inscrição como sócio ou o pagamento da quota anual, onde seria possível comprar a camisola do Liedson ou do João Moutinho, onde seria possível comprar o bilhete para o próximo jogo, onde seria possível receber a visita do presidente do clube ou dos jogadores, enfim, um espaço de sportinguistas e para sportinguistas, que, evidentemente, estaria aberto a todo o público. Muitos destes espaços poderiam, inclusive, ter uma dimensão ainda maior, se estivessem, por exemplo, associados ao negócio das escolinhas de futebol, que poderiam funcionar em todos os distritos do País, incluindo as ilhas dos Açores e da Madeira. O LEÃO DA ESTRELA lança o debate.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Um duche escocês

Um duche escocês com dois jactos de água gelada arrumou com as pretensões do Sporting em ganhar a Taça UEFA, se é que alguma vez elas existiram. Numa análise ao conjunto dos dois jogos com o Glasgow Rangers – 0-0 na Escócia e 0-2 em Lisboa –, torna-se agora evidente que o Sporting caiu nestes quartos-de-final por não ter revelado a necessária ambição de ganhar logo no primeiro jogo, em terreno escocês. Foi aí que a equipa britânica falhou, ao ter sido travada pelo melhor futebol do Sporting, e teria de ser aí que Paulo Bento deveria ter aproveitado para resolver a eliminatória, mostrando a audácia que acabaria por revelar no jogo de Lisboa, mas fora de horas e em desespero.
O jogo de Lisboa começou com a Sporting a realizar uma espécie de prolongamento do jogo de Glasgow. Mas um prolongamento de menor qualidade, dado que agora havia ansiedade, a estranha ansiedade que bloqueia o Sporting nos momentos decisivos, e que já merecia a contratação de um bom psicólogo para a equipa técnica. A necessidade de ganhar pedia um Sporting avassalador desde o primeiro minuto. Pedia os “raids” de Bruno Pereirinha e de Yannick Djaló, mas eles ficaram no banco. A ausência de Anderson Polga talvez reclamasse Miguel Veloso na sua posição, puxando João Moutinho para o centro mais recuado do losango do meio-campo. O terreno pesado e o porte atlético dos escoceses talvez dispensasse Romagnoli e pedisse, em seu lugar, o remate fácil, a força e a disponibilidade de Vukcevic, mesmo longe da melhor forma. Mas Paulo Bento não entendeu assim.
O Sporting foi previsível e não acertou na baliza adversária. A única vez em que acertou, Liedson rematou ao poste. Falar em "falta de sorte" seria um eufemismo. E a equipa só se tornou imprevisível, mas no pior sentido, quando ficou a perder, numa altura em que corria contra o tempo e só faltava meia hora para jogar, com Paulo Bento a tirar defesas e a meter os avançados que tinha (ou não tinha...). Mas estava à vista de todos que não havia nada a fazer, porque o “autocarro” escocês era demasiado grande para um futebol ofensivo tão desgarrado... O Sporting dizia adeus à Europa. E Soares Franco foi ao balneário dar um abraço forte ao treinador. Afinal, o mais importante é o segundo lugar na Liga Portuguesa. Enquanto for possível lá chegar.
FOTOS: Nacho Doce (Reuters)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O futebol português de A a Z...

Para quem estiver interessado em saber muito do que tem sido o futebol português desde finais dos anos setenta, está aqui um belo tratado, de A a Z. E a letra "S" é especialmente dedicada ao Sporting. É um documento elaborado por um benfiquista e não conta as estórias todas. Mesmo assim, merece ser lido.

A substituição de Tello e o passivo do SCP

Em 2006-2007, o lateral-esquerdo Rodrigo Tello, que custava ao Sporting 25 mil euros mensais, era um dos jogadores mais mal pagos do plantel, apesar da sua importância na estratégia da equipa. Era menos de metade do que ganhavam Carlos Bueno ou Carlos Paredes e era praticamente metade do que ganhava Farnerud. Na hora de renovar o contrato, aos 28 anos, o internacional chileno, que era o jogador mais antigo da equipa e fora o jogador mais caro comprado pelo Sporting, em meados da época 2000-2001, pretendia ganhar 50 mil euros por mês. Era legítimo, tendo em conta uma comparação com outros vencimentos e o rendimento dos respectivos beneficiários. Mas o Sporting não aceitou, pois não estava disposto a dar muito mais do que 50 por cento daquilo que o atleta já ganhava. E Rodrigo Tello acabou por parar no Beziktas, da Turquia, onde foi ganhar o triplo.
É bom lembrar este caso numa altura em que muitos sportinguistas se interrogam por que motivo o passivo do clube se mantém em números elevados, que teimam em não descer. Mais a mais porque um passivo resulta de investimentos, mas também de erros de gestão, pequenos e grandes. É igualmente bom recordar este caso quando muitos sportinguistas defendem a realização de uma auditoria às contas do clube. Uma auditoria é importante. Mas talvez o processo da mera substituição de um defesa-esquerdo ajude, de forma mais simples, a explicar por que é que o Sporting gasta muito dinheiro mal gasto.
Rodrigo Tello pretenderia duplicar o ordenado e passar a ganhar 50 mil euros por mês (curiosamente a verba agora pedida por Abel para renovar), o que daria um acréscimo de cerca de 250 mil euros no final da época. Como não foi aceite, o lateral-esquerdo chileno saiu e foi contratado o desconhecido Marian Had, vindo do Lokomotiv de Moscovo, a título de empréstimo, com o resultado que se viu. Não sabemos quanto é que Marian Had custou no tempo em que esteve em Alvalade. Depois veio Grimi, também por empréstimo do AC Milan. E pergunta-se: será Grimi mais barato que Tello no final do mês? Será Grimi assim tão superior a Rodrigo Tello que justifique os 3,5 milhões de euros que o Sporting terá de pagar pela aquisição do seu passe? Como diria o antigo primeiro-ministro António Guterres, “é fazer as contas”...
Mesmo sem fazer as contas, porque não temos todos os dados, e caso seja confirmada a compra da totalidade do passe de Grimi, a verdade é que, para substituir um lateral-esquerdo, o Sporting, em vez de ter investido 250 mil euros anuais com a renovação de um contrato, terá de gastar cerca de cinco milhões de euros, entre ordenados e o passe de um novo jogador. Ou seja, um milhão de contos em moeda antiga. Muito dinheiro, claro. Isto sem falar na instabilidade desportiva que a substituição de Tello, e depois a substituição de Marian Had, e mais tarde a adaptação de Leandro Grimi, causaram na equipa de futebol… E, assim, talvez se perceba por que é que o passivo do Sporting não é abatido... FOTO: www.sporting.pt

MAIS INFORMAÇÃO SOBRE A SAÍDA DE TELLO NO LEÃO DA ESTRELA:

terça-feira, 8 de abril de 2008

Robinhos & Ronaldinhos...

O “Record” de hoje anuncia que o Sporting está a seguir o brasileiro Renatinho (na foto), que é apresentado como um “novo Robinho” – facto que dá para desconfiar, ou não tivesse já o Sporting, no seu plantel, um “novo Ronaldinho Gaúcho”... E para desconfiar basta ler alguma imprensa brasileira, ao referir-se ao jovem jogador, afastado das opções do treinador do Santos, Emerson Leão: “Renatinho foi revelado pelo Santos com o status de “novo Robinho”, porém nunca fez valer as aparências.”
Depois de Rodrigo Tui, Renatinho é mais uma oferta do catálogo do velho empresário Juan Figger, o mesmo que trouxe vários jogadores para o Sporting e algumas trapalhadas no tempo de Jorge Gonçalves, nos idos anos oitenta de má memória.
Independentemente do potencial de Renatinho, a questão é que estamos perante mais um jovem de 20 anos. Ora, jovens de 20 anos ou mais novos e com valor, portugueses ou estrangeiros, não faltam na equipa principal do Sporting e na Academia. Por isso, uma eventual contratação de Renatinho, repito, independentemente do seu valor como futebolista e do seu preço, seria incoerente.
De resto, antes de contratar mais um brasileiro, o Sporting precisa de saber quais são os brasileiros que vão sair no final da temporada. Pedro Silva, Gladstone, Anderson Polga, Ronny, Celsinho, Derlei, Rodrigo Tiuí e Liedson, que representam 30 por cento de um plantel de 26 jogadores, já formam um contingente “canarinho” significativo e com índices de rendimento muito diversos.
O que o Sporting precisa é de encarar cada contratação como um investimento capaz de gerar resultados desportivos que, por sua vez, façam aumentar as receitas. Precisa de contratar menos, ainda que tenha de contratar mais caro. Porque precisa de acrescentar qualidade e experiência à enorme qualidade que sai de Alcochete todos os anos. E porque o futebol de um clube vive de vitórias e não de operações bancárias ou contas de mercearia, como, muito bem, escreve hoje o jornalista Joel Neto, no “Jornal de Notícias”.

RECORTES LEONINOS Yannick Djaló

O ano de 2008 pode ser essencial no que diz respeito ao processo de maturação de Djaló, jogador veloz e ousado, mas com algumas indefinições no capítulo da concretização (como se viu em Glasgow). Nas últimas semanas, e com 'new look', o sportinguista marcou ao Nacional, marcou à Naval e fez o resultado com o Braga. Há quem já fale de um novo "levezinho".
Luís Octávio Costa, "Público", 08-04-2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Os berros de Pinto e Vieira

Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, por motivos diferentes, andam nervosos. O presidente do FC Porto pontuou a conquista de mais um título nacional, por sinal indiscutível, puxando de um velho discurso com 30 anos, nomeando o Sul, e em particular, o centralismo de Lisboa, como inimigos a abater. Dos adversários até disse que são "vermes"... Mesmo tendo em conta que o presidente portista anda acossado pelas consequências do "Apito Dourado" - um processo que até é pequeno tendo em conta que só foi investigada a época 2003-2004 -, a verdade é que desenterrou um discurso fora de época, nada consentâneo com a modernidade. Seria até muito interessante saber se os empresários que são accionistas da SAD do FC Porto e patrocinadores do clube, que precisam dos clientes de todo o País, gostaram de ouvir os berros inflamados do "velho" Pinto da Costa...
Já Luís Filipe Vieira, agora transformado em arauto da verdade desportiva, desatou aos berros contra uma alegada viciação de resultados, a necessitar de uma aturada investigação da Polícia Judiciária. Pelo tom grave das acusações, parecia que o presidente do Benfica estava a referir-se à temporada 2004-2005 (que, lamentavelmente, não foi incluída na operação "Apito Dourado"). Mas não. As palavras de Vieira foram proferidas após mais um empate, não no chamado "inferno da Luz", mas no Bessa. Foi o 12º empate na Liga 2007-2008, fazendo com que o Benfica tenha menos vitórias do que empates... O que para um clube glorioso será, certamente, dramático. Como será dramático ficar em terceiro lugar pelo terceiro ano consecutivo. Por isso, talvez seja bom, em nome da verdade desportiva, que a PJ abra já uma nova investigação. E que comece por chamar Fernando Santos e António Camacho. Talvez os seus depoimentos desfaçam as dúvidas do presidente do Benfica.

domingo, 6 de abril de 2008

Yannick show em Alvalade

Dois golos de Yannick Djaló, bem trabalhados com o “assistente de serviço” Liedson, em apenas dois minutos (36’ e 38’), deram ao Sporting uma preciosa vitória sobre o Sporting de Braga, que não vingou a goleada (3-0) sofrida pela equipa de Paulo Bento no jogo da primeira volta, mas deu três pontos essenciais para que Filipe Soares Franco e todos os sportinguistas continuem a alimentar a esperança de a equipa leonina terminar a Liga no segundo lugar.
Para a equipa do Sporting, o que fica de bom desta partida é mesmo o “show” concretizador de Yannick Djaló - que já marcou quatro golos em três jogos incompletos depois de uma paragem de quatro meses -, que desfez um jogo que estava equilibrado, sem oportunidades flagrantes de golo, com o jogo leonino pouco veloz e a parecer manietado face a uma equipa bracarense a jogar de cabeça levantada e sempre disponível para encontrar a baliza de Rui Patrício.
No segundo tempo, o Sporting reapareceu vergado pelos fantasmas de que tem sido afectado na temporada em curso, perdendo a batalha do meio-campo e revelando uma grande insegurança defensiva. Voltando a melhorar só nos minutos finais. Sujeitou-se, por isso, a momentos de grande aflição, que só a sorte (um remate na barra), a atenção de Rui Patrício (algumas defesas apertadas) e uma má decisão do árbitro (anulou um auto-golo de Abel aparentemente limpo) impediram os bracarenses de marcar, eventualmente, mais do que um golo em Alvalade, onde a presença de 28 mil espectadores traduz um efeito positivo da campanha europeia e também da realização do jogo a uma hora mais convidativa (18h30). Ainda sobre o árbitro, Bruno Paixão, também é bom que se diga que deixou o Braga terminar o jogo com onze jogadores, apesar de dois casos de prática de jogo violento sobre jogadores leoninos (Liedson e Farnerud)...
Em resumo, foi melhor o resultado do que a exibição. Isto numa jornada que, para além de ter confirmado o FC Porto como campeão nacional, foi particularmente feliz para o Sporting, em função dos empates do Benfica, do Vitória de Guimarães e do Vitória de Setúbal. Na luta pelo segundo lugar, só nesta ronda, a equipa leonina ganhou um total de nove pontos em quatro campos, mantendo-se no quarto posto, com mais dois pontos que os setubalenses e a apenas dois de Benfica e Guimarães. Faltam cinco finais. FOTOS: www.sporting.pt

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

Que benfiquista gosta de recordar a pesada derrota que o Sporting infligiu ao clube encarnado em 1986, por sete bolas a uma? Nenhum, possivelmente. Mas foi isso que fez o novo director do Benfica TV, Ricardo Palacin, em 2006, quando vestiu uma t-shirt alusiva ao "trágico" momento, durante uma emissão de Biqueiradas, na já extinta SIC Comédia.
Filipe Feio, "Diário de Notícias", 06-04-2008

sábado, 5 de abril de 2008

Soares Franco, Cristiano Ronaldo e a formação

Há frases cujo efeito se revela imprevisível, ou mesmo assassino, e que, por isso, deveriam ser evitadas. Mas é um risco que todas figuras públicas correm quando têm um microfone à sua frente. Em Glasgow, Filipe Soares Franco colocou-se à disposição dos jornalistas portugueses e foi respondendo às perguntas que lhe faziam. A certa altura, um deles questionou o presidente leonino sobre a venda prematura de Cristiano Ronaldo ao Manchester United, procurando saber se Filipe Soares Franco achava se tinha sido um bom ou um mau negócio para os cofres do Sporting a sua venda em 2003, quando ainda tinha 18 anos, tendo em conta a evolução e o rendimento desportivo entretanto mostrado pelo atleta. Ora, a resposta do líder sportinguista foi, no mínimo, surpreendente: “O Cristiano Ronaldo que hoje está no Manchester não é o Cristiano Ronaldo que saiu do Sporting.”
Não será preciso muito esforço para entender o raciocínio de Soares Franco. Basicamente, o presidente do Sporting quis dizer que, em quase cinco anos de trabalho em Inglaterra, Ronaldo evoluiu como jogador aquilo que ninguém pensaria em Alvalade, quando o atleta foi vendido, já com a temporada 2003-2004 em preparação, prejudicando a planificação técnica elaborada pelo treinador Fernando Santos.
Porém, o que está implícito naquela frase de Soares Franco – que atribuiu a explosão mundial de Cristiano Ronaldo à escola de formação do clube de Carlos Queirós… –, é algo muito mais sério. Sobretudo quando se pretende afirmar o Sporting Clube de Portugal pela qualidade da sua escola de formação. No fundo, Soares Franco pôs em causa a Academia de Futebol do Sporting como centro de formação de talentos de qualidade mundial, dizendo aos jovens futuros craques leoninos que, para evoluírem a sério no futebol de alta competição, terão que deixar Alcochete logo que possam. E pôs em causa a equipa principal do Sporting como espaço de crescimento de futebolistas de alto rendimento. A declaração do presidente, que deveria constituir um motivo de reflexão em Alvalade, nomeadamente no congresso que está em preparação, não ajudará nada na valorização da camisola do Sporting junto dos jovens atletas, nem foi nada agradável para os treinadores e todos aqueles que trabalham no futebol leonino, seja no futebol de formação, seja no futebol profissional.
Tudo isto numa pequena frase sobre a venda de Cristiano Ronaldo, que foi, de facto, prematura. Mas terá sido o negócio possível entre um clube português que se está a perder em juros a pagar à banca e uma máquina riquíssima e organizada do futebol mundial, que, segundo o presidente do Sporting, até é melhor na formação de jogadores.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O regresso do Sporting europeu

Ao empatar a zero no terreno do Glasgow Rangers, o Sporting manteve-se invencível na presente edição da Taça UEFA (onde, em cinco jogos, marcou sete e sofreu apenas um) e trouxe para Lisboa a resolução de uma eliminatória que parece estar ao seu alcance. O Ibrox Park estava cheio, mas a exibição personalizada da equipa portuguesa silenciou os adeptos do Rangers, que provavelmente estariam à espera de outro Sporting.
Paulo Bento tinha pedido paciência, equilíbrio e algum risco, quando fosse possível. E o Sporting foi paciente, equilibrado, demonstrou personalidade, jogou à bola como os britânicos não gostam e arriscou aqui e ali. Para que a noite fosse perfeita, faltou apenas um golo. Que poderia ter saído dos pés de Liedson, Miguel Veloso ou Vukcevic ou da cabeça de Tonel. Acabou por não sair. Mas o empate a zero golos também é aceitável. De resto, não foi um jogo de muitas oportunidades de golo.
Os temíveis minutos iniciais dos escoceses, afinal, não existiram. Mas o Sporting também fez por isso. De forma atípica, Liedson e João Moutinho precisaram de assistência médica nos primeiros minutos. Foram duas pausas preciosas, pois fizeram passar os minutos, afectando o ritmo inicial do Rangers, que assim demorou muito tempo a chutar à baliza de Rui Patrício. E quando o fez, já o Sporting estava “encaixado” no sistema adversário e a controlar as operações…
No segundo tempo, houve um período em que o Rangers arriscou e pressionou mais, mas nunca conseguiu massacrar. A noite parecia talhada para o Sporting brilhar, pois a equipa leonina chegou à parte final do jogo à procura do golo da vitória, empurrada pela qualidade irreverente de meia equipa “made in Alvalade”: Rui Patrício, Bruno Pereirinha, João Moutinho, Miguel Veloso e Yannick Djaló.
Revelando uma atitude competitiva nos jogos nacionais e outra, completamente diferente, para melhor, nos jogos europeus, o Sporting, que agora é a única equipa portuguesa nas competições da UEFA (quem diria!...), está de novo à beira de fazer história. Não fosse o Bayern de Munique e não faltaria quem falasse em vingar a final da Taça UEFA perdida de 2005. Mas tudo pode acontecer. FOTO: Scott Heppell (AP Photo)

O LEÃO DA ESTRELA na imprensa

Bernardo Ribeiro, "Record", 03-04-2008

Uma Taça Ibérica

A ideia de uma Taça Ibérica, lançada por Filipe Soares Franco, na Escócia, e já comunicada ao presidente da Liga, Hermínio Loureiro, é capaz de ser boa e exequível, merecendo ser discutida e avaliada no futebol português. Mas o facto de ter sido anunciada fora do País e na véspera de um compromisso europeu demasiado importante para o Sporting, leva-nos a concluir que o "timing" para o seu anúncio não foi o melhor. E a prova é que a ideia de Soares Franco é ignorada nas primeiras páginas da imprensa desportiva de hoje. Porque hoje é dia de um grande jogo para o Sporting (o único representante nacional na Europa...) e não dia de apresentar ideias para aumentar a competitividade do futebol português. De qualquer modo, aguardemos pelo que pensam os clubes e a Liga Portuguesa. E, claro, pelo que pensam os espanhóis...

A força de uma fotografia

Como qualquer espaço imenso, a Internet é terreno fácil para a manifestação das atitudes mais reprováveis. O LEÃO DA ESTRELA tinha no seu arquivo uma fotografia tirada durante o programa “Biqueirada”, transmitido na SIC Comédia, em 30 de Novembro de 2006, mostrando o moderador, Ricardo Palacin, com uma camisola evocativa dos 20 anos da goleada do Sporting sobre o Benfica por 7-1. Como Ricardo Palacin foi agora nomeado director do canal Benfica TV, o LEÃO DA ESTRELA recordou esse facto e mostrou a fotografia, aliás editada no próprio dia do programa. Como Palacin acaba de assumir funções no Benfica, aquela imagem, envergando uma camisola que celebra uma das maiores vergonhas da história do Benfica, ganhou um interesse renovado.
Segundo apurou o LEÃO DA ESTRELA, a mera existência de uma fotografia foi suficiente para que algumas das altas esferas do Benfica deitassem as mãos à cabeça, duvidando do benfiquismo da nova contratação, ao ponto de terem ido ao ficheiro dos associados, que ainda está longe dos 300 mil prometidos, confirmar se Palacin era mesmo “benfiquista desde pequenino” e filiado. E respiraram de alívio. Luís Filipe Vieira, afinal, lá tinha acertado na aquisição de um benfiquista. Tudo bem.
O que não esteve nada bem foi o comportamento de alguma blogosfera benfiquista, que surripiou a fotografia do LEÃO DA ESTRELA sem mencionar a fonte... Foi o caso da Tertúlia Benfiquista, que até colocou a foto como “pública” no portal Sapo. De onde ainda não foi retirada, apesar de o LEÃO DA ESTRELA já ter alertado a Tertúlia Benfiquista para a estranha situação. E O Inferno da Luz, que inicialmente atribuiu o crédito da fotografia ao LEÃO DA ESTRELA, acabou por apagar essa referência. Se o canal Benfica TV já estivesse a funcionar, era caso para mostrar esta história e os seus protagonistas com uma bolinha vermelha no canto superior direito. Ou verde, dado o canal em causa. FOTO: LEÃO DA ESTRELA

terça-feira, 1 de abril de 2008

Comédia no Benfica

Em 30 de Novembro de 2006, o LEÃO DA ESTRELA escreveu um "post" sobre o programa "Biqueirada", da SIC Comédia. Mostrava a fotografia do moderador durante o programa, envergando uma "t-shirt" comemorativa dos 20 anos da vitória do Sporting por 7-1, sobre o Benfica, e rezava assim: "Ricardo Palacin, moderador do programa "Biqueirada", exibido hoje, em directo, na SIC Comédia. De que se fala no "Biqueirada"? Segundo a SIC, à mesa, redonda como é suposto, fala-se de futebol sem que sejam representados ou defendidos quaisquer clubes. O objectivo é exactamente o oposto, cada elemento da mesa tem um objecto de "ódio" e ataca esse emblema. No programa de hoje, na véspera de mais um Sporting-Benfica, a "t-shirt" de Palacin, evocativa dos 7-1 de há 20 anos, deu muito nas vistas..." Pois bem, Ricardo Palacin foi nomeado director do "Benfica TV" e entrou hoje em funções. Numa altura em que Luís Filipe Vieira procura fazer regressar ao clube as "velhas glórias" do Benfica, a escolha de Ricardo Palacin para o departamento de comunicação, que hoje revelou à TSF que é "benfiquista desde pequenino", parece indicar um desvio na rota... A não ser que o novo director do "Benfica TV" tenha vestido a "t-shirt" dos "7-1" num acto de pura comédia... FOTO: LEÃO DA ESTRELA

Um silêncio ensurdecedor

O FC Porto corre o risco de perder seis pontos na I Liga Portuguesa. E até já há quem defenda que o melhor é perder já e não deixar nenhum ponto perdido para a próxima época... O seu presidente, Pinto da Costa, arrisca uma pena de seis a dois anos de suspensão, embora possa continuar a ser o dirigente máximo do clube. Em causa estão casos de alegada corrupção nos jogos FC Porto-Estrela da Amadora e Beira Mar-FC Porto, na época 2003-2004, a segunda temporada gloriosa de José Mourinho, no Dragão.
É curioso que tem passado a ideia de que o FC Porto não precisaria desses jogos para ser campeão nacional, mais a mais num ano em que foi campeão europeu. Ora, recordando a classificação nas jornadas em causa, verificamos que não é bem assim. Quando o FC Porto recebeu e venceu o Estrela da Amadora, na 19ª jornada, e foi defrontar o Beira Mar, em Aveiro, o Sporting estava a apenas cinco pontos do primeiro lugar. E houve jogos em que foi prejudicado pelos árbitros de forma escandalosa.
Depois, há outra questão: em cada um desses jogos não há casos graves resultantes de más decisões dos árbitros em favor do FC Porto o que torna a acusação rídicula aos olhos do povo que vê a televisão. Mas o que estes dois casos confirmam é que esses árbitros tinham ligações a Pinto da Costa ou a elementos que lhe eram próximos. Além disso, estiveram em outros jogos durante essa temporada, em temporadas anteriores e seguintes, apitando adversários directos do FC Porto. E aí, a justiça, que só decide perante factos concretos e provados em tribunal, não pode actuar…
O caso ainda corre no tribunal, mas a Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional agiu desportivamente e enviou notas de culpa a três clubes (Fc Porto, Boavista e União de Leiria), aos respectivos presidentes (Pinto da Costa, João Loureiro e João Bartolomeu) e a dois árbitros (Jacinto Paixão e Augusto Duarte).
Agora que são conhecidas as eventuais penas desportivas a aplicar, torna-se cada vez mais ensurdecedor o silêncio dos dirigentes do Sporting, clube que foi directamente prejudicado pela arbitragem portuguesa no ano de 2003-2004, em anos anteriores e em anos seguintes. A continuarem calados, Soares Franco e seus pares transformam-se em cúmplices de um “sistema” que nem sequer fingem combater.
Em Alvalade, a única boa excepção quanto a esta matéria chama-se António Dias da Cunha – o único a ter nomeado os rostos do “sistema”, com tanta pontaria que até acabou fora do Sporting um ano depois. E, assim, a bandeira do combate à corrupção no futebol português, que deveria ser liderada pelo Sporting Clube de Portugal, está nas mãos do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Logo ele, que ganhou aquele título em 2005 da forma que todos sabemos.
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