Ao juntar a conquista da Taça de Portugal ao segundo lugar na I Liga, que deu o apuramento directo para a Liga dos Campeões, o treinador Paulo Bento e a administração leonina respiraram de alívio, pois viram uma temporada irregular e marcada por problemas internos transformada numa temporada desportivamente bem melhor do que a anterior.
Em 2007-2008, o Sporting conquistou ao FC Porto a Supertaça Portuguesa e a Taça de Portugal, sobreviveu na Europa para além da primeira fase da Liga dos Campeões, o que aconteceu pela primeira vez, e manteve um lugar na próxima edição da principal liga europeia, apesar da irregularidade patenteada na liga nacional. O que, no entanto, não apaga o desencanto dos sportinguistas pela excessiva distância pontual em relação ao campeão nacional (14 pontos depois de subtraídos os seis do castigo sofrido pelo FC Porto), pelos maus resultados e pela vulgarização da equipa fora de Alvalade, pelo futebol de má qualidade ou nada espectacular em grande parte dos jogos e pela má figura da equipa na estreante Taça da Liga, onde chegou à final aos trambolhões e perdeu para o Vitória de Setúbal.
Nesta final da Taça de Portugal, Paulo Bento confirmou que deve ser o treinador português que melhor conhece o FC Porto e um dos poucos que sabem como emperrar a máquina portista. Três vitórias em quatro jogos dizem tudo. Por outro lado, tivemos no Estádio Nacional um Sporting competente, que poderia ter resolvido as coisas na primeira parte, e um FC Porto intranquilo, talvez marcado pela vergonha da corrupção, que já chegou aos ouvidos da UEFA, e já algo desligado do trabalho e da intensidade competitiva de outros momentos da época, depois de um título nacional conquistado muito antes do fim da I Liga. O afastamento de Bosingwa, contratado pelo Chelsea – embora possa ser visto como uma decisão técnica destinada a fortalecer o grupo, dando a ideia de que o FC Porto só precisa de quem está com a cabeça a cem por cento no clube… –, acabou por ser mais um dado da descompressão portista de final de época.
Mas estes factos em nada desvalorizam a vitória do Sporting, conquistada sem sombra de pecado, pois foi a equipa que, desde muito cedo, tudo fez por ganhar a Taça de Portugal, conseguindo na primeira parte quatro boas ocasiões de golo, contra apenas uma do FC Porto. E a equipa leonina só não chegou mais cedo à vitória porque a equipa de arbitragem, chefiada por Olegário Benquerença, decidiu mal. Lembro um golo mal anulado a Romagnoli, ainda na primeira parte, culminando uma jogada bem desenhada. Romagnoli estava em posição legal e, mesmo que houvesse dúvidas, a equipa atacante não deve deveria ser penalizada...
Ainda sobre o árbitro, e no plano disciplinar, lembro um cartão vermelho que ficou por mostrar a Ricardo Quaresma, que, no desenvolvimento de uma finta em que rodou o corpo sobre si próprio, agrediu João Moutinho de modo dissimulado, mas violento. Um lance feio que o árbitro deixou passar. À segunda falta violenta, desta vez de João Paulo sobre o mesmo Moutinho, Benquerença lá puxou do cartão vermelho... Mas deixara passar, na primeira parte, um derrube de Grimi sobre Quaresma, que deveria ter sido admoestado com um cartão amarelo.
Na segunda metade, as equipas foram mais cautelosas, ajudando a manter o resultado em branco até aos 90 minutos. Embora o FC Porto tivesse melhorado o seu rendimento, o Sporting soube aguentar em situações de maior aperto. No prolongamento, onde o Sporting se revelou mais fresco, apareceu o surpreendente Rodrigo Tiuí a assinar os dois golos e a justificar, finalmente, a sua contratação, em Janeiro último, por 650 mil euros. Imediatamente antes do primeiro golo leonino, Anderson Polga derrubou Lizandro na zona defensiva leonina. Foi evidente a falta do jogador leonino, que o árbitro não assinalou, mas aconteceu fora da área. FOTOS: Getty Images e Reuters