domingo, 18 de maio de 2008

Sem sombra de pecado

O Sporting fechou com chave de ouro a temporada 2007-2008 ao derrotar na final da Taça de Portugal, por um claro e justo 2-0, o FC Porto – campeão nacional recentemente castigado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional com a perda de seis pontos por motivos de corrupção desportiva ocorridos em 2003-2004. O Sporting contou com um herói improvável chamado Rodrigo Tiuí, que marcou os dois golos, um deles de excelente execução técnica (ver posição acrobática do jogador na imagem acima), nos últimos minutos do prolongamento, após um empate a zero que se registava ao cabo dos 90 minutos.
Ao juntar a conquista da Taça de Portugal ao segundo lugar na I Liga, que deu o apuramento directo para a Liga dos Campeões, o treinador Paulo Bento e a administração leonina respiraram de alívio, pois viram uma temporada irregular e marcada por problemas internos transformada numa temporada desportivamente bem melhor do que a anterior.
Em 2007-2008, o Sporting conquistou ao FC Porto a Supertaça Portuguesa e a Taça de Portugal, sobreviveu na Europa para além da primeira fase da Liga dos Campeões, o que aconteceu pela primeira vez, e manteve um lugar na próxima edição da principal liga europeia, apesar da irregularidade patenteada na liga nacional. O que, no entanto, não apaga o desencanto dos sportinguistas pela excessiva distância pontual em relação ao campeão nacional (14 pontos depois de subtraídos os seis do castigo sofrido pelo FC Porto), pelos maus resultados e pela vulgarização da equipa fora de Alvalade, pelo futebol de má qualidade ou nada espectacular em grande parte dos jogos e pela má figura da equipa na estreante Taça da Liga, onde chegou à final aos trambolhões e perdeu para o Vitória de Setúbal.
Nesta final da Taça de Portugal, Paulo Bento confirmou que deve ser o treinador português que melhor conhece o FC Porto e um dos poucos que sabem como emperrar a máquina portista. Três vitórias em quatro jogos dizem tudo. Por outro lado, tivemos no Estádio Nacional um Sporting competente, que poderia ter resolvido as coisas na primeira parte, e um FC Porto intranquilo, talvez marcado pela vergonha da corrupção, que já chegou aos ouvidos da UEFA, e já algo desligado do trabalho e da intensidade competitiva de outros momentos da época, depois de um título nacional conquistado muito antes do fim da I Liga. O afastamento de Bosingwa, contratado pelo Chelsea – embora possa ser visto como uma decisão técnica destinada a fortalecer o grupo, dando a ideia de que o FC Porto só precisa de quem está com a cabeça a cem por cento no clube… –, acabou por ser mais um dado da descompressão portista de final de época.
Mas estes factos em nada desvalorizam a vitória do Sporting, conquistada sem sombra de pecado, pois foi a equipa que, desde muito cedo, tudo fez por ganhar a Taça de Portugal, conseguindo na primeira parte quatro boas ocasiões de golo, contra apenas uma do FC Porto. E a equipa leonina só não chegou mais cedo à vitória porque a equipa de arbitragem, chefiada por Olegário Benquerença, decidiu mal. Lembro um golo mal anulado a Romagnoli, ainda na primeira parte, culminando uma jogada bem desenhada. Romagnoli estava em posição legal e, mesmo que houvesse dúvidas, a equipa atacante não deve deveria ser penalizada...
Ainda sobre o árbitro, e no plano disciplinar, lembro um cartão vermelho que ficou por mostrar a Ricardo Quaresma, que, no desenvolvimento de uma finta em que rodou o corpo sobre si próprio, agrediu João Moutinho de modo dissimulado, mas violento. Um lance feio que o árbitro deixou passar. À segunda falta violenta, desta vez de João Paulo sobre o mesmo Moutinho, Benquerença lá puxou do cartão vermelho... Mas deixara passar, na primeira parte, um derrube de Grimi sobre Quaresma, que deveria ter sido admoestado com um cartão amarelo.
Na segunda metade, as equipas foram mais cautelosas, ajudando a manter o resultado em branco até aos 90 minutos. Embora o FC Porto tivesse melhorado o seu rendimento, o Sporting soube aguentar em situações de maior aperto. No prolongamento, onde o Sporting se revelou mais fresco, apareceu o surpreendente Rodrigo Tiuí a assinar os dois golos e a justificar, finalmente, a sua contratação, em Janeiro último, por 650 mil euros. Imediatamente antes do primeiro golo leonino, Anderson Polga derrubou Lizandro na zona defensiva leonina. Foi evidente a falta do jogador leonino, que o árbitro não assinalou, mas aconteceu fora da área. FOTOS: Getty Images e Reuters

O treinador das taças

Paulo Bento é o “treinador do segundo lugar”, pois deve ser o único treinador da história do Sporting a levar a equipa ao segundo lugar do campeonato nacional em três anos consecutivos. Mas é justo reconhecer que Paulo Bento também é o “treinador das taças”. Com Paulo Bento como treinador, o Sporting nunca perdeu nos jogos da Taça de Portugal, ao fim dos 90 minutos ou do prolongamento. Em 17 jogos nas últimas três épocas, a única derrota aconteceu no Estádio do Dragão, nas meias-finais de 2005-2006, no desempate por grandes penalidades, num jogo em que o Sporting foi prejudicado pela arbitragem de forma decisiva. Agora, acaba de conquistar a Taça de Portugal, pela segunda vez consecutiva, igualando um feito do antigo treinador Mário Lino, em 1973 e 1974.
Por falar em taças, também foi com Paulo Bento que o Sporting ganhou a última Supertaça. E ainda por falar em taças, foi com Paulo Bento que o Sporting foi à final da estreante Taça da Liga (mal perdida para o Vitória de Setúbal…) e que, após uma primeira fase da Liga dos Campeões, não foi afastado das provas europeias, conseguindo, pela primeira vez por essa via, o passaporte para a Taça UEFA.
Regressando à Taça de Portugal, também é bom lembrar que a invencibilidade sportinguista ao fim dos 90 minutos de jogo ou do prolongamento não é exclusiva de Paulo Bento e já tem cinco anos. Em 2004-2005, o Sporting, então treinado por José Peseiro, foi afastado pelo Benfica no Estádio da Luz no desempate por grandes penalidades, num dos dérbis mais vibrantes de sempre.
A última derrota registada pelo Sporting na Taça de Portugal em 90 minutos de jogo remonta a 17 de Dezembro de 2003, em Alvalade, frente ao “inevitável” Vitória de Setúbal, por 0-1, na quinta eliminatória. O treinador era Fernando Santos. Dos atletas convocados para esse jogo, seis continuam em Alvalade com funções diversas. Anderson Polga, Liedson e Tiago continuam como jogadores, enquanto Paulo Bento é agora treinador, Pedro Barbosa é director desportivo e Sá Pinto colabora no “marketing”.

A "bi-Taça de Portugal" leonina

Ao vencer o FC Porto, é a segunda vez que o Sporting conquista a Taça de Portugal em dois anos consecutivos. A última "bi-Taça de Portugal" leonina aconteceu há 34 anos, nas temporadas de 1972-1973 e 1973-1974, quando o treinador era Mário Lino. Nessa conquista, o Sporting contou com a prestação dos jogadores que integraram a equipa da imagem em cima, da temporada 72-73, onde reconhecemos, em pé, Bastos, Carlos Pereira (actual adjunto de Paulo Bento), Carlos Alhinho, Fraguito, Vitor Damas, José Carlos e, agachados, Manaca, Chico Faria, Yazalde, Marinho e Nélson.
Quanto a outras vitórias da Taça de Portugal em dois ou mais anos consecutivos, só as encontramos entre 1945 e 1948, no tempo dos gloriosos “Cinco Violinos”, em que o Sporting conquistou a Taça de Portugal por três vezes consecutivas, embora se registe um hiato na temporada de 1946-1947, por não ter havido prova. O FC Porto só conquistou a Taça de Portugal em dois anos consecutivos em 2000 e 2001.

sábado, 17 de maio de 2008

A Supertaça Portuguesa

A final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o FC Porto, será a última competição oficial da temporada envolvendo as principais equipas do futebol português. Mas não deveria ser assim. O mais correcto seria disputar-se, oito dias depois, a Supertaça Cândido de Oliveira, com as duas equipas novamente em confronto. Essa competição é que deveria encerrar a temporada 2007-2008.
A Supertaça Cândido Oliveira começou por ser disputada em duas mãos, no terreno de cada um dos finalistas, e a meio da temporada seguinte, eventualmente por motivos de competitividade. Mais recentemente, passou a ser disputada no início da época seguinte e num único jogo em campo neutro. Não é correcto e perde a competição.
A Supertaça Cândido de Oliveira, como troféu que pretende consagrar o vencedor da Liga e o vencedor da Taça de Portugal, deveria ser o último jogo da temporada a que se refere. Teria mais emoção e mais público. Desde logo porque, sendo disputada na temporada seguinte, essa Supertaça não diz nada aos atletas que acabam de chegar aos plantéis dos respectivos finalistas. Porque esses jogadores não suaram a camisola para disputar essa Supertaça e, naturalmente, não a sentem como uma competição maior que deveria ser. É humano.
Por outro lado, sendo a primeira competição da temporada seguinte, a Supertaça Cândido de Oliveira acaba por ser um troféu desportivamente desvalorizado, uma vez que as equipas se encontram em preparação para uma temporada inteira e não para aquele jogo em particular, que normalmente aparece no calendário futebolístico nacional cerca de um mês após as férias, com os jogadores ainda fora de forma.
Talvez o Sporting pudesse lançar esta questão em sede da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes. Em nome da competitividade e do engrandecimento de um troféu que deveria ser valorizado como o troféu dos troféus do futebol português.

A lesão de Liedson

Entre o dia em que sofreu a lesão e o dia da operação ao joelho passaram 20 dias! Quase três semanas para concluir que Liedson, afinal, tinha sofrido uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo. Por que é que foi preciso tanto tempo?...
O avançado brasileiro lesionou-se em 27 de Abril, no jogo com o Marítimo. E ainda chegou a ser hipótese a sua recuperação para a final da Taça de Portugal. Estranhamente, e apesar de estarmos na vanguarda da tecnologia médica, só três semanas depois é que os médicos descobriram, afinal, que a lesão do jogador era grave. Não terá sido tempo demais?...
Liedson foi operado nesta sexta-feira e vai parar cinco meses, o que significa que não estará a cem por cento antes de Outubro. Que recupere depressa e bem e que os colegas de equipa, nesta hora difícil, lhe dediquem a conquista da Taça de Portugal são os votos do LEÃO DA ESTRELA!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Boas notícias

As tentativas de fazer regressar Marco Caneira e Hugo Viana a Alvalade são boas notícias para o futebol do Sporting. São portugueses, conhecem o clube e têm experiência internacional. Que as diligências sejam bem sucedidas. FOTOS: Associated Press e Reuters

O "Papa" e os deputados

Dias depois de ter sido condenado pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes e no mesmo dia em que, ao ser julgado pela prática de diversos crimes, voltou ao Tribunal de Gondomar, onde se confrontou com Carolina Salgado, Pinto da Costa apareceu com este sorriso na Assembleia da República, para um jantar com deputados que são adeptos do FC Porto. Com ar de verdadeiro “Papa” da bola, deveria estar a rir dos próprios deputados, ilustres representantes do povo português, que não têm um pingo de vergonha na cara. FOTO: João Trindade ("Record Online")

As férias de Izmailov

Parece que Izmailov abdica da sua valorização profissional. Não vai à selecção russa porque não se sente em “condições físicas para dar o melhor contributo” e pediu para não ser convocado para a fase final do Euro 2008, pois pretenderá descansar, uma vez que, coitado, não tem férias desde Janeiro de 2007. Um caso raro, este de pedir dispensa da selecção por motivos de cansaço. E nós a pensar que jogar futebol era um prazer, mais a mais em representação do nosso País... O que é estranhíssimo é que os jornais publiquem “notícias” destas sem pestanejar. E que embarquem na ideia de que se trata de um sinal de “dedicação ao Sporting”.
É curioso que, em Janeiro último, tenha sido publicada uma outra notícia, como se pode ler aqui, indicando que Izmailov também pedira dispensa da selecção russa, também para se “concentrar no projecto verde e branco”, mas que teria indicações seguras de que seria convocado. Como seria de esperar, não foi convocado. De resto, é interessante verificar que a "notícia" do pedido de dispensa da selecção tenha sido divulgada só depois de conhecida a convocatória de Gus Hiddink...
Se Izmailov está cansado por não ter férias há ano e meio, ele que só jogou 1612 minutos em 23 jogos da I Liga, o que dizer de Miguel Veloso (2.509 minutos em 29 jogos na I Liga), que esteve numa prova internacional de selecções enquanto outros colegas gozavam as últimas férias ou de João Moutinho (2.686 minutos em 30 jogos), que vai fechar a temporada com a presença em 56 jogos, numa demonstração notável de alto rendimento, tornando-se no futebolista com mais jogos, numa só temporada, por uma equipa portuguesa?
É por isso que a verba de 4,5 milhões de euros pela aquisição do passe do médio russo - cujo problema é não ser um jogador de alto rendimento - é dinheiro a mais para qualquer clube, e ainda mais para um clube endividado. FOTO: www.sporting.pt

quinta-feira, 15 de maio de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS SCP-FC Porto na "Taça"

O Sporting-FC Porto do próximo domingo, no Estádio Nacional, é a quarta final entre as duas equipas em 68 edições da Taça de Portugal. A primeira final entre Sporting e FC Porto realizou-se precisamente há 30 anos, tendo a equipa leonina vencido por 2-1, numa “finalíssima”. O português Rodrigues Dias, que faleceu recentemente, era o treinador do Sporting, que no fim foi carregado em ombros pelos jogadores. Na imagem, Artur e Manuel Fernandes transportam o técnico numa volta à pista do Jamor. Vemos ainda Augusto Inácio (premonitoriamente com a camisola do FC Porto...), Ademar e Cerdeira. Nos outros dois confrontos em finais da Taça de Portugal, em 1993-1994 e 1999-2000, a vitória sorriu aos “dragões”. No próximo domingo ficaremos a conhecer mais dados para actualizar esta história. FOTO: ASF/"A Bola"

A contratação de Rochemback

O regresso do brasileiro Rochemback significa que o Sporting contrata quem pode e não está em condições de contratar quem quer. Pelo contrário, os clubes ingleses, por exemplo, contratam quem querem e não hesitam em reforçar as suas equipas com os melhores valores formados no Sporting. Primeiro foi Hugo Viana, depois foi Cristiano Ronaldo, depois foi Nani... E outros poderão seguir-lhes as pisadas. Porque o Sporting, além de não poder contratar quem quer, também não consegue segurar os jogadores pelo tempo que gostaria até obter deles o desejado rendimento desportivo. É um problema leonino crónico, agravado por um problema de dimensão económica dos países, dos respectivos mercados e de dimensão desportiva das várias ligas de futebol.
Para justificar a sua contratação e constituir uma mais-valia para ao futebol do Sporting, Rochemback, que completa 27 anos em Dezembro próximo, vai ter de trabalhar bem mais do que aquilo que tem trabalhado, pois necessita de estar em condições físicas para responder às exigências de um clube que participa em quatro provas, uma das quais, a Liga dos Campeões, muito exigente. O próprio jogador parece reconhecer isso: “Venho para o Sporting com mais experiência, cabeça e tranquilidade.”
Se conseguir exibir-se em alto rendimento de forma continuada, Rochemback será uma excelente contratação, porque tem qualidade, ainda que não saibamos quanto vai ganhar no final do mês, ele que, num clube mediano da Liga Inglesa, mesmo no banco de suplentes, ganhava mais do dobro dos jogadores mais bem pagos do Sporting.
De resto, não deixa de ser um jogador maduro com dois falhanços profissionais no cartório. Depois de ter falhado em Barcelona, quando era um jovem internacional brasileiro à procura do “El Dourado” europeu, reabilitou-se em Alvalade. E foi para Inglaterra porque queria sair para jogar noutros palcos e ganhar muito mais dinheiro. Legítimo. Mas, em Inglaterra, o futebol é muito mais exigente e o atleta brasileiro não conseguiu impôr-se.
Regressa agora a Portugal, porque, entre outros desejos, quer ter “qualidade de vida”... Por que será que o futebol português é sinónimo de qualidade de vida?... Vem para jogar no Sporting. Mas até poderia regressar para jogar no Benfica ou no FC Porto. Até parecia que estava a ser leiloado. E assim acabou por voltar ao Sporting. Com que motivação?... Cá estaremos para ver os resultados, fazendo votos para que tenha sucesso, contribuindo para o sucesso do Sporting.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O "monstro" que está a matar o Sporting

Sobre o investimento da SAD do Sporting numa equipa de futebol mais competitiva, o presidente Filipe Soares Franco já disse tanta coisa e tão diversa que não dá para acreditar piamente em mais nada. Já disse que queria uma equipa de futebol de dimensão europeia baseada na formação e depois “reforçou” a equipa com uma série de jogadores de qualidade duvidosa, como ficou demonstrado ao longo da temporada que agora finda. Assim como já disse que, nos próximos 25 anos, não será possível ao Sporting viver num desafogo económico que lhe permita investir a sério no futebol.
Mais recentemente, o discurso é outro, mais do agrado dos descontentes com os maus resultados desportivos no futebol. Acossado pelo facto de concluir o seu mandato de três anos sem nenhum título de campeão nacional e apostado em ter o Sporting a liderar a Liga por altura das eleições, que se realizam durante o primeiro semestre do próximo ano, Soares Franco prepara-se para investir mais no futebol, falando-se numa verba 50% superior, relativamente à época que está a terminar. O problema será encontrar o dinheiro necessário, sabendo-se que, hoje, a disponibilidade financeira do clube é uma manta muito curta, que sempre que é puxada para cobrir a cabeça destapa os pés e vice-versa.
Ora, Soares Franco e seus pares têm andado em roda livre nas explicações de circunstância. É por isso que já ouvimos dizer, por exemplo, que o empréstimo obrigacionista lançado pela SAD servirá para dar a folga de euros necessária para investir no futebol. Trata-se, obviamente, de uma falácia, dado que esse empréstimo será para pagar outro, sendo certo que ficará muito caro, uma vez que o preço do dinheiro está mais caro do que nunca. Ou seja, trata-se de uma operação para o Sporting pagar juros, ficando depois a pagar juros sobre juros.
Sobre a mesa tem estado também a ideia de renegociar a dívida aos bancos, o que, na prática, significará dilatar o prazo de amortização, à custa de mais juros a suportar pelo Sporting – cenário, aliás, que não deixará de agradar à banca, pois é rendimento garantido… –, havendo como única vantagem uma diminuição mensal dos encargos. E recorde-se que, hoje, o Sporting já paga em juros cerca de 17 milhões de euros por ano, quase o mesmo que gasta com a equipa de futebol profissional. Ou seja, paga em juros o equivalente a uma segunda equipa de futebol!...
Agora, vem aí um projecto de reestruturação financeira que visa passar a Academia de Alcochete para o património da SAD, estando já marcada uma assembleia geral do Sporting Clube de Portugal para 28 de Maio, estando esse assunto na ordem de trabalhos. Segundo, Rogério Alves, em notícia publicada no sítio do Sporting na Internet, o projecto de reestruturação financeira proposto pela direcção do clube ao Conselho Leonino, nesta terça-feira – de onde se destaca a venda da Academia, à SAD, por 22 milhões de euros (custou 15 milhões) – permitirá ao Sporting amortizar a dívida até aos 139,5 milhões de euros, num prazo de cinco anos. Da alienação do estádio nada é referido. E Soares Franco diz que a operação "servirá para libertar meios e aliviar a tesouraria, de maneira a que se possa fazer mais investimentos desportivos", uma vez que, afiança, o Sporting está "a trabalhar no sentido de aumentar o orçamento para a equipa de futebol profissional".
Bom, com tantas possibilidades de “aliviar a tesouraria” para dar ao futebol, e para que, dentro de cinco anos, não tenhamos o Sporting com um passivo igual ou mais elevado do que o actual, seria bom que as continhas fossem devidamente explicadas. E que fosse traçado um plano rigoroso de amortização da dívida - que é um “monstro” que está a matar o Sporting -, mas também um plano rigoroso de investimentos e de objectivos desportivos para a equipa de futebol. Para que, no devido tempo, possam ser pedidas responsabilidades aos dirigentes do clube e aos administradores da SAD, caso as metas não sejam cumpridas. Se isso não acontecer, está seriamente em causa o futuro do Sporting como grande clube de futebol.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A camioneta da GALP

Dizem que este é o autocarro da selecção portuguesa de futebol que vai transportar os jogadores pelos estádios do Euro 2008. À primeira vista, não passa de mais uma camioneta da GALP. É que precisamos de uma lupa para ver "Portugal", assim como o verde e o vermelho da bandeira nacional e da selecção de futebol. A gasolina e o gasóleo estão mesmo em alta, até na Praça da Alegria...

domingo, 11 de maio de 2008

O Sporting do segundo lugar

O Sporting venceu o Boavista à justa (2-1) e confirmou o segundo lugar e o acesso à Liga dos Campeões 2008-2009. O Vitória de Guimarães celebrou um histórico terceiro lugar, que dá direito a participar numa pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Já o Benfica, sem nada para celebrar no quarto lugar – uma das piores classificações da história do clube no campeonato português – emocionou-se com a retirada de Rui Costa, que é talvez a última referência lusa nos clubes considerados “grandes”, desde a entrada do futebol na era da globalização. Com o título de campeão nacional há muito entregue ao FC Porto, era isto que faltava decidir nos lugares da frente da I Liga Portuguesa. Sem grande emoção, como, de resto, toda a prova.
O Sporting venceu e conseguiu alcançar o chamado “segundo objectivo”, que, na próxima época, não vai existir, uma vez que essa posição classificativa deixará de dar acesso directo aos milhões de euros da Liga dos Campeões. O segundo lugar é positivo, tendo em conta as atribulações da temporada e o mau futebol patenteado na maioria dos jogos, mas não dá aos sportinguistas grandes motivos para festejar. Mais a mais quando a equipa perdeu o comboio da conquista do título a meio da prova e ficou a 20 pontos do FC Porto, diferença agora diminuída em seis pontos na secretaria, em função do castigo da Liga dos Clubes ao clube de Pinto da Costa na sequência do processo “Apito Dourado”. Não foi o FC Porto que esteve muito mais forte do que qualquer campeão português. Foi o Sporting que esteve bem abaixo do que seria de esperar. Até Paulo Bento tem consciência disso, ao não ter ficado "nem eufórico, nem insatisfeito" com a classificação alcançada. Resta, porém, a consolação contabilística de esta temporada ter custado aos cofres do Sporting bem menos do que o que custou aos cofres do rival Benfica. E ainda muito menos do que custou ao FC Porto.
No último jogo desta Liga, o Sporting fez o retrato de uma época. Começou por ter de correr atrás do prejuízo por ter consentido mais um golo incrível nos minutos iniciais. Mostrou empenho para dar a volta ao resultado, o que conseguiu aos 22’, através de Rodrigo Tiuí, que se estreou a marcar, e, depois disso, banalizou o Boavista, mas não conseguiu “matar” o jogo. Depois de muito controlo das operações, mas também de algum sofrimento desnecessário, porque o Boavista foi melhor no segundo tempo, lá veio o apito final do árbitro Soares Dias. Grande parte do público cantava "Sporting até morrer". Mas há um ano, com o Sporting a lutar pelo título até aos últimos minutos da prova, era um estádio inteiro. O Sporting continua na Liga dos Campeões e deixa o Benfica para trás pelo terceiro ano consecutivo. Pelo menos, é isso que fica para a história. FOTOS: Steven Governo (Associated Press)

Notas do "Apito Dourado"

1. Uma investigação séria ao que se passou nos últimos 20 anos pelos estádios do País – e não apenas a meia dúzia de jogos da temporada 2003-2004 – não deixaria pedra sobre pedra no futebol português. A prova disso é que o FC Porto nem sequer recorreu do brando castigo de seis pontos perdidos imposto pela Liga de Clubes.
2. Portugal vê a sua imagem fortemente afectada no futebol internacional, assim como os seus profissionais, sejam jogadores ou treinadores. E os árbitros, claro.
3. Gilberto Madaíl, como chefe do velho futebol português, também ficou com a sua credibilidade muito abalada na UEFA.
4. Valentim Loureiro não tem vergonha, continuando, por isso, a presidir à Assembleia Geral da Liga de Clubes.
5. O Sporting não tem nada a ver com a corrupção no futebol português, mas os seus dirigentes reagiram às notícias como se estivessem implicados.
6. Para além de Dias da Cunha, também é justo lembrar o papel determinante da senhora Carolina Salgado, através do seu livro "Eu, Carolina", que até deu um filme. É curioso sublinhar como os malfeitores da opinião publicada do "sistema" são eficazes. Transformaram Dias da Cunha num indivíduo senil e Carolina Salgado, num ápice, passou de respeitável primeira dama do Porto à prostituta mais falsa do planeta.

sábado, 10 de maio de 2008

O papel de Dias da Cunha

Ao ficarmos a conhecer os castigos da Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional a clubes, dirigentes e árbitros, na sequência do processo “Apito Dourado”, é justo destacar a importância do papel desempenhado por António Dias da Cunha. O ex-presidente do Sporting foi o único dirigente do futebol português que soube chamar os bois pelos nomes, identificando os “rostos do sistema” e protagonizando uma cruzada em nome da verdade desportiva e da credibilização do futebol português. Tudo isso com a legitimidade de ter sido dos poucos dirigentes que não foram apanhados em chamadas telefónicas suspeitas ou denunciadoras do pântano em que o futebol português está mergulhado há muitos anos.
Por isso mesmo, Dias da Cunha - ao contrário de Luís Filipe Vieira, por exemplo - foi também o único dirigente que, nesta sexta-feira, pôde falar de cabeça bem levantada. De modo certeiro, zurziu no poder político, nomeadamente no actual secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, por ter deixado na gaveta um "Manifesto" pela credibilização do futebol, subscrito pelo próprio Dias da Cunha e outros dirigentes. E lembrou que os castigos agora conhecidos se resumem a casos de corrupção verificados em meia dúzia de jogos, sendo, portanto, a “ponta do iceberg” que nos últimos 20 anos tem transformado o futebol português numa enorme mentira.
Mesmo afastado do futebol, Dias da Cunha continua a ser ouvido com atenção e respeito. E agora mais do que nunca. Ao contrário do Sporting, que, infelizmente, deixou de ser uma voz activa no combate ao famigerado “sistema” – termo, aliás, introduzido pelo próprio Dias da Cunha. Ao mandar o assessor de comunicação anunciar uma posição oficial sobre as decisões da Liga de Clubes para quando reunirem os órgãos directivos do Sporting, o actual presidente, Filipe Soares Franco, dá a ideia de que não está interessado em mudar nada, deixando o clube arredado de um papel activo na mudança que o futebol português necessita com urgência.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Racismo na Liga

Yannick Djaló tem de dar umas explicações à Comissão Disciplinar da Liga de Clubes sobre a modo como festejou o golo milionário no Estádio da Mata Real, em Paços de Ferreira. A própria Liga vai investigar... Tudo porque o atleta leonino, na explosão de alegria que se seguiu ao excelente golo que marcou, ordenou aos adeptos pacenses que se calassem colocando um dedo indicador junto aos lábios. Ao que parece, Yannick respondia a manifestações racistas vindas da bancada. Imagina-se o que o miúdo terá ouvido: "Preto, vai para a Guiné!"... E daí para baixo...
Os atletas, sempre sujeitos à própria pressão de um jogo, podem ouvir de tudo, mas não podem manifestar-se, nem sequer ordenando aos energúmenos racistas das bancadas que se calem. A ser assim, é uma luta desigual que mata o futebol enquanto espectáculo.
Só faltava agora inventarem um castigo raro para afastar Yannick Djaló da final da Taça de Portugal. A não ser que a Comissão Disciplinar da Liga de Clubes também seja racista e subscreva os insultos gratuitos nos estádios portugueses.
O Sporting não pode ficar calado. Mais: no próximo jogo, com o Boavista, o clube deveria lançar uma campanha contra o racismo no futebol. Que tal cada jogador entrar em campo com uma criança de raça diferente?... FOTO: Miguel Vidal (Reuters)

RECORTES LEONINOS

DA COCA-COLA AO GOLO MILIONÁRIO
No final da época 2001/02, Laszlo Bölöni, depois de o ter convocado para alguns treinos com os seniores, chamou Yannick Djaló, então nos juvenis, para um jogo particular em Alvalade frente ao Alverca. O treinador apostou uma grade de coca-cola com o jovem avançado de 16 anos, viciado naquele refrigerante, e... perdeu. O romeno foi ao supermercado mais próximo pagar a aposta e o Sporting ganhou ali um avançado.
Há seis anos, Yannick marcou o golo que evitou a derrota do Sporting. Neste domingo, foi a vez de retribuir a grade de coca-cola com um golo milionário: Soares Franco agradeceu. O golo em Paços de Ferreira pode valer ao Sporting, no mínimo, cinco milhões de euros. É o prémio de presença na Liga dos Campeões e a participação nos seis jogos do grupo mais receitas de bilheteira e direitos de televisão.
Soares Franco não se cansou de dizer que o segundo lugar é o objectivo principal dos "leões", mesmo à frente da Taça UEFA ou Taça de Portugal. Yannick levou à letra as palavras do líder sportinguista e, na Mata Real, marcou o golo da vitória que deixa a equipa a um ponto do segundo lugar.
Yannick deixou a Guiné com seis anos e foi para a Covilhã. Aí, jogou na Associação Desportiva da Estação antes de despertar a cobiça do Sporting, que deu por ele 2500 euros. Em Alvalade, foi campeão de juniores com Paulo Bento como treinador - em 2006, recebeu uma chamada de Bento para a equipa principal.
Junto dos adeptos ganhou crédito com os dois golos apontados ao Benfica na pré-época, no Torneio do Guadiana (3-0). Mas as suas exibições intermitentes foram granjeando alguma desconfiança. As lesões, esta época, atiraram-no para fora da equipa por quatro meses (falhou 12 jornadas). A equipa ressentiu-se da sua falta e o seu regresso foi aplaudido: com novo "look" (cortou as longas tranças) e mais poderoso fisicamente, foi acumulando golos. Marcou logo no regresso frente ao Nacional e outro golo à Naval; apontou dois na vitória sobre o Sporting de Braga e outros dois ao Benfica para a Taça. Domingo, saiu coroado de Paços de Ferreira.
AUTOR: Filipe Escobar de Lima, "Público", 06-05-2008
Obs. - Título do LEÃO DA ESTRELA

terça-feira, 6 de maio de 2008

A televisão e o futebol jovem

Numa altura em que Joaquim Oliveira se prepara para lançar o canal Sport TV 3 seria interessante reflectir um pouco sobre o papel dos seus canais desportivos no desenvolvimento e na promoção do futebol jovem em Portugal. O Sport TV 3, que está anunciado para Junho, é descrito como um canal "dedicado ao público jovem e feminino". Entre as modalidades a emitir pelo canal pago estão a patinagem, a ginástica, a natação, a dança, os desportos radicais e de aventura. Será ainda dado destaque ao desporto escolar e a campeonatos internacionais. Por outras palavras, será mais do mesmo, mais coisa, menos coisa.
Ora, o que se constata é que o futebol jovem continua arredado das televisões portuguesas, não obstante os títulos internacionais conquistados e a importância estratégica da formação para a sobrevivência dos clubes. A transmissão semanal dos jogos de juniores, juvenis e iniciados que envolvessem a participação dos maiores clubes, no caso o Sporting, o FC Porto e o Benfica, seria um excelente meio de divulgação do futebol jovem e dos próprios talentos que brilham nas várias equipas. Talvez dessa forma o grande público soubesse o valor da maioria dos atletas, quando estivesse em causa escolher aqueles que devem ser tidos em conta para as respectivas equipas principais.
Nesta altura, por exemplo, teria todo o interesse mostrar ao País, em directo, os clássicos Sporting-Benfica, FC Porto-Sporting ou Benfica-FC Porto da fase final do campeonato nacional de juniores. Seria um excelente veículo de promoção do futebol jovem e do trabalho dos próprios clubes. Seria um serviço público que, aliás, a Federação Portuguesa de Futebol deveria ser a primeira instituição a defender. Tanto mais que o futebol de formação também é suportado pelo dinheiro dos impostos de todos nós. Por isso, se a FPF não liga nenhuma, que sejam os clubes a fazer alguma coisa, a começar pelo Sporting...
Infelizmente, em vez de mostrarem os nossos jovens futebolistas a despontar, os canais desportivos mostram-nos doses cavalares de hipismo, bilhar, snooker, ténis, vela, surf, golfe e outras modalidades, imagens talvez compradas em pacotes a televisões estrangeiras, verificando-se uma grande falta de identificação entre a maior parte do público português e os produtos emitidos pelos canais em causa.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

RECORTES LEONINOS

MOUTINHO E A POLÍTICA DO SCP
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Pinto da Costa disse à "Visão" que não queria nenhum jogador do Benfica e que, do Sporting, ficaria de bom grado com João Moutinho, porque se trata "de um jogador à FC Porto". Se a primeira afirmação deve ser lida à luz da condução estratégica que é feita pelo presidente do FC Porto há mais de 20 anos - e desta vez é o Benfica que convém ir rebaixando, mantendo boas relações com o Sporting e o mesmo presidente com quem já teve grandes problemas "papais" -, a segunda prova que o dirigente portista continua a ter bom gosto e discernimento na escolha dos alvos.
João Moutinho é a melhor coisa que acontece ao Sporting desde a contratação aventureira de Jardel, em 2001. Por ele, mais do que por Veloso ou Liedson, vale a pena repensar a organização do futebol do clube, renegociar com os bancos e perceber que há vida para além do défice.
É certo que Moutinho faz mais de 50 jogos por época, que não se lesiona, que não se cansa e joga sempre entre o bem e o muito bem. Não é tantas vezes decisivo como Liedson, mas também não passa jogos anónimo. Não tem a categoria e a margem de progressão de Veloso, mas é muito mais seguro: o último erro defensivo comprometedor que cometeu foi no Benfica-Sporting da Taça de Portugal, em Janeiro de 2005. E a somar a tudo isso, com Moutinho o Sporting pode voltar a ter mística, algo que não se vê em Alvalade se calhar desde a despedida de Manuel Fernandes.
Bastava ver o plano apertado que a realização televisiva fez no final do Sporting-Marítimo, em que o capitão tentava convencer um companheiro - que não aparecia na imagem - a ir a um dos topos agradecer o apoio das claques, para o compreender. É também por atitudes como estas que a continuidade do capitão é imprescindível ao Sporting do futuro.
Deve dizer-se, em abono da verdade, que o Sporting parece ter percebido isso já na época passada, quando aumentou o ordenado do jogador para um plano próximo do seu tecto salarial. Esse contrato tinha, contudo, a célebre cláusula do dízimo, pela qual o Sporting se obrigava a pagar ao jogador dez por cento de cada proposta que rejeitasse para o vender acima de 15 milhões de euros. E é essa cláusula que pode transformar o esforço para o manter num investimento importante, numa altura em que o passivo ainda não baixou tanto como o prometido, em que a carga de juros continua a ser elevada e o baixo "cash flow" gerado pela SAD ainda obriga à constituição de um empréstimo obrigacionista como única forma de pagar o que se emitiu anteriormente e agora vence. Soares Franco, contudo, dá sinais de querer inverter a tendência política exclusivamente centrada na dívida e nos objectivos financeiros com que sublinhou o último ano e meio.
Tal como o País, talvez o Sporting também precisasse de anular os efeitos da catastrófica política consumista de 2000 (sobretudo) e 2001, bem como do investimento em infra-estruturas que se fez depois, com o Estádio e a Academia. Mas se a obsessão com o défice travou a economia nacional, também mata o Sporting pela anulação dos objectivos desportivos. Mais do que a impossibilidade de gerar mais-valias no mercado todos os anos de forma a cumprir as metas definidas no "project finance" - com Veloso e Moutinho o Sporting já garantiria mais dois defesos animados - terá sido a noção de que esse caminho matava a sede de conquista, pela desresponsabilização que trazia para a equipa de futebol, a levar os responsáveis a atalhar caminho.
Assim, começam a surgir notícias de que o Sporting tentará libertar 15 a 20 milhões de euros para gastar no mercado ou que a SAD poderá aproximar o orçamento dos de Benfica e FC Porto. Percebe-se a necessidade, até porque só para ficar com Izmailov, Vukcevic e Grimi quase se vai embora metade do investimento anunciado. Mas a entrevista de Pinto da Costa foi uma assistência perfeita, daquelas que deixa o avançado de baliza aberta, e em Alvalade ninguém a aproveitou.
Tal como o presidente do FC Porto já falou de Lucho, Bruno Alves, Quaresma ou Bosingwa, Soares Franco devia ter respondido a Pinto da Costa, confirmando aquilo que ele dissera: "Sim, João Moutinho é obviamente inegociável." A menos que não seja assim e a época que agora termina não tenha chegado para ensinar aos dirigentes do Sporting que o que precisam não é de gastar muito com jogadores novos, que podem dar certo ou acabar em fiascos. O que precisam é de guardar os que já têm e sabem que são bons.
AUTOR: António Tadeia, "Diário de Notícias", 03-05-2008
FOTO: www.sporting.pt

domingo, 4 de maio de 2008

Yannick resolveu

Na ausência de Liedson foi Yannick Djaló quem resolveu, marcando o golo solitário que deu a vitória ao Sporting, no difícil terreno do Paços de Ferreira. Uma vitória que confirma o segundo lugar da equipa de Paulo Bento na I Liga Portuguesa e o acesso directo à próxima edição da Liga dos Campeões, bastando agora uma vitória ou um empate na última jornada, em Alvalade, frente ao Boavista – isto em função dos empates do Guimarães e do Benfica, nesta jornada.
No jogo da Mata Real, assistimos ao regresso de um velho Sporting – não um Sporting que na maioria dos jogos desta temporada fora de Alvalade cavou um fosso de 20 pontos em relação ao campeão nacional, mas um Sporting próximo daquele que vimos na época passada, não muito exuberante em termos exibicionais, mas eficaz, rigoroso, solidário e a ditar o ritmo das operações, embora, em Paços de Ferreira, apenas na primeira metade do jogo. Mas foi o suficiente para que não tenha dado meio jogo de avanço ao adversário, ainda que não tivessem faltado ocasiões, nomeadamente quando Tonel substituiu Rui Patrício sobre a linha de golo ou quando a bola beijou a barra leonina. Pouco depois, na sequência da cobrança de um livre, apontado por Miguel Veloso, Yannick, à boca da baliza, marcou um golo acrobático. Estavam decorridos 35’ e, daí até ao intervalo, o Paços de Ferreira andou à deriva, sem que a equipa leonina tivesse aproveitado devidamente.
No reatamento, o Sporting exagerou na entrega das despesas do jogo ao adversário, controlando a vantagem mínima até níveis exasperantes. A equipa pareceu mais preocupada em destruir ou em manter a posse de bola do que em chegar ao segundo golo. Até Vukcevic, quando se isolou, na única grande ocasião leonina para matar o jogo, foi inconsequente. Em consequência disso, o Sporting sofreu muito até ao fim. Mas o chamado "segundo objectivo" está mesmo ao alcance... FOTO: Miguel Vidal (Reuters)

Ramires aumenta 25 vezes num ano

Segundo esta notícia da imprensa brasileira, há um ano, o Cruzeiro contratou o médio Ramires ao Joinville (um clube modesto do Estado de Santa Catarina), por empréstimo gratuito até ao final da temporada, que, no Brasil, é praticamente coincidente com o fim do ano civil. Na altura, o Cruzeiro ficou com a opção de comprar 70% do passe do jogador, pagando 300 mil dólares (cerca de 200 mil euros). Isso significa que o passe do jogador estava avaliado em 430 mil dólares (cerca de 280 mil euros).
É bom que se diga que Ramires, de apenas 21 anos, e que chegou a Belo Horizonte vindo directamente da Série C brasileira, é um valor emergente, impondo-se no exigente Cruzeiro, que se prepara para conquistar mais um título mineiro. Embora sendo leve, nesse aspecto parecido com Liedson, Ramires é um médio defensivo muito activo em campo, sendo considerado forte na marcação. Foi este jogador que impressionou o observador do Sporting Paulo Cardoso, em recente estadia no Brasil, segundo “A Bola”.
O que é surpreendente é que, em apenas um ano, o passe de Ramires tenha valorizado 25 vezes mais. De 280 mil euros – o preço do jogador quando chegou ao Cruzeiro – para sete milhões de euros, o preço actual, segundo “A Bola”. O que já não surpreende é que os responsáveis do Sporting tenham feito constar publicamente o interesse no jogador… Deve ser para despistar o mercado. Ou então para Paulo Cardoso mostrar serviço... Ora, para isso era escusado ter ido ao Brasil...
Outro pormenor, no mínimo curioso, é que Ramires seja apontado como substituto de Miguel Veloso, em "A Bola", precisamente no dia em que o presidente Filipe Soares Franco, no "Record", afiança que Miguel Veloso é para ficar...

A força da nação sportinguista

O Sporting Clube de Portugal é cada vez mais um caso único no desporto português. Desde logo pelo interesse e dedicação que suscita entre os seus associados e adeptos, que se juntam por diversas formas, a mais actual das quais através da Internet. A blogosfera leonina, por exemplo, é das mais ricas e diversificadas do desporto português, constituindo um espaço de informação e debate sobre o clube, muitas vezes de grande qualidade, capaz de alterar a agenda mediática dos dirigentes e dos meios de comunicação tradicionais. Até já há casos em que os próprios dirigentes leoninos comunicam através da blogosfera. O que traduz também a força da nação sportinguista espalhada pelo País e por vários pontos do Mundo.
Agora, acaba de nascer a Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS), projecto inédito entre os clubes portugueses. O organismo foi fundado no dia 9 de Abril e já tem agendado o seu evento de lançamento, para 24 de Maio, denominado “Fórum Sporting: Tradição e Evolução”. O fórum será de entrada gratuita, sendo a participação exclusiva de sócios e adeptos leoninos. O LEÃO DA ESTRELA e os seus leitores sportinguistas estão convidados a marcar presença e a participar neste encontro verde e branco. O que agradecemos à novel Associação de Adeptos Sportinguistas. Toda a informação sobre o “Fórum Sporting: Tradição e Evolução” pode ser consultada num blog criado para o efeito, em http://vinteequatrodemaio.blogspot.com.

sábado, 3 de maio de 2008

Os próximos "Leõezinhos"

O defesa-central Daniel Carriço, o defesa-esquerdo Tiago Pinto, o médio Celestino e o avançado Carlos Saleiro são os “Leõezinhos” melhor colocados na lista de jogadores formados em Alvalade candidatos a integrar o plantel principal do Sporting 2007-2008.
Caso se confirmem estes ingressos, poderá aumentar o contingente de jogadores formados no clube no plantel principal, que actualmente é de sete elementos: Rui Patrício, Paulo Renato, Pereirinha, Moutinho, Adrien Silva, Miguel Veloso e Yannick Djaló. Deste grupo, Paulo Renato é o único que ainda não jogou na época em curso, pelo que também não deverá ser opção para a próxima temporada. Com a preciosa ajuda do “Correio da Manhã”, o LEÃO DA ESTRELA apresenta os quatro principais jovens “Leões” candidatos a um lugar no plantel verde:

DANIEL CARRIÇO
Idade: 19 anos (04/08/1988)
Nacionalidade: Portuguesa
Posição: Defesa
Clubes: Sporting (formação), Olhanense e AEL Limassol (Chipre)
Contrato: até 2010
Nesta época: 9 jogos – 0 golos (Olhanense); 11 jogos – 0 golos (AEL Limassol)
Curiosidades: Ex-capitão dos juniores leoninos, é conhecido como um jogador raçudo e muito forte na marcação. Chegou a ser uma hipótese para o plantel 2007-2008 do Sporting, mas Paulo Bento optou por Paulo Renato, outro central, que ainda não jogou. Esteve emprestado ao Olhanense até Dezembro passado e, em Janeiro, seguiu para o AEL Limassol (Chipre). Agora quer regressar a Alvalade ou, em alternativa, ser emprestado para um clube de um campeonato mais competitivo.

TIAGO PINTO
Idade: 20 anos (01/02/1988)
Nacionalidade: Portuguesa
Posição: Defesa-esquerdo
Clubes: Sporting (formação) e Olivais e Moscavide
Contrato: até 2009
Nesta época: 30 jogos – 0 golos
Curiosidades: É filho de João Vieira Pinto, internacional português e campeão pelo Sporting em 2001-2002. O seu “grande sonho” é vestir a camisola da equipa principal do Sporting. Em 207 chegou a ser hipótese para o Sporting de Braga, onde seria colega de equipa do seu pai. Mas o Sporting propôs a renovação e aceitou. Emprestado ao Olivais e Moscavide, tem sido titularíssimo.

CELESTINO
Idade: 21 anos (02/01/1987)
Nacionalidade: Portuguesa
Posição: Médio
Clubes: Sporting (formação), Olivais e Moscavide, Estoril e E. Amadora
Contrato: até 2009
Nesta época: 17 jogos - 3 golos (Estoril); 12 jogos – 0 golos (E. Amadora)
Curiosidades: Celestino foi cedido nesta época ao Estrela da Amadora mas já foi abordado para renovar até 2013. O médio, de 21 anos, deve integrar a pré-época leonina. É um médio “box to box” com talento reconhecido.

CARLOS SALEIRO
Idade: 22 anos (25/02/1986)
Nacionalidade: Portuguesa
Posição: Avançado
Clubes: Sporting (formação), Olivais e Moscavide e Fátima
Contrato: até 2012
Nesta época: 29 jogos – 10 golos
Curiosidades: Carlos Saleiro foi notícia logo quando nasceu, pois foi o primeiro bebé-proveta português. O valor da cláusula de rescisão do seu contrato, que foi renovado recentemente e dura até 2012, é de 30 milhões de euros. Um dos golos que marcou esta temporada foi precisamente ao Sporting, para a Taça da Liga.
FOTOMONTAGEM: "Correio da Manhã"

E se o Sporting contratasse Mário Jardel?...

A ideia não será consensual, mas, por isso mesmo, merece ser analisada e debatida: e se o Sporting contratasse Mário Jardel?...
O Sporting precisa de reforçar o seu ataque, tem jogadores a dispensar em vários sectores e não tem dinheiro para ir ao mercado. Mário Jardel é uma ex-estrela leonina que caiu nas armadilhas que a vida pode pregar a qualquer um, não tem grande mercado e dá mostras de querer voltar a ser feliz fazendo golos – aquilo que ele melhor sabe fazer.
Para além da sua entrevista à "TV Globo", em que revelou os seus problemas com a droga e seus derivados, ao que parece, já ultrapassados, confesso que me sensibilizaram as suas imagens na RTP, nesta sexta-feira, em Lisboa, abraçado aos filhos – o Jardel Júnior até é avançado nos iniciados do Sporting… – ou interceptado pelas palavras amigas do público anónimo de todas as idades, que continua admirador do antigo goleador brasileiro, que deu ao Sporting os três títulos nacionais que havia para conquistar na temporada 2001-2002.
Seria viável propor a Mário Jardel um programa de treino personalizado até ao início da próxima pré-temporada, para que depois pudessem ser avaliadas as suas condições pessoais e físico-atléticas face a uma eventual contratação? Repito: e se o Sporting contratasse Mário Jardel, nem que fosse através de um contrato de risco?...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Isto não é o Sporting!...

Nascido na Internet, o Movimento de Cidadania Sportinguista “Leão de Verdade”, liderado pelo associado Frederico Abreu, sócio nº 50.550 do Sporting Clube de Portugal, foi hoje objecto de uma notícia de página inteira do jornal “Record”. Uma notícia cuja finalidade é apenas desacreditar o movimento e os seus mentores, que, insistentemente, têm pedido a realização de uma assembleia geral do Sporting, pedidos que, inexplicavelmente, têm sido sucessivamente ignorados. Segundo a notícia, Francisco Abreu esteve sem pagar quotas durante três anos, tendo regularizado a situação apenas em Janeiro último. Pedro Cunha Ferreira, sócio nº 9.576, não paga as quotas há ano e meio. Francisco Leitão, outro dos membros do movimento “Leão de Verdade”, foi admitido como sócio apenas em Julho de 2007, não tendo direito a voto numa assembleia geral por não ter ainda um ano de filiação. O que pretendem que deduzamos destas informações é que esses senhores deveriam estar calados…
É evidente que não foram os jornalistas do “Record” que se deram ao trabalho de consultar os ficheiros de associados do Sporting e conferir as situações relatadas. Eles deram a notícia porque o departamento de comunicação do Sporting forneceu os dados. É a única explicação lógica e racional para o caso. A não ser que o ficheiro dos associados e as listas de associados que pagam as quotas ou que não pagam as quotas circulem livremente pelas redacções dos órgãos de comunicação social. Como diz o “Leão de Verdade”, o caso “é bem o retrato do clima de condicionamento da opinião e sua expressão que alastra no Sporting Clube de Portugal, realidade que, apesar de só agora se ter tornado publicamente evidente, é por nós há muito conhecida e experimentada, e que é também do conhecimento dos sportinguistas, que não terão dificuldade em identificar os mecanismos, as cumplicidades e até os protagonistas que estão na origem do presente episódio”.
Um episódio feio e lamentável, porque divide ainda mais os sportinguistas e demonstra tudo aquilo que o Sporting Clube de Portugal não deve ser: um espaço de caciquismo bafiento, de falta de liberdade, de controleirismo inaceitável, em suma, um espaço pouco ou nada desportivo.
O presidente da assembleia geral, Rogério Alves, que é uma pessoa de bem, e que dirige as assembleias gerais com um notório espírito democrático, deveria ter vergonha do que está a acontecer na sequência desta saga da assembleia geral que é pedida e que não é agendada. O que parece é que há muito para esconder. E, nestas coisas, o que parece, é. Primeiro era preciso dinheiro para alugar uma sala. Agora, quem pede a assembleia geral não tem credibilidade. Isto não é o Sporting Clube de Portugal!...
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