sábado, 31 de maio de 2008

RECORTES LEONINOS Blogosfera

O ESSENCIAL DA BLOGOSFERA SPORTINGUISTA SOBRE A ASSEMBLEIA GERAL

“O verdadeiro objectivo da SAD não consiste em ser uma ferramenta, um meio de projectar os valores que tornaram grande o Sporting Clube de Portugal, conferindo transparência e objectividade ao Clube! É sim um fim em si mesma, cujo objectivo real, ontem finalmente revelado pelo seu presidente, é dar dividendos aos seus accionistas! O Sporting Clube de Portugal morreu, a morte não causou surpresa, por já se encontrar moribundo há algum tempo, sem aparentar sinais de convalescença. (…) O Clube morreu, mas a luta vai continuar até que todos os responsáveis pela sua morte sejam apurados e consequentemente punidos.”
1906 Luta & Resiste

“A Figura Principal: Rogério Alves. Como seria de esperar, esteve ao seu habitual nível, e não desiludiu sendo a personagem que falou durante largos períodos de tempo como a atingir um orgasmo psicológico cada vez que ouvia a sua própria voz. Cometeu infracções graves no decorrer na AG como a não colocar à votação requerimentos propostos, algo que é motivo para a impugnação da AG pelos requerentes. Permitiu que um sócio usurpasse o tempo dos outros através de um estratagema digno dos melhores políticos portugueses. Vai ficar para a história do Sporting como o presidente da AG que permitiu que se fizesse uma verdadeira golpada ao abrir as urnas enquanto ainda havia sócios inscritos para falar. Quis fazer de Salomão e perdeu o controlo da situação, donde só não chegou a haver agressões pela actuação da segurança, e donde ele nada conseguia fazer por total perda de autoridade por ele causada. (…) Notou-se desde o início uma tensão latente na AG, donde se realça o facto de ao que me apercebi, sempre que havia uma opinião favorável ou desfavorável cerca de metade dos presentes aplaudia. Dai posso concluir que o número de votantes, do sim ou do não, seriam quase equivalentes, mas não o número de votos. O que pude observar foi então que a grande divisão estaria entre os sócios mais novos e os mais antigos, e o maior número de votos destes últimos foi factos decisivo.”
A Última Roulote

“Clima: Vergonhoso. Aquele não é o Sporting que aprendi. Estou enjoado de sportinguistas que dizem amar o clube mas que são incapazes de se comportar à altura dele. Ameaças de pancada, insultos aos oradores, requerimentos semi-anónimos para se passar à votação... O que é isto? (…) Isabel Trigo Mira: Foi dela a frase da noite, com o ‘não é isto que queremos deixar aos nossos filhos’. Não podia concordar mais.”
PRB, Centúria Leonina

“O que é certo é que o clube vive numa situação insustentável, com um passivo ainda exorbitante e que quem colocou o Sporting nesta situação não foi a actual direcção. O que se assiste agora são tentativas de inverter a situação, o que nunca ninguém tinha feito, para no futuro o Sporting conseguir ser economicamente sustentável. Mas o que isto acarreta é o não investimento do aspecto desportivo actualmente. E é isto que desgosta os sportinguistas. Quando é o futebol que tem mais notoriedade e traz mais prestígio e dinheiro, todos querem que se invista. Além do mais, os adeptos querem ver também investimento nas modalidades, porque o Sporting não é só futebol. Mas não há dinheiro. A actual direcção está na fase de consolidação do Sporting para um futuro próximo, mas no presente não é possível fazer milagres. Quiçá no futuro agradeçam a Soares Franco. Ou não…”
Equipa Leonina

“Não creio que haja margem para grandes dúvidas que hoje os campos estão clarificados. Existe, de um lado da barricada, uma operação montada para desfazer o Sporting (não é de hoje e só por ingenuidade se poderá acreditar no contrário), para a execução da qual os seus autores lutam tenaz e afincadamente. Admitamo-lo sem rodeios porque essa é uma realidade desta guerra que precisa de ser claramente tida em conta: a parada é alta e estão muitos tachos em jogo. Mas, existe, do outro lado, um número significativo e crescente de partidários do ideário Sportinguista, que continuam a acreditar no Clube dos princípios, tal como foi idealizado pelos seus fundadores, um Sporting ainda hoje perfeitamente actual e válido.”
King Lizards

“Sei agora que há Sportinguistas para fazer o Sporting do futuro, que não passa, nem de perto, nem de longe, por nada disto que este bando de malfeitores de estrada que é a direcção actual e seus capangas, amigalhaços de ocasião e apaniguados quer implementar, usando todas as artimanhas e truques baixos que a sua mente perversa consegue idealizar. Sei agora que o Sporting, o Grande Sporting, como gostamos de lhe chamar, tem gente à altura da sua grandeza para assegurar o seu futuro. Sei agora que o Sporting é e vai continuar a ser dos Sportinguistas. Porque não são poucos os que gritam corajosamente SPORTING! (…) O Sporting é dos Sportinguistas porque há Sportinguistas verdadeiros para continuar o Clube.”
King Lizards

“Um dos primeiros oradores, sócio Dias Ferreira, apresentou-se com um discurso que o próprio anunciou demorar cerca de 24 minutos. Após esgrimir argumentos com o presidente da mesa, alegou o facto de em seu favor cinco sócios inscritos terem abdicado dos seus tempos de intervenção. A negociação de «minutos» prosseguiu durante alguns instantes, que acabou numa decisão do presidente da mesa em conceder ao sócio em causa metade do tempo por este exigido. Ia a intervenção já ultrapassando largamente o tempo estipulado, quando o presidente da mesa interrompeu afirmando que estenderia o tempo em mais quatro minutos na sequência de mais uma desistência em favor do orador.”
Frederico Abreu, Leão de Verdade

“Cerca das 23,30 horas, foi entregue à mesa um requerimento que prescindia da palavra dos sócios ainda inscritos que não a tinham usado, passando de imediato à votação. A confusão nos longos minutos que se seguiram, resultou na tentativa de votação de braço no ar do requerimento, frustrada pela impossibilidade dos serviços a conseguirem concretizar. Neste longo período ninguém usou da palavra. Entretanto, deram entrada na mesa outros dois requerimentos, que não foram sujeitos a votação. Facto para o qual não houve nenhuma explicação. Posteriormente o presidente da mesa tomou a decisão de conceder um minuto a cada um dos ainda inscritos, mas abrindo a votação de imediato. Acto contínuo, uma grande maioria dos sócios desloca-se para a zona das urnas a fim de exercer o direito de voto, por um lado, sendo que por outro, ainda alguns sócios tentavam usar da palavra. Acredito que o presidente da mesa, pessoa pela qual tenho consideração, fará uma reflexão destes acontecimentos para que os evite no futuro, a bem da dignidade e grandeza que o órgão máximo do nosso Clube merece.”
Frederico Abreu, Leão de Verdade

“Foi uma noite má para o Sporting. Não o digo pelo resultado da votação. O projecto de reestruturação financeira mereceu uma maioria ampla de apoio e, segundo julgo perceber, o facto de não se ter atingido a maioria qualificada de dois terços apenas inviabiliza a transferência da SCS, o que não compromete o resto do projecto, legitimado pelo voto, nem põe em causa a devida preparação da próxima época. A assembleia foi francamente mal dirigida.”
Nosso Querido Clube

“O ambiente da assembleia também deixou muito a desejar. Tornou-se evidente que o grupo do dr. Dias da Cunha está disposto a tudo. Como é possível que um homem que, com toda a razão, tanto se indignou contra os insultos que a claque lhe dirigia em cada jogo da equipa, possa vir para uma assembleia com um grupinho organizado, apostado em fazer da reunião magna do Clube um comício ou uma arruaça? Lamentável. A este respeito, cumpre destacar a diferença da conduta do dr. Sérgio Abrantes Mendes, que fez uma notável intervenção, proporcionando até, com a homenagem ao prof. Moniz Pereira, a mais sentida ovação da noite.”
Nosso Querido Clube

“Senti na plateia a falta de muitos ilustres sportinguistas, que sempre me habituei a ver em assembleias. Os núcleos reunidos no passado fim-de-semana exigiram que as assembleias passem a ser convocadas para os fins-de-semana. Têm toda a razão. É preciso criar condições para que todos os sportinguistas possam estar presentes.”
Nosso Querido Clube

“Posto isto só no futuro saberemos se foi positiva ou negativa a posição tomada ontem, pois o seu impacto só será visível a curto/médio prazo, mas quer-me parecer que o Sporting tal qual todos nós conhecemos está a caminhar para o seu fim. O Sporting seguirá um caminho mais empresarial, deixará de exercer uma posição maioritária na SAD, a opinião dos sócios será cada vez menos válida, existirá um investidor a comandar os nossos destinos e uma das nossas bandeiras e imagens de marca caminhará para a extinção: o ecletismo passará a ser uma recordação na sua quase ou toda a globalidade, sendo o futebol o único motor do clube. (...) Assim sendo, gostava que isto fosse uma visão pessimista, mas parece-me que é o futuro do Sporting. Vamos ver o que o tempo dirá.”
O Visconde de Alvalade

“Espero sinceramente que os que discordam da minha posição não estejam redondamente enganados, porque se estiverem o futuro do SCP será bem diferente... para pior.”
Rugido Leonino

“Podia o projecto de reestruturação ser adiado? Não creio. Até me parece quase esquizofrénico termos andando a exigir o fim do estrangulamento que os acordos com os bancos nos causavam na tesouraria e agora evitar olhar de frente para uma possível solução. Já não me parece que a marcação em cima do joelho de uma AG fosse um serviço bem prestado. Antes me parece que foi uma grande contribuição para o engrossar o lote dos que votaram não. Já a minha avó dizia que não se apanham moscas com vinagre. Mesmo aceitando a urgência da apreciação e votação do projecto, nunca se devia ter dado a impressão de que se queria “despachar isto rápido”. Os sócios sentem-se pressionados e este sentimento gera desconfiança, cria resistências e antipatias desnecessárias. Esta administração não poderia ou não deveria ter ignorado o meio em que se move. Uma alteração profunda como a preconizada merecia uma apresentação prévia e a marcação de variadas sessões de esclarecimento. Estas não tinham que ser apenas presenciais. Ignorar a blogosfera leonina e as suas potencialidades como meio de comunicação parece-me falta de visão.”
Verdão, Sangue Leonino

“Dos cerca de 34% que votaram não, estou convicto que a maioria o fez pura e simplesmente por optar pelo constante bota-abaixo, independentemente das medidas a tomar. A operação de contrair o empréstimo dos 60 milhões através da emissão dos tais títulos obrigatoriamente convertíveis em acções no prazo de 5 anos, que apenas obrigariam o clube a pagar uma taxa anual de juros de 3% era das melhores medidas que alguma vez se poderia conseguir. Melhor, seria impossível. Quem me dera poder renegociar com o meu banco o meu empréstimo da casa e colocá-lo numa taxa de juro próxima desta.”
Sociedade Leonina

“O Projecto apesar de não ter visto a passagem da SCS para a SAD, aparentemente vai em frente! Óptimo! Quer isso dizer que podemos reforçar a equipa... Se pudéssemos ir buscar o Wagner Love e o Daniel CArvalho, isso sim era de me levar às lágrimas!”
Sporting 2006

“Infelizmente, o problema do nosso Sporting vai muito para lá da "pertença" continuidade ou não do actual presidente, que embora goste muito de colocar o seu cargo numa espécie de "poltrona", que ameaça deixar sempre que possa encontrar alguma contrariedade, não passa de, pelo menos para já, de um "projectista incapaz", visto que já inventou mil e uma soluções para o buraco financeiro do clube mais ainda não resolveu nada, ou quase nada!!!”
Sporting Até à Morte

“Esperei por todas as explicações para decidir o sentido do meu voto. Há um facto que foi decisivo. FSF disse que a Academia não tinha sido valorizada com o novo aeroporto. Devido a tudo o que disse e desdisse no passado já não confiava no que dizia. Mesmo que apresentasse um projecto fabuloso, não tenho confiança para passar um cheque em branco. Acho mesmo que a nova localização do aeroporto é o que está a mover isto tudo. O meu voto é não.”
Sporting no Coração

“O resultado da Assembleia Geral de 28/05/2008 não poderá ser encarado como uma “vitória”, “derrota” ou, sequer, “meia-vitória” ou “meia-derrota” de nada ou de ninguém, desejando-se, isso sim, que seja uma vitória do Sporting Clube de Portugal, associação particular de interesse público e agremiação desportiva centenária, devendo, para isso, prevalecer a ponderação, a moderação e o bom senso de todos os Sportinguistas em prol do Sporting Clube de Portugal.”
Comunicado da Associação de Adeptos Sportinguistas, Visão Leonina

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O PREC leonino

No futebol, por um golo se perde e por um golo se ganha. Numa assembleia geral, por um voto se perde e por um voto se ganha. No caso da última Assembleia Geral do Sporting, Filipe Soares Franco perdeu, porque precisava de uma votação de 66 por cento e não foi além dos 63,7 por cento. Tendo em conta as circunstâncias, foi uma derrota.
Como duas das três propostas colocadas a uma única votação (a passagem da propriedade da Academia para a Sociedade Anónima Desportiva e o empréstimo obrigacionista de 60 milhões de euros) não exigiam uma maioria de dois terços, ficou por aprovar a integração na SAD da Sporting - Comércio e Serviços, empresa que detém os direitos televisivos dos jogos de futebol da primeira equipa leonina. É por isso que Soares Franco, que antes ameaçara ir embora, vai agora adaptar o seu projecto de reestruturação financeira a um denominado "Plano B".
Apesar da forte máquina de propaganda a promover um voto favorável às propostas de Franco, sustentada em múltiplos meios, a começar por uma comunicação social desportiva que está sempre alinhada com quem está no poder, o que é decisivo na construção de uma opinião dominante, a verdade é que o presidente do Sporting não conseguiu o seu objectivo de ver aprovado na totalidade o projecto de reestruturação financeira.
Nem mesmo a situação perfeitamente surreal de a votação ter começado sem que tivessem acabado as intervenções - um caso revelador de défice democrático e de numa enorme falta de respeito pela palavra de todos os associados, pelo debate e pelo esclarecimento -, foi suficiente para que a actual administração do Sporting tivesse recolhido a maioria dos votos de que necessitava.
Os cerca de 1200 sócios renderam um total de 8.609 votos, assim distribuídos: 5140 votos a favor, 3081 votos contra e 118 abstenções. Filipe Soares Franco tem, por isso, de agradecer aos mais antigos, cujo "voto", de acordo com os estatutos, rende muito mais do que o dos sócios mais novos...
Entretanto, que dizer de Dias Ferreira – pelos vistos nos antípodas do rigor e da seriedade que se exige a alguém que representa o Sporting em fóruns mediáticos – que falou por si e por outros oradores que, entretanto, desistiram de falar, invocando que situações dessas também costumam ocorrer na Assembleia da República? Vasco Lourenço, um conhecido capitão de Abril, parece não ter gostado nada do episódio, por considerá-lo nada democrático e mais consentâneo com o que se passava nos tempos do PREC (Processo Revolucionário Em Curso), que há mais de 30 anos agitou o País...
E por falar em democracia interna, que dizer, ainda, do facto de o presidente da Assembleia Geral, Rogério Alves, ter colocado uma urna para cada sentido de voto, fazendo com que o voto de cada sócio deixasse de ser secreto?
E que dizer, finalmente, se, agora, alguém decidir impugnar esta Assembleia Geral?...

A renovação de Derlei

Derlei renovou o seu contrato com o Sporting por mais um ano. Quando chegou a Alvalade depois de se desvincular do Dínamo de Moscovo e de seis meses falhados no Benfica, fui dos que ficaram negativamente surpreendidos com a sua contratação. Porém, Derlei, mesmo afastado por lesão em praticamente toda a época, jogando apenas nas primeiras semanas e nas últimas, soube convencer os que não acreditavam nele, provando também que o futebol é uma modalidade aleatória. A verdade é que, no Sporting, tivemos um Derlei mais próximo daquele que teve sucesso no FC Porto do que daquele que andou por Moscovo e pelo Benfica. A sua continuidade em Alvalade é, por isso, um bom bom acto de gestão da SAD leonina.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O "Vale e Azevedo" do Sporting...

Ao lermos aqui um curioso paralelismo entre o que tentaram fazer no Benfica e o que anunciam para o Sporting, podemos concluir que Filipe Soares Franco, num certo sentido, poderá ficar na história do dirigismo desportivo português como o "Vale e Azevedo do Sporting". A proposta que hoje é levada à Assembleia Geral do Sporting abre caminho à perda do controlo da SAD por parte dos associados do Sporting Clube de Portugal. Tal como Vale e Azevedo quis fazer, embora às escondidas e sem sucesso, em 2001.

Um dia para a história do Sporting

Para o bem e para o mal, o dia 28 de Maio de 2008 ficará na história do Sporting Clube de Portugal. Ao contrário do que se possa pensar, na Assembleia Geral de hoje não se joga o futuro do clube, mas o seu passado de mais de cem anos.
Se as propostas de Filipe Soares Franco forem aprovadas por um mínimo de dois terços dos associados, é o princípio do fim do Sporting como sempre o conhecemos. E como sempre gostamos dele. Será o fim de um clube feito de Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. E será uma grande vitória de Soares Franco, dos negócios e dos bancos sobre o futebol e a generalidade das modalidades desportivas. Nesse caso, os pontas-de-lança que mais interessarão não são os que marcam golos, mas os que fazem os melhores negócios à boleia de uma marca centenária. E os bancos continuarão a facturar, assim como investidores sem coração de leão. E será colocada uma pedra definitiva sobre quem contesta este caminho.
Mas há uma alternativa. Se Soares Franco não conseguir os tais dois terços, só terá uma saída: demitir-se e abandonar o clube, se for capaz de honrar a sua palavra. E aí, um nome estará em condições de poder emergir como forte candidato a liderar a abertura de um novo ciclo no Sporting Clube de Portugal: António Dias da Cunha. De figura apagada do roquettismo, do qual ouvi falar a primeira vez quando contestou publicamente Augusto Inácio após um empate comprometedor do Sporting em Leiria, nas últimas jornadas do campeonato vitorioso de 1999-2000, chegando depois à presidência, sendo dele o último título nacional de futebol, Dias da Cunha reapareceu para se transformar na única voz que, nestes dias de agitação leonina, falou alto contra os propósitos de Soares Franco. Embora motivado por questões de natureza pessoal que se compreendem, dada a forma como foi enxotado de Alvalade em 2005, a verdade é que António Dias da Cunha, depois de ter identificado o “sistema”, credibilizando-se no País futebolístico, aparece agora como um dos rostos que mais se destacam a defender o Sporting Clube de Portugal de quem quer acabar com ele.

SPORTINGUISTAS Sara Aleixo

Com a constante delapidação do património desportivo e não desportivo do Sporting Clube de Portugal, que hoje poderá conhecer um novo capítulo caso dois terços dos associados aprovem, em Assembleia Geral, a transferência da Academia de Alcochete para a Sporting SAD, resta ao clube o consolo de ter as adeptas mais bonitas do País. Como a actriz Sara Aleixo, uma sofredora incondicional do Sporting. FOTO: Maxmen

terça-feira, 27 de maio de 2008

RECORTES LEONINOS

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ADEUS, SPORTING!
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A pouca informação que sempre circulou em relação aos clubes de futebol, nomeadamente em Portugal, fê-los agarrarem-se à ideia de que neste território tudo era possível realizar. Por causa dessa pouca informação e daqueles que foram montando os seus negócios privados à custa do “negócio do futebol”, no qual o dinheiro se habituou a circular sem controlo, em grande medida com a conivência do Estado, o chamado desporto-rei refinou os seus toques oligárquicos e quem, através de mecanismos de uma pífia democracia, exerceu o poder dentro dos clubes como se fosse dono deles, utilizando a maior abertura da comunicação social desportiva (comparativamente aos movimentos oposicionistas) para plantar as suas propagandas e plasmá-las em assembleias gerais marcadas, cirurgicamente, para noites a meio da semana, foi-se perdendo “cultura desportiva” para nascer no lugar dela a empresarialização do tecido futebolístico, com as consequências que ora saltam à vista.
O Sporting, sem estar sozinho, apresenta-se nesta encruzilhada. Em Alvalade, o futebol pouco ou nada se discute. Nos últimos anos, o foco das conversas está nas nuances dos projectos financeiros, dos passivos, das negociações com os bancos, dos serviços das dívida, das taxas de juro, das operações de venda de património, sob a falácia de que tudo isso é necessário para não comprometer (ainda mais) a capacidade competitiva dos plantéis que, neste ambiente, são tratados como uma minudência. E uma grande chatice.
Há quem assuma, em círculos fechados, que os mais velhos têm de se conformar com as novas realidades. Adeus, Sporting. Foste uma grande instituição. Atlética e ecléctica. Virada para os seus técnicos e atletas. Agora, são os negócios e a engorda do monstro SAD que há-de rebentar de tanto comer. Uns vão ficar ainda mais ricos, potenciando a riqueza dos seus parceiros ou patrões e hão-de retirar-se na hora certa, convictos de que cumpriram o seu dever, cansados, afinal, de tantas incompreensões e críticas.
Por este andar, não é só a despedida de uma ideia de “devoção e glória”. É o prenúncio da extinção. Histórica.
AUTOR: Rui Santos, "Record", 27-05-2008

"Adeptos" chumbam plano de Soares Franco

O LEÃO DA ESTRELA recebeu um comunicado da Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS), cujo teor transcreve na íntegra:
"No seguimento da recente proposta da Direcção do Sporting Clube de Portugal, a ser sufragada na próxima AG do próximo dia 28, a Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS) informa que:
1. Aguardou serenamente pela sessão de esclarecimento proposta pela Direcção do Clube.
2. Não se considera totalmente esclarecida quanto aos reais propósitos da operação proposta, preferindo uma reformulação da mesma em diferentes moldes, aproveitando as ideias-chaves positivas que a mesma proposta tem.
3. Os principais pontos a necessitar superior esclarecimento são:
a) A passagem da Academia para a Sporting SAD não contempla nenhuma amortização à actual dívida de 72 M€ do clube perante aquela.
b) A passagem da Academia para a Sporting SAD nos moldes propostos representa uma clara mais valia para os accionistas da SAD em detrimento do clube, dada a prevísivel valorização dos terrenos em causa
c) As VMOC’s podem ser convertiveis para acções caso o Sporting não consiga, no prazo de 5 anos, angariar os 60 M€ necessários para distribuir pelos investidores das VMOC’s. Qual é, então, a estratégia do clube para, no espaço de 5 anos, angariar tal quantia?
d) A conversão das VMOC’s em acções da Sporting SAD resultarão num aumento de capital, em que o Sporting Clube de Portugal perderá a maioria do capital social na SAD. Ainda que detentor de acções de categoria A – que permitem o bloqueio de determinadas decisões da Admnistração daquela empresa, como seja a alienação de património, a gestão do futebol do clube ficará totalmente nas mãos de investidores. Com tudo o que uma visão puramente economicista pode transportar de negativo para um clube desportivo.
e) A passagem da Sporting Comércio e Serviços para a Sporting SAD representa um claro défice ao nível ético, visto que o vendedor dos direitos televisivos tornar-se-ia igualmente o comprador.
f) É referido pela Direcção do clube que pretende investir no Projecto Desportivo. Que Projecto Desportivo é este, quais as suas linhas de orientação mestras e qual o seu planeamento estratégico?
4. Nestas condições e perante as dúvidas referidas, não considera ser plausível, aceitável ou responsável passar carta branca a ninguém, com todo o respeito que os orgãos sociais do clube nos merecem.
5. Lamenta a forma como a Direcção do clube procura impor a sua decisão, revelando a sua decisão de se demitir, caso a proposta colocada a sufrágio não seja aceite. Totalmente inaceitável, no sistema democrático em que vivemos.
6. Por tudo isto, a AAS votará em bloco “Não” e apela à mobilização dos restantes associados do clube bem como ao seu voto responsável!
Porém, mantemos a confiança que os orgãos sociais do clube consigam alterar a referida proposta indo ao encontro das preocupações dos associados.
Comité Executivo da Associação de Adeptos Sportinguistas

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"O Jogo", 24-05-2008

segunda-feira, 26 de maio de 2008

MEMÓRIAS LEONINAS José Roquette

“(…) O papel pioneiro do Sporting revela-se igualmente pelo esforço desenvolvido para modernizar as infra-estruturas desportivas e adequá-las às exigências cada vez maiores do futebol. O novo Estádio, um dos mais belos e funcionais do Mundo, será inaugurado no Verão de 2002. O Centro de Estágio e Formação de Alcochete, estrutura imprescindível para o trabalho diário dos profissionais e para a valorização da famosa escola de talentos do Clube, estará operacional em Agosto de 2000.
A valorização do património imobiliário, em sintonia com a Câmara de Lisboa, vai gerar os recursos indispensáveis para o desenvolvimento desportivo. Serão três enormes saltos em frente de que o Sporting colherá frutos a curto prazo a nível da estabilidade financeira e de grandes resultados desportivos.
Estamos conscientes de que o caminho traçado não é fácil, mas é o único compatível com a realidade e as exigências actuais do desporto de alta competição. Um Sporting moderno e virado para o futuro será certamente um Sporting à altura das suas tradições e de um passado glorioso. (…)”
AUTOR: José Roquette, presidente do Sporting, no prefácio do “Livro de Ouro do Sporting Clube de Portugal”, editado pelo “Diário de Notícias, 2000

Soares Franco e o título

Finalmente, o presidente do Sporting mostra um discurso a empurrar o clube para o sucesso desportivo. "Quero ser campeão na próxima época", anuncia Soares Franco ao "Record", o que significa que, até agora, andou a jogar para o segundo lugar.
Tinha de ser. Ou melhor, Soares Franco tinha de querer ser campeão. Sobretudo agora. Porque caminha para o seu terceiro ano como presidente e ainda não ganhou um título de campeão nacional. Aliás, o Sporting, ao não ter sido campeão em 2008, entrou no segundo período mais longo da sua história sem conquistar o título de campeão nacional de futebol, depois do longo jejum entre 2002 e 2000. E, como há eleições no primeiro semestre do próximo ano, é fundamental um Sporting vencedor no futebol para apagar quaisquer alternativas ao franquismo. Daí a súbita viragem para o reforço da equipa de futebol, embrulhando lá no meio um projecto de reestruturação financeira que, a ser verdadeiro, e tendo em conta o preço altíssimo que o clube está a pagar pelo dinheiro que pediu à banca, será a maior prova da incompetência de todos os gestores do Sporting, que, só por isso, justificaria a sua demissão imediata.
A questão é simples: se a partir de agora o preço do dinheiro vai baixar, porque o Sporting se lembrou de renegociar a dívida à banca, por que é que esse preço não baixou há mais tempo? E como é que é possível baixar o preço do dinheiro numa época de juros cada vez mais altos? Quem anda a viver à custa do Sporting?...

A democracia leonina

O sítio oficial do Sporting na Internet não está ao serviço do clube. Está ao serviço de Soares Franco. Como se vê aqui, é lamentável que, perante uma situação que está a dividir o clube, só sejam colocadas opiniões favoráveis às pretensões de Filipe Soares Franco. Delicioso é que Salema Garção, o director de "comunicação", que deve mandar no sítio do clube na Internet, não tenha resistido a colocar a opinião de Carlos Horta e Costa, seu antigo patrão nos CTT. Numa situação destas, só haveria um caminho eticamente aceitável: colocar disponível a maior quantidade possível de informação sobre o plano de reestruturação financeira e a respectiva justificação de quem o propõe. Colocar as opiniões favoráveis e esquecer as opiniões desfavoráveis é desprezar os associados que pensam de modo diferente e promover a mera propaganda em detrimento do esclarecimento de todos. É entrar num terreno perigoso... Mas é assim que o "Sporting de Soares Franco" fica mais parecido com a "Rússia de Putin" ou a "Cuba de Fidel". A não ser que a página do Sporting na Internet e o jornal "Sporting" sejam feitos apenas para os eleitores de Filipe Soares Franco e não para todos os sportinguistas...

QUESTÃO LEONINA Estádio José Alvalade

Será que o Estádio José Alvalade, propriedade do Sporting Clube de Portugal, que foi construído com a ajuda de dinheiro do Estado Português, ou seja, dos impostos de todos os portugueses, poderá ser vendido à Sporting SAD, empresa cotada na Bolsa?

SPORTINGUISTAS Joana Cruz

Joana Cruz, locutora da RFM, fotografada junto ao Estádio do Manchester United, aquando do jogo do Sporting com a equipa de Cristiano Ronaldo, para a última edição da Liga dos Campeões, tendo a equipa leonina perdido por 2-1. FOTO: www.rfm.pt

sábado, 24 de maio de 2008

Um clube em guerra civil

Três anos depois do rocambolesco afastamento de Dias da Cunha, abrindo caminho à presidência "programada" de Filipe Soares Franco e do seu pequeno "exército" de apaniguados, o Sporting continua em guerra civil. Basta ler esta entrevista e ler esta notícia. Em três anos, Soares Franco foi incapaz de pacificar as hostes e de acabar com a chamada "oposição" do Sporting. Deve ser o único clube desportivo português que tem uma oposição à direcção. Um dos falhanços de Soares Franco foi não ter conseguido acabar com isso. Pior: tem é estimulado a divisão. Por um motivo genético: a sua legitimidade política para gerir o Sporting foi conquistada à custa de muita intriga e facadas nas costas. Uma lógica pouco democrática. Como pouco democráticas e incompreensíveis são as suas reacções a quase tudo o que mexe num sentido contrário ao seu. Seja ao movimento Leão de Verdade, seja às entrevistas de Rui Meireles ou de Dias da Cunha.
A continuar assim, exterminando pela via administrativa quem não está de acordo com a "lei do poder", será impossível chegar à meta prometida dos 150 mil sócios. Em vez de termos Soares Franco e Miguel Ribeiro Teles em acções de marketing junto da "nação sportinguista", promovendo o novo cartão de sócio, agora que o clube acabou a temporada vitorioso na Taça de Portugal, ou dando explicações num amplo debate público sobre o plano de reestruturação financeira que querem ver aprovado à pressa, temos outra vez o Sporting entretido nas guerras intermináveis consigo próprio. FOTO: "Record Online"

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"O Jogo", 23-05-2008

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A chantagem começou

Deitado na almofada da conquista da Taça de Portugal, Filipe Soares Franco vai submeter aos associados do Sporting o famigerado projecto de reestruturação financeira. Curioso é que Franco faça constar que admite ir embora, caso os associados estejam mais virados para as posições do Leão de Verdade ou de Dias da Cunha. A administração do Sporting tem medo de quê?... É evidente que Soares Franco não vai embora, nem quer ir. E a avaliar pelo que diz esta notícia, a chantagem já começou. Inaceitável.

RECORTES LEONINOS

A INCUBADORA LEONINA
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"(...) O Sporting é responsável pela formação de 35% dos jogadores da selecção. São oito os atletas com a chancela das escolas de Alvalade convocados para a fase final do Euro 2008. Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Simão Sabrosa, Nani, Miguel Veloso, João Moutinho, Miguel e Rui Patrício passaram pela fábrica de craques leonina antes de se tornarem, alguns deles, referências do futebol mundial. Cristiano Ronaldo é, no presente, o expoente máximo dessa notável incubadora de estrelas, após a retirada de Luís Figo. (...)"
FONTE: "Jornal de Notícias", 22-05-2008

O Alex Ferguson do Sporting

Tenha sido por estratégia assumida com convicção, por força das circunstâncias ou por mero acaso, a verdade é que Filipe Soares Franco, quando disse que gostaria de transformar o treinador Paulo Bento no “Alex Ferguson do Sporting”, deveria estar longe de imaginar que essa seria a tarefa mais fácil de realizar no clube.
Os mais viperinos começaram logo a fazer comparações profissionais entre os dois treinadores para desvalorizarem a ideia do presidente do Sporting. Mas o que ele quis dizer é que gostaria que um treinador do Sporting deixasse de estar exposto à necessidade de ganhar sempre para que tenha a tranquilidade suficiente para desenvolver o seu trabalho. Em 22 anos de trabalho no Manchester United, Ferguson tanto ganhou tudo o que havia para ganhar como também perdeu. Já fez e desfez equipas. Teve tempo. Teve dinheiro. Teve condições.
Ora, Paulo Bento, ao conquistar o acesso à Liga dos Campeões e a Taça de Portugal, conseguiu renascer como treinador leonino e reconquistar crédito para continuar em Alvalade. E, no entanto, em grande parte da época, a equipa do Sporting pareceu perdida com o seu futebol triste, que desbaratou pontos e não divertiu ninguém. O próprio treinador reconhece, agora, que a equipa não teve identidade. E, por isso, atravessou humilhações inimagináveis e perdeu o comboio do título nacional de forma prematura.
Em condições normais, como sucedera a muitos treinadores leoninos nos últimos 30 anos, Paulo Bento não resistiria à derrota humilhante registada em Braga, em Novembro, que foi talvez o jogo que ditou o afastamento do Sporting da rota do título, por ter mostrado a toda a gente uma equipa sem qualidade, sem vontade de ganhar, à deriva. Mas Soares Franco não deixou cair o treinador, ainda que cada empate ou cada derrota que iam surgindo na I Liga parecessem um caminho perigoso de relativização dos resultados desportivos...
Isto não quer dizer, evidentemente, que Paulo Bento seja a solução ideal para o futebol do Sporting, assim como também não quer dizer que o próprio Paulo Bento não tenha algo de novo para dar. Ora, a sua permanência em Alvalade, onde também está em formação como treinador, não tendo sequer chegado aos 40 anos de idade, também irá depender da sua capacidade de evoluir e de nos surpreender. Sendo certo que ele já é o “Alex Ferguson do Sporting”, na medida em que já esteve em alta, já esteve em baixa e voltou a ficar em alta. E já regista oito anos de permanência no clube, como jogador, treinador dos juniores e da equipa principal. De resto, na próxima época, quando aparecer uma série de dois ou três jogos sem ganhar ou uma daquelas derrotas humilhantes com um clube do meio ou do fim da tabela, Soares Franco e seus pares irão lembrar que isso já aconteceu no passado e as dificuldades foram ultrapassadas. FOTO: www.sporting.pt

A vitória do Manchester United

Ver o Manchester United conquistar a Liga dos Campeões 2007-2008 com a felicidade própria dos vencedores... Ver Cristiano Ronaldo e Nani a segurarem a grande taça... E ter a certeza de que o Sporting também ajudou ao investir durante alguns anos na formação destes craques. Parabéns, Cristiano Ronaldo (apesar daquele penálti falhado)! Parabéns, Nani! FOTO: Paul Ellis (AFP/Getty Images)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

LEÃO DA ESTRELA na imprensa

"Jornal de Notícias", 21-05-2008

RECORTES LEONINOS Rodrigo Tiuí

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UM HERÓI INESPERADO
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Não seria de todo aguardada a contribuição de Rodrigo Tiuí para a conquista da 15.ª Taça de Portugal da história do Sporting (está a nove do Benfica e tem mais duas que o FC Porto). De previsível dispensável a herói imprevisto, o brasileiro terá vivido ontem [domingo, 18 de Maio] o maior momento da sua ainda curta carreira.
Nascido há 22 anos, em Taboão da Serra, no estado de São Paulo, no Brasil, o avançado começou nas categorias jovens do Fluminense, não conseguindo grande destaque nas oportunidades que teve na equipa principal. Marcou 11 golos em 74 partidas, antes de ser emprestado ao Noroeste e depois ao Santos, regressando em 2007 ao Fluminense.
Chegou ao Sporting na reabertura do mercado, em Janeiro deste ano, tendo participado em 16 partidas (três como titular). A sua veia goleadora chegou no ocaso da temporada, tendo apontado o seu primeiro golo frente ao Boavista, há uma semana, na última jornada do campeonato. O melhor estava, porém, para vir e chegou mesmo em cima do apito final da época: dois golos, o segundo espectacular, num remate acrobático. Já entrou na galeria de heróis dos "leões", mas estes argumentos terão chegado para convencer Paulo Bento?
AUTOR: Paulo Curado, "Público", 19-05-2008
FOTO: Steven Governo (AP Photo)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Os "talibãs" do "Record"

Há responsáveis de marketing e comunicação que defendem que “não interessa o que dizem sobre nós, o que interessa é que falem sobre nós”. É óbvio que não é bem assim. Em tudo é preciso bom senso. Vem isto a propósito de uma referência feita ao LEÃO DA ESTRELA, na edição do jornal “Record” desta segunda-feira, a propósito da vitória do Sporting na final da Taça de Portugal. Acontece que o jornalista de serviço, ou outro qualquer elemento da redacção, que nisto de jornais, conheço-os profissionalmente há mais de 20 anos, em vez de publicar o que escrevi nesse “post”, resolveu publicar um comentário anónimo ao mesmo “post”. Não sabemos se o fez por ignorância ou porque aquele comentário dava jeito publicar porque era alinhado com a actual direcção do Sporting. O mais grave é que esse comentário anónimo, que não vincula a minha opinião, constitui um ataque aos milhares de leitores sportinguistas do LEÃO DA ESTRELA que têm expressado livremente as suas opiniões e o seu espírito crítico em defesa dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal. Os leitores do “Record” que são simultaneamente leitores do LEÃO DA ESTRELA terão ficado confusos. A confusão, criada de forma intencional ou manifestamente incompetente, fica aqui desfeita. Os leitores do LEÃO DA ESTRELA não são “talibãs”. Esses acomodam-se atrás das secretárias e dos ecrãs de computador, enquanto esperam por uns telefonemas que lhes encham as páginas. Não é o nosso caso.

SPORTING NO PAÍS Porto

A CACHUPA E OUTRAS LENDAS

A Cachupa e Carlos Lopes "campeão mundial", Malcolm Allison e muamba de jinguba, Joaquim Agostinho "português de raça", "o senhor" Moniz Pereira, moelas e cerveja a cinquenta cêntimos. No Porto, o Sporting existe. Vivo, algo envergonhado.

Rua Alexandre Herculano, número 311. O "Sporting" não está identificado. Fica no segundo andar, por cima da Escola de Condução Portuense. Era um núcleo. Disfarça, mas já não é. Quando alugaram o espaço, Vítor e Filomena - atenção: benfiquistas assumidos - comprometeram-se em conservar a decoração. Vai fazer dois anos. E lá está: verde e branco até à exaustão, um leão imponente e uma centena de troféus da antiga colectividade. Os clientes só têm uma regra a cumprir. "Respeitar a casa", lança Filomena, que aos sábados oferece "cachupa para cativar" e que já instituiu aquilo a que chama "mesa de família". Tradução: em troca de cinco euros, o cliente senta-se à mesa, confia na "surpresa" cabo-verdiana e serve-se directamente da panela. "Uns piropos e mais nada, não admitimos absolutamente mais nada."
Os sportinguistas sentem-se "em casa". Os portistas estranham, mas são os clientes mais frequentes. Os benfiquistas entram e já não querem sair ("é preciso corrê-los à vassoura"). Até há pouco tempo, o casal recebia o jornal do Sporting, mas não vale a pena abusar. "Os sportinguistas morreram um pouco aqui no Porto. Ficou o amor", sublinha Filomena, um olho no jantar e outro no pequeno Xavier, que já foi apanhado a cantarolar um ou outro "FC Porto". Com ou sem lógica clubística, com ou sem métrica, hoje há cerveja a preço de chuva, tripinhas, patas, bifanas e moelas. "Prò S. João se prolongar/ Só há um sítio para se estar/ É ao Sporting vir parar/ E nunca se esquecer de cá voltar".
Para os interessados, há uma outra colecção de raridades nas redondezas. Rua do Bonfim, número 518. O SOLAR DO NORTE ainda é a delegação do Sporting na cidade do Porto - na última contagem fornecida pelo Sporting, o distrito estava apetrechado com perto de seis mil sportinguistas dos oficiais. O edifício, inaugurado em 1990 por Sousa Cintra, é do Sporting e alberga uma autêntica caderneta de cromos. Junto às duas cadeiras arrancadas do antigo Estádio de Alvalade estão Azevedo "lenda imorredoira do Sporting", Keita "do Mali para criar insónias aos guardiões portugueses", o guarda-redes Carlos Gomes, o "violino" Manuel Vasques... "As nossas preciosidades, os nosso altares são estes." Manuel Pimenta, vice-presidente do Solar, apresenta: ali, a camisola de júnior de Venâncio, aqui uma das camisolas amarelas de Joaquim Agostinho, um "verdadeiro altar", e eis o stick e a máscara com que Chambel defendeu a baliza do Sporting na final da Taça das Taças em 1991.
Desde Janeiro que uma equipa procura um novo poiso (talvez na Foz) para posteriormente apresentar a proposta ao Sporting, mas até lá o SOLAR DO NORTE resiste com as condições mínimas e lutando contra alguns inimigos que ajudam a repelir os adeptos: as estradas boas, a compra de bilhetes através da Internet, a SportTV, o conforto caseiro e alguns actos de vandalismo que deixaram marcas no edifício. "As pessoas preferem estar no sofá do que nestas cadeiras", lamenta Manuel Pimenta, que abre e fecha a porta do Solar. "Não mudou o amor ao clube, mudaram as tradições".
Autor: Luís Octávio Costa, "Público", 18-05-2008

domingo, 18 de maio de 2008

Sem sombra de pecado

O Sporting fechou com chave de ouro a temporada 2007-2008 ao derrotar na final da Taça de Portugal, por um claro e justo 2-0, o FC Porto – campeão nacional recentemente castigado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional com a perda de seis pontos por motivos de corrupção desportiva ocorridos em 2003-2004. O Sporting contou com um herói improvável chamado Rodrigo Tiuí, que marcou os dois golos, um deles de excelente execução técnica (ver posição acrobática do jogador na imagem acima), nos últimos minutos do prolongamento, após um empate a zero que se registava ao cabo dos 90 minutos.
Ao juntar a conquista da Taça de Portugal ao segundo lugar na I Liga, que deu o apuramento directo para a Liga dos Campeões, o treinador Paulo Bento e a administração leonina respiraram de alívio, pois viram uma temporada irregular e marcada por problemas internos transformada numa temporada desportivamente bem melhor do que a anterior.
Em 2007-2008, o Sporting conquistou ao FC Porto a Supertaça Portuguesa e a Taça de Portugal, sobreviveu na Europa para além da primeira fase da Liga dos Campeões, o que aconteceu pela primeira vez, e manteve um lugar na próxima edição da principal liga europeia, apesar da irregularidade patenteada na liga nacional. O que, no entanto, não apaga o desencanto dos sportinguistas pela excessiva distância pontual em relação ao campeão nacional (14 pontos depois de subtraídos os seis do castigo sofrido pelo FC Porto), pelos maus resultados e pela vulgarização da equipa fora de Alvalade, pelo futebol de má qualidade ou nada espectacular em grande parte dos jogos e pela má figura da equipa na estreante Taça da Liga, onde chegou à final aos trambolhões e perdeu para o Vitória de Setúbal.
Nesta final da Taça de Portugal, Paulo Bento confirmou que deve ser o treinador português que melhor conhece o FC Porto e um dos poucos que sabem como emperrar a máquina portista. Três vitórias em quatro jogos dizem tudo. Por outro lado, tivemos no Estádio Nacional um Sporting competente, que poderia ter resolvido as coisas na primeira parte, e um FC Porto intranquilo, talvez marcado pela vergonha da corrupção, que já chegou aos ouvidos da UEFA, e já algo desligado do trabalho e da intensidade competitiva de outros momentos da época, depois de um título nacional conquistado muito antes do fim da I Liga. O afastamento de Bosingwa, contratado pelo Chelsea – embora possa ser visto como uma decisão técnica destinada a fortalecer o grupo, dando a ideia de que o FC Porto só precisa de quem está com a cabeça a cem por cento no clube… –, acabou por ser mais um dado da descompressão portista de final de época.
Mas estes factos em nada desvalorizam a vitória do Sporting, conquistada sem sombra de pecado, pois foi a equipa que, desde muito cedo, tudo fez por ganhar a Taça de Portugal, conseguindo na primeira parte quatro boas ocasiões de golo, contra apenas uma do FC Porto. E a equipa leonina só não chegou mais cedo à vitória porque a equipa de arbitragem, chefiada por Olegário Benquerença, decidiu mal. Lembro um golo mal anulado a Romagnoli, ainda na primeira parte, culminando uma jogada bem desenhada. Romagnoli estava em posição legal e, mesmo que houvesse dúvidas, a equipa atacante não deve deveria ser penalizada...
Ainda sobre o árbitro, e no plano disciplinar, lembro um cartão vermelho que ficou por mostrar a Ricardo Quaresma, que, no desenvolvimento de uma finta em que rodou o corpo sobre si próprio, agrediu João Moutinho de modo dissimulado, mas violento. Um lance feio que o árbitro deixou passar. À segunda falta violenta, desta vez de João Paulo sobre o mesmo Moutinho, Benquerença lá puxou do cartão vermelho... Mas deixara passar, na primeira parte, um derrube de Grimi sobre Quaresma, que deveria ter sido admoestado com um cartão amarelo.
Na segunda metade, as equipas foram mais cautelosas, ajudando a manter o resultado em branco até aos 90 minutos. Embora o FC Porto tivesse melhorado o seu rendimento, o Sporting soube aguentar em situações de maior aperto. No prolongamento, onde o Sporting se revelou mais fresco, apareceu o surpreendente Rodrigo Tiuí a assinar os dois golos e a justificar, finalmente, a sua contratação, em Janeiro último, por 650 mil euros. Imediatamente antes do primeiro golo leonino, Anderson Polga derrubou Lizandro na zona defensiva leonina. Foi evidente a falta do jogador leonino, que o árbitro não assinalou, mas aconteceu fora da área. FOTOS: Getty Images e Reuters
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