Até agora, todas as crónicas dos especialistas nos tinham dito que o FC Porto está tão forte como na temporada passada e que parte para o novo ano futebolístico à frente da concorrência, e que o Sporting, assim como o Benfica, melhoraram em relação ao ano anterior, mas só terão conseguido diminuir o fosso de qualidade em relação ao todo-poderoso tri-campeão nacional. Porém, por aquilo que se viu no excelente jogo do Estádio do Algarve, para a Supertaça Cândido de Oliveira 2007-2008, com uma vitória claríssima do Sporting sobre o FC Porto, por 2-0, com dois golos de Yannick Djaló, “assistido” por defesas contrários, é bom que os analistas revejam os seus comentários e coloquem a equipa leonina pelo menos em pé de igualdade face à concorrência portista, nomeadamente no que concerne a uma candidatura ao próximo título nacional.Com uma exibição plena de concentração, de força, de garra e de sentido colectivo, o Sporting conquistou a sétima Supertaça Portuguesa da sua história – e, pela primeira vez, a segunda consecutiva –, num jogo em que toda a equipa jogou bem, embora o destaque exibicional tenha de ser entregue a Yannick Djaló, pelos dois golos e pela constância do seu futebol, demonstrando que cresceu muito como jogador, e a Rui Patrício, que defendeu um penálti num momento decisivo e assinou uma mão cheia de outras boas defesas, tendo realizado talvez a sua melhor exibição ao serviço da equipa de Alvalade.
Yannick Djaló e Rui Patrício foram as estrelas mais cintilantes da grande noite algarvia, pelo que a conquista desta Supertaça Cândido de Oliveira é também uma grande vitória da escola de formação do Sporting Clube de Portugal, cuja equipa é, este ano, a mais portuguesa dos históricos três grandes.
É certo que o FC Porto também procurou o golo. Só que o Sporting foi mais feliz, mas não ficou à espera da sorte. Lutou por ela. É verdade que no melhor período do Porto, Lucho Gonzalez rematou com estrondo ao poste de Rui Patrício. Mas o poste estava lá para alguma coisa. E, de resto, essa jogada até contou com a colaboração do árbitro Carlos Xistra, já que o seu corpo cortou um passe de Rochemback que iria rasgar a defesa contrária, permitindo uma contra-ataque portista... E também é verdade que o Sporting fez o primeiro golo a poucos segundos do intervalo. Mas se os avançados leoninos não pressionassem e não procurassem a bola com a intensidade competitiva que se exigia, provavelmente não recuperariam os ressaltos que vieram dos pés dos defesas portistas e resultaram nos dois golos que, aos 44’ e 58’, decidiram a conquista de mais um troféu para o museu leonino.
O Sporting ganhou também porque mexeu muito menos na estrutura da equipa em relação à época passada. E lançou no jogo nove jogadores portugueses (seis deles formados em Alvalade), contra apenas quatro do FC Porto. Talvez isso também ajude a explicar a estranha desorganização da equipa demasiado sul-americanizada de Jesualdo Ferreira quando ficou em desvantagem no resultado, ou seja, em praticamente toda a segunda parte.
A equipa leonina começa a temporada novamente com uma vitória sobre o FC Porto. Mas há diferenças evidentes em relação à época passada. Este ano, a Supertaça foi conquistada através de uma exibição muito superior e num jogo vivo e muito dinâmico, a demonstrar que os jogadores leoninos querem mesmo ser campeões. E ao contrário de Jesualdo Ferreira – que tem agora um problema chamado Ricardo Quaresma para resolver com urgência… –, Paulo Bento tem agora um banco de suplentes à altura. Por muito menos dinheiro…



















