segunda-feira, 30 de março de 2009

Sinais de um congresso leonino

1. A realização do Congresso Leonino foi extremamente positiva no sentido em que demonstrou um património que é único entre os clubes portugueses. Quando se diz que o Sporting é “um clube diferente dos outros”, isso tem tudo a ver com esta disponibilidade dos sportinguistas para debater o clube num registo democrático sem paralelo no desporto em Portugal. O Sporting ainda é um clube diferente…

2. Contrariamente ao que tem sido divulgado por uma imprensa mandriona e apologista do poder vigente, as propostas de recomendação apresentadas – mesmo não sendo vinculativas – indicam claramente que os sportinguistas defendem um Sporting Clube de Portugal forte no futebol de formação e no futebol profissional, mas, simultaneamente, um Sporting Clube de Portugal assente no ecletismo. Uma estratégia que só a presidência de João Rocha soube interpretar nas décadas de 1970 e 1980 – período vibrante da história do clube, em que o Sporting se tornou na maior potência desportiva portuguesa. O facto de a construção de um pavilhão desportivo ter sido uma recomendação aprovada por unanimidade constitui, no fundo, uma moção de censura aos conselhos directivos do Sporting dos últimos anos, que desprezaram, de forma escandalosa, a construção de um pavilhão para as modalidades, que deveria ter sido incluída na empreitada de construção do novo Estádio de Alvalade.

3. As recomendações do actual Conselho Directivo do Sporting foram aprovadas por maioria, facto que coloca Filipe Soares Franco como incontornável na questão da sua própria sucessão – caso não surjam candidatos credíveis com modelos de gestão alternativos. Por parte do chamado poder vigente, a questão é saber se José Eduardo Bettencourt desistiu mesmo de avançar. Se desistiu, sobra o nome de Rogério Alves, que também já deu sinais de que não tem disponibilidade pessoal para assumir a presidência do Sporting. Dado que a disponibilidade de Menezes Rodrigues é folclórica, Filipe Soares Franco está cada vez mais próximo de ser o candidato escolhido por… Filipe Soares Franco. Tudo dependerá da “difícil” assembleia geral do próximo dia 17 de Abril.

4. Os sportinguistas que não concordam com as ideias de Filipe Soares Franco são catalogados pela propaganda do regime leonino como “oposição”. E os jornais vão atrás desse conceito intencionalmente depreciativo. É a face negativa do Sporting actual. O Sporting deveriam ser um clube de todos os sportinguistas, mas é hoje um clube fortemente politizado na lógica do seu funcionamento. Quem não está por nós, é contra nós, é da “oposição”. Para a direcção de propaganda de Soares Franco, o Sporting só é um clube dos que concordam com as ideias de quem manda. O que é revelador de um ambiente inquinado e pouco democrático, que contrasta com a abertura demonstrada pela organização do congresso. Só que é uma abertura ilusória. Filipe Soares Franco sabe que as suas teses vencem no terreno mediático. E conhece as insuficiências dos opositores ao nível da comunicação, que aparecem aos olhos da opinião pública apenas em registos reactivos ou como protagonistas de incidentes, tomando posições avulsas sobre questões acessórias (como aconteceu com Sérgio Abrantes Mendes, a criticar o inócuo voto de louvor a Soares Franco no encerramento dos trabalhos de Santarém). Por estes dias, o conselheiro leonino Luís Aguiar de Matos foi a única presença assinalável da “oposição” na comunicação social. O seu problema é que foi através de uma entrevista ao “Público” – um jornal generalista, portanto, que não é da especialidade. Na imprensa desportiva, ninguém existe com vida própria a não ser quem está no poder…

5. O Sporting sai do congresso mais ou menos como estava. Nada do que foi aprovado como recomendação era desconhecido do conselho directivo. O que vale é que o congresso não é vinculativo. No Sporting, uma assembleia geral ainda é uma assembleia geral. Pelo menos até ao próximo dia 17 de Abril. FOTO: "Record Online"

sexta-feira, 27 de março de 2009

O diagnóstico de Luís Aguiar de Matos

“Está equacionada uma candidatura [à presidência do Sporting] encabeçada por mim, mas ainda não tomei a decisão definitiva. Só a tomarei depois do congresso e depois da assembleia geral, que vai decidir a emissão dos VMOC [valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis, que configuram um aumento de capital da SAD], no âmbito do plano de reestruturação económica apresentado pela actual direcção. A minha decisão está dependente de ver bem o que os sportinguistas querem para o clube e se isso está de acordo com a minha visão.]

“Eu sou contra a emissão dos VMOC, que na prática são um empréstimo obrigacionista que, ao fim de cinco anos, se transforma em acções da SAD. Numa linguagem simplista, um empréstimo obrigacionista, no verdadeiro sentido, tem de ser devolvido em dinheiro dentro de um determinado prazo, neste caso é convertido em acções. De momento, o universo Sporting participa na SAD com 70 por cento de acções. Para manter a maioria accionista, terá de acompanhar o aumento de capital resultante da conversão dos VMOC. Será preciso pôr alguma coisa de valor, de palpável, dentro da SAD para que a banca torne firme um empréstimo obrigacionista destes. Por isso é que querem transportar a Academia e, mais tarde, o estádio para a SAD. O que significa que o clube perde mais duas fontes de receitas.”

“Está a ser hipotecado o futuro. Faz lembrar um bocado a história do Freeport: esta direcção está em gestão e não pode tomar grandes decisões. E [o plano de reestruturação económica] é uma decisão importante e profunda, que pode condicionar decididamente o futuro.”

O que tem sucedido é uma sucessão dinástica na direcção do clube. Começou no Pedro Santana Lopes, que era o "testa-de-ferro" de Roquette. Seguiu-se o próprio Roquette e depois Dias da Cunha. Tudo por cooptações. O próprio Dias da Cunha chegou a dizer que a presidência seria assumida transitoriamente por Soares Franco, para depois assumir o cargo Ernesto Ferreira da Silva. Isto não é uma sucessão dinástica? A mim, dá-me a impressão de que estão todos a tapar-se uns aos outros. De quê? Não sei. Mas também deixo aqui uma pergunta: esta direcção, que disse e propalou que tinha sido a salvadora do Sporting, foi também aquela que de maior encaixe financeiro dispôs na história do clube. Entre a venda de património não desportivo (46 milhões de euros), o retorno da venda do passe de Nani (25 milhões), três idas seguidas à Liga dos Campeões (30 milhões) e as receitas decorrentes da venda dos terrenos do antigo estádio (29 milhões), encaixaram 130 milhões de euros, mas na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está declarado que o abate ao passivo cifrou-se em quatro milhões, o que representa três por cento desse valor. Onde está o resto? Não estou a dizer que alguém o tenha, mas aquilo que duvido é que tenha sido bem utilizado. Isto foi um autêntico Euromilhões e não há nada mais para receber, a não ser as receitas correntes e triviais.”

“Na altura em que o projecto Roquette foi apresentado dei uma entrevista onde afirmava que estava a ser constituído um emaranhado tal de empresas que impossibilitaria, no futuro, alguém de saber qual era a verdadeira situação económica-financeira. Esta teia de empresas permitiu uma engenharia financeira e contabilística, com resultados transitados de um lado para o outro, com a qual não concordo.”


“Verifico que uma grande maioria dos membros do Conselho Leonino eleitos pela lista de Soares Franco são, ou foram, funcionários de topo do BES. O mesmo acontece no Conselho Fiscal, onde está [José Maria Espírito Santo], Ricciardi [vice-presidente deste órgão]. Repare na similitude das situações: quando é que Soares Franco diz que se vai embora? Quando o BES diz que, face à crise que assola o mundo, irá cortar com os financiamentos para o futebol depois desta temporada. O dr. Filipe Soares Franco, com todo o mérito que terá e que eu não lhe nego, sempre tem gravitado em empresas que são maioritariamente detidas pelo BES. Portanto, em relação à pergunta que faz, considero que esta familiaridade não é desejável. Nas últimas eleições, a candidatura encabeçada pelo juiz desembargador Sérgio Abrantes Mendes considerou mesmo Soares Franco um "empregado do BES".”

“[Se fosse presidente do Sporting, a continuidade de Paulo Bento] seria uma hipótese a equacionar e que não estaria de todo posta de parte.”

Luís Aguiar de Matos, conselheiro leonino e membro da organização do Congresso do Sporting, “Público”, 27-03-2009
FOTO: "Record Online"

O mau exemplo de Pedro Silva

Não faltam sportinguistas que aprovem as figuras tristes do brasileiro Pedro Silva na final da Taça da Liga. Há até quem proponha o atleta para sócio honorário do clube. Surpreendentemente – ou talvez não –, Pedro Silva foi glorificado por muitos adeptos do Sporting como uma espécie de herói leonino numa arena conspurcada por ladrões. É por isso que, no “site” da Liga de Clubes, Pedro Silva é bem capaz de ganhar o título de “melhor jogador” da final da Taça da Liga, cuja votação termina às 23h59 de domingo.
A mesma irracionalidade, curiosamente, foi protagonizada por alguma comunicação social, que foi ouvir João Pinto e Ricardo Sá Pinto para desculpar os actos do jogador leonino. João Pinto e Sá Pinto que falaram ao País a partir de uma escola com a autoridade de quem já agrediu um árbitro, em plena fase final de um Mundial, e um seleccionador nacional, antes da partida para um estágio...
Ora, com excepção, talvez, da peitada no árbitro Lucílio Baptista, que não considero agressão e admito como uma atitude compreensível num momento de grande stresse de um jogador injustiçado que reage a quente a uma decisão errada, procurando fazer ver que a bola só bateu no peito, o que Pedro Silva fez depois não é digno de um atleta de alta competição. Por muito que os sportinguistas, face a uma decisão errada de um mau árbitro, se revejam nos protestos do atleta.
Ao ter recusado a imposição da medalha, Pedro Silva foi malcriado para o patrocinador (ali representado pelo sportinguista António Pires de Lima), que também contribui para os ordenados do atleta, independentemente de o jogador brasileiro falhar penáltis ou dar fífias na defesa. Ao atirá-la para longe, Pedro Silva, para além de insultar a competição (que o Sporting há-de querer ganhar no futuro) e a Liga de Clubes, juntou-se ao árbitro na má propaganda do futebol, dando sinais miseráveis para os mais novos, em particular os milhões de crianças que viram a cena pela televisão e que continuarão a vê-la pela Internet.
Pedro Silva sabe disso e a prova é que teve a grande dignidade de pedir desculpas pelos seus actos tresloucados, quando todos estavam à espera de um pedido de desculpas do árbitro que acabaria por não acontecer. De resto, após o apito final de Lucílio Baptista, à equipa do Sporting terá faltado uma voz de comando que fizesse recolher os jogadores ao balneário, evitando, assim, que os jogadores leoninos tenham participado numa recepção de medalhas mais humilhante do que o roubo que decidiu o vencedor da Taça da Liga. FOTO: "Record Online"

A única saída do Sporting

"Jornal de Notícias", 25-03-2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

O regresso de Bettencourt

O vice-presidente do Sporting José Eduardo Bettencourt está de regresso à ribalta, agora como putativo candidato à sucessão de Filipe Soares Franco, com a bênção do "regime" leonino. Bettencourt que já mandou no futebol sportinguista no tempo das vacas alegadamente gordas que, entretanto, contribuiram para afundar as contas do clube... Clube que já entrou no segundo período mais longo da sua história sem conquistar o título nacional de futebol.
De Bettencourt sabemos que tem a grande ambição de ser presidente do Sporting. É bom que a tenha, e é legítimo, sobretudo quando não aparecem alternativas ao actual modelo de gestão, a começar por Dias da Cunha, que ataca e não aparece, sendo, por isso, ele mesmo, a imagem de um descontentamento sem rosto alternativo, nem projecto.
Bettencourt tem alguns pontos a seu favor. Quando andava pelo balneário, como administrador da Sporting SAD, demonstrou garra e coragem. Saltou para o relvado, em pleno Estádio de Alvalade, para travar a fúria da Juventude Leonina, salvo erro, após uma derrota com o Benfica. E ousou enfrentar José Mourinho, então no FC Porto, mostrando ao País a camisola de Rui Jorge, alegadamente rasgada pelo actual treinador do Inter de Milão. Gestos que agradaram ao povo leonino e que poucos dirigentes leoninos ousariam protagonizar.
Com o Sporting dominado pela banca, a manta será sempre curta para investir no futebol. E, até agora, para além de umas críticas veladas à actual direcção de que ele faz parte, mesmo que contraditórias (nomeadamente o elogio a Carlos Freitas compaginado com uma crítica à política de contratações, tudo na mesma entrevista), serviram para marcar terreno a um ano das eleições, quando não se sabia que Soares Franco iria abandonar o barco, nada de mobilizador se conhece em Bettencourt para o futuro do Sporting.
Se as últimas notícias corresponderem a alguma estratégia eleitoral no sentido de uma mera operação de cosmética em que só mudam os nomes, talvez o Congresso de Santarém sirva para lançar uma candidatura. Que parte com vantagem, pois obriga a dita "oposição" (que raio de expressão arranjaram no Sporting para designar quem não está de acordo...) a uma atitude reactiva, com tudo o que ela terá de inconveniente aos olhos da opinião pública leonina.

A profecia de Dias da Cunha

"Desprezo totalmente essa encenação a que chamaram congresso. Não passa de um beija-mão real para prestar vénias ao presidente por quem não tenho a mínima consideração."

"Se isto [o plano de reestruturação financeira proposto por Soares Franco] for levado por diante e os sócios não se opuserem, o Sporting, daqui por 10 anos, já não existe. E estou a ser optimista."

Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting, "Público Online", 26-03-2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

A metáfora da trafulhice

A substituição do Sporting pelo Paços de Ferreira na direcção da Liga de Clubes é a metáfora da trafulhice em que vive o futebol português. A verdade é que a direcção da Liga de Hermínio Loureiro – o dirigente “renovador” que não conseguiu afastar Valentim Loureiro do organismo que gere o futebol profissional em Portugal – conta agora com o mesmo Paços de Ferreira que, em 2006-2007, ao ter ganho por 1-0, em Alvalade, com um golo marcado com a mão de Ronny (certamente por percepção e intuição do árbitro assistente Pais António…), retirou um título ao Sporting. Mas o que é ainda mais irónico é que o árbitro assistente que, há três anos, não viu essa mão de Ronny a meter a bola dentro da baliza leonina, é o mesmo que, agora, viu Pedro Silva a cortar uma bola com a mão, quando, na verdade, apenas usou o peito. E o homem até estava no lado contrário, a acompanhar o ataque do Sporting...
São estas supremas ironias que desmentem de forma categórica o bem intencionado Hermínio Loureiro, quando o presidente da Liga procura qualificar os erros dos árbitros como humanos. Neste contexto, a chamada do Paços de Ferreira à direcção da Liga – e não interessa saber o motivo dessa escolha – deixa transparecer um sinal do isolamento de Loureiro por razões pouco recomendáveis. Para todos os efeitos, estamos a falar de um clube (Sporting) que tem fortes razões de queixa das arbitragens que é substituído por um clube (Paços de Ferreira) que até já beneficiou dos ditos “erros humanos”…

terça-feira, 24 de março de 2009

O erro humano de Hermínio Loureiro

PRÉMIO É NO QUE DÁ QUANDO OS ÁRBITROS JUNTAM A PERCEPÇÃO COM A INTUIÇÃO

“Errar é humano.”
Hermínio Loureiro, presidente da Liga, sobre a arbitragem de Lucílio Baptista, no Sporting-Benfica, 25-03-2009

Salvar a época é ser campeão

Depois da eliminação da Taça de Portugal, de uma saída humilhante da Liga dos Campeões e do “roubo” da Taça da Liga perpetrado pela arbitragem de Lucílio Baptista, o Sporting só tem uma hipótese de salvar a temporada futebolística: ser campeão nacional. Independentemente da retirada do clube da direcção da Liga (que o Sporting deveria aproveitar para encetar uma cruzada pela regeneração do futebol português), é para a conquista do primeiro lugar na principal competição interna que devem ser canalizadas todas as energias do futebol leonino. De outro modo, o treinador Paulo Bento arrisca-se a chegar ao fim da época com o pior registo desportivo dos últimos três anos. Ser campeão, de resto, foi o principal objectivo anunciado no início desta temporada. Logo, se esse objectivo não for conseguido, será uma época perdida. Impõe-se um discurso ambicioso que não admita o segundo lugar como mal menor. A tarefa é muito difícil, uma vez que o FC Porto leva quatro pontos de vantagem. Mas não é impossível. Estão 24 pontos em disputa nos oito jogos que faltam. Têm de ser todos conquistados. Com esforço, dedicação, devoção e glória. E, mesmo assim, podem não chegar…

segunda-feira, 23 de março de 2009

A verdade desportiva, segundo luís filipe vieira

Há dias, luís filipe vieira, presidente do benfica, tinha berrado em nome da transparência no futebol português e em defesa da verdade desportiva. Neste fim-de-semana, o “sistema” que ele tanto abomina fez-lhe a vontade: o benfica ganhou mais um troféu que a arbitragem de lucílio baptista desviou do Museu do Sporting. Um troféu, portanto, conquistado pelo slb sem ponta de verdade desportiva, como já acontecera com o célebre título nacional de 2004-2005. Também neste fim-de-semana, até o FC Porto foi gravemente prejudicado no seu jogo das meias-finais da Taça de Portugal contra o Estrela da Amadora, onde, segundo rezam os especialistas, ficaram duas grandes penalidades por assinalar em favor dos “dragões”. No fundo, este foi um fim-de-semana perfeito para o “sistema” dos benefícios e prejuízos de que vive o futebolzinho português.
O FC Porto foi gravemente prejudicado, mas sem interferência na sua caminhada até à final da Taça de Portugal, tendo motivos para chorar; o benfica ganhou um título para esconder uma temporada miserável, depois de um investimento brutal na compra de jogadores, salvando assim a recandidatura de luís filipe vieira; e o Sporting, que já tinha ganho uma Supertaça este ano, acabou por ser o “palhaço” de ocasião deste grande circo que é o nosso futebol.
Um circo que tem agora em luís filipe vieira um novo artista. Ele que bem se pode juntar a Pinto da Costa na manutenção da podridão de que fala Paulo Bento. Agora sabemos que a “verdade desportiva” para este presidente do benfica passa por ganhar jogos e troféus com erros das equipas de arbitragem. No fundo, luís filipe vieira é um Jorge Nuno Pinto da Costa em ponto muito pequeno. O que empurra o benfica para o supermercado da fruta de má qualidade e do café com leite fora de prazo. Caso contrário, se luís filipe vieira estivesse mesmo interessado na verdade desportiva no futebol português, já teria vindo a público para dizer ao País com todas as letras: “QUEREMOS GANHAR E QUEREMOS GANHAR SEMPRE, MAS NÃO QUEREMOS GANHAR DESTA MANEIRA.” Mas isso seria muita fruta para o homem que já foi dos pneus.

O coveiro da Taça da Liga

O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa, Vítor Pereira, o homem que há tempos disse que "quem não acredita no futebol, não deve ir ao futebol", com os adeptos do futebol, nomeadamente os sportinguistas, teimando em não seguir o seu tresloucado conselho, está a assumir-se como o coveiro da Taça da Liga e, por consequência, do futebol português. A fraude assinada pelo seu subordinado Lucílio Baptista, no Estádio do Algarve, foi o pior que poderia ter acontecido à Taça da Liga – uma competição que sempre foi vista com desdém pelo FC Porto e Pinto da Costa, que estava em fase de afirmação e que poderia ter dado um passo decisivo na sua consolidação como um troféu nacional de prestígio e valor desportivo com uma grande final entre dois históricos de Lisboa, caso a arbitragem estivesse à altura.
Lucílio Baptista demonstrou que é muito fraco dentro e fora do campo. Dentro do campo não teve coragem para assumir as rédeas do jogo punindo a indisciplina logo nos minutos iniciais. Mas teve coragem para assinalar uma grande penalidade que não existiu. Fora do campo, ainda que tenha vindo a público reconhecer que errou, acabou por fazer revelações inimagináveis. Disse, por exemplo, que não teve dúvidas de que era grande penalidade. Então, por que é que demorou dois minutos a ouvir os árbitros assistentes para confirmar uma decisão?... E por que é que, numa situação inédita, se baseou na opinião do árbitro assistente que acompanhava o ataque do Sporting?... Disse ainda que não se apercebeu da vigorosa peitada de Pedro Silva, pelo que não se referiu a ela no seu relatório. Bem, esta última revelação diz tudo sobre a arbitragem portuguesa.
Voltando a Vítor Pereira, é evidente que, com a arbitragem incompetente que lidera, tem criado grandes problemas à liderança de Hermínio Loureiro na Liga Portuguesa de Futebol - com o presidente do organismo a ver reduzidas a pó todas as medidas tendentes à regeneração da modalidade. No campeonato português, os grandes protagonistas têm sido os árbitros, pelas más decisões que têm tomado desde as primeiras jornadas, somando e subtraindo pontos aos clubes, no maior desrespeito pela verdade desportiva e pelo futebol.
No ano passado, um corte de bola com a cabeça valeu um penálti ao Benfica que eliminou o Estrela da Amadora, porque a equipa de arbitragem viu uma mão no ar... Este ano, em Vila do Conde, o Sporting ganhou com um golo de Vukcevic num fora-de-jogo monumental (jogo que não precisava de vencer para seguir em frente na Taça da Liga). Agora, aconteceu o que toda a gente viu numa final que tinha tudo para ser uma grande festa do futebol, entre o Sporting e o Benfica – por sinal, o primeiro jogo oficial entre os dois clubes realizado fora de Lisboa. Por isso, Vítor Pereira só tem uma saída: pedir a demissão. E o Sporting deveria voltar a indicar-lhe o caminho da rua, fazendo depender dessa demissão a continuidade do clube na direcção da Liga.

domingo, 22 de março de 2009

Pedro Silva: corte com o peito e fora da área!...

Esta imagem captada pelo LEÃO DA ESTRELA, ainda com o jogo a decorrer, numa das repetições da SIC, não deixa dúvidas quanto à gravidade da decisão de Lucílio Baptista de assinalar grande penalidade a favor do Benfica: Pedro Silva, para além de ter cortado a bola com o peito, estava fora da grande área leonina. Repare-se que a bola já passou e o primeiro pé de Pedro Silva que vai pisar a grande área do Sporting ainda está no ar... IMAGEM: LEÃO DA ESTRELA

sábado, 21 de março de 2009

A fraude algarvia

O circo do futebol português teve mais um episódio no Estádio do Algarve, numa final da Taça da Liga entre o Sporting e o Benfica que foi decidida fraudulentamente pelo árbitro Lucílio Baptista, por sinal um funcionário do BES, banco que é o principal credor dos dois clubes.
Depois de um empate (1-1) ao fim dos 90 minutos, o Benfica ganhou no desempate através da marcação de grandes penalidades, conquistou mais um troféu sem ponta de verdade desportiva e salvou a sua pobre temporada. O Sporting, que até começou a época de forma auspiciosa, conquistando a Supertaça ao vencer o FC Porto, perdeu a Taça da Liga pela segunda vez consecutiva e, neste ano de 2009, continua a distribuir desilusões pelos adeptos.
Porém, enquanto que, na época passada, o Sporting perdeu a Taça da Liga para o V. de Setúbal por incompetência, desta vez, o responsável pela derrota leonina tem um nome: chama-se Lucílio Baptista, o árbitro que transformou um corte de bola com o peito de Pedro Silva numa grande penalidade, permitindo ao Benfica restabelecer o empate a um golo e ressuscitar para o jogo, deixando o Sporting em dificuldades nos minutos finais da partida, desde logo por causa da expulsão do lateral-direito brasileiro. Uma partida que a equipa de Alvalade, mesmo sem jogar bem, controlou desde o apito inicial, um domínio que só deu para um golo, marcado no início do segundo tempo. O Sporting não conseguiu matar o jogo, perante um Benfica inconsequente, que entrara em campo com uma postura muito agressiva, que a equipa de arbitragem não censurou como se impunha. Depois, nas grandes penalidades, a incompetência leonina do costume.
No fundo, esta final da Taça da Liga 2008-2009 foi a imagem perfeita do futebolzinho português: uma arbitragem que decidiu o vencedor, um relvado mau (de tal modo que a bola, por vezes, parecia que não era redonda), muitas quezílias, muitas paragens, muito pouco tempo útil de jogo, enfim, um mau espectáculo. O público que foi ao Estádio do Algarve, em particular o leonino, é que não merecia ter assistido a tamanha fraude.
Na senda de uma liderança frouxa e convivente com o "sistema", Filipe Soares Franco recomendou que peçam desculpas ao Sporting. A gravidade impõe muito mais do que isso. Se o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira, tivesse vergonha (ele que viu tudo sentado numa das poltronas do estádio), apresentaria imediatamente a sua demissão. Mas não tem. O futebol português desta gente mandante já não tem vergonha nenhuma. FOTO: AFP - Getty Images

sexta-feira, 20 de março de 2009

As ligas de Cláudia Borges

A modelo e apresentadora de televisão Cláudia Borges, de 26 anos, é capa da edição de Abril da revista masculina GQ Portugal. É mais uma sportinguista a mostrar a sua raça, ou melhor, toda a sua beleza, como documenta esta fotografia do seu ensaio para a GQ. Só não mostra mais por causa da cadeira. Uma pena. Para além de ter ganho uns concursos de beleza, que a levaram até à Face Models quando tinha 18 anos, Cláudia Borges afirma-se como apresentadora de televisão. Em Setembro de 2002, fez a sua estreia televisiva no programa infantil da SIC “Disney Kids”. Na mesma estação também apresentou o programa “Êxtase”. E por lá continua, como uma das apresentadoras do “Fama Show”, agora ao lado de outras beldades – Liliana Campos, Rita Andrade, Vanessa Oliveira e Orsi Fehér. Neste sábado, não pedimos aos jogadores do Sporting que conquistem as ligas de Cláudia Borges. No Algarve, frente ao Benfica, basta conquistar a Taça da Liga… Quanto à sportinguista Cláudia Borges, que ela seja a musa inspiradora de uma grande exibição leonina!… PARA MAIS IMAGENS DE CLÁUDIA BORGES NA GQ SEGUIR ESTE LINK

Soares Franco e o fim do Sporting

PRÉMIO ELE QUER É ACABAR COM O SPORTING

"Soares Franco quer acabar com as assembleias gerais normais e votar planos de reestruturação e governação via referendo."

"A Bola", 20-03-2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Sporting tem a melhor defesa da Liga

Nem tudo é negativo no futebol do Sporting. Apesar de ter encaixado 12 golos nos dois jogos dos oitavos-de-final com o Bayern de Munique, para a Liga dos Campeões, a verdade é que o Sporting tem a defesa menos batida da Liga Portuguesa, com 14 golos sofridos em 22 jornadas. Um facto que não tem sido valorizado. FC Porto e Braga sofreram 15 golos e o Benfica 21. Outro dado curioso é que a defesa leonina melhorou o seu rendimento com a entrada do jovem Daniel Carriço para o eixo da defesa, a partir da 7ª jornada – altura em que começou a substituir Tonel, que estava lesionado.
Até à sexta jornada, inclusive, o Sporting tinha sofrido 5 golos, ou seja, uma média de 0,7 golos sofridos por partida. Entre a 7ª e a 22ª jornada, o Sporting sofreu 9 golos, ou seja, uma média de 0,6 golos sofridos por partida. Mais: nos 15 jogos em que o Sporting contou com Carriço em campo, a equipa leonina não sofreu golos em 9 deles. Aliás, com Carriço em campo (esteve ausente nas duas partidas com o Bayern…), o Sporting já não sofre golos há três jogos consecutivos. O último adversário a marcá-los foi precisamente o Benfica (adversário leonino do próximo sábado na final da Taça da Liga), que perdeu em Alvalade por 3-2, em 21 de Fevereiro último, em jogo da segunda volta da Liga. FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

O coração de Isabel Trigo de Mira

Se tudo dependesse daquilo que lhe diz o coração, Isabel Trigo de Mira seria candidata à presidência do Sporting. A antiga vice-presidente do Conselho Directivo, no tempo de Dias da Cunha, confirmou esta noite, no programa "Lugar Cativo", na TVI 24, que tem sido muito pressionada para avançar como candidata à presidência. Na semana em que vai ser disputada a final da Taça da Liga, o tema do programa moderado por Fernando Correia foi precisamente a situação actual do Sporting e do Benfica (a ex-dirigente benfiquista Paula Pinho, também convidada do programa, teceu críticas duríssimas à gestão de Luís Filipe Vieira e ao treinador Quique Flores).
Isabel Trigo de Mira, que durante o programa ouviu um ouvinte sportinguista a relatar casos de encerramento de vários núcleos do Sporting no Norte do País, considerou que não faltarão candidatos à liderança do clube, justificando a falta deles até ao momento com uma questão de "timing", uma vez que está agendado um congresso do clube para o final de Março, em Santarém. "Se a decisão dependesse do coração, diria que podem contar comigo", deixou escapar Isabel Trigo de Mira, sem adiantar o que fará se tiver de pensar no assunto com o coração, mas também com a razão...

terça-feira, 17 de março de 2009

A importância do debate

O debate aberto pelo LEÃO DA ESTRELA sobre quem deveria assumir funções directivas no Sporting Clube de Portugal, no “post” anterior, é bem demonstrativo do interesse dos sportinguistas no futuro do clube, facto que é de realçar. O objectivo de apontar nomes concretos - o que é sempre polémico porque muito subjectivo - para afrontar as consciências e estimular o debate foi conseguido, o que prova que o Sporting está vivo e bem vivo. Precisa, porém, de rostos que corporizem uma nova liderança que motive a nação sportinguista em torno de um projecto desportivo que devolva ao Sporting uma palavra central no futebol português. E que coloque a bola na primeira linha dos discursos dos seus dirigentes. Porque, sendo a gestão financeira decisiva para a sobrevivência do clube, que tem no futebol a sua principal actividade, a verdade é que será sempre a bola que entra ou que bate na trave que continuará a ser o grande barómetro da vida do Sporting.
Ninguém discute o valor das acções da SAD cotadas em bolsa, a não ser os grandes investidores no secretismo dos seus gabinetes de trabalho. Mas todos discutem se o árbitro não assinalou o penálti que deveria ter assinalado ou se assinalou o fora-de-jogo que afinal não existiu. O clima de guerra civil gerado pela humilhante derrota europeia prova isso mesmo. Foram apenas duas derrotas muito pesadas, a juntar a algumas trapalhadas. Foi apenas uma eliminatória, por sinal na participação mais longa do Sporting neste modelo da Liga dos Campeões. Mas foi o suficiente para voltar a pôr tudo em causa. Surpreendente é que ainda não haja ninguém disponível para pegar no Sporting com as duas mãos…

Nomes para um grande Sporting

Eu sei que é um sonho, para o qual o Sporting Clube de Portugal e os sportinguistas ainda não estarão preparados. Mas adorava que este sonho fosse uma realidade. Ele aqui fica:

PRESIDENTE DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: Manuel Fernandes (símbolo maior do futebol do Sporting Clube de Portugal de uma época marcada pela expansão do clube ao nível das modalidades, sportinguista carismático e exemplar, um ídolo de milhares e milhares de sportinguistas).

VICE-PRESIDENTE DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL PARA O FUTEBOL: Luís Duque (dirigente experiente, que subiu a pulso na estrutura dirigente do Sporting até à presidência da SAD, tendo sido campeão nacional em 2000).

VICE-PRESIDENTE DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL PARA AS FINANÇAS: Eduardo Catroga (antigo ministro das Finanças, empresário experiente e respeitado na banca).

PRESIDENTE DA SPORTING SAD: Paulo Futre (o primeiro futebolista de dimensão internacional formado no Sporting, antigo campeão do futebol juvenil leonino, figura conhecida e respeitada no futebol internacional, em particular no futebol espanhol, que deveria ser estratégico para a política de expansão do futebol leonino).

DIRECTOR DESPORTIVO: Ricardo Sá Pinto (o portador da mística e da garra leoninas e o motivador do balneário na pele de dirigente).

TREINADOR PRINCIPAL: Seria a escolha mais difícil, por não faltarem alternativas. Com uma retaguarda dirigente assente nos nomes mencionados, qualquer treinador teria condições para ter sucesso. À imagem do FC Porto, seria a estrutura a “fazer” o treinador e não o treinador a “fazer” a estrutura. Neste sentido, tanto serviria Luiz Felipe Scolari como Manuel José, Augusto Inácio, José Mota ou Daúto Faquirá.

TREINADOR ADJUNTO: O campo de recrutamento é muito grande e diversificado. Um deles deveria ser Oceano Cruz, que é um grande símbolo do futebol do Sporting e da resistência à crise nos agitados anos oitenta, e que seria a imagem do esforço e da dedicação e também da multiculturalidade sportinguista. Litos seria outro nome a ter em conta. Mas há outros.

A grande questão é esta: haverá no Sporting algum movimento de associados que seja capaz de juntar estes "leões" de excelência para um projecto desportivo sustentado numa política de racionalidade económica (tendo em conta a grave situação financeira do clube) à volta da qual se mobilize toda a nação sportinguista?...

segunda-feira, 16 de março de 2009

A diabolização de Miguel Veloso

Na noite da tragédia de Munique, o vice-presidente do Sporting Miguel Ribeiro Teles disse que alguém iria “assumir responsabilidades” pelo que aconteceu. O dia seguinte serviu para fazer emergir a figura de Sousa Cintra, expressando banalidades apaziguadoras em várias entrevistas à comunicação social e programas desportivos de rádio e televisão. Sousa Cintra, esse presidente que, em 1993-1994, despediu Bobby Robson como quem despede uma mulher a dias, logo que o Sporting – que liderava o campeonato nacional – foi eliminado da Taça UEFA por 3-2, pelo Casino de Salzburgo, equipa austríaca que, nesse ano, curiosamente, até seria finalista da prova, caindo apenas frente ao Inter de Milão.
Entretanto, Filipe Soares Franco divergiu do presidente da Assembleia Geral, Rogério Alves. Para Franco, ter sofrido 12 golos do Bayern não foi "uma humilhação". Para Alves, foi. Foi mesmo “uma página negra” na história centenária do clube.
Depois disto, os dias passaram e... nada, a não ser o episódio lamentável das paredes pintadas na Academia de Alcochete, prontamente escondidas com tinta branca. Ninguém assumiu responsabilidade nenhuma. É isto o Sporting de hoje: uma casa onde os dias correm uns atrás dos outros, uns com vitórias, outros com empates e outros ainda com derrotas. E muita intriga de balneário, sabemos agora.
Desta vez, porém, houve outros factores de perplexidade. A mulher de um jogador – talvez a única criatura que demonstrou coragem no meio da tempestade – pôs o dedo nas feridas. Resultado: obrigaram o marido-atleta a "refutar" (não a desmentir...) as novidades na página do clube na Internet. A onda "policial" prosseguiu no jogo com o Rio Ave, desta vez com os polícias pagos pelos impostos de todos nós a recolherem tarjas que pusessem em causa a gestão de Filipe Soares Franco e a darem umas bastonadas em quem atrapalhasse a missão de esconder as expressões de desagrado pelo que se passa em Alvalade. Mais uma imagem miserável de um clube que foi fundado para ser tão grande como os maiores da Europa.
Voltando às responsabilidades, não houve, portanto, quem assumisse as suas. Mas houve um rapaz que levou com tudo em cima da cabeça: Miguel Veloso. Sim. Ao não ter sido convocado para o jogo com o Rio Ave e ao ter sido criticado na praça pública (quem semeia ventos colhe tempestades...), foi o único escolhido como o grande responsável pela hecatombe europeia. Ora, não tendo sido conhecida nenhuma declaração pública de Miguel Veloso após o jogo de Munique, não sabemos por que é que ele poderia agora ser “castigado” pelas declarações intempestivas que fizera no aeroporto, quando estava de partida para a Alemanha. Se, mesmo assim, Paulo Bento escolheu o jogador para o confronto (a palavra é excessiva, tendo em conta a forma como o Sporting não jogou…) com o Bayern, não deveria ter sido o treinador a ser responsabilizado por ter promovido a indisciplina no grupo de trabalho ao integrar o jogador na equipa?...
No fundo, Miguel Veloso está a ser o bode expiatório de um fracasso colectivo e que, simbolicamente, deveria ter sido assumido pela administração do Sporting e pela equipa técnica, que são duas cadeias de comando essenciais do futebol leonino: uma no plano administrativo e outra no plano desportivo. Mas nada disso aconteceu. Parece que a diabolização de Miguel Veloso vai servindo para tapar a incompetência. Não é isso que pensa, seguramente, Rogério Alves, que admitiu a necessidade de antecipar as eleições. O que só poderá acontecer através da demissão de Soares Franco.
Oxalá as coisas corram bem contra o Benfica, pois é capaz de não haver mais carne para canhão na fila de espera... Tudo isto é mau demais para continuar por muito mais tempo.

domingo, 15 de março de 2009

A ilusão benfiquista

Enquanto a imprensa desportiva portuguesa insistir em ver a vida pelo ângulo dos chamados grandes, assumindo as suas dores e os seus pontos de vista, e enquanto não valorizar o jogo de quem ganha, explicando por que é que ganhou quem ganhou, em vez de ficar triste com a derrota dos grandes e de se concentrar em mandar recados (como é evidente nesta manchete de "A Bola" sobre Quique Flores), o futebol português continuará a ser um futebolzinho. Flores "já não vê nem ouve"?!... E ainda é treinador do Benfica?!... Do Vitória de Guimarães, nada na primeira página, além do grande resultado escondido; não há uma declaração, nem uma camisola de costas para os leitores... É também por causa deste jornalismo que o Benfica continua iludido que é um grande candidato ao título.

sábado, 14 de março de 2009

Polícia a mais e futebol a menos

Ainda na ressaca da nulidade de Munique, o Sporting voltou às competições internas vencendo o Rio Ave, em Alvalade, por 2-0, na noite em que, na luta pelo título de campeão nacional, também conquistou três pontos ao Benfica, que perdeu na Luz, frente ao Vitória de Guimarães, por 1-0. Foi uma noite farta em pontos ganhos (um total de seis, faltando saber o que acontecerá no FC Porto-Naval), farta também em bastonadas da polícia sobre os adeptos leoninos e, infelizmente, pobre em futebol de qualidade.
A equipa leonina, que ganhou com toda a justiça, tendo feito o resultado na primeira parte, período em que jogou melhorzinho, ficou, porém, a dever aos sportinguistas uma grande exibição e uma vitória bem mais robusta sobre uma das equipas mais modestas da Liga Portuguesa, tanto mais que o Rio Ave jogou toda a segunda parte reduzido a dez elementos.
No fundo, faltou ao Sporting a “resposta fortíssima” que preconizava o antigo “capitão” Manuel Fernandes, de modo a fazer esquecer rapidamente a humilhação europeia, perante 20 mil adeptos divididos entre os aplausos e as tarjas confiscadas por uma polícia que, como o País ficou a saber recentemente, não sabe distinguir a arte da pornografia, sendo, portanto, de presumir que também não saiba distinguir o elogio da crítica…
A Polícia de Segurança Pública não foi a Alvalade para garantir a segurança pública dos cidadãos que pagaram para ver um espectáculo, face ao qual têm todo o direito de manifestar o que pensam dele, mas sim orientada para censurar a indignação dos adeptos leoninos e dar-lhes umas bastonadas, para que todo o mundo visse que, para além de uma equipa “assustadoramente fraca”, o Sporting também tem adeptos “assustadoramente perigosos”.
Em face desta demonstração do espírito censório da polícia, contra a liberdade de expressão, irá a Direcção do Sporting pedir explicações à Direcção da PSP sobre as bastonadas que distribuiu em Alvalade – que resultaram em mais uma humilhação pública da nação sportinguista – e sobre os critérios que presidiram à confiscação das tarjas que os adeptos tinham para mostrar?
É que seria bom que os adeptos do futebol, e os do Sporting em particular, soubessem se há alguma lista de mensagens proibidas nos estádios portugueses. Eis uma questão importante, esta sim, a merecer um comunicado oficial da Associação dos Adeptos Sportinguistas...
Voltando ao jogo, tendo em conta o clima de turbulência que varre o balneário leonino, para os objectivos do Sporting o importante foi mesmo ganhar ao Rio Ave, reabilitando a equipa para as batalhas que se aproximam, a próxima das quais, já no próximo sábado, será a disputa da Taça da Liga com o Benfica, no Estádio do Algarve. FOTO: AFP - Getty Images

sexta-feira, 13 de março de 2009

José Peseiro, o futebol ofensivo e o Sporting

“O que fiz no Sporting, mesmo perdendo, projectou-me. Fui para o Panathinaikos porque o futebol do Sporting foi elogiado. Mesmo estando só um ano no Sporting, fomos à final da Taça UEFA e estivemos perto de sermos campeões. Não estivemos nem dois, três, nem quatro anos, mas isto não é uma crítica a ninguém.”

“O Sporting de 2004-2005 fez 107 golos numa época, foi a quarta equipa mais goleadora na Europa. É evidente que gosto de futebol de ataque e não estou a dizer que só por isso sou melhor do que os outros. Cada um escolhe o seu caminho. Estive em quatro ou cinco subidas de divisão. Não fui campeão no Sporting, mas quantas vezes foi o Sporting campeão nos últimos 20 anos? Jogando bem e ao ataque estamos mais perto de ganhar, mas todos sabemos que quanto mais equilibrados formos, melhor. Também reconheci que a equipa do Sporting era ofensiva, mas tinha problemas nas transições defensivas. Tentámos resolver isso, sem perder a identidade ofensiva. Infelizmente, não conseguimos a 100 por cento, mas também não se consegue nada a 100 por cento. Nunca deixei de ter uma identidade ofensiva. Há treinadores que, por não ganharem, passam a defender só. Eu acho que é possível uma equipa ofensiva ganhar. Também há treinadores defensivos que apostam no contrário. A qualidade dos treinadores não está aqui. Pode haver caminhos diferentes. Não admito é mudar de caminho só com medo do resultado. Vou manter o meu caminho e melhorá-lo, quer no processo ofensivo ou defensivo. Mesmo não ganhando nos clubes por onde passei, fiz coisas que não sei se teria conseguido se fosse defensivo.

“Disse sempre que não fazia sentido, perante o que se criou, voltar ao Sporting no curto prazo. Mas não sei se daqui a uns anos será possível ou não. Perante o desgosto e a tristeza que foi perder aqueles títulos, e estando eu ligado a ela, não seria um factor de entusiasmo treinar o Sporting a breve prazo. Mas quem sabe daqui a uns anos isso não será possível.”


José Peseiro, treinador do Sporting entre Julho de 2004 e Outubro de 2005 e actual seleccionador da Arábia Saudita, “Público”, 13-03-2009

A humilhação, segundo Soares Franco

PRÉMIO HUMILHAÇÃO É SER ACUSADO DE BURLA PELA FAMÍLIA DA EX-MULHER

"Não considero humilhação."
Filipe Soares Franco sobre a derrota do Sporting em Munique, "A Bola", 13-03-2009
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