Nesta segunda-feira, José Eduardo Bettencourt cumpre os primeiros 100 dias do mandato na presidência do Sporting Clube de Portugal. Ainda é muito cedo para fazer qualquer balanço. A sensação é bastante estranha: parece que o presidente quer empurrar o Sporting para a frente, mas o clube, por motivos que não são visíveis a olho nu, não avança. E até a equipa de futebol – que é o grande motor da nação sportinguista – não ajuda nada, embrulhada nos seus equívocos, que têm resultado em más exibições e maus resultados. De resto, a eliminação da Liga dos Campeões foi a primeira má consequência, desportiva e financeira, do arranque mais frouxo de sempre do futebol profissional do Sporting.
Amarrado a demasiados compromissos, até com o treinador, por força de uma candidatura tardia e lançada em desespero pelos donos da lógica de poder que vigora em Alvalade nos últimos anos, José Eduardo Bettencourt está perante o grande desafio de afirmar a sua liderança contra um certo conservadorismo que reina no Sporting, de modo a que a sua prática condiga com a ambição do seu discurso. O primeiro sinal foi dado ao assumir a responsabilidade pelo futebol do Sporting, deixando Miguel Ribeiro Telles sem nada para fazer na SAD.
Já deu para reparar que José Eduardo Bettencourt valoriza os sinais. Faz muito bem. Por falar em sinais, há um que ele deveria dar para dentro e para fora do clube a partir de um dos próximos jogos do Sporting: seria sentar-se no banco, ao lado da equipa técnica, como grande timoneiro da nau de Alvalade. Sei que não existe essa tradição no clube, cujos presidentes sempre foram demasiado "aristocratas" para se sujeitarem a sujar os pés na relva molhada. Mas o Sporting nunca teve um presidente a tempo inteiro, pago pelo seu trabalho, e agora tem o primeiro. E é preciso que a nação sportinguista sinta que as coisas estão a mudar... Se não fosse antes, a estreia do presidente do Sporting no banco poderia acontecer, por exemplo, no Estádio do Dragão, no próximo dia 26, um jogo de particular importância para o futuro da equipa de Paulo Bento nesta Liga.
Pinto da Costa já não tem idade para isso, nem precisa. Mas fez a sua carreira no banco, começando por se sentar ao lado do mestre José Maria Pedroto. Luís Filipe Vieira gostaria, mas, por motivos de saúde, nem sequer pode assistir aos jogos do Benfica. Logo, José Eduardo Bettencourt tem todas as condições para ser o único presidente de um grande clube português a participar no jogo, sentando-se no banco, vivendo alegrias e tristezas ao lado de técnicos e jogadores, como um general que não desiste de um combate, mesmo quando o inimigo parece ganhar vantagem.
Talvez esse sinal fosse importante para mostrar quem manda no Sporting. E fosse mais um meio de motivar a equipa leonina, fomentando a solidariedade no grupo de trabalho, fazendo renascer um Sporting mais forte e mais solidário em todos os sectores do clube. Portanto, senhor presidente do Sporting, o seu lugar é no banco, junto da equipa, junto dos seus que são nossos!...