quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As últimas de Alvalade

André Villas-Boas como treinador do Sporting é uma incógnita. Mas é um risco calculado. A equipa de futebol do Sporting não vai, com toda a certeza, piorar. Por outro lado, Villas-Boas, apesar de não se cansar de imitar José Mourinho, merece o benefício da dúvida. E merece o apoio de todos os sportinguistas, evidentemente. O que queremos é que ponha a equipa a jogar à bola com alegria, qualidade e ambição.
Ricardo Sá Pinto no futebol (não na gestão do futebol) é uma excelente escolha. O balneário do Sporting precisava que o seu futebol estivesse entregue a quem de lá veio (Pedro Barbosa veio de lá mas cedo se transformou em alguém que nunca de lá tinha vindo). Sá Pinto não vai ser responsável pelas contratações. É bom que isso fique nas mãos do presidente. Se Bettencourt é presidente a tempo inteiro tem que ser responsável pelas grandes decisões, libertando a pressão de outros agentes.
Até agora falámos de nomes do futuro que têm futuro. Agora, os nomes do passado. Miguel Salema Garção a trabalhar com Sá Pinto não se entende muito bem. Dirigir a comunicação do Sporting Clube de Portugal, ainda que cometendo erros de palmatória, é mais importante do que andar metido no balneário a mostrar a gravata sem ter sido jogador da bola. De resto, nos meandros de Alvalade toda a gente sabe que Garção tem anti-corpos, pois é o rosto da má comunicação leonina nos últimos anos e esteve demasiado envolvido no processo de transição de José Peseiro para Paulo Bento, em 2005. Mas Bettencourt lá sabe o que está a fazer (ou o que pode), certamente melhor do que nós. Aliás, se Salema Garção não trocar os defesas do Sporting pelos defesas do Benfica quando for esperar os jogadores brasileiros ao aeroporto (como já aconteceu com o funcionário do balneário leonino Eurico Gomes), a evolução já será notória.
Nobre Guedes na SAD, no lugar de Miguel Ribeiro Teles, é mais uma extensão do BES em Alvalade. Nada a dizer, portanto, uma vez que manda quem pode. Neste caso, manda o credor. Ponham a casa em ordem, porque estamos fartos disto. Queremos o Sporting a jogar à bola e a ganhar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Octávio Machado e o balneário leonino

Octávio Machado (60 anos) divide a sua vida entre a agricultura e a política autárquica, em Palmela, onde falhou a reeleição como vereador ao candidatar-se à presidência da Câmara Municipal pelo CDS/PP. Jogou futebol no Vitória de Setúbal e no FC Porto, tendo sido internacional, nos anos setenta do século XX. Entre 1983 e 1994 foi o homem que blindou o balneário do FC Porto, tendo sido adjunto de sucessivos treinadores nas décadas de 1980 e 1990. Em 1995, na ressaca do consolado de Carlos Queirós, foi contratado pelo Sporting e conquistou uma Supertaça ao FC Porto (vitória por 3-0 numa finalíssima disputada em Paris). Esteve em Alvalade até 1997-1998, sendo o primeiro de três treinadores do Sporting ao longo da época, antes de Vicente Cantatore e Carlos Manuel. Saiu sem glória, mas deixou saudades entre alguns sectores da massa associativa leonina. Voltou a recolher aos campos agrícolas de Palmela, regressando ao FC Porto em 2001-2002, onde não foi feliz como tinha sido no passado. Deixou o futebol voltando apenas para lançar um livro onde denuncia os "podres" do chamado "sistema". Em entrevista ao "Correio da Manhã", elogia Paulo Bento e manda recados para os gestores do futebol de Alvalade e para o balneário sportinguista. Eis algumas frases:

"Os jogadores têm de ser mais corajosos, têm de arriscar mais. Alguns começam a esconder-se; nota-se pela maneira como tocam na bola. Andam a enrolar, a fugir às responsabilidades. É preciso perguntar no balneário quem quer estar no grupo a 100 por cento. Quem não quiser que saia em Janeiro. (..) Muitos jogadores não têm estrutura psicológica para suportar dificuldades e críticas. É preciso um grande safanão. O Sporting não é um clube de eventos sociais, como algumas pessoas tentam fazer crer. É um clube que contrata jogadores para darem rendimento a alto nível. (...) Os jogadores têm de viver a sua profissão e não outra. Têm de perceber que estão ali para jogar e dar rendimento, nada mais."

"Na minha altura havia grandes vozes de comando. O Marco Aurélio, o Oceano, o Pedro Barbosa, o Iordanov. Era gente com muita influência, símbolos de resistência e carregadores da mística leonina."

"Os adeptos movem-se por simpatias e calam-se com bons resultados. O problema do Paulo Bento foi ter a imagem completamente desgastada de tanto se colocar na linha da frente quando houve confusão. Sei bem o que isso é. (...) Estou a dizer que os adeptos se atiraram ao treinador porque só ele aparecia na praça pública a fazer o trabalho que outros lá dentro poderiam fazer. Não é fácil treinar, representar o clube, resolver problemas disciplinares, dar a cara em tudo. (...) O Paulo é sério e competente. Gosto particularmente dele por não ser dependente dos jogos dos empresários. Se fosse como outros treinadores, se calhar teria vida mais fácil."

Octávio Machado, "Correio da Manhã", 07-11-2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um empate consentido

Em Vila do Conde vi um Sporting mais dinâmico e a jogar para ganhar, na primeira parte, período em que até marcou dois golos sem resposta - inédito nesta temporada - e um Sporting desligado do jogo, a remeter-nos para filmes vistos e revistos durante o consolado de Paulo Bento, deixando-se empatar nos primeiros minutos do segundo tempo, com o lateral-direito Pedro Silva a mostrar toda a sua incapacidade competitiva no lance que deu o primeiro golo do Rio Ave. Depois, a expulsão de Carriço tornou as coisas mais difíceis. Ainda assim, houve energia para retomar a vontade de ganhar. Mas o encorpado Felipe Caicedo, que dizem valer 9 milhões de euros, com o guarda-redes no chão e a baliza à sua frente, não soube o que fazer à bola para decidir a jogo a favor da equipa leonina. E, assim, foram mais dois pontos à vida. FOTO: Miguel Vidal (Reuters - Portugal Sport Soccer)

domingo, 8 de novembro de 2009

Futre e outros nomes para o futuro do Sporting

Como não poderia deixar de ser, José Eduardo Bettencourt dá prioridade à recomposição do conselho de administração da Sporting SAD. Quem escolher para substituir Miguel Ribeiro Teles? Carlos Freitas? Não, seria regressar a um passado muito recente que conduziu à crise em que o clube está mergulhado, pese embora o actual gestor do futebol do Sp. de Braga tenha sido o primeiro a abandonar o Sporting por iniciativa própria, o que só joga a seu favor. Paulo Futre na SAD? Uma excelente hipótese. E para o lugar de Pedro Barbosa? Sá Pinto? É capaz de não haver melhor no universo leonino. Tanto Paulo Futre como Ricardo Sá Pinto, em outro contexto, já foram apontados aqui como nomes para um grande Sporting. E com Manuel Fernandes como treinador, teríamos o futebol leonino entregue a sportinguistas competentes. FOTO: "El País"

A demarcação de Manuel Fernandes

O treinador do Vitória de Setúbal, o sportinguista Manuel Fernandes, que levou a União de Leiria à I Liga e está, agora, a encetar a recuperação dos sadinos, demarcou-se ontem de uma eventual sucessão a Paulo Bento no Sporting: "A minha cabeça está concentrada no Vitória. Tenho aqui muito trabalho." Uma página na rede social Facebook, criada há dias pelo blogue LEÃO DA ESTRELA, intitulada "Manuel Fernandes a treinador do Sporting", já regista perto de uma centena de fãs sportinguistas.

sábado, 7 de novembro de 2009

Há coisas fantásticas, não há?...

Primeira página de "A Bola", de 25 de Março de 2008. Desta, nem Vítor Serpa se lembrou na edição de hoje...

O "Mourinho" que o Sporting procura

Não faltam nomes para suceder a Paulo Bento no comando técnico do Sporting. André Villas-Boas, Co Adriaanse, Luiz Felipe Scolari, Manuel Machado. Por mim, não esquecendo que, noutro contexto, já defendi Luiz Felipe Scolari, gostaria de ver Manuel Fernandes, pelas razões também já apontadas neste blogue, ou outro nome que conheça profundamente o futebol português.
Atendendo ao estado a que o futebol da equipa leonina chegou, nem será disparatado dizer que qualquer treinador serve. Até Leonel Pontes, se a equipa começar a jogar e a ganhar jogos, como estou seguro de que vai acontecer, já em Vila do Conde.
Mas também simpatizo muito com a hipótese de o treinador da Académica, André Vilas-Boas, rumar a Alvalade. É uma incógnita como era José Mourinho, quando, no ano 2000, foi vetado pelos sócios do Sporting mais ruidosos. O estilo do mestre não lhe falta. E o jogo da Académica já mostrou qualidade. Talvez esteja aí o “Mourinho” que o Sporting procura. Nestas coisas nunca se sabe por antecipação…
Entretanto, é preciso ver o que se vai passar ao nível directivo, em função da onda de demissões, que fragilizaram José Eduardo Bettencourt, pois não podemos esquecer que Miguel Ribeiro Teles foi um nome fundamental na candidatura do presidente leonino. Mais do que a escolha do treinador, será decisivo o que vier a acontecer na estrutura dirigente, não estando de parte, inclusive, a possibilidade de realização de novas eleições. FOTO: www.maisfutebol.iol.pt

Bettencourt, as dúvidas e as certezas

Se ouvi bem, José Eduardo Bettencourt disse hoje que tem no Sporting pessoas que não têm dúvidas e que só têm certezas absolutas sobre tudo o que diz respeito ao clube e à SAD (1). Não sei o que dizer perante tamanha revelação. Afinal, a culpa dos problemas que colocam em causa a sobrevivência do Sporting como potência do futebol português não é só de Paulo Bento. Nem só de Pedro Barbosa ou Miguel Ribeiro Teles…
Mais: ao ter considerado a saída de Paulo Bento “uma perda irreparável”, José Eduardo Bettencourt começou por estragar o caminho ao futuro treinador e mostrou que não tem mesmo uma única ideia capaz de mobilizar o Sporting e os sportinguistas, desbaratando, diariamente, uma maioria esmagadora de 90 por cento dos sócios que participaram nas últimas eleições internas.

A demissão de Miguel Ribeiro Teles

A demissão de Paulo Bento

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A noite de Liedson na Europa

Na Holanda é que é bom. Pelo menos, tem sido assim nos jogos europeus do Sporting nesta década. Nesta quinta-feira, o Sporting venceu o Heerenveen (3-2) e entrou da melhor maneira na primeira edição da Liga Europa, com três golos do luso-brasileiro Liedson, o homem do jogo, finalmente a fazer o que melhor sabe, para tranquilizar Paulo Bento.
O Sporting ganhou, porque foi mais forte, ainda que tenha apresentado debilidades, num jogo entre duas equipas com evidentes problemas defensivos. Daí os cinco golos. A equipa leonina continuou a sofrer pesadelos no momento das bolas paradas defensivas, mas também encontrou um adversário mais “liberal” a defender do que as equipas da I Liga Portuguesa.
A vitória leonina, a primeira da temporada em jogos europeus e a terceira consecutiva da época, acaba por constituir um factor anímico importante para a equipa de Paulo Bento. Tanto mais que, em função do surpreendente empate entre o Hertha de Berlim e o Ventspils, na Alemanha, o Sporting já lidera isolado o Grupo D desta Liga Europa. FOTOS: Dennis Beek (AFP - Getty Images) e Toussaint Kluiters (Reuters)

O preço de Leandro Grimi

Esclarecimento do Sporting, com data de 16 de Setembro de 2009, sobre a aquisição do argentino Leandro Grimi: "Na medida em que foram levantadas dúvidas acerca do valor contabilístico do jogador Leandro Grimi por alegada discrepância entre a informação prestada ao mercado e a constante no Balanço, esclarece a Sporting SAD que, ao valor de aquisição dos direitos desportivos do Jogador ao AC Milan referido no Comunicado de Informação Privilegiada de 15 de Julho de 2008, acresce o montante pago ao jogador a título de prémio de assinatura, o valor pago pela Sociedade para aquisição e exploração dos seus direitos de imagem e, por fim, a comissão de intermediação que teve lugar, pelo que, o valor actual contabilístico reflectido no Balanço é necessariamente superior àquele que foi comunicado e suportado pela Sociedade com a aquisição dos direitos desportivos do jogador."
Estamos esclarecidos. É a gestão de activos no seu esplendor...

A histórica contratação de Amunike

O avançado Emmanuel Amunike (nascido em 25 de Dezembro de 1970, na Nigéria) foi um dos melhores futebolistas estrangeiros que passaram pelo Sporting na década de 1990. Antes de chegar a Portugal, actuou na Nigéria e no Egipto, aqui ao serviço do Zamalek FC.
Internacional pelo seu país, Amunike ingressou no Sporting, contratado por Sousa Cintra, que mostrou grande habilidade num negócio que estava difícil por haver outros interessados no jogador, tendo o presidente leonino viajado ao Egipto para contratar Amunike ao “sprint”, colocando-o em Lisboa com passaporte arranjado em tempo recorde e acordo assinado.
Cobiçado na Europa, o atleta africano tinha acabado de participar no Mundial de 1994, nos Estados Unidos, tinha conquistado a Taça das Nações Africanas e tinha sido considerado o “jogador africano do ano”. Em Alvalade impôs-se de imediato, tendo ficado célebre ao marcar um golo da vitória frente ao seu rival de sempre, o Benfica. Actuou ao lado de jogadores que deixaram saudades no público de Alvalade como Balakov, Yordanov, Oceano, Juskowiak, Figo, Naybet, Carlos Xavier, Sá Pinto, entre outros.
Amunike, que actuava preferencialmente na asa esquerda do ataque leonino, esteve nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, onde foi medalha de ouro, pela selecção nigeriana, tendo marcado no jogo decisivo frente à Argentina. Em Alvalade, onde conheceu como treinadores Carlos Queiroz, Octávio Machado e Robert Waseige, conquistou a Taça de Portugal, em 1994-1995, e a Supertaça Portuguesa, em 1995-1996 (vitória sobre o FC Porto por 3-0, em Paris, após dois empates em Portugal).
Em dois anos e meio com a camisola do Sporting, Amunike disputou um total de 67 jogos oficiais e marcou 21 golos. Depois, foi transferido para o Barcelona de Bobby Robson, por 3,6 milhões de dólares, onde não foi muito feliz devido a várias lesões num joelho, que o afastaram do Mundial de França, em 1998. E nunca mais foi o mesmo jogador. Podemos dizer que o auge da sua carreira foi atingido no Sporting.
Em três épocas e meia, no Barcelona, fez um total de 19 jogos e 1 golo. Em 2000, foi emprestado ao Albacete. Em dois anos, limitado por motivos físicos, disputou 17 jogos e marcou também apenas 1 golo. Teve uma passagem efémera pela Coreia do Sul (Busan Icons), acabando a carreira em 2004, a ganhar petrodólares na Jordânia (Al-Wihdat).
Em suma, Amunike ficou na história do futebol como um dos extremos mais promissores, que foi impedido de se afirmar entre os melhores do mundo por sucessivas lesões que travaram a sua evolução.
Dele temos a imagem de um jogador que dava tudo em campo, entregando-se ao jogo de alma e coração, tendo deixado muitas saudades no público leonino. Veloz e com remate potente, era dotado de boa capacidade técnica – qualidades que usava sempre na direcção da baliza contrária. Ficou famoso pelo excelente pé esquerdo que possuía e pelos cruzamentos perfeitos que conseguia executar. Actualmente com 38 anos, vive em Santander e tem o curso de treinador, obtido recentemente na Real Federação de Treinadores Espanhóis.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A falência do Sporting

A SAD do Sporting fechou as contas do exercício 2008-2009 com um prejuízo de 13,1 milhões de euros. Isto no ano em que mais dinheiro captou da Liga dos Campeões… E, segundo relata a imprensa, ainda não estão contabilizados os prémios dos administradores. Sim, os prémios. Porque uma gestão assim é merecedora de um bom prémio. "A SAD ainda não atribuiu prémios da época 2008-2009 aos administradores, pelo que não constam das contas", informa o "Jornal de Notícias".
Deixando de lado os jargões de “economês” que tudo justificam, mas que só serve para anestesiar os papalvos, a verdade é que a SAD do Sporting, mesmo com o cinto apertado no que diz respeito ao reforço da equipa de futebol, regista o pior resultado financeiro desde 2002-2003. E ninguém se demite por incompetência e má gestão. A começar por quem justifica os maus resultados com a “inexistência de proveitos com vendas”, quando eles são os primeiros responsáveis por isso: tendo cada vez menos influência no mercado, não conseguindo vender activos excedentes, contribuindo, assim, para a sua desvalorização, ou delapidando os jogadores formados na Academia – muitos deles por terem esse grave defeito de serem extremos… -, pagando-lhes para que eles saiam do clube. O agora portista Varela, por exemplo, recebeu 11 mil euros para sair. Outros receberam muito mais.
No fundo, foi esta gestão, dita rigorosa, que mereceu 90 por cento dos votos nas últimas eleições para os órgãos directivos do Sporting Clube de Portugal. Por isso, temos a garantia de que o sinal das finanças leoninas se tornará cada vez mais vermelho à medida que o tempo avança… Até que um dia, dentro de pouco tempo, o sinal mudará de vermelho para preto... A não ser que José Eduardo Bettencourt consiga fazer algum milagre.
Como é possível que isto esteja a acontecer?... Como é possível que banqueiros tidos como insuspeitos, que entraram no Sporting e se fizeram conhecidos no Sporting porque se diziam sportinguistas, tenham deixado o clube chegar onde chegou?...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Presidente, o seu lugar é no banco de suplentes!

Nesta segunda-feira, José Eduardo Bettencourt cumpre os primeiros 100 dias do mandato na presidência do Sporting Clube de Portugal. Ainda é muito cedo para fazer qualquer balanço. A sensação é bastante estranha: parece que o presidente quer empurrar o Sporting para a frente, mas o clube, por motivos que não são visíveis a olho nu, não avança. E até a equipa de futebol – que é o grande motor da nação sportinguista – não ajuda nada, embrulhada nos seus equívocos, que têm resultado em más exibições e maus resultados. De resto, a eliminação da Liga dos Campeões foi a primeira má consequência, desportiva e financeira, do arranque mais frouxo de sempre do futebol profissional do Sporting.
Amarrado a demasiados compromissos, até com o treinador, por força de uma candidatura tardia e lançada em desespero pelos donos da lógica de poder que vigora em Alvalade nos últimos anos, José Eduardo Bettencourt está perante o grande desafio de afirmar a sua liderança contra um certo conservadorismo que reina no Sporting, de modo a que a sua prática condiga com a ambição do seu discurso. O primeiro sinal foi dado ao assumir a responsabilidade pelo futebol do Sporting, deixando Miguel Ribeiro Telles sem nada para fazer na SAD.
Já deu para reparar que José Eduardo Bettencourt valoriza os sinais. Faz muito bem. Por falar em sinais, há um que ele deveria dar para dentro e para fora do clube a partir de um dos próximos jogos do Sporting: seria sentar-se no banco, ao lado da equipa técnica, como grande timoneiro da nau de Alvalade. Sei que não existe essa tradição no clube, cujos presidentes sempre foram demasiado "aristocratas" para se sujeitarem a sujar os pés na relva molhada. Mas o Sporting nunca teve um presidente a tempo inteiro, pago pelo seu trabalho, e agora tem o primeiro. E é preciso que a nação sportinguista sinta que as coisas estão a mudar... Se não fosse antes, a estreia do presidente do Sporting no banco poderia acontecer, por exemplo, no Estádio do Dragão, no próximo dia 26, um jogo de particular importância para o futuro da equipa de Paulo Bento nesta Liga.
Pinto da Costa já não tem idade para isso, nem precisa. Mas fez a sua carreira no banco, começando por se sentar ao lado do mestre José Maria Pedroto. Luís Filipe Vieira gostaria, mas, por motivos de saúde, nem sequer pode assistir aos jogos do Benfica. Logo, José Eduardo Bettencourt tem todas as condições para ser o único presidente de um grande clube português a participar no jogo, sentando-se no banco, vivendo alegrias e tristezas ao lado de técnicos e jogadores, como um general que não desiste de um combate, mesmo quando o inimigo parece ganhar vantagem.
Talvez esse sinal fosse importante para mostrar quem manda no Sporting. E fosse mais um meio de motivar a equipa leonina, fomentando a solidariedade no grupo de trabalho, fazendo renascer um Sporting mais forte e mais solidário em todos os sectores do clube. Portanto, senhor presidente do Sporting, o seu lugar é no banco, junto da equipa, junto dos seus que são nossos!...

domingo, 13 de setembro de 2009

Quando o futebol é um sacrifício...

Depois da primeira vitória da temporada, em Coimbra, onde foi melhor o resultado do que a exibição, o Sporting recebeu o Paços de Ferreira e venceu pela primeira vez em Alvalade, com um golo solitário de Liedson e mais uma exibição em que revelou a pobreza franciscana que é a imagem de marca do jogo leonino na actualidade. O Sporting ganhou, justificou o triunfo não indo além dos serviços mínimos, mas voltou para os balneários com a intranquilidade, a ansiedade e a cara sofrida com que tinha entrado. Foi uma única jogada ofensiva com princípio e fim, já aos 80 minutos, em que participaram Hélder Postiga, João Moutinho e Liedson, com este a marcar (pela centésima vez na Liga Portuguesa), que disfarçou um problema colectivo.
Ver jogar o Sporting de Paulo Bento não dá prazer nenhum. Pelo contrário, dá sono antes da hora de dormir. Este futebol não chama público aos estádios ou aos canais de televisão. Escrever sobre os jogos do Sporting é um exercício igualmente penoso, sobretudo quando sentimos a camisola verde e branca como algo com que nos identificamos desde sempre.
A verdade é que os adversários directos – que agora parecem de outra galáxia… – ganham os seus jogos marcando golos atrás de golos. E a equipa do Sporting continua a pontuar os seus jogos de modo sofrido, triste e vagaroso, procurando um golo, um mísero golo, dando a impressão de que esse golo tanto pode ser achado como não achado, que a vida continua sem que nada aconteça, como se um clube de futebol não vivesse de boas exibições e de vitórias claras. FOTO: Marcos Borga (Reuters)

Stojkovic, mas não muito...

Diz Paulo Bento que o guarda-redes Stojkovic, que foi inscrito pelo Sporting na Liga e na Liga Europa, "não tem as mesmas oportunidades dos outros". Ou seja, no Sporting, é o próprio treinador quem assume que há jogadores de primeira e jogadores de segunda. Inadmissível, obviamente.

Varela e os interesses

Num lance concluído de modo fantástico, Silvestre Varela voltou a marcar pelo FC Porto, abrindo a goleada (4-1) sobre o Leixões. É importante lembrar isso, para que os responsáveis do Sporting que o despediram, como Pedro Barbosa, que há dias afirmou que o jogador "não servia os nossos interesses". Pois não servia (e por isso foi contratado Felipe Caicedo, que, desde que chegou a Lisboa, já fez mais mudanças no corte de cabelo do que golos na baliza adversária...). Já Varela serve perfeitamente os interesses do FC Porto: jogando e marcando golos. Assim como voltará a servir os interesses da selecção nacional. Eis mais um caso em que o Sporting investiu na formação de um atleta para que outros explorem as suas qualidades... É evidente que, como diz Pedro Barbosa, "o Sporting não pode ficar com todos os jogadores" da formação. Mas tem obrigação de saber escolher os melhores para a sua equipa principal. FOTO: José Manuel Ribeiro (Reuters)

A sério?!...

“Somos favoritos. Acredito que somos melhores..."
Paulo Bento, sobre o Sporting-Paços de Ferreira, da 4ª jornada da I Liga 2009-2010

sábado, 12 de setembro de 2009

Começou a limpeza no Sporting

Na véspera do "11 de Setembro" desta semana e na tomada de posse dos novos órgãos da associação de solidariedade social "Leões de Portugal", José Eduardo Bettencourt "começou", finalmente, a exercer o seu mandato como presidente do Sporting Clube de Portugal, com estrondo, três meses depois da sua eleição e tomada de posse, em que ganhou as eleições internas com 90 por cento dos votos, vendendo a alma a todos os interesses e tendências instaladas em Alvalade.
Ao contrário do que sugere Dias Ferreira - que, escandalosamente, continua a ser presidente da Assembleia Geral e a mandar "bitaites" na comunicação social como se fosse um líder de opinião, tomando partido e colocando sportinguistas contra sportinguistas, não aprendendo nada de política com a sua irmã Manuela Ferreira Leite, uma ilustre sportinguista - a preocupação de Bettencourt não são os "rapazes" da Associação de Adeptos Sportinguistas, que já pediram a cabeça de Paulo Bento. Basta estar atento às notícias. E a sucessão de novidades dá corpo ao discurso de ruptura encetado por Bettencourt. No mesmo dia, o Sporting comunicava à CMVM que o administrador Miguel Ribeiro Telles perdia a pasta do futebol em favor do presidente. É uma mudança histórica, sobretudo tendo em conta que Bettencourt terá colocado a continuidade de Miguel Ribeiro Telles como condição para se candidatar à presidência.
No dia seguinte, o guarda-redes Stojkovic, o reservista mais caro da história do Sporting ao auferir 50 mil euros mensais, que, por vontade de Pedro Barbosa, continuaria a treinar sozinho até Janeiro, foi reintegrado no plantel. Ou seja, numa semana, Bettencourt tomou conta do futebol (não seria admissível outra coisa sendo ele presidente a tempo inteiro). Resta saber o que pensa Miguel Ribeiro Telles, agora administrador da SAD não executivo (se continua ou vai embora). Mais abaixo na hierarquia, a reintegração de Stojkovic no plantel orientado por Paulo Bento significa, em primeiro lugar, uma desautorização clara de Pedro Barbosa. É possível que ele não entenda isso. Tudo somado, José Eduardo Bettencourt começou a limpar o Sporting. Resta saber se não está amarrado a muitos compromissos ou se ainda vai a tempo...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Os recados de Bettencourt

"Não temos hoje solidariedade nos órgãos internos, nem o espírito de construção dos valores do Sporting que se deixou enredar numa teia complicada para o clube e para os sportinguistas."

"[Os problemas do Sporting] não são apenas do presidente ou do Conselho Directivo, [mas também de] outras pessoas com responsabilidades no clube."

"O presidente só será capaz de resolver esses problemas trabalhando em equipa com aqueles que têm responsabilidade no clube. Se não se entender isto, dificilmente lá chegaremos."

José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting, na tomada de posse dos novos dirigentes dos Leões de Portugal, 10-09-2009
FOTO: David Clifford

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O "novo Patrick Vieira" e o novo Silvestre Varela

Por estes dias, o jornal “Record” dava conta da nova esperança da formação leonina: William Carvalho (na foto), um médio defensivo de 17 anos, natural de Angola, internacional por Portugal e portador de uma compleição física respeitável: 1,87 metros. Do miúdo, que querem transformar em craque à força toda, fizeram a descrição mais elogiosa: “Médio muito completo, capaz de actuar a trinco ou em posição mais ofensiva, William destaca-se pelo porte atlético, invulgar para um jogador que pisa aqueles terrenos: tem 1,87 metros, facto que o leva a ser comparado, na Academia, a Patrick Vieira, o francês de 33 anos (e 1,93 metros) que nasceu em Dakar, deixou marca no Arsenal e representa o Inter, de José Mourinho.”
Tudo isto pelo facto de o rapaz ter participado, pela primeira vez, num treino - num simples treino - com o plantel principal, que nestes dias estava desfalcado dos jogadores que tinham sido chamados às respectivas selecções. Mas foi o suficiente para fabricar uma jovem vedeta com direito a página no jornal.
Pois é. Na Academia do Sporting, William já não é uma figura qualquer. E deixou de ser ele próprio. É o “novo Patrick Vieira”. Não sei quem está interessado em divulgar estas opiniões mirabolantes acerca dos jovens talentos da formação leonina. Amigos do clube ou dos jogadores é que não são com toda a certeza. Ou pensam que estão a ser, o que é muito pior.
Doravante estão todos os sportinguistas à espera que o “novo Patrick Vieira” apareça na primeira equipa leonina. E depois, se calhar, William não será bem o Patrick Vieira. Será ele próprio, e muito bem. Ou então, ficará tão bloqueado que acabará por se perder no meio dos outros, mesmo sendo alto, acabando por falhar por um motivo qualquer...
De facto, este é um problema sério da formação do Sporting e da comunicação desse trabalho para o exterior. E quem não vê nisto um problema não percebe nada do futebol de formação e do processo de crescimento dos jovens futebolistas, num ambiente como aquele que o Sporting proporciona a todos os seus jogadores às portas da grande e sedutora Lisboa... “Nos corredores da formação, a expectativa é alta, e o jovem de 17 anos é visto como um dos talentos de topo da sua geração, com margem para evoluir…”, adiantava o “Record”, bebendo, claro, no interior do clube tamanha expectativa… Depois dizem que a culpa é dos jornais.
No pólo oposto, o jornal “O Jogo” foi entrevistar o ex-sportinguista Silvestre Varela, que está a pegar de estaca na equipa de Jesualdo Ferreira - o que deveria constituir motivo de reflexão em Alvalade. Apesar das perguntas dos jornalistas, Varela arruma com elegância e sabedoria o dossiê relativo à sua saída do Sporting pela porta pequena: "Sobre isso não tenho nada a dizer. São opções que se tomam e agora o que tenho de fazer é concentrar-me apenas no FC Porto e ajudar esta equipa a conseguir o número máximo de títulos", disse o atleta.
Quem fala assim só pode estar a ser bem orientado. É outra maneira de lidar com a imprensa. Porque, no FC Porto, os jogadores sabem o que devem dizer e o que devem calar. Há sempre alguém para os ajudar. E não há ninguém a antecipar que serão os melhores do mundo e arredores. Primeiro, têm de prová-lo em campo e, também, na sua vida diária fora do campo. Diferenças que também fazem campeões.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

LEÃO DA ESTRELA: o 24º blogue nacional

De acordo com um sítio Futebol Magazine, que elaborou a classificação dos 100 maiores blogs e sítios de futebol portugueses, mediante a avaliação de tráfego do Traffic Rank do Alexa, o LEÃO DA ESTRELA foi, durante o mês de Agosto, o 24º mais lido ou consultado pelos internautas. De acordo com o Futebol Magazine, a posição dos blogs é apurada através da média entre o número de visitas e o número de "pageviews" de cada blog ou sítio. Do universo sportinguista, destacaram-se ainda como mais visitados no mês de Agosto o sítio Sporting Apoio (7º lugar) e os blogs Fonte Segura (9º lugar) e Mais Sporting (23º lugar). Refira-se que o LEÃO DA ESTRELA também é lido na rede social Facebook, mas essas consultas não entram na contabilidade do ranking elaborado pelo Futebol Magazine.

domingo, 6 de setembro de 2009

A renovação de André Marques

De todas as críticas que são feitas aos defesas do Sporting, acho muito exageradas as que são feitas ao jovem André Marques. É um lateral-esquerdo formado no Sporting que merece o apoio e o incentivo de todos os sportinguistas. Tanto mais que não há assim tantos laterais-esquerdos portugueses que sejam interessantes. Basta olhar para os plantéis do FC Porto e o Benfica...
André Marques não é um excelente defesa-esquerdo? Não, não é. Mas pode vir a ser. Precisa é de confiança e de alguém que saiba motivá-lo. E precisa, sobretudo, de uma equipa que não jogue sobre brasas. Para que o Sporting deixe de ser um cemitério de jogadores. É evidente que, se o guarda-redes não der confiança, se o defesa direito tremer e se os centrais tremerem, o mais certo é que o defesa-esquerdo também trema.
Donde, a Sporting SAD fez muito bem em renovar o contrato de André Marques, pois estamos perante um jovem formado no Sporting, que tem características físicas muito interessantes, que joga simples e não complica, podendo transformar-se num valor incontornável a muito curto prazo. Oxalá o jovem atleta tenha o apoio de que precisa. De uma equipa técnica que saiba motivá-lo e que saiba dar-lhe confiança e de uma plateia que seja pelo menos tão compreensiva como tem sido para Paulo Bento.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...