domingo, 30 de outubro de 2011

Só Jéffren parece fora desta onda verde


O Sporting cumpriu o objectivo de vencer o Feirense, no Estádio de Aveiro, e manteve Benfica e FC Porto sob pressão. No horizonte, cresce a expectativa em relação ao Benfica-Sporting de finais de Novembro, onde a equipa leonina poderá chegar em posição confortável, bastando para isso vencer em Alvalade a União de Leiria. Já o Benfica terá de ir a Braga e o FC Porto a Olhão.
O Feirense não foi um adversário fácil. Mas o Sporting venceu com a categoria e a clareza a que nos tem habituado. Capel, tal como um abre-latas, tratou de “expulsar” Henrique (55’), por acumulação de cartões amarelos, abrindo caminho a uma vitória construída com os golos da dupla holandesa formada por Wolkswinkel (na marcação de uma grande panalidade indiscutível) e Schaars.
A equipa leonina somou a décima vitória consecutiva (sexta na I Liga), mantendo-se a três pontos de Benfica e FC Porto. Como se viu nas bancadas e dentro do campo, o Sporting está de volta.
Só o espanhol Jéffren, um jogador que ainda não justificou o investimento, parece fora desta onda verde. Aos 84', já com o resultado feito, saiu do campo sem dar explicações a ninguém. Um assunto para a SAD resolver como deve ser. Isto é, preservando a autoridade do treinador Domingos Paciência e defendendo a solidariedade que todos devem ao grupo de trabalho. Nada que não se possa resolver. FOTO: Reuters

sábado, 29 de outubro de 2011

Schaars, o novo xadrezista de Alvalade


Foi muito mencionada, por vários sportinguistas, a magnífica entrevista de Schaars ao diário “O Jogo”. Curiosamente, na terceira página da entrevista, tiraram uma foto ao holandês a mexer num tabuleiro de xadrez. Xadrez, esse, que é um jogo de estratégia, tal como é o futebol. Onde devemos saber o que vamos fazer, mas somos melhores quanto mais rápido conseguirmos antever as movimentações do nosso adversário.
“É essa a minha maior virtude. Vejo coisas antes de elas acontecerem. Se calhar é por isso que falam da minha liderança”, afirma Schaars.
Muitos, como eu, duvidavam do seu estado físico depois de uma grave lesão e, no início, sentiu dificuldades de compreensão do modelo de jogo da equipa, dificuldades essas reconhecidas pelo próprio e por Domingos.
Schaars é hoje o mais importante jogador do Sporting. Não é o que marca golos ou fascina com fintas, mas é o pêndulo discreto do meio-campo, o que mantém a pressão alta, o que descobre os espaços e faz “passes inteligentes”. Schaars é uma espécie de Hugo Viana, com menos veludo nos pés, mas com maior intensidade de jogo.
A sua racionalidade e liderança são reflectidas nos comentários justos que faz sobre os diversos colegas, de que fala na entrevista: Rinaudo (“precisa de ser mais esperto”), Wolfswinkel (“bom rapaz e a melhorar”), Capel (“não é Messi, mas a equipa precisa dele e ele precisa da equipa”) ou Carrillo (“não é muito esforçado, mas tem qualidade e só tem 19 anos”).
Schaars faz parte de algo que tenho de elogiar. A qualidade humana de todos os reforços do Sporting, todos com boa cabeça, frios, mas muito unidos e contribuindo para um balneário blindado à prova de bala. E Schaars vai mais longe: “Sim. Somos o Sporting e temos de mostrar aos adversários que somos um grande clube. Temos de agir em vez de reagir.” E vai dizendo que vai lutar para um Sporting campeão. Porque a racionalidade do discurso de Domingos tem a ver com a gestão de um balneário jovem, mas o Sporting onde entra é para ganhar.

Rui Calafate

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A maior goleada da temporada


Mais uma grande vitória do Sporting, a nona consecutiva, desta vez sobre o Gil Vicente, por 6-1. É a maior goleada da Liga Portuguesa 2011-2012. Quando sobra atitude, o resto vem por acréscimo. Neste caso, os golos. Até Capel marca dois golos num só jogo, o que aconteceu pela primeira vez na sua carreira, e ambos de cabeça, o que também não é habitual. E Bojinov também saiu da penumbra, estreando-se a marcar e logo por duas vezes.
Alguns anos depois, o Estádio de Alvalade voltou a ser uma sala de espectáculos. De grandes espectáculos de futebol, com um Sporting altamente competitivo, a marcar golos  e a ganhar. Desde o jogo de Paços de Ferreira – o tal jogo que poderia valer uma temporada, como escrevi na altura – que tudo sai bem à equipa de Domingos Paciência. E quando tudo sai bem, as coisas saem cada vez melhor.
Por isso, é preciso recuar 13 anos, até à temporada de 1998-1999, a última do longo jejum de 18 anos sem ganhar o campeonato, então sob o comando técnico de Mirko Jozic, para encontrar um Sporting com melhor desempenho após oito jornadas disputadas.
O tempo não é de euforias, como, sagazmente, alerta Domingos Paciência. Mas há razões para um grande optimismo. Mas os sinais são muito bons. Nas duas últimas vezes em que o Sporting marcou 6 golos na Liga Portuguesa foi campeão ou esteve muito perto de ser campeão. Em 2004-2005 (vitória por 6-1 sobre o Boavista) perdeu o título, ingloriamente, com um golo ilegal no Estádio de Carnide, na penúltima jornada. Em 2001-2002 (vitória de 6-0, em Paços de Ferreira) foi campeão.
Para já são apenas sinais. É assim que estas vitórias devem ser entendidas. O tempo continua as ser de cerrar fileiras e de olear a máquina. O futebol do Sporting esteve muito tempo deprimido e sem ganhar. Em futebol as coisas podem surgir do nada, mas a solidez de uma estrutura e a cultura de vitória não nascem de um dia para o outro. O caminho faz-se caminhando. FOTO: Reuters

sábado, 22 de outubro de 2011

Sporting. União em campo e guerra nos bastidores


No futebol jogado dentro do campo, o Sporting está em alta. Mas fora do campo continua um clube dividido. E as eleições para a presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) parecem revelar a existência de uma guerra de poder em Alvalade, que não seria desejável neste momento de relançamento desportivo do clube.
Quando o presidente Luís Godinho Lopes diz que o clube apoia o portista Fernando Gomes como presidente da FPF, parece estar a seguir os altos desígnios estratégicos de Pinto da Costa, como, de resto, acontece há muitos anos, com maus resultados, desportivos e financeiros.
Quando vemos Luís Duque, o homem que manda na sociedade anónima que gere o futebol profissional, a manifestar o seu apoio ao candidato Carlos Marta, é natural que os sportinguistas fiquem confusos com a divisão dos apoios.
Depois de ouvirmos Godinho Lopes, em Tavira, a dizer aos sportinguistas do Algarve que a sua direcção "mata" quaisquer atitudes divisionistas, aumenta a percepção de que a desorientação continua a ser uma imagem de marca do clube fundado por José Alvalade. E a ideia de que se trata de um "apoio pessoal" de Luís Duque é risível. Porque, nesta matéria, que é crucial para a política desportiva do Sporting, o seu administrador não pode sujeitar a sua posição pública a amizades pessoais.
Portanto, fora do campo, a divisão estratégica continua. Aliás, em escassos seis meses do consulado de Godinho Lopes, já é a segunda vez que Luís Duque aparece em público em dissonância com o presidente do clube. A primeira foi quando ameaçou demitir-se. Falta saber se há relação entre os dois episódios.
Uma coisa é certa: a existência de vozes e opções dissonantes em matéria de política desportiva enfraquecem o Sporting Clube de Portugal perante os agentes do futebol português.
Dentro do campo, porém, tudo mudou. O Sporting voltou mesmo. O treinador Domingos Paciência e os jogadores encontraram um rumo e o desempenho da equipa, que ainda está em crescimento, após oito vitórias consecutivas, começa a assustar os adversários directos. É o que nos vale.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sporting a 100% na Liga Europa

 

O Sporting soma e segue na Liga Europa 2011-2012. Nesta quita-feira, na noite de Matías Fernandez, em Alvalade, o Leão, muito forte colectivamente, venceu por 2-0 os romenos do Vaslui e assegurou antecipadamente a passagem aos 16-avos-de-final da prova. Um triunfo que, até ao Ano Novo, vai libertar a mente da equipa leonina, que agora pode concentrar-se exclusivamente nas provas nacionais. FOTO: Reuters

domingo, 16 de outubro de 2011

Obrigação cumprida em Famalicão


O Sporting cumpriu a obrigação de vencer em Vila Nova de Famalicão (0-2) 
e seguir em frente na Taça de Portugal, mas a forma como decorreu a partida e chegou à vitória está longe de poder deixar sossegados os seus responsáveis e simpatizantes. Jogou contra uma equipa que ainda este ano ascendeu ao terceiro escalão do futebol nacional e composta por jogadores que só treinam após o horário dos seus afazeres profissionais, mas raramente teve o jogo na mão.
É certo que dois golos sem resposta não podem deixar grandes dúvidas quanto ao desfecho final, mas deve dizer-se também que o Sporting construiu o resultado graças a uma grande penalidade e aos momentos posteriores de descontrolo por parte dos atletas do Famalicão. Os protestos que se seguiram à decisão do árbitro valeram aos famalicenses três cartões amarelos, sendo que dois desses jogadores acabariam por ser expulsos na sequência de nova admoestação.
E se a grande penalidade que permitiu a Wolfswinkel dar vantagem à equipa no marcador surgiu numa altura em que o Famalicão parecia, pela primeira vez no jogo, dar mostras de poder incomodar a defesa do Sporting, o golo que fixou o resultado foi obtido quando a equipa da casa jogava já em inferioridade numérica. Foi o coroar de uma jogada de envolvimento no lado direito do ataque. A bola circulou entre vários jogadores, fazendo deslocar a defesa do adversário, e o cruzamento de Pereirinha encontrou Wolfswinkel liberto no coração da área, para um cabeceamento eficaz. O exemplo de como o Sporting deveria ter actuado perante um adversário que se fechou o mais que pôde junto da sua área.
O jogo foi, porém, quase sempre muito diferente. A equipa de Alvalade dominou largamente e, no início, até criou algumas oportunidades, mas o certo é que nunca conseguiu mandar na partida e envolver o adversário. O Famalicão obedecia ao guião defensivo e, à medida que o tempo corria, os jogadores iam ganhando confiança. Passado o sobressalto inicial, conseguiram chegar ao intervalo deixando a sensação de que poderiam fazer sofrer o adversário.
Logo no início da segunda parte, os avançados da casa obrigaram o guarda-redes do Sporting a fazer a primeira intervenção, e seguiram-se mesmo outras duas jogadas que colocaram a defesa em apuros, até que surgiu o penálti salvador.
Após o segundo golo da equipa leonina, o Famalicão começava a dar sinais de quebra física e a segunda expulsão (por acumulação de amarelos) foi disso consequência evidente. Mas nem mesmo a jogar contra nove o Sporting foi capaz de mandar no jogo. Prova disso é o facto de, já nos instantes finais, Marcelo Boeck ter negado aos famalicenses o golo que bem fizeram por merecer. Foi um remate de cabeça na sequência de um livre na ala direita, com o guarda-redes brasileiro a fazer aquela que foi, provavelmente, a defesa da noite.
E mesmo tendo vencido a equipa mais poderosa, pela forma como decorreu o jogo, bem pode dizer-se que houve taça em Famalicão. Não só pela forma como o jogo foi disputado, mas também pela festa nas bancadas, que mais de uma década depois voltaram a encher-se de público.
TEXTO: José Augusto Moreira, "Público", 16-10-2011 FOTO: "A Bola"

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Famalicão-Sporting, um jogo de emoções fortes


Em 33 anos, é a quarta vez que Futebol Clube de Famalicão e Sporting Clube de Portugal vão jogar para a Taça de Portugal, no Norte. Para mim é sempre um jogo de emoções fortes e contraditórias. Por duas razões compreensíveis: o FC Famalicão é o clube da terra onde nasci e onde vivo, e também o clube que representei como jogador, episodicamente, nas camadas jovens; e o Sporting Clube de Portugal é o clube do meu coração.
Foi, por isso, com grande emoção que assisti ao vivo ao primeiro jogo entre as duas equipas, na temporada 1977-1978, curiosamente numa época em que o Sporting venceu a Taça de Portugal e o FC Famalicão foi campeão nacional da II Divisão e subiu à I Divisão. Recordo esse jogo a propósito de um texto sobre Salif Keita, num "post" que escrevi aqui.
Nessa altura, o Famalicão era treinado por José Carlos, antigo defesa e "capitão" leonino. Na defesa, alinhava Zezinho, emprestado pelo Sporting. No Famalicão pontuavam Reinaldo e Jacques, que seriam mais tarde avançados do Benfica e do FC Porto.
Em 1984-1985, o Sporting voltou a Famalicão (então na II Divisão Zona Norte), tendo a equipa leonina vencido por 4-2. Pelo Sporting jogaram Béla Katzirz (guarda-redes húngaro que não fez esquecer Meszaros), Carlos Xavier, Oceano Cruz, António Morat, Pedro Venâncio, Vânio Kostov, Manuel Fernandes, António Sousa, Mário Jorge, Eldon e Rui Jordão. Marcaram pelo Sporting Venâncio, Carlos Xavier, Eldon e Jordão.
Em 2000-2001, com Manuel Fernandes como treinador, o Sporting voltou a Famalicão para ganhar com dificuldade no prolongamento. Agora, aí está mais um Famalicão-Sporting, o segundo do século XXI. O jogo será uma grande festa do futebol, dado o grande entusiasmo que está a gerar na cidade. Estarei lá, obviamente.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Deixem jogar o Rinaudo!...


A equipa do Sporting é a que sofre mais faltas na I Liga Portuguesa 2011-2012. É um sinal muito bom, pois significa que a equipa de Domingos Paciência, mesmo tendo em conta o fraco rendimento das primeiras jornadas, é das mais competitivas da prova. Em 7 jornadas, o Sporting já sofreu um total de 136 faltas, o que dá uma média de 20 por jogo.
Curiosamente, o médio defensivo Rinaudo, que supostamente até poderia cometer muitas faltas, é um dos jogadores da I Liga portuguesa mais massacrados com entradas dos adversários à margem das leis do jogo. Em 382 minutos em campo, o argentino Rinaudo – que no último jogo foi expulso em Guimarães, numa decisão, no mínimo, muito injusta dessa espécie de árbitro chamada Bruno Paixão – já sofreu um total de 25 faltas, o que significa que sofre uma falta em cada 15 minutos de presença em campo. Curiosamente, Rinaudo apenas cometeu 13 faltas, ou seja, precisa de jogar 29 minutos para cometer infringir as leis do futebol. À sua frente há 23 futebolistas mais faltosos. Em função destes dados, é caso para dizer: deixem jogar o Sporting e deixem jogar o Rinaudo!...

domingo, 2 de outubro de 2011

A paixão de saber sofrer


Mais uma vitória do Sporting, agora por 1-0, em Guimarães, a sexta vitória consecutiva, e mais uma excelente exibição do conjunto leonino, a jogar com 10 e contra 12 na maior parte do tempo de jogo. Sim, eu sei que o Spoorting não jogou nada bonito, mas deixou em Guimarães uma lição de entreajuda e uma marca de pragmatismo que nos dizem estarmos perante uma equipa que tem condições de lutar de igual para igual com FC Porto e Benfica na luta pelo título nacional.
Não consigo evitar umas palavrinhas sobre Bruno Paixão, a espécie de árbitro que fez questão de expulsar Rinaudo sem motivo, e que exibiu ao longo do jogo a conhecida dualidade de critérios com que a rede mafiosa da arbitragem portuguesa costuma decidir vencedores e derrotados. Desta vez, essa dualidade de critérios só não deu mais prejuízos para a equipa sportinguista porque o futebol do Vitória de Guimarães se revelou distante da qualidade e da eficácia de outros tempos.
No entanto, Paixão fez uma arbitragem digna de um autêntico filho da puta – pois eliminou da partida, gratuitamente, um jogador muito influente na equipa de Domingos Paciência, ainda no primeiro terço do jogo, e obrigou o Sporting a mudar toda a estratégia e a prejudicar o espectáculo. Daí resultou uma equipa leonina cada vez mais encolhida, embora com capacidade de sofrimento, segura, eficaz e solidária.
Reza a história que, em Guimarães, nasceu Portugal. E, neste domingo, nasceu também um verdadeiro candidato ao título nacional de futebol 2011-2012. Em Alvalade, está a crescer uma equipa que volta a ser um orgulho para todos os sportinguistas. FOTO: Getty Images

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Espectáculo e sofrimento


O Sporting venceu a Lazio e somou a quinta vitória consecutiva. Uma vitória construída com espectáculo e sofrimento. Espectáculo na primeira parte, em que os dois grandes golos, de Wolkswinkel e Ínsua, mas em especial o primeiro, foram as duas cerejas em cima do bolo. Também houve lugar ao desacerto. E aí, Ínsua deu nas vistas ao ter sido expulso na sequência de um segundo cartão amarelo. E o Sporting actuou quase toda a segunda parte com dez. Foi a fase do sofrimento. Os italianos estiveram mesmo à beira de empatar, mas já era tempo de o Sporting usufruir de alguma estrelinha em jogos europeus. No global, deu para ver que Domingos Paciência está a fazer uma equipa que poderá ser uma grande equipa. Alvalade começa, finalmente, a conjugar o verbo ganhar. Os sportinguistas já estavam a precisar. FOTO: Getty Images

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Polga não foi para Roma em 2003. "Infelizmente", diz ele



O defesa-central leonino Anderson Polga teceu comentários sobre a preparação da equipa do Sporting para o duelo frente à Lazio, a realizar nesta quinta-feira, em Alvalade, para a Liga Europa, num confronto que o jogador brasileiro deverá abordar na posição de titular face à ausência de Alberto Rodriguez. Até que confessar que, "infelizmente", não foi para o Roma, em 2003, acabando por ingressar no Sporting Clube de Portugal. Infelizmente???... Enfim. Abrem a boca e só sai asneira.

sábado, 24 de setembro de 2011

Agora sim, o Sporting está de volta!...


O novo Sporting, que Domingos Paciência só encontrou depois de o clube ter vendido Hélder Postiga e Yannick Djaló, deu neste sábado uma demonstração cabal do seu crescimento. A vitória por 3-0 sobre o Setúbal foi muito pequena para traduzir uma exibição quase perfeita, um domínio avassalador, do primeiro ao último minuto do encontro, e muitas oportunidades de golo.
Para além da excelente exibição do Sporting estivemos perante um magnífico jogo de futebol, com golos, emoção e procura constante da baliza. Mais vezes o Sporting, enquanto o Vitória de Setúbal só tentou quando pôde. Ainda assim, a equipa sadina também rematou, aproveitando o adiantamento da defesa leonina e alguma intranquilidade de Rui Patrício na reposição da bola em jogo. DE qualquer modo, Patrício assinou duas ou três excelentes defesas e, muito importante, não sofreu golos.
Para além de um futebol vivo e com forte sentido colectivo, da vontade de ganhar demonstrada desde o apito inicial de Cosme Machado e do generoso e excelente público de Alvalade, o que mais gostei no Sporting foi um notório trabalho de balneário que fez transparecer para o público uma equipa de jogadores unidos e movidos por uma corrente positiva. Isso viu-se pelo semblante alegre dos jogadores, pela cumplicidade revelada em campo e pela forma como festejaram os golos ou reagiram às contrariedades.
A forma decidida como o Sporting procurou a vitória demonstra que, havendo vontade de ganhar, é muito mais fácil chegar ao golo e construir vitórias robustas muito cedo. É evidente que os manhosos das televisões procuram sempre explicar o sucesso do Sporting com falhas adversárias. E até ocupam o tempo a pensar que o adversário, mesmo a perder por 3-0 ao intervalo, ainda pode recuperar na segunda parte. Mas isso não conta para nada se a equipa procurar o golo com intensidade competitiva e um jogo de qualidade.
A vitória caída dos céus nortenhos, em Paços de Ferreira, revelou-se muito importante para a recuperação sensacional que o Sporting está a empreender em poucas jornadas, em função dos pontos perdidos por FC Porto e Benfica. E eis o Sporting, de novo, na luta pelo título, de igual para igual, e com motivação para impor o seu jogo em qualquer campo.
Neste momento, importa continuar a recuperação psicológica de Rui Patrício. Porque já demonstrou que tem excelentes qualidades entre os postes. Fora deles precisa de aprender a não inventar tanto. Se não consegue chutar em condições, que não chute. Mas isso é trabalho para Vital, o treinador dos guarda-redes.
Já a defesa ganhou outra robustez e outra capacidade ofensiva com a entrada de Ínsua. Prevalece alguma indefinição na dupla de centrais, residindo aí as dúvidas que terão de ser desfeitas nos próximos tempos.
O triângulo do meio-campo formado por Rinaudo, Schaars e Elias está a crescer de jogo para jogo. Carrilho é excelente no lado direito. Capel não pode sair da ala esquerda, pois não faz nada de ofensivo do lado contrário.
E Wolkswinkel, que marcou dois grandes golos, à ponta-de-lança, é o novo Liedson. Não tenham dúvidas. Agora sim, o Sporting está de volta!... FOTOS: Rafael Marchante (Reuters)

E o vencedor do FC Porto-Benfica foi...


... O Sporting Clube de Portugal!... Mas, ainda falta ganhar ao Vitória de Setúbal, neste sábado, às 20h30, em Alvalade. Um estádio onde a equipa leonina, para a Liga Portuguesa, já não vence desde Abril último. Vamos ver como será neste sábado. A vitória é fundamental para relançar a equipa na prova.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sporting. Terceira vitória consecutiva 9 meses depois


A jogar de preto, o Sporting lá vai, devagarinho, para não partir, porque a coisa ainda treme muito na defesa. Desta vez, a vítima foi o Rio Ave. O Sporting venceu por 3-2, em Vila do Conde, e somou a terceira vitória consecutiva em jogos oficiais, que já não festejava desde 8 de Janeiro de 2011, quando venceu o Sporting de Braga, precisamente orientado por Domingos Paciência, por 2-1, em Alvalade. Por isso, compreende-se a alegria da nação sportinguista, cuja confiança na equipa parece estar em retoma, embora lenta. A fome de vitórias é imensa, sendo capaz de nos toldar a visão. Mas isso também faz parte da paixão.
A verdade é que a coisa ainda treme muito. Sobretudo na defesa. O que obriga a uma equipa mais ambiciosa na busca do golo, enquanto os adversários estão distraídos, procurando marcar o segundo, e depois o terceiro e depois o quarto, se for possível. O que não acontece.
Em Zurique, foi preciso sofrer, depois de facilmente ter sido atingido o 2-0. Em Vila do Conde, depois de uma entrada avassaladora, com dois golos nos primeiros três minutos, a equipa sportinguista foi saindo do jogo, até que, escandalosamente, se deixou empatar, a meio da segunda parte. É inadmissível que o ritmo e a ambição baixem depois de dois golos marcados. Já tinha acontecido contra os toscos do FC Zurique. E aconteceu o mesmo agora. Até parece que os novos jogadores aprenderam rapidamente como se jogava no ano passado.
Ao Sporting valeu a eficácia, que parece estar de volta. Desta vez com o defesa-central norte-americano Oguchi Onyewu, um herói improvável, a decidir, aproveitando-se dos seus centímetros a mais para cabecear com êxito. E Wolkswinkel dá sinais de ser um ponta-de-lança cuja eficácia poderá fazer esquecer Liedson. Nada está conquistado. Falta a quarta vitória consecutiva. A construção da equipa continua. FOTO: Getty Images

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A segunda vitória consecutiva


O Sporting conquistou a segunda vitória consecutiva. Desta vez, venceu o FC Zurique, por 2-0, na abertura da Liga Europa 2011-2012. Mais um pontapé na crise. FOTO: Reuters

Mandem calar o comandante


O comandante Vicente de Moura, presidente do Comité Olímpico Português, decidiu disparar sobre a gestão do Sporting e sobre a aquisição de jogadores. Fê-lo ao microfone da Renascença, a tal rádio que gozou com o Sporting, sem que, da área da comunicação do clube, o sr. Carlos Barbosa e a cavalheira loura que ele contratou conseguissem um pedido de desculpas.
A minha ingenuidade já era. Levo 16 anos de comunicação e é a mesma rádio que se lembra de ir ouvir o comandante Vicente de Moura falar sobre o Sporting. Pois bem, o comandante tem direito a opinião, mas eu tenho direito também à minha opinião sobre o comandante.
Acho estranho este senhor vir falar agora e muito mais sobre contratações. Fico a depreender que o comandante preferia o Tales de Souza, o Cristiano, o Maniche, o Grimi, o Postiga e o Yannick. O Sporting reforçou-se com bons jogadores para não passar a vergonha do ano passado que, se calhar, o comandante preferia.
Mas o comandante devia preocupar-se era com os assuntos dele. Não tenho nada contra a idade dele, mas ele é o representante da "brigada do reumático" que se agarra como lapas a determinados lugares.
Se não fosse assim, o comandante tinha saído do COP depois das Olimpíadas. Já agora, agradecia que a “troika” que por cá anda fosse ver os números da gestão do COP e, por exemplo, o contrato do COP com a agência de comunicação que trabalha lá. Como foi o concurso comandante? É uma empresa amiga? Isto é uma pergunta.
E em vez de se meter com o Sporting, que diz ser o seu clube, devia preocupar-se com o próximo ciclo olímpico e dou dois factos com modalidades onde temos legítimas ambições a medalhas e largo historial.
1 - Por que é que o comandante não está preocupado com os resultados do atletismo no último mundial, a um ano das Olimpíadas, que foram fraquíssimos em vez de estar preocupado com os jogadores do Sporting?
2 - Como é que está o seu relacionamento com a Federação Portuguesa de Vela que vive neste momento graves problemas, a um ano das Olimpíadas?
É sobre isso que o sr. comandante tem de falar, pois arrisca-se a ficar na história como o Comandante Zero.
Vir falar sobre o Sporting foi servir os inimigos do clube. Infelizmente, o sr. Carlos Barbosa e a cavalheira loura que escolheu para a comunicação do clube continuam a dormir manifestando uma absoluta incompetência.
Num livro de Gabriel Garcia Marquez dizia-se “ninguém escreve ao coronel”. Neste caso é para dizer “mandem calar o comandante”. Se não o fazem, e não o vão fazer, eu digo com respeito: “Comandante Vicente de Moura, sobre o Sporting cale-se!” E vá trabalhar para o sucesso deste ciclo olímpico. É sobre ele que os sportinguistas agradecem que fale.

Rui Calafate

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O contra-ataque de Luís Duque


Luís Duque esclareceu bem e partiu bem para o contra-ataque. Eu ponho os nomes: quanto ganham Rui Costa, António Carraça, Antero Henrique, por exemplo? Comissões no Benfica e no Porto? Quem são os accionistas do Benfica Stars Fund?
Rui Calafate

Os milhões em comissões e o salário de Duque


Há muito para explicar sobre esta notícia. E não me venham dizer que a notícia de O Jogo, que é um jornal que considero muito equilibrado, é feita por inimigos do Sporting - a mesma conversa do costume como se apoiar fosse calar – pois o autor da notícia, o Jean-Paul Lares é um bom jornalista e um tipo sério.
Já sabemos que há passes que têm de ser comprados, mesmo quando os jogadores vêm a custo zero (casos Rodriguez e Arias, neste caso custou 900 mil euros e temos Cédric e João Gonçalves para a mesma posição, não esquecer), mas, meus amigos, 11 milhões em bolo global de comissões não é demais?
Quem são os cavalheiros que representam estas entidades todas que recebem comissões? Mas o futebol que é um espectáculo fantástico e honesto, pois é vivido com paixão pelos adeptos, tornou-se um negócio de vampiros comissionistas e de “off-shores” sem rosto?
Num clube que “não tem dinheiro para fazer cantar um cego”, Godinho Lopes “dixit”, 11 milhões em comissões é normal?
E que dizer do salário de Luís Duque? Vão-me dizer: é normal. Não é, não senhor. José Eduardo Bettencourt foi o pior Presidente do Sporting e também o primeiro a ter uma remuneração. Auferia na casa dos 20 mil euros, mas era muito menos do que ganhava na sua actividade profissional, honra lhe seja feita.
Agora Duque aufere sensivelmente o mesmo. Mas a pergunta simples é: mas quanto ganhava antes de vir para o Sporting?
Pois bem, entendo que quem tem paixão por um clube, naturalmente não deve perder dinheiro, mas deve ganhar sensivelmente o mesmo que ganhava na sua função anterior. Isolando o caso de Godinho Lopes, que não é remunerado, e dos activos do clube, gostava muito que estudassem a diferença entre o que os funcionários do Grupo Sporting auferiam antes de ir para lá e o que recebem agora.
Sem esquecer as cunhas e o compadrio de muita gente que está no Sporting a ganhar o que nunca ganharia a trabalhar com o currículo que tem. Depois falam de quotas suplementares para as modalidades, mas se cortarem em salários na sede social do Sporting vão ver que têm uma excelente maneira de equilibrar as contas das modalidades ditas amadoras.
Assuntos que deviam ser tratados e explicados hoje na reunião do Conselho Leonino.

Rui Calafate

sábado, 10 de setembro de 2011

Uma vitória que pode valer uma temporada


O Sporting ganhou, finalmente, na I Liga Portuguesa 2011-2013, em Paços de Ferreira, por 3-2, depois de estar a perder por 2-0. Foi uma grande vitória, uma vitória arrancada a ferros, construída já no último quarto de hora da partida. Foi a primeira vitória, mas foi talvez a vitória mais importante da temporada, porque, tendo em conta as circunstâncias, pode valer uma temporada, se o ciclo vitorioso tiver continuidade já na próxima jornada.
O Sporting entrou em campo a perder por 1-0, na sequência de um daqueles lances que só acontecem em jogos do Sporting: Rodriguez tocou a bola para traz, mas o passe ao guarda-redes falhou, tendo o árbitro Paulo Baptista entendido que foi um atraso ao guarda-redes. Ora, não foi atraso na direcção do guarda-redes, pois Rui Patrício teve de se deslocar alguns metros para a sua esquerda para interceptar a bola e agarrá-la. Por isso, o primeiro golo pacense teve o carimbo da equipa de arbitragem, complicando seriamente a estratégia sportinguista. O costume, com a assinatura de um palhaço que, há uns anos, também assinalou grande penalidade contra o Sporting, num jogo com o Trofense, por uma falta cometida três metros fora da área.
Sem espaço para perder mais pontos, Domingos Paciência resolveu finalmente abrir o livro dos “reforços” e renovou a equipa. Só o bom futebol não entrou em campo. O que se compreende numa equipa ainda sem automatismos. Mas deu para ver que Capel, muito voluntarioso, é um jogador de fogachos e que Bojinov continua em crise existencial. Daí que em grande parte do tempo tenha faltado quem definisse melhor o jogo leonino no último terço do campo.
Numa entrevista que deu neste sábado, o ex-avançado leonino Carlos Saleiro, que agora joga do Servette, disse uma coisa que, tendo em conta o rendimento demonstrado até agora, define na perfeição o Sporting 2011-2012: “Em qualidade, o plantel do Sporting da época passada está equiparado ao actual. Neste ano tem é mais opções.”
Muitas vezes não interessa como ganhar. Interessa é ganhar. Em Paços de Ferreira, o Sporting estava num daqueles dias em que o importante era ganhar, não importando como. A segunda parte começou mal, com a equipa a sofrer o segundo golo e a perder-se em campo. Até que, num momento de inspiração, Izmailov (sim, o russo que tinha sido proscrito por Costinha em 2010…) encontrou o caminho do golo e da viragem do resultado. Pouco depois, Elias – um toque de classe na equipa que já é notícia no Brasil – resolveu começar a fazer render o retorno do histórico investimento que implicou a sua contratação, empatando o jogo. E a seguir foi Wolfswinkel a fazer um golo ao seu estilo.
O Sporting estava, pela primeira vez, a ganhar. Como explicou Domingos Paciência, esta vitíoria ensinou os jogadores a “acreditar que é possível ganhar sempre”. É por isso que foi uma vitória muito importante. Acreditemos.

Godinho Lopes e os ladrões do Sporting


Numa sessão de esclarecimento aos associados do Sporting Clube de Portugal, o presidente Godinho Lopes (que nesta foto está a abraçar o afinador das eleições e dos fundos leoninos) afirmou que, no clube, "havia gente que roubava e que, por isso, foi despedida".
Em primeiro lugar, esta frase demonstra que Godinho Lopes, em apenas seis meses, já caiu no pântano que, há um ano, acabou por levar à demissão do inenarrável José Eduardo Bettencourt. Em segundo lugar, uma coisa destas não se diz assim. Se alguém roubava, os sportinguistas querem e merecem saber quem são os ladrões e o que é que eles roubaram.

Prejuízos do Sporting sobem para 44 milhões


O grande Sporting Clube de Portugal continua a caminhar tristemente para a falência, como demonstram os resultados financeiros no futebol, modalidade que é a mola da instituição. Maus resultados desportivos explicam prejuízos superiores a 40 milhões de euros na época transacta, revelou a SAD do Sporting. Os comissionistas que tomaram conta do nosso clube não conseguem fazer melhor, ano após ano. E no que resta de 2011 vai, provavelmente, ser muito pior, uma vez que a folha salarial aumentou, com o grande investimento realizado em craques que estão a passar por uma crise existencial...
Agora é que eu gostava de ver José Eduardo Bettencourt  nos jornais ou nas assembleias gerais do Sporting a prestar contas pela sua gestão tresloucada na presidência do clube. Mercê do trabalhinho dele, o Sporting registou um resultado negativo de 43,99 milhões de euros no último exercício, fechado em Junho deste ano, o que representa um agravamento de 56% face a 2010.
Tal evolução "reflecte a performance desportiva negativa da época", refere a SAD leonina, no comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). E não teria sido mais sério terem escrito que "revelam a incompetência dos dirigentes"?
Por outro lado, os resultados "foram agravados em relação ao que seria expectável", por ajustes contabilísticos resultantes da reestruturação financeira e da contabilização de custos relacionados com a remodelação do futebol do clube. As tais afinações que já deram cabo de muitos clubes em Portugal. Lembrem-se do Boavista...
Os proveitos operacionais "estão em linha" com os do último exercício, mesmo com a diminuição dos relativos às provas da UEFA, nomeadamente com a não ida à Liga dos Campeões. Este ano foram de 35,36 milhões de euros, mais 0,5% que há um ano.
O aumento dos custos de pessoal foi determinante para que os custos operacionais tenham crescido 25,4%, para os 52,77 milhões de euros. Nessa rubrica, pesaram essencialmente as contratações feitas na época.
Em termos de passes de jogadores, o valor da última época foi de -17,40 milhões de euros, quando fora de -6,89 milhões um ano antes, ou seja um agravamento de 152,4 por cento.
O passivo cresceu 4,5%, para 199,54 milhões de euros, ao mesmo tempo que o activo líquido da SAD aumentou 21%, para 169,89 milhões.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Les jeux sont faits e já perdemos

Compreendo, mas não posso concordar, com a opinião do meu blogmate Rui Calafate. O Sporting ficou encurralado numa posição em que, qualquer que venha a ser a decisão de apoio, sairá perdedor.
Não vale a pena demonizar Pinto da Costa (que teve mais uma jogada de mestre) nem tentar dourar a opção Seara.
A terceira opção, um candidato próprio, parece-me irrealista. Serviria apenas para alimentar um bacoco ego sportinguista. Com derrota certa dessa candidatura, seria o arredo total da Federação. Tarde demais para pensar nisso.
A estratégia, que o Sporting mais uma vez não teve, não se resolve agora com tácticas de última hora.
Les jeux sont faits, e já perdemos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...