Face ao esturricar diário que vem sendo feito na imprensa ao vice-presidente do Sporting, sem que o clube o defenda de forma eficaz, não me surpreende a decisão de PPC em regressar às funções. O segredo de justiça parece, como em quase todos os outros casos mediáticos, funcionar apenas num sentido, obrigando os arguidos ao silêncio enquanto a imprensa, com o Correio da Manhã à cabeça, a deixar cair diariamente noticias, sem qualquer prova ou confirmação, que vão formando a opinião pública.
Sobre a possibilidade de o CD recusar o regresso de PPC e salvo melhor opinião , tal não me parece uma boa medida. Para o exterior seria a admissão de culpa. Se, como Godinho Lopes disse, o CD confia na sua inocência, tem agora uma dimensão prática para o demonstrar.
Sou já demasiado velho para acreditar em coincidências. Não me surpreende que, independentemente do que é verdade e do que venha a ser apurado, PPC seja um alvo que a muitos daria gosto abater. PPC talvez seja, dos membros que compõem o actual CD, aquele que melhor percebe as particularidades do futebol português, juntamente com o Luis Duque. E isso tem faltado em anos seguidos ao Sporting. Os dirigentes parecem revelar alergia ao cheiro dos balneários bem como aos subterrâneos do futebol português, onde muito da sorte é decidida. Não duvido que o Sporting precisa de gente que incomode e que infunda receio junto de aqueles que se recusam a respeitar-nos. Já passou demasiado tempo para esperar que nos vejam trazer ao colo o que é nosso de direito.
Nada acontece por acaso. Nesse sentido não surpreende que o Correio da Manhã, baluarte nacional do jornalismo de sarjeta, tenha escolhido Patrício como exemplo dos “perseguidos” de PPC. É pública a sua situação contratual com o Sporting e uma noticia como esta dificilmente ajuda a um entendimento. E quanto à possibilidade de os jogadores do Sporting serem “vigiados” da parte que me toca só me resta um comentário: até que enfim! Provavelmente o Sporting será dos últimos clubes a adoptar tal medida.
Não falo obviamente de um “Big Brother” mas o Sporting, tendo em conta o investimento que faz nos seus jogadores e do que deles depende para alcançar resultados, tem que assegurar que a sua vida privada é consentânea com a sua vida profissional. E tem obviamente que assegurar também que noticias, como por exemplo as do Grimi apanhado a altas horas da noite e com álcool no sangue, ou não aconteçam ou sejam contidas. Elas fazem a imagem do clube e a relação dos adeptos com a equipa.
É lamentável que o Sporting, sempre que está num bom momento ou em véspera de grandes decisões veja, seja por culpa própria uma vezes, por fomento externo ou ambos, surgirem casos e episódios que ameaçam a estabilidade necessária. Será inocente que um caso que foi despoletado o final do ano passado tenha dito agora os desenvolvimentos que teve e, face à acusação de “denúncia caluniosa” os meios que foram empregues?
Do mês que resta para o fim se fará a história desta época e por isso não é a altura para abrir mais uma frente interna, discutindo o sexo do anjos. Não concebo que o meu clube adultere a verdade desportiva mas tenho cada vez menos pruridos em aceitar uma resposta musculada contra o tráfico de influências, contra os interesses instalados.
O Sporting pode contar apenas consigo e com os seus. Da imprensa, mais do que a missão de informar, que ainda ocorre, mas cada vez menos, há a necessidade de vender. Não é apenas o CM. Durante todo o fim-de-semana a Sport Tv passou em rodapé a noticia de que PPC foi acusado de tentativa de corrupção. E vários foram os que tentaram que o caso fosse analisado como se de coacção se tratasse, com objectivos óbvios. E dos organismos oficiais que pode o Sporting esperar, depois do que vimos este ano acontecer com a recusa dos árbitros e as consequências nulas deste procedimento?