Sporting Clube de Lourenço Marques em 1959-1960. Eusébio é o terceiro, em baixo, a contar da direita
Eusébio envergando a camisola dos sportinguistas do Lourenço Marques
Entrevista polémica ao "Expresso", em Novembro de 2011
Eusébio numa das últimas vezes em que vestiu a camisola do Sporting Clube de Lourenço Marques, em 1960. Em baixo, é o segundo a contar da direita
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Eusébio começou a jogar à
bola no Sporting Clube de Lourenço Marques, filial nº 6 do Sporting Clube de
Portugal, em Moçambique. Foi o clube que lhe deu oportunidades, depois de ter
sido recusado duas vezes no Desportivo de Lourenço Marques, a filial do Benfica
naquela antiga colónia portuguesa. E, segundo reza a história, quando viajou
para Portugal, seria para representar o Sporting Clube de Portugal.
Quando Eusébio chegou a
Lisboa, em 1960, o Sporting tinha dez títulos nacionais, o Benfica tinha outros
dez, o FC Porto cinco e o Belenenses 1. Quando saiu, em 1975, o Benfica tinha
21 campeonatos nacionais, o Sporting 14, o FC Porto 5 e o Belenenses 1. Isto
significa que o futebolista Eusébio da Silva Ferreira, melhor jogador de todos
os tempos do clube da Luz, foi o grande desequilibrador da balança dos títulos
nacionais a favor do Benfica, concretizada nos anos sessenta, com a ajuda do
presidente do Governo, Oliveira Salazar, que impediu a sua transferência para a
Juventus, em 1964.
O que é verdadeiramente
extraordinário é que Eusébio, quando era um simples adolescente moçambicano,
foi vetado por duas vezes no Desportivo de Lourenço Marques, que era a filial
do Benfica na colónia portuguesa, acabando por bater à porta do Sporting Clube
de Lourenço Marques, onde começou a revelar os seus dotes de futebolista de
eleição. Depois, chegou o interesse do Sporting Clube de Portugal, que acabou
por ser traído por uma prudência demasiada dos seus dirigentes. O clube de
Alvalade queria Eusébio à experiência, mas a Dona Elisa Anissabana, mãe de
Eusébio, queria “dinêro grande”. E o Benfica lá pagou 110 mil escudos. Na
época, era mesmo “dinêro grande”.
Mesmo depois de Eusébio
chegar a Lisboa, ainda havia a possibilidade de ingressar no Sporting, mas o
atleta foi afastado de eventuais “más companhias”, sendo colocado em casa de um
benfiquista algarvio até que se resolvesse a trapalhada em que se transformaria
a sua transferência para Portugal. É que, com o Sporting Clube de Portugal
interessado no jogador, o Sporting Clube de Lourenço Marques não emitia a carta
que libertaria Eusébio para o Benfica. Face ao impasse então verificado, até o
FC Porto chegou a tentar contratar o jogador moçambicano. Em vão. Porque a Dona
Elisa já tinha dado a palavra ao Benfica e não aceitava que Eusébio fosse para
outro clube que não o Benfica. Provavelmente, foi um dos maiores azares da
história centenária do Sporting Clube de Portugal!
Já nos últimos tempos da
sua vida, Eusébio esqueceu o seu passado de jogador da filial sportinguista de
Moçambique, que fez dele jogador de futebol. Numa entrevista ao “Expresso”, em
12 de novembro de 2011, o antigo craque da seleção portuguesa, num registo
divisionista e ofensivo para a nação sportinguista, afirmou: “Não gosto do
Sporting. No meu bairro, era o clube da elite, da polícia e dos racistas.” Ora,
foi precisamente nesse clube que Eusébio começou a jogar. Na sequência daquelas
declarações, Eusébio acabou por ser desmentido por um colega de equipa (ver
aqui: http://bit.ly/1kkc77y).
Eusébio foi o melhor
jogador e marcador do Mundial de Inglaterra 66, onde Portugal foi terceiro. Foi
campeão europeu de clubes em 1962 e três vezes vice-campeão, conquistou duas
"Botas de Ouro" (melhor marcador dos campeonatos europeus) e uma
"Bola de Ouro" (melhor jogador Europeu). No Benfica, conquistou 11
campeonatos nacionais, distinguindo-se como melhor marcador da prova em sete
ocasiões, além de ter ajudado o Benfica a conquistar cinco Taças de Portugal.
Entre 1975 e 1979 jogou nos Estados Unidos e no México, tendo também
representado o Beira Mar e a União de Tomar.
Vi Eusébio jogar uma vez. Foi num Sp. Braga-Beira Mar, numa tarde de domingo, na temporada 1976-1977. Desse jogo, que terminou com um empate a um golo, lembro-me da expectativa que se apoderou das bancadas do magnífico Estádio 1º de Maio quando Eusébio, vestindo a camisola do Beira Mar, foi chamado a cobrar um livre direto. A bola saiu muito pelo ar, demonstrando que Eusébio, na altura com 35 anos, estava acabado para o futebol. Morreu neste domingo, aos 71 anos, durante o sono. Foi um jogador tão grande que mudou a história do Benfica. E do futebol português.
Vi Eusébio jogar uma vez. Foi num Sp. Braga-Beira Mar, numa tarde de domingo, na temporada 1976-1977. Desse jogo, que terminou com um empate a um golo, lembro-me da expectativa que se apoderou das bancadas do magnífico Estádio 1º de Maio quando Eusébio, vestindo a camisola do Beira Mar, foi chamado a cobrar um livre direto. A bola saiu muito pelo ar, demonstrando que Eusébio, na altura com 35 anos, estava acabado para o futebol. Morreu neste domingo, aos 71 anos, durante o sono. Foi um jogador tão grande que mudou a história do Benfica. E do futebol português.
Neste momento de dor e
perda, o LEÃO DA ESTRELA endereça sentidas condolências à família de Eusébio.





















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